4.1 P OSITION DES PROBLÈMES DE RADIATION ET DE DIFFRACTION
4.1.2 Cadre fonctionnel
CONCLUSÕES
1. Em áreas abertas do bioma Pampa, extremo sul do Brasil, morcegos insetívoros apresentam preferência por determinados tipos de hábitat, nos quais são observados maiores níveis de atividade noturna. Estes hábitats correspondem à bordas de vegetação arbórea e cursos d´água, provavelmente selecionados porque concentram uma maior quantidade de insetos e facilitam a orientação espacial.
2. Na área de estudo, a hipótese da sazonalidade na atividade de morcegos insetívoros foi confirmada. Morcegos encontram-se ativos durante todo o ano, com diminuição da atividade no inverno, provavelmente para evitar perda excessiva de energia em função das baixas temperaturas, e da menor abundância e atividade de insetos durante os períodos mais frios do ano.
3. A atividade de morcegos não foi correlacionada a fatores abióticos como temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento. É possível este resultado tenha sido influenciado pela análise conjunta da assembleia de quirópteros e pela restrição das amostragens às primeiras duas horas após o pôr do sol, uma vez que a atividade de morcegos insetívoros pode apresentar correlação com fatores abióticos apenas para determinadas espécies ou períodos noturnos.
Considerações Finais
O presente estudo apresentou padrões de uso de hábitat de morcegos no bioma Pampa, que abrange também parte do território do Uruguai e da Argentina. Os tipos de hábitat amostrados incluíram, principalmente, áreas exploradas economicamente para fins agropecuários, representando zonas de grande pressão para a fauna nativa devido às constantes alterações ambientais. Nossas amostragens abrangeram o período completo de um ano e identificaram, além da distribuição espacial entre diferentes tipos de hábitat, padrões
sazonais na atividade de quirópteros. As principais inovações deste trabalho foram o enfoque específico em morcegos insetívoros caçadores aéreos e a utilização de amostragens acústicas, observadas em estudos ecológicos e comportamentais em outros países, principalmente na América do Norte e Europa, porém ausentes para o Brasil.
O método de amostragem acústica se mostrou eficiente na investigação de padrões de atividade de morcegos no extremo sul do Brasil. Na área de estudo, o comportamento de forrageio do tipo caçador aéreo da maioria das espécies da quiropterofauna local e a predominância de fisionomias campestres são fatores que reduzem a probabilidade de captura de morcegos com uso de redes de neblina ou armadilhas semelhantes. Especialmente nestes casos, monitoramentos acústicos constituem uma alternativa capaz de viabilizar a investigação de parâmetros ecológicos de morcegos caçadores aéreos, uma vez que a maior parte destas espécies utiliza chamadas de ecolocalização de alta intensidade (Fenton, 2004) maximizando a chance de registro através de detectores de ultrassons. Este é o caso da maioria das espécies de morcegos insetívoros que ocorrem no Brasil. O Brasil apresenta alta riqueza de morcegos, equivalente a 167 espécies, sendo que 53% delas correspondem a morcegos onívoros da família Phyllostomidae e, com poucas exceções, as demais apresentam hábito alimentar exclusivamente insetívoro (Peracchi et al., 2011). Morcegos insetívoros apresentam ampla distribuição ao longo do mundo e do território brasileiro e nas latitudes mais altas podem representar a maior parte da quiropterofauna local (Passos et al., 2010), regiões onde amostragens acústicas tendem a contribuir de forma ainda mais expressiva para a investigação de aspectos da história natural e ecologia de morcegos. A maioria dos morcegos filostomídeos apresentam chamadas de ecolocalização de baixa intensidade (Fenton, 2004), razão pela qual são conhecidos como “morcegos que sussurram” (whispering bats) e não são registradas por detectores de ultrassons, a menos que passem a uma distância muito curta do aparelho (Griffin, 2002). Se por um lado monitoramentos acústicos tendem a apresentar
utilidade mais restrita nos estudos com enfoque na maioria das espécies de filostomídeos, por outro estas espécies são, de forma geral, mais facilmente amostradas com redes de neblina, razão pela qual geralmente encontram-se representadas em maior proporção em inventários e estudos ecológicos em geral nos biomas brasileiros. Neste contexto, o levantamento de informações capazes de abranger um maior número de grupos taxonômicos que compõem a fauna brasileira de morcegos requer a integração de diferentes métodos, incluindo técnicas de captura e bioacústica.
O presente estudo verificou tendências bastante gerais na distribuição espacial e sazonal de morcegos no extremo sul do Brasil, que provavelmente refletem os padrões de atividade das espécies mais abundantes na área de estudo. No Brasil, ainda não há um banco de dados de referência das características das chamadas de ecolocalização, o que constitui um requisito para uma identificação segura de espécies a partir das vocalizações. Esta não é uma tarefa fácil, porque mesmo nas regiões de maior latitude, o Brasil apresenta alta diversidade de morcegos e poucos grupos de pesquisa na área de bioacústica. Porém, o corpo de pesquisadores brasileiros especialistas em morcegos vem aumentando nos últimos anos, o que tende a ampliar e a diversificar a utilização de diferentes métodos, incluindo bioacústicos, em pesquisas ecológicas e comportamentais de morcegos no futuro.
Referências Bibliográficas
Fenton, M.B. 2004. Aerial-Feeding Bats: Getting the Most Out of Echolocation, pp. 350-355. In: Thomas, J.A.; C.F. Moss & M. Vater (Eds.). Echolocation in Bats and Dolphins. The University of Chicago Press, Chicago, 604 p.
Peracchi, A.L.; I.P. Lima; N.R. Reis; M.R. Nogueira & H. Ortêncio-Filho. 2011. Ordem Chiroptera, pp. 155-234. In: Reis, N.R.; A.L. Peracchi; W.A. Pedro & I.P. Lima. Mamíferos do Brasil (2ª Ed.). Londrina, Londrina, 439 p.
Passos, F.C.; J.M.D. Miranda; I.P. Bernardi; N.Y. Kaku-Oliveira & L.C. Munster. 2010. Morcegos da Região Sul do Brasil: análise comparativa da riqueza de espécies, novos registros e atualizações nomenclaturais (Mammalia, Chiroptera). Iheringia Sér. Zool., 100: 25-34.
Griffin, D.R. 2002. The Past and Future History of Bat Detectors, pp. 6-9. In: R.M. Brigham; E.K.V. Kalko; G. Jones; S. Parsons & H.J.G.A. Limpens (Eds.). Bat Echolocation Research – Tools, Techniques and Analysis. Bat Conservation International, Austin, 167 p.