B.3 Syst`emes venus du monde industriel
2.5 Algorithmes SA1, SA2 et CAD : comparaison des temps de calcul
Este estudo buscou compreender como se articulam dois eixos de fenômenos que possuem bases teórico-empíricas próprias. No eixo das redes sociais, as propriedades estudadas foram: a densidade destas redes (nível macroesteutural) e os níveis de centralidade de seus membros (nível microestrutural), estudados em três tipos de redes, de informação, confiança e amizade (Kuipers, 1999). No eixo dos comportamentos de V&S, a perspectiva multidimensional diferenciou as dimensões de voz pró-indivíduo e pró-social e de silêncio pró- indivíduo e pró-social. Buscando uma relação entre estes dois eixos, questionou-se se um trabalhador que pertencesse a redes mais densas ou ocupasse uma posição de destaque em seu grupo emitiria com maior frequência suas opiniões acerca do trabalho.
Assim, identificamos primeiro se as propriedades das redes, especificamente a centralidade dos atores, tinham relações com os comportamentos de voz e silêncio dos trabalhadores. Dentre os três tipos de redes estudadas (informação, confiança e amizade), a densidade das redes manteve correlação mediana e negativa com o silêncio pró-social. Apenas
nas redes de amizade as centralidades de grau (entrada e saída) dos atores apresentaram correlações positivas com voz pró-indivíduo e silêncio pró-individuo, o que indicou que as redes de amizade possuíam maior relevância para a análise dos comportamentos de voz e silêncio do que as demais redes. Isto nos direcionou a escolher duas redes de amizade para uma análise mais específica, buscando-se confrontar redes com dois níveis bem distintos de densidade. Estas redes foram exploradas em suas diversas propriedades e características, e também com base nos atributos de voz e silêncio dos atores, a fim de buscar evidencias que proporcionassem um melhor entendimento dos comportamentos de voz e silêncio de seus atores.
Nestas análises, observou-se que cada uma das redes possui um padrão específico de interações, com reflexos nos comportamentos de voz e silêncio. Na primeira, menos conectada, os padrões de voz e de silêncio foram mais homogêneos, especialmente no que diz respeito ao silêncio pró-social. Na segunda rede, quase completamente conectada, os padrões foram mais heterogêneos. Observa-se que as redes menos conectadas possibilitam mais a formação de subgrupos (ou cliques), permitindo supor que nestas, os padrões se mantêm mais homogêneos do que em redes onde o número de cliques é menor, e isto devido a um maior compartilhamento de atributos no seu interior.
Por fim, evidencia-se claramente que os atores críticos das duas redes de amizade analisadas foram aqueles que apresentaram os padrões de baixa voz e alto silêncio com maior frequência. Atores que ocupam posições centrais nas redes informais pertencem a vários subgrupos dentro de seus setores. Este pertencimento e esta posição de poder submete estes atores a uma série de normas de grupo que restringe a sua ação aos papéis prescritos nestes grupos, o que mostra-se congruente com a proposição de Krachkardt (1999) quanto aos laços simmelianos serem restritivos aos atores. Estas restrições, no que diz respeito aos comportamentos de voz, são bastante visíveis, uma vez que ao expressar suas opiniões ou ideias
relacionadas ao trabalho, o ator pode estar indo de encontro aos papéis que ele exerce na rede, às normas sociais e possivelmente arriscando perder seu status (prestígio e influência) no grupo. Sendo assim, é possível que a opção em não expressar estas ideias, sugestões, opiniões e problemas seja comportamento adotado com maior frequência por estes atores como uma forma de preservar as relações construídas no interior dos grupos de trabalho. Estes mecanismos evidenciam a importância da manutenção dos laços de amizade, em detrimento da própria voz, sugerindo que a necessidade de formação e manutenção de suporte social nos grupos de trabalho se sobreponha à motivação para expressar-se no sentido de contribuir com a organização.
Uma limitação desta pesquisa é o pequeno número de redes analisadas que pode ter restringido as conclusões do estudo, assim como o tamanho da amostra, que pode explicar o baixo número de correlações encontradas. É necessário, assim, que outros estudos sejam realizados com uma análise mais sistemática de um maior número de redes e sujeitos, a fim de que algumas tendências possam ser confirmadas. É possível, ainda, que uma análise pormenorizada dos cliques de diversos subgrupos evidencie ainda mais claramente o quanto o pertencimento a dois ou mais cliques possa ser restritivo ou não ao exercício da voz no contexto de trabalho.
Uma abordagem mais exploratória foi escolhida tendo em vista o estado da arte incipiente no Brasil. A escolha pelo uso de uma abordagem mais quantitativa, e, posteriormente, uma análise relacional, ampliou bastante o escopo do estudo, o que se somou à quantidade de dimensões de voz e silêncio, e aos tipos de redes e características analisadas, dificultado a delimitação do escopo da pesquisa. Esta amplitude que por um lado, possibilitou que vários aspectos tenham sido levantados, por outro dificultou o aprofundamento de outros aspectos. Com isto, sugere-se que as próximas investigações focalizem-se em aspectos mais pontuais dentre aqueles investigados aqui.
Por fim, uma contribuição inovadora foi realizada com este estudo, que ao demonstrar uma maior relevância das redes de amizade para os comportamentos de voz e silêncio, apresenta a questão das posições críticas dos atores nestas redes de grupos de trabalho como um ponto chave para a compreensão de seus comportamentos de voz e silêncio.