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A presente investigação partiu da necessidade de despertar consciência e interesse para os benefícios do design e para a sua utilização pelas organizações como uma forma de gerar valor quer para as mesmas quer para os consumidores. A decisão de utilização de uma abordagem qualitativa para o teste empírico, permitiu obter um conjunto de informações que refletem as opiniões dos participantes e a forma como estes pensam e agem, servindo como ponto de partida para futuras investigações mais detalhadas sobre esta temática.

Apesar da relevância das informações recolhidas, a amostra não é representativa pois abrangeu apenas um pequeno segmento do público-alvo. É por isso necessária a confirmação dos dados obtidos através da utilização de uma amostra representativa e de métodos mais precisos e rigorosos, como os utilizados pelo neuromarketing, permitindo assim compreender se as informações obtidas se confirmam a nível do cérebro do consumidor.

Os resultados obtidos possibilitaram o desenvolvimento teórico de um modelo de abordagem para inclusão do design nos processos internos das empresas, especialmente em estratégias de branding sensorial, que necessita contudo de ser testado.

A presente investigação tem um caráter exploratório pelo que será necessário um estudo maior sobre o consumidor e as formas como o design afeta os seus sentidos, de forma a obter conhecimentos mais concretos e representativos que permitam melhorar o modelo apresentado para uma aplicação prática mais eficiente.

CONCLUSÃO

Na atualidade é inevitável falar em marcas e impossível viver sem elas. As marcas possuem poder não só económico mas também social e político. No entanto, para que uma organização possua uma grande marca, é necessária a criação de confiança no consumidor, conseguida através de uma experiência positiva de compra e usufruto de um produto ou serviço.

Umas das principais conclusões que pode ser retirada desta investigação é que o problema da não correspondência das marcas às necessidades e desejos do consumidor está no próprio consumidor e na sua desinformação. Este fator leva o consumidor a optar por marcas que podem não ter a melhor oferta mas que são as mais familiares para si.

Muitas vezes as marcas aproveitam-se do consumidor e da sua necessidade de pertencer a um grupo, de ter um determinado estatuto e ser visto de uma determinada forma, para vender os seus produtos que são reconhecidos e trazem benefícios sociais.

No contexto atual, o aspeto económico é bastante relevante e o preço tem uma grande influência no comportamento do consumidor. É possível concluir que muitas vezes o consumidor opta por determinados produtos/serviços por apresentarem um preço mais acessível e que a qualidade torna-se frequentemente irrelevante em comparação com esse fator. É por isso essencial que as empresas apostem em produtos/serviços com uma boa relação qualidade- preço, que satisfaçam as necessidades e desejos dos consumidores sendo no entanto acessíveis.

Os consumidores procuram que as suas necessidades sejam satisfeitas através de uma experiência que de alguma forma acrescente valor. A experiência ideal com uma marca deve ser uma experiência que proporcione satisfação e desejo de repetição.

A experimentação apresenta-se com um aspeto relevante no processo de compra e todos os sentidos humanos são importantes para a obtenção de uma boa experiência pois é através da integração de todos eles que a experimentação de um produto ou serviço é feita.

O design tem vindo a percorrer um longo caminho desde as suas origens, existindo hoje uma maior compreensão do seu papel e perceção da sua importância. No entanto muito ainda falta caminhar para que o design possa atingir o seu máximo potencial de inovação, ajudando a criar valor distintivo para benefício quer do consumidor quer das organizações.

O design é visto como sendo a primeira ligação a um produto/serviço e influencia todo o processo de consumo. Serve para nivelar as expectativas que uma marca pretende criar no consumidor e também para captar clientes. Apesar da consciência da sua importância a nível da praticabilidade de um produto/serviço, é ainda notória a perceção do design como dizendo respeito sobretudo à parte estética do mesmo.

O design desempenha um papel mais relevante no início do processo de compra mas, aquando do usufruto do produto/serviço adquirido, é essencial que o mesmo corresponda às expectativas criadas durante a procura para que se obtenha uma experiência positiva.

É possível compreender a relevância do design de ambiente como fator determinante para o processo de compra e para a criação de uma boa experiência sensorial pois tudo o que rodeia o produto/serviço, tudo o que faz parte da envolvência do mesmo, é captado pelos sentidos.

Em investigações futuras será importante confirmar o que efetivamente pensa o consumidor em relação a estas temáticas e como se comporta, utilizando para isso métodos de pesquisa mais rigorosos. Uma oportunidade interessante de investigação é a análise da área dos sentidos humanos na sua relação com o design, procurando assim identificar que aspetos do design podem ajudar a despertar cada um dos sentidos.

A aplicação do modelo de atuação proposto para introdução do design numa estratégia de branding sensorial necessitará, em investigações futuras, de ser testada na sua totalidade, em vários tipos de organizações. Consoante os resultados obtidos poderá ser necessária a adaptação do modelo para que o mesmo se adeque o mais possível ao contexto real.