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4 CALCUL DES FORMES DE RAIE 99

4.3 Effet Stark: mélange des niveaux

4.3.2 Calcul à proprement dit du taux de transition dans un modèle simple117

A descrição é uma das funções primordiais do trabalho arquivístico e assume um papel crucial na comunicação da informação. Uma descrição adequada torna a fotografia de qualquer instituição visível, potenciando o seu acesso ao utilizador interno e externo. A aposta na descrição normalizada apresenta-se hoje, mais que nunca, como uma necessidade premente, ditada, em parte, pelas exigências da sociedade da informação e pelos crescentes desafios colocados pela era digital. A adopção de determinadas normas para a descrição de fotografia contribui para descrições com maior nível de qualidade,

64 Este aspecto será explanado com maior detalhe no subcapítulo II. 5, intitulado Um aspecto

fundamental: a preservação e conservação das espécies fotográficas.

65 PAVÃO, Luís – Conservação de colecções de fotografia. Lisboa: Dinalivro, 1997, p. 2. 66 PAVÃO, Luís… p. 25-26.

67CASQUIÇO, Sónia – "A descrição de fotografia e a normalização". In 3.ª semana da fotografia da Golegã. Golegã: s.n., 26 de Novembro de 2011, p. 11.

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maior rigor e consistência e promove igualmente a partilha e pesquisa de dados em ambiente electrónico68.

A literatura relacionada com a temática dos arquivos fotográficos revela-nos actualmente a existência de um significativo leque de hipóteses no que respeita aos normativos e orientações vocacionados e/ou adaptáveis à descrição arquivística de materiais gráficos, família à qual pertence a fotografia.

Foi essencialmente a partir da década de 1990 que começaram a ser criados grupos de trabalho com vista à criação de documentos normativos para a descrição de fotografia, fazendo-se sentir até então uma ausência de normalização neste campo específico.

No ano de 1990 foi criada no Canadá uma norma intitulada Regras para a Descrição

Arquivística (RDA), desenvolvida pelo Comité Canadiano para a Descrição

Arquivística a partir do modelo bibliográfico designado por Código de Classificação

Anglo-Americano, 2ª edição (AACR2) e das normas de catalogação, elaboradas por

Elisabeth Betz Parker para a catalogação dos materiais gráficos da Divisão de Gravuras e Fotografias da Biblioteca do Congresso69. A norma canadiana RDA apresenta um capítulo exclusivamente dedicado à descrição de materiais gráficos, dentro do qual se encontra inserida a fotografia, juntamente com as obras de arte.

Em 1999 surgiu o projecto intitulado SEPIA (Safeguard European Photographic Collections), desenvolvido pela European Commission on Preservation and Access (ECPA), sediada em Amesterdão, e financiado pela União Europeia. Este projecto, vocacionado para a preservação e digitalização de colecções fotográficas, surgiu com o objectivo principal de normalizar a descrição de fotografia no seio das instituições. A ECPA realizou um inquérito a diversas instituições europeias de pendor cultural, detentoras de colecções fotográficas – como arquivos, bibliotecas e museus – e pôde averiguar a disparidade no que respeita à utilização de modelos descritivos. Verificou-se então o uso de modelos não específicos para materiais fotográficos, como a ISAD (G), a

Norma Internacional de Descrição Bibliográfica (ISBD) e a AACR2 por parte de um

significativo número de instituições, bem como o uso de modelos descritivos personalizados, desenhados pelas próprias instituições e, por fim, a utilização por parte

68 KLIJN, Edwin; LUSENET, Yola de – SEPIADES Cataloguing photographic collections. Amesterdão: European Commission on Preservation and Access, 2004, p. 9, 13.

69 SCHWARTZ, Joan – Coming to Terms with Photographs: Descriptive Standards, Linguistic

31 de uma minoria de modelos descritivos normalizados, desenvolvidos especificamente para a fotografia a partir de normas nacionais ou internacionais70.

Allen Benson, no seu artigo intitulado A Fotografia Arquivística e os seus Significados:

Formalismos para Modelação de Imagens, explora e analisa os principais sistemas

utilizados actualmente pelos arquivistas no processo de descrição de fotografias, bem como as ferramentas utilizadas para a representação dessas mesmas descrições, evidenciando a sua importância na atribuição de significado às fotografias.

O autor destaca um conjunto de regras e normas que, não sendo especificamente desenhadas para materiais fotográficos, podem ser utilizadas na descrição de fotografias ao nível da peça e ao nível da colecção: normas de estruturas de dados e normas de conteúdo de dados71. Dentro da família das normas de estruturas de dados faz referência aos esquemas de metadados como um modelo para descrição de fotografias em ambiente electrónico, nomeadamente: o Dublin Core vocacionado para a descrição de objectos digitais (vídeo, imagem, texto); a norma VRA Core, uma iniciativa da Associação de Recursos Visuais para a descrição de obras culturais visuais (pinturas, esculturas, fotografias, etc.); a norma Categorias para a Descrição de Obras de Arte (CDWA) que consiste num conjunto de categorias para a descrição de obras de arte e imagens; a norma arquivística ISAD (G) e a norma ISBD, sendo que esta última é geralmente utilizada no domínio da biblioteconomia e destina-se à descrição de recursos bibliográficos, possibilitando a troca de registos ao nível internacional. No que respeita às normas de conteúdo de dados, responsáveis pela sintaxe e pela forma como a informação é apresentada, Benson destaca as seguintes normas: a AACR2, uma norma para descrição de conteúdo desenvolvida em 1978 e a mais recente Descrição de

Acessos e Recursos (RDA), que tendo sido criada em 2009, vem substituir a anterior,

permitindo a descrição tanto de recursos analógicos como digitais; a Descrição de

Arquivos: Uma Norma de Conteúdo (DACS), oficialmente aprovada pela Sociedade de

Arquivistas Americanos (SAA), trata-se de um conjunto de regras para descrever arquivos, documentos pessoais e colecções de manuscritos e pode ser aplicada a

70 KLIJN, Edwin; LUSENET, Yola de – SEPIADES Cataloguing photographic collections. Amesterdão: European Commission on Preservation and Access, 2004, p. 13.

71 BENSON, Allen C. – The Archival Photograph and Its Meaning Formalisms for Modeling Images.

Journal of Archival Organization. [Em linha] Vol. 7, nº 4 (2009). Pp. 160-168. [Consult. 29 Jul. de 2012].

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diversos tipos de materiais72. O autor refere ainda a Catalogação de Objectos Culturais (CCO), um conjunto de directrizes para descrever, catalogar e documentar obras de natureza cultural, bem como as suas representações visuais, esta solução pode também ser utilizada pelas instituições de arquivo para a descrição de fotografia.

Perante um vasto leque de possibilidades, cada instituição escolhe assim a sua matriz para a descrição arquivística consoante o tipo de instituição em causa, a sua política de arquivo e à luz das necessidades dos seus utilizadores.

Por fim, no caso específico de Portugal há que referir que é ainda parca a informação relativa à normalização da descrição de fotografia nas instituições de arquivo, bem como aos modelos descritivos adoptados pelas mesmas instituições. Porém, é possível averiguar que somente em meados dos anos 2000 surgiram grupos de trabalho para normalizar as descrições de documentação fotográfica, verificando-se até então uma ausência de normalização. A Direcção-Geral de Arquivos e o Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa foram as instituições pioneiras na adaptação das normas ISAD (G) à descrição de documentação fotográfica. Estas instituições empreenderam também esforços no sentido de integrar a documentação fotográfica com a restante documentação textual à sua guarda73. O ano de 2007 ficou marcado pela publicação do

Guia de Fundos e Colecções Fotográficas 0774, documento que reúne os principais

fundos e colecções de fotografia de Portugal.

II.4 – A questão da descrição normalizada da fotografia: das ODA ao SEPIADES