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C APITAL HUMAIN

Dans le document ATTIJARIWAFA BANK NOTE D’INFORMATION (Page 176-181)

O referencial literário e cinematográfico das produções apreciadas pelo grupo adolescente é identificado claramente nos textos, demonstrando a influência desses recursos no desenvolvimento de alguns padrões e expressões dessas culturas, citados

no texto por meio dos contextos propostos pelos filmes e livros, e principalmente pela representação de personagens desses contextos.

É possível identificar, por meio das referências apresentadas, as preferências de leitura que o jovem sinaliza nos textos, demonstrando os estilos da sua preferência em histórias que citam personagens infantis (em referência à bagagem das leituras realizadas na infância), alguns clássicos, muitas histórias inspiradas na literatura contemporânea (por exemplo: Harry Potter e O senhor dos Anéis), bem como os personagens do cinema (de filmes clássicos ou comerciais), que são integrados ao contexto do mundo real pela ficção, pelas aventuras, missões especiais, entre outros.

A leitura estimula os pensamentos do jovem para a criação dramática, pois percebemos que os textos mais interessantes possuem fundamento nas histórias com inspiração na literatura ou na integração que os estudantes fazem entre realidade e ficção, muitas vezes por meio das adaptações de textos ou filmes já conhecidos. Acreditamos que este seja um fator importante para o estímulo à leitura, pois possibilita trabalhar a criação artística a partir do referencial apresentado pelos alunos.

Segundo Bamberger (2000), “o que leva o jovem leitor a ler não é o reconhecimento da importância da leitura, e sim várias motivações e interesses que correspondem à sua personalidade e ao seu desenvolvimento intelectual”. (p.31). Nesse sentido, percebemos nos textos a presença dos personagens literários e do cinema, representada em seu contexto de origem ou adaptados a um novo contexto proposto pela imaginação do jovem, estimula os jovens a relerem as fontes originais ou buscarem fontes novas, encontrando elementos enriquecedores para as suas histórias, e dividindo suas experiências de leitura com todo grupo, num processo que estimula o a acesso à literatura, à apreciação de filmes, entre outros meios.

Exemplifica-se abaixo com alguns exemplos em que é possível identificar a influência da literatura infantil na criação e elaboração dos textos, como no texto o Vale desencantado:

VOZ - Xena estava lendo um livro de quinta categoria no seu moquifo... XENA –Nossa, que livro bom, excelente!

VOZ – Quando de repente...Kabum!

XENA – Onde estou? Que lugar é esse? ( nesse momento, vem entrando os anões grandes e metidos)

XENA – Quem são vocês?

ANÃO 1 – Nós somos os dois anões! XENA – Desse tamanho?

ANÃO 2 – É que nós tomamos muito chá de taquara, que faz crescer! XENA – Ei, esperem aí, querem me explicar onde é que estou? Falando com dois anões, que não são anões, eih, mas não eram sete?

ANÃO 1 – Olha só o que aparece na nossa casa..

ANÃO 2 - Já não chega aquela Branca de Neve que só queria comer às nossas custas..

ANÃO 1 – Isso é culpa sua que não pode ver uma princesa por aí que já quer levar pra casa...(os anões começam a discutir, Xena tenta falar, mas não consegue)

XENA – Dá pra me ajudar?!

ANÃO 1 – Nem pensar, fora daqui! ANÃO 2 – Fora, fora...

Esse texto adapta vários personagens de histórias infantis a um contexto oposto ao proposto pelas histórias, no espaço de um vale de desencanto, onde os personagens perderam a sua inocência e são representados de maneira humanizada, com problemas comuns ao mundo adulto. Há esse tipo de manifestação em vários textos, e pensamos que este fato se deve à semelhança com a fase da adolescência, que se obriga a deixar a fantasia de lado, para enfrentar os problemas da vida adulta. Outro exemplo, extraído do texto: “Em busca da esfera partida”:

VOZ NO INÍCIO DA PEÇA:

Era uma vez, há muito tempo atrás...ah, nem tanto..., um anel mágico muito misterioso, que aguçava a curiosidade e o interesse de todos. Seu mistério só não é maior que seu poder. Diziam que ele veio do céu envolto em chamas e caiu. Com o tempo, suas chamas se apagaram, e encravado em uma pedra ele ficou esperando. Muito tempo se passou, o mundo foi mudando, e muitos tentaram tirar o anel do seu lugar, mas nenhum teve êxito, até que...

(nesse tempo, aparecem pessoas de diferentes períodos históricos passando e tentando tirar a pedra)

(Frodo entra caminhando e vê o cenário de um vilarejo)

FRODO – Estou cansado da vida na cidade. É todo mundo correndo atrás de seus negócios. Aquele povo virou escravo do relógio. Tantos executivos que se acham inteligentíssimos e, no entanto, vivem trabalhando. Essa agitação me cansa, preciso passar um tempo em algum lugar mais tranqüilo.

(ele se depara com uma pedra, e nesta pedra, está encravado o anel. Ele fica curioso e resolve tirar o anel da pedra, facilmente, então, caminha um pouco, quando de repente, aparece Nuntius)

FRODO – Quem é você?

NUNTIUS – Eu sou Nuntius, o mensageiro. FRODO – Prazer

NUNTIUS – (não responde) Tenho uma longa história para te contar... FRODO – Longa é?Não dá pra ser outra?

NUNTIUS – Não, a hora é essa, pois você a escolheu retirando o anel da pedra...

FRODO – Quê?

NUNTIUS – Apenas escute, meu jovem...

(Nuntius fala imponente, ele tem um grande livro, onde lê as seguintes falas)

NUNTIUS – Você conseguiu tirar da pedra o anel de Erus, o Senhor do Tempo. Muitos tentaram, e só você conseguiu...

A referência aos personagens de filmes clássicos e comerciais também é sinalizada pelo texto, apresentando influências de uma cultura padronizada, comercial, de acesso às massas.

Percebemos que as histórias propostas pelo cinema “vendem” aos adolescentes idéias que os conecta a uma cultura que desperta cada vez mais o jovem para o consumo, mas também percebemos que há muita receptividade do adolescente a fontes literárias, que da mesma forma se fazem presente nos textos, o que faz com que as políticas pedagógicas de estímulo ao melhor aproveitamento das fontes de leitura proposta para os jovens, sejam incentivadas.

Dans le document ATTIJARIWAFA BANK NOTE D’INFORMATION (Page 176-181)