CHAPITRE 7 : PRESENTATION ET DEPLOIEMENT DE
7.1.3. Volet « Gestion des Equipements »
O Espaço-Escolar está conectado aos processos econômico-políticos e ideológico- culturais do SMM. Apontar isso requer uma visão ampliada da produção espacial e dos sistemas técnicos envolvidos com processos que passam pela transferência técnica, técnica- científica e técnica-científica-informacional. Assim, as relações escalares, que se estabelecem entre os fixos e os fluxos, dão conta de que o Espaço-Escolar não só recebe sistemas de objetos e ações, mas em seu interior modifica-os. O sistema-técnico da educação e a produção do Espaço-Escolar vinculam-se às dinâmicas mais amplas, não estando expostas apenas as vicissitudes da escala local178.
Os movimentos no interior do sistema-mundial deixam em evidência o complexo relacionamento de sistemas de objetos e ações na produção espacial. Em consequência, isso nos leva a ressaltar que o Espaço-Escolar vai além de um prédio escolar – imagem que brota de nossas mentes, uma associação que perturba a análise ao colocá-lo como um sistema autônomo dentro do espaço. Pelo contrário, ele está numa constante relação com escalas espaciais mais amplas, participando de um sistema-rede. Desse modo, o espaço escolar tem relação com todo um processo de recepção e desdobramento dos componentes econômico-
178Milton Santos ressalta que na relação indissociada entre sistemas de objetos e ações, existe uma reciprocidade na transformação destes. Quer dizer “La acción no se realiza sin que haya un objeto; y cuando se produce, acaba por redefinirse como acción y por redefinir el objeto” (SANTOS, 2000 p. 80). O autor ressalta a necessidade de proximidade técnica entre sistemas de objetos e ações, pois “la acción es tanto más eficaz cuanto más adecuados son los objetos. Así, la intencionalidad de la acción se conjuga con la intencionalidad de los objetos y ambas son, hoy, dependientes de la respectiva carga de ciencia y de técnica presente en el territorio” (SANTOS, 2000 p. 79). Como se pode ver, a diferenciação nos sistemas técnicos é a base da contradição entre formas-conteúdos na produção do Espaço, para nosso caso, o Espaço-Escolar.
políticos e ideológico-culturais do SMM, particularmente da EMC. Essa é a ancoragem de uma base epistemológica que visa um universalismo e, com ele, um determinado Espaço- Escolar veiculado e legitimado pelo sistema-interestatal.
A transferência técnica não reduz as materialidades. Os componentes simbólicos a impulsam constantemente forçando um refinamento técnico. A concentração técnica gera hegemonias e polos de desenvolvimentos particularmente nos centros do sistema-mundo, fato que redunda na geração de sociedades de referência e outras em que se ancoram os processos de externalização (SCHRIEWER, 2000). Para a América Latina, isso representou um desenvolvimento desigual de seu espaço, além da superposição de sistemas técnicos numa concentração difusa e contraditória, efeito de uma unidade geossocial criada e excluída socioespacialmente. Seu Sistema Técnico da Educação é mostra da complexidade relacional de sistemas de objetos e ações.
Ao lado disso, na legitimação de uma geocultura dentro do SMM, a América Latina, tendo uma posição periférica, é fruto do ostracismo técnico herdado da colônia, de modo que enfrenta a ambiguidade na recepção técnica. Isso é efeito, não da incapacidade técnica, mas pela negação de seu posicionamento e lugar de enunciação epistemológica. Com isso, a produção do espaço e do Espaço-Escolar, em particular nessa região, fica acompanhada da contradição forma-conteúdo que, na aplicação da força, foi impregnada de um mito institucionalizado. Isso tudo explica o sistema técnico-educacional latino-americano caracterizado pelo isomorfismo.
O incremento de sistema de ações e objetos, logo das industrializações e sua transferência técnico-científica-informacional, explica o processo de refinamento técnico de um sistema como o educativo e sua proximidade estrutural no mundo inteiro. Essa transferência, no século XIX, marca uma mobilização espacial importante dos sistemas técnicos, mas também uma regionalização que se reafirma hoje. Contudo, isso ocorre com a emergência ou reconhecimento de múltiplas territorialidades e de novas sociedades de referência. Tal fato leva-nos a pensar nos mecanismos de transferência dos componentes econômico-políticos e ideológico-culturais que têm conseguido a manutenção do SMM, fundamentalmente ancorado na violência epistêmica.
Evidentemente, com a emergência dos sistemas-interestatais, cada vez mais especializados – refinados tecnicamente e alentados pelos desdobramentos dos meios técnicos, consegue-se dar forma à ideia de soberania ao intensificar o posicionamento de novos mitos que envolvem mecanismos de força-consenso. Temos, então, o reforço de ideias como os Direitos Universais, a Democracia, o Desenvolvimento ou o novo Desenvolvimento
Sustentável. Elas terminam produzindo o espaço em cada uma das regiões da EMC, o que o ocorre por meio do Sistema Técnico da Educação que dá forma-conteúdo ao Espaço-Escolar. Os sistemas-interestatais, ao fomentarem a perpetuação de um rígido sistema, reforçam uma centralização das sociedades de referência como portadora da “verdade”, da “civilidade”, do “progresso” ou do “desenvolvimento”. Temos então, de forma evidente, uma continuação dos preceitos ideológico-culturais e econômico-políticos do SMM, caracterizados pela pouca diversidade participativa de fato na geração de espaços que dignifiquem a condição humana.
Ressaltamos a centralidade do Estado que, como agente inserido no SMM, se converte em transmissor dos componentes econômico-políticos e ideológico-culturais próprios da EMC na escala local. Neste sentido, a re-produção do espaço passa pela re-produção das “recomendações” onde a corrente produção-distribuição-consumo é perpetuada ainda que portando todas ass assimetrias técnicas próprias dos desenvolvimentos espaciais desiguais (HARVEY, 2013).
O Espaço-Escolar é mostra de todo este panorama, que supõe uma tensão entre as dimensões mundiais do capitalismo histórico-espacial, e as condições sócio espaciotemporais concretas, como pode ser evidenciado nas dificuldades dos sistemas nacionais de educação para estabelecer consensos com os diversos contextos, em que sistemas de ações e objetos não são generalizados, mas muitos dos componentes ideológico-culturais chegam a ancorar-se nas práticas cotidianas. Momo e Costa (2010, p. 976), por exemplo, abordando sobre o consumo em espaços marcados pela pobreza, mostram que , “as crianças que são visíveis, valorizadas, credenciadas em seu universo são aquelas que conseguem portar determinados artefatos, cujos significados repercutem em escala global, com vigência temporária no panorama constantemente renovado da cultura do consumo”. Mesmo nesses locais podemos ver a re- produção de tais componentes, numa tradução a partir das condições particulares.
A América Latina, produzida na longa duração, é mostra latente das tensões geradas pela aglomeração técnica contraditória de formas-conteúdos. O Sistema Técnico da Educação, que se orienta para essa região pelo SMM, é resultado não do acaso, mas sim das relações que se estabelecem em diversas escalas e das condições histórico-espaciais de produção de sistemas de objetos e ações. Esses temas requerem de uma mirada ampla e problematizada de corte longitudinal, que permita compreender o porquê da forma-conteúdo do Espaço-Escolar produzido para essa região.
Quadro 4 – O Espaço-Escolar no Sistema-Mundo Moderno