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Cadrage moral de la situation

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DE PREMIERE GENERATION

1.1. L E MOUVEMENT POUR LE DESARMEMENT NUCLEAIRENUCLEAIRE

1.1.3. Apogée du mouvement : 1958-62

1.1.3.3. Cadrage moral de la situation

Ilsa do Carmo Vieira Goulart

Mas o gesto que liga as ideias aos lugares é, precisamente, um gesto de historiador [...]. Michel de Certeau (2010)

A

o pensar na ação investigativa como gestos do historiador, pode-se destacar as inúmeras possibilidades de atuação e interação entre o pesquisador e suas fontes. Entretanto, está no olhar as frestas dos “não-ditos”, conforme descreve Certeau (2010, p.67), às fendas deixadas em peculiaridades das fontes, demarcadas na materialidade de documentos, cadernos, imagens, obras, manuais de leitura, cartilhas, seletas, livros de leitura, enfi m, uma literatura didática, que delimita espaços para se consolidar uma “operação historiográfi ca”.

A utilização de livros de leitura como fonte ou corpus de investigação tornou-se um movimento recorrente e assertivo na produção acadêmica. Pesquisas avolumam discussões, recuperam documentos e obras, descrevendo o percurso do impresso no cenário brasileiro e da história do livro didático em diferentes regiões do Brasil.

A produção acadêmica demonstra, em diferentes estudos sobre a história do livro escolar no Brasil, tentativas investigativas de olhar o passado como um pretexto para a compreensão das práticas culturais de ensino. Trabalhos como os de Bittencourt (1993), Batista (1999), Peres e Tambara (2003), Frade e Maciel (2006), Trevisan (2007), Pereira (2009), Gazoli (2010), entre muitos outros, possibilitam a narratividade de aspectos da história da educação brasileira, traçados a partir de um olhar historiográfi co voltado para objetos escolares, cartilhas, livros didáticos e seus respectivos autores, os quais buscam investigar, descrever e apresentar a história do ensino da leitura e escrita, e que adotam como perspectiva teórico-metodológica a abordagem da

história cultural. Tais pesquisas apresentam um caminho teórico e metodológico possível para a compreensão da complexidade que envolve o ato de ensinar e aprender, em diferentes tempos e lugares.

Outras pesquisas direcionam-se para os modos de produção, para a autoria e análise de livros de leitura, coleções ou séries de livros de leitura graduada, em sua materialidade, como Panizzolo (2006), Razzini (2006, 2010), Batista e Galvão (2009), Goulart (2012, 2013), Toledo (2001), Abreu (2009), Valdez (2003, 2004), Gazoli (2010), Cunha (2011), Oriani (2010), Oliveira (2011), Messemberg (2012), entre outros trabalhos.1

Dentre as pesquisas citadas, por contribuír para a compreensão e confi guração do cenário de fontes na historicidade a respeito da literatura didática brasileira, o trabalho de Valdez (2003, 2004) dialoga com a refl exão proposta neste trabalho, ao questionar o papel da literatura didática, especifi camente dos livros de leitura, na historiografi a brasileira.

De acordo com Valdez (2003, 2004), o livro de leitura é fonte privilegiada e complexa para a historiografi a, haja vista que se trata de um objeto que pode provocar inúmeras leituras. Seja pelas escolhas que determinam a confi guração gráfi ca da obra, seja pela intencionalidade da produção e circulação, ele traz representações das concepções de educação, dos pressupostos teóricos e metodológicos, sinaliza marcas de infl uências externas, como movimentos editoriais de simplifi cações, adaptações, reduções e também lacunas dispostas na materialidade do impresso, tornando-se, afi nal, “[...] fonte, legitimada como guardiã, constitui-se em um lugar de memória privilegiado, pois através de seus textos e imagens consolida conceitos no imaginário social, construindo uma representação globalizadora e ordenada da sociedade” (Valdez, 2004, p.7).

Para os historiadores que pretendem, segundo Certeau (2010, p.66), encarar a história tomando como inspiração a operação historiográfi ca, existe a certeza de que descrevê-la e analisá-la trata-se, por vezes, de uma ação limitada, por envolver um “lugar”, um “procedimento” e um “texto”; dito de outro modo, a historiografi a articula-se a um lugar de produção, seja ele político, econômico, social ou cultural, lugar que se confi gura na própria materialidade dos livros de leitura, decorre de um procedimento metodológico, de ações sistemáticas de busca, investigação, levantamento, catalogação, entre outras possibilidades,concretizando-se em uma “textualidade”, que é organizada e apresentada por escrito.

Desta forma, ao considerarmos que os materiais de leitura permitem uma operação historiográfi ca e que estes artefatos podem trazer marcas de um determinado tempo e espaço, este texto apresenta como objetivo identifi car e sinalizar as possibilidades de ações investigativas a partir da análise de livros de leitura como fontes historiográfi cas.

Ao procurar identificar de que modo os livros de leitura podem contribuir para a pesquisa historiográfica na alfabetização, o trabalho destaca duas dimensões argumentativas. Uma dimensão se mostra viabilizada pela representação disposta na materialidade impressa dos livros, conforme descreve Chartier (1994, 2002, 2003, 2009), e outra entende que essa materialidade pode ser indicadora

1 Em Oriani (2010), é possível encontrar um levantamento das publicações que contribuem para a formação da história

do livro didático no Brasil, mais precisamente em relação à alfabetização. Cf. ORIANI, Angélica Pall. Série «Leituras Infantis» (1908-1919), de Francisco Vianna, e a história do ensino da leitura no Brasil. 2012, 288f. Dissertação (Mestrado em Educação). Faculdade de Filosofi a, Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Marília, 2012.

de uma cultura material escolar, segundo Vidal (2009), Viñao Frago (1995) e Escolano Benito (2000). Para melhor composição da reflexão teórica, divide-se a discussão em três momentos: primeiramente, procura-se apresentar uma definição do que se compreende por livro de leitura. Logo depois, descreve- se a perspectiva teórica da cultura material escolar como embasamento das discussões a respeito da literatura didática, para, em seguida, apontar possibilidades de ações investigativas a partir da materialidade das capas dos livros da série graduada de leitura Meninice, de 1936, 1948 e 1949, como fonte historiográfica.

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