7. La Gestion Intégrée et Durable des Déchets Solides pour la Ville
7.1. Acteurs directement impliqué dans la chaine de gestion de déchet :
7.3.2. Le cadre institutionnel de gestion des déchets du District de Bamako
Os mitos sociais e religiosos fazem acreditar, durante muito tempo, que as almas não são espíritos, porém, um dos resultados cruciais produzido pela separação da alma do corpo, é sua transformação em espírito, em outras palavras, pela morte ou por sua liberdade do corpo as almas se tornam espíritos, isto é, apenas a morte pode conceder às almas sua qualidade de espírito. Se o espírito é um produto da morte da alma ou da sua libertação do corpo, então existem várias possibilidades que devem chamar nossa atenção, entre as quais gostaríamos de enfatizar as seguintes: ou a alma é efetivamente um espírito de dupla natureza, corporal e espiritual, ou a alma é um desdobramento do espírito, ou a alma e o espírito são indistintamente a substância espiritual do homem e pela morte os dois se libertam simultaneamente dele, ou a morte é a etapa obrigatória pela qual a alma tem que passar para se tornar um espírito. Nesse sentido, nos três primeiros casos, a morte não se apresenta como a condição sine qua non da transformação da alma em espírito, mas ela é, sobretudo no segundo caso, um espírito que leva uma vida corporal. É no último caso que a morte aparece como a passagem obrigatória para que a alma liberada do corpo se torne um espírito. Contudo, se devermos aceitar realmente que seja assim, nos dois primeiros casos e no último, não existiria mais nem alma nem espírito, os dois seriam tão confundidos que teríamos de falar do espírito apenas na medida em que uma alma se libera do corpo, então os dois compartilhariam a mesma natureza. Essa explicação da natureza do espírito em comparação com a alma é circular e não evolutiva. Nessa situação, o que distingue de fato a alma do espírito? Será que a imortalidade e a reencarnação da alma fazem dela um espírito?
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No entanto, Durkheim está claro na sua teoria da alma sustentando que a alma não é um espírito. Apesar de poder ter uma natureza espiritual, ser suscetível se tornar um espírito sob a ação da morte, poder, pela sua imortalidade, desempenhar um papel de espírito, mas ela não é um espírito: o espírito tem características muito profundas e próprias que a separam completamente da alma (DURKHEIM, 1989, op. cit. p. 334 a seguir). Segundo ele, a alma é o protótipo do espírito, ou seja, a noção de espírito e de deus surge da ideia da alma. Ele ofereceu muitas matérias psicosociológicas necessárias à construção das ideias de espírito e de deus. Dizer que a alma é diferente do espírito permite levar em conta, como já sublinhamos, a dupla75 natureza do ser individual: corporal e espiritual. Em outras palavras, no indivíduo, a alma corporal desempenha o papel de mana, ou seja, o princípio que permite o movimento do corpo, o centro dos valores, das emoções, das sensibilidades, da personalidade, da individualidade, enfim, tudo que faz que o corpo não seja resumido apenas à matéria. A alma espiritual, ao contrário, é independente do corpo e compartilha cada vez menos seus sentimentos. É por isso que é difícil determinar quando ela está presente ou ausente, pois possui uma enorme capacidade de fazer um vai e vem infinito deixando o corpo sem que a vida não se pare. Ela está presente em cada um de nós no mesmo momento, no mesmo lugar e com a mesma intensidade, sem fazer em nenhum de nós sua residência fixa76 ou definitiva.
“A atividade do espírito aparece como uma atividade propriamente interna, ou seja, ao invés de sofrer a necessidade de um constrangimento exterior, ela encontra nela os recursos do seu desenvolvimento. Em uma palavra a liberdade é o caráter que define o espírito”77 (Nossa tradução).
75 Durkheim tenta explicar esse desdobramento sublinhando que a alma do antepassado se desdobrou em duas almas cuja uma é espírito e continua sua vida espiritual nos objetos ou nos lugares onde esse antepassado se adentrou pelo sol, enquanto a outra é submetida a muitas reencarnações sucedidas. É por isso esses lugares e esses objetos são considerados como sagrados (DURKHEIM,1975, op. cit. p. 110). (Nossa tradução).
76 DURKHEIM, 1989, op. cit., p. 334-335.
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É claro que, como já mostramos acima, se o corpo para de se animar é porque o princípio que o animava se extinguiu. Isso quer dizer que não é o corpo enquanto tal que decide deliberadamente parar sua animação e seu funcionamento ou sua respiração, mas de preferência porque o princípio espiritual deixa de lhe dar ou lhe renovar a energia que precisa para vivificar durante certo tempo. Portanto, se algo deve ser mortal, é esse princípio, porque o corpo não é nada sem ele. As grandes religiões como o budismo, o cristianismo e o islã (como Durkheim e Weber os chamam) concordam que esse princípio vital sobrevive após a morte, e o que os metafísicos chamam de almas corporais não sobrevivem. Nesse sentido, precisamos aprofundar como esse princípio espiritual sobrevive.
Como já vimos, as almas têm sempre uma afinidade para os organismos do corpo que constituem sua sede. Em regra geral, elas se interessam pelo caráter pessoal do indivíduo. É por isso mesmo que definem sua natureza individualista e singular, além das forças impessoais que elas contêm. Nesse sentido, as almas criam relações entre o impessoal que se refere à alma da coletividade e o pessoal no qual o corpo desempenha o papel de individuação. Como princípio espiritual, a alma refrata diversas maneiras sobre os corpos produzindo efeitos diferentes. O espírito se afixa aos objetos que são no universo como árvore, pedra, fonte de água, floresta, astro, etc. Os espíritos são personalidades míticas que têm sua residência por toda a parte sem estar em lugar nenhum, que agem sobre todos os indivíduos ao mesmo tempo sem ficar com nenhum deles definitivamente. Assim Durkheim sustenta:
“Mas a alma não é espírito. Ela está ligada a um corpo do qual só sai excepcionalmente, e, enquanto tal, não constitui o objeto de nenhum culto. O espírito, ao contrário, tendo geralmente por sede uma coisa determinada, pode afastar-se dela à vontade e o homem só pode relacionar-se com ele observando precauções rituais. A alma, portanto, só poderia tornar-se espírito com a condição de se transformar: a simples implicação das ideias precedentes ao fato da morte produziu naturalmente essa metamorfose”78
78 Durkheim, 1989, Ibid., p. 83-84.
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Na citação acima, podemos dizer que Durkheim considera por outra vez a alma como um princípio, enquanto ele vê no espírito um ser capaz de se dar com os seres humanos. Ele é objeto de culto que por enquanto fica ligado aos objetos da natureza, mas a alma nunca terá essa potencialidade se não se transformar em espírito. Nesse sentido, apenas a morte tem a liberdade e o poder de realizar essa façanha, então, se a morte é a causa da entrada da alma no mundo dos espíritos, a tese dualista da alma parece convincente, assim como a da tripartia do homem, e, com isso, os espíritos se tornam o efeito79 colateral dessa ruptura entre o corpo e a alma.
Durkheim não é o único autor a querer defender o caráter diferencial do espírito e da alma assumindo o argumento da disparidade que existe entre os dois. Outros autores mais recentes como Roché, Sève, Berdiaeff e o famoso psicólogo e psicanalista Russel se juntam com a argumentação de Durkheim. Todos, embora em termos diferentes, concordam com o fato de que a alma e o espírito são duas entidades distintas no homem que não cumprem a mesma função. Se tornando almas espirituais, por toda a parte, sustenta Déodat Roché80, para essas almas foram dirigidas orações de um triplo culto, familiar, nacional e humano, em contraste, elas fazem descer aos humanos, sob muitas insistências dos sentimentos de amor, as respostas às angústias e aos desejos, conselhos e avisos. As almas das mortes são assim, para os vivos, preciosas ajudas invisíveis, portanto, entrando no mundo dos espíritos, as almas, segundo as crenças animistas, continuam cuidando do bom funcionamento do mundo terrestre. O mundo dos espíritos81, aponta Roché, se revela o centro que
79 “Mas, no momento da morte da alma, por sua vez, se libera do corpo; ela leva então uma existência independente e se torna um espírito. O espírito não é, portanto, outra coisa que uma alma liberada, ou também, segundo algumas tribos australianas, uma alma não reencarnada” (DURKHEIM, 1975, op. cit. p. 109). (Nossa tradução).
80 DÉODAT, Roché. La survivance et l´immortalité de l´âme. Paris: Des Cahiers d´Études Cathares; 1955.
81 “O mundo dos espíritos onde estão então as almas, é aquele das entidades organizadoras do mundo,
dos arquétipos de todas as formas sensíveis dos reinos mineral, vegetal, animal e humano. Para haver o conhecimento ciente dessas entidades, será preciso primeiro libertar-se das suas criações visíveis, sempre perturbadas, nesse mundo terrestre, pelas influências demoníacas, e penetrar até sua essência espiritual (...) É delas que surgem os instintos coletivos, que se formam os costumes, os hábitos sociais que o mantêm inserido nos seus ligamentos e que o ligam ao passado. Para chegar a conhecer essas
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organiza estrutural e espiritualmente o mundo físico das sociedades humanas. Com Roché, chegamos um pouco a resumir essa dificuldade dizendo que tanto quanto as almas ficam ligadas aos corpos, elas permanecem almas, mas a partir do momento em que adquirem sua liberdade dos corpos, elas se tornam automaticamente espíritos, revestindo outras características e qualidades e se tornando almas de vontade consciente que participa na imortalidade do espírito (ROCHÉ, 1995, p. 121-124).
Se a alma e o espírito são entidades distintas do corpo, ou seja, se devermos admitir que os dois constituam a substância espiritual, imaterial e invisível do ser humano enquanto o corpo é visto como substância física, real e visível, se devemos concordar com a tese da tripartia (corpo, alma e espírito) do ser humano geralmente admitida, então há uma dúvida ainda não esclarecida que diz respeito ao papel dessas duas entidades espirituais durante a existência do indivíduo, ou seja, será que a alma e o espírito existem paralela e separadamente no ser humano cumprindo cada um em que diz respeito sua própria função? Nicolas Berdiaeff nos ajuda a entender melhor essa concepção tripartite do homem e esclarecer o papel do espírito e da alma enquanto que o indivíduo está ainda vivo:
“A concepção tripartite do homem como ser todo conjunto espiritual, psíquico e corporal, tem um sentido eterno e deve ser memorizado. Isso não significa que existe, para assim dizer, no homem, ao lado da sua natureza psíquica e corporal, uma natureza espiritual. Isso significa que a alma e o corpo do homem podem acessar a outro plano, a um plano superior, o da existência espiritual, que o homem pode passar do plano da natureza ao da liberdade, no reino do sentido; do plano da discórdia e da forças é necessário se desconectar, se libertar delas e colocar em toda independência perante elas para observá-las e penetrar em seguida até sua fonte a mais pura, até as entidades espirituais que as engendraram. É nos preciso, para alcançar essa meta, despojar nossa individualidade da gangue que a enfaixa e não será realmente possível que pelo desenvolvimento da maior potência da alma, a da vontade consciente (...) Temos visto como os pretendidos mortos, passando do mundo das almas, comunicam com os vivos. Sua atividade é então voltada, sobretudo para o passado e tende manter-nos ali. Mas as almas que se levantaram para o mundo espiritual manifestam suas forças criadoras em nossos sentimentos profundos, elas nos inspiram suas ideias, suas concepções novas, preparam o futuro e nos ajudam a realizá-lo. Reencontrar as almas espirituais é perceber sua influência ativa, sua força criadora que age sem parada no cosmos ao redor de nós e em nós” (ROCHÉ, Op. cit., p. 122-123). (Nossa tradução).
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animosidade ao do amor e da união. O homem é um ser espiritual, ele possui uma energia espiritual, mas ele não tem uma natureza espiritual objetiva se opondo às suas naturezas física e corporal. O corpo do homem pode também participar ao espírito, pode ser ele também espiritualizado”82 (Nossa tradução).
Ele acrescenta dizendo que o espírito é ao mesmo tempo a verdade e o valor eterno da alma (BERDIAEFF, 1943). Por seu lado, Bernard Sève83, indo no mesmo sentido que a teoria filosófica de Montaigne entre a matéria e o espírito, sustenta que sendo diferente do espírito a alma permite ao homem inventar, formular problemas, interpretar e crer. A alma é a fonte do poder criador de todos os homens (SÈVE, 2007, p. 45-54). Por outro lado, Bertrand Russell84 acrescenta que o espírito faz de nós seres conscientes de nossos atos e de nossas ações ao mesmo tempo. Sem a consciência, é impossível lembrar-se dos nossos atos, entender e acreditar85. Em resumo, o espírito é o centro da nossa inteligência.
No Judaísmo antigo, Weber sustenta que os Israelitas acreditam que apenas a ruah (sopro ou espírito de Yahvé) seja eterna e, por conseguinte, se separe efetivamente do corpo. Isso é lógico, racional no sentido moderno, pois, se Yahvé é um Deus eterno não tem como recusar essa mesma característica ao seu espírito ou ao seu sopro como dizem os Israelitas (WEBER, 1970, op. cit. p. 197-198). Na Índia e na China, pelo contrário, apenas os espíritos podem ser exorcizados pelos reis quando estiveram precisando da chuva e da estabilidade na sociedade, é por isso, quando os espíritos se tornam rebeldes, eles os punem, os sancionam e os amaldiçoam privando-os dos ritos.
82 BERDIAEFF, Nicolas. Esprit et Réalité. Paris: Montaigne; 1943, p.10-11. 83 SÈVE, Bernard. Montaigne : Des règles pour l´esprit. Paris: PUF; 2007. 84 RUSSELL, Bertrand. Analyse de l´esprit. Paris: Payot; 1926.
85 “Digamos que somos conscientes de que acreditamos e entendemos, de que nos lembramos, de nossas ideias e de nossos sentimentos. A maior parte dentre nós acreditam que mesas e cadeiras não são conscientes. Somos persuadidos que quando estamos sentados sobre uma cadeira, sabemos que somos sobre ela, enquanto ela ignora que nos suporta. Não duvidamos um instante do nosso direito de crer que existe, sob esse suporte, certa diferença entre nós e a cadeira: tal é o fato, tal é o dado que podemos designar como ponto de partida a nossa pesquisa” (op. cit. p. 11). (Nossa tradução).
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Ao ter mostrado com Weber como os Israelitas rejeitam a crença na imortalidade da alma e sublinhado também as consequências de tal crença, além disso, ao lembrar que segundo os mandamentos de Yahvé a morte é uma punição severa da alma que pecou perante ele, então, é difícil nesse caso encontrar na cultura religiosa judaica uma crença relativa à transformação da alma em espírito a semelhança com a dos Australianos que acabamos de tratar com Durkheim. Seria incoerente. A crença mais popular e espalhada em Israel é aquela que faz sentir que a alma está morta e esquecida, portanto, não goza nenhum culto nem cerimônia ritual e memorial mesmo se a confusão entre ruah e nephec em Israel se situa entre a antiga tradição e a tradição atrasada. Com efeito, a antiga tradição judaica confundia alma e espírito. Os judeus que pertencem à tradição atrasada vêm para dissipar essa confusão explicitando claramente que o ruah é o espírito de Yahvé que ele mesmo empresta ao homem. É por isso que pode retomá-lo a qualquer momento quando quiser sem aviso. É o sopro fora do qual toda vida é impossível, pois é ele que anima o homem e o vivifica. Esse ruah é não somente o espírito que vem de Deus, o sopro divino, mas é sobretudo uma força místico-divina e um carisma no sentido da mana ou da orenda. Apenas esse sopro faz do homem um ser completo e finito (WEBER, 1971, op. cit. p. 198). Mas, acabamos de ver que essas características são também as da alma, pelas quais as almas são entradas no mundo dos espíritos demoníacos capazes de fazer mal ao indivíduo. Assim, as qualidades permanecem não elucidadas entre alma e espírito na religião judaica. Essa confusão foi vantajosa ao menos para alguns sacerdotes yahvistas da tradição antiga e acabou de fortalecer a teoria da separação entre alma e espírito. Em outras palavras, a não explicitação da diferença entre alma e espírito possibilitou os sacerdotes yahvistas combater com mais facilidade o culto dos mortos a ser realizado em memória das almas dos antepassados. Mesmo as fontes mais autênticas não conseguem estabelecer claramente a distinção entre ruah e néphec, em resumo, as mesmas confusões entre alma e espírito invadiram a religião judaica do mesmo jeito que isso já acontecia nas
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outras sociedades australianas, índias e chinesas. Mas apesar disso, podemos retomar a citação seguinte de Weber, fazendo a diferença entre ruah e néphec na religião judaica:
“Segundo uma concepção mais atrasada o ruah, cuja substância é semelhante ao vento, volta com o último suspiro do homem ao sopro celeste, perdendo assim todo caráter individual (...) No hadès, a nephec tinha apenas uma existência de sombra, ela era só um reflexo da vida pois era despojada de sangue e de sopro”86 (Nossa tradução).
As contradições relativas às ideias de alma e espírito que estamos encontrando no yahvismo não são menos desconcertantes que as já detectadas na Austrália. Por toda a parte, esses dois seres espirituais são ora objeto de veneração, de adoração, de oração de caráter religioso, ora são afogados em um verdadeiro exercício de exorcismo e de interpelação mágico. É obvio de que a crença mágica nos espíritos criou na China o que Weber explica abaixo:
“A arte da « divinação » resultou primeiro da crença mágica nos espíritos. Como todos os outros seres, os espíritos não agem sem regras. Se se conhece as regras em virtude das quais eles operam, se pode deduzir seu comportamento a sintomas, que, segundo a experiência, indicam sua composição (...) Por toda a parte onde um grupo social vive do exercício da arte divinatória, como os sacerdotes taoístas na China, sua técnica pode adquirir uma potência inabalável” (WEBER 1971, op. cit. p. 454-455). Nossa tradução.
Assim, na China, para se revoltar contra as atuações ferozes do poder político da feudalidade, a sociedade voltou a orar para os espíritos que, segundo os mitos, habitam as florestas. Essas orações podem, segundo a crença coletiva, ter impactos positivos, ou seja, o Espírito do Céu pode intervir ao apoio dos oprimidos. Nesse caso, os espíritos estão percebidos como uma espécie de recurso mágico para combater e opor-se ao poder do rei, mas, como elucida abaixo Weber, não se trata de imprecações mágicas como isso acontece em algumas magias populares:
“O espírito foi doravante concebido na crença popular – sobretudo após a destruição do feudalismo –, à semelhança com as divindades egípcias, como uma espécie de instância ideal de recurso contra as autoridades
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terrestres, desde o império até o último funcionário. Na China, como no Egito (de maneira menos pronunciada em Mesopotâmia), do fato dessa representação burocrática, a maldição vendo do oprimido e do pobre era particularmente temida” (WEBER, 2000, op. cit. p. 43). (Nossa tradução).
É difícil achar nas religiosidades chinesas uma distinção clara entre alma e espírito, não mais uma crença na transformação da alma em espírito, todavia, segundo a doutrina de karma, um hinduísta piedoso podia, após sua morte ou sua re-mort, se tornar um deus ou um espírito, ou seja, uma potência inteligível que terá algum papel a desempenhar no funcionamento das castas. Aqui, não se trata da doutrina mais ou menos ambígua da reencarnação de uma alma, mas a de um renascimento de um ser humano sob outras formas. Nesse sentido, essa crença parece concordar com a doutrina da ação dos Índios. É por esta mesma razão que eles se interessam muito pelo destino das almas e dos espíritos, para eles, como já vimos, o destino das almas está estreitamente associado às ações cometidas durante a vida terrestre no seio das sociedades humanas. No caso dos chineses, enfim são, geralmente, esses hinduístas piedosos que se tornam espíritos e deuses que podem ser objeto de constrangimento e de interpelação mágica, então eles continuam a serem tratados como se fossem humanos (WEBER, 2003, op. cit. p. 225-232).
Porém, apesar de todas essas confusões e diferenças que acabamos de descobrir entre corpo, alma e espíritos, o que precisa ser memorizado afinal é que a ideia de alma serviu muito tanto na religião como na magia à criação das