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Building a multiagent system

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Intelligent agents

5.4 Multiagent systems

5.4.2 Building a multiagent system

Fundado em Lisboa em 1992. Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP) Surgido em 1989 Fundado na Cidade da Praia em 2002. Instituto Português do Oriente (IPOR) Fundado em Macau em 1989. Estatutos modificados em 1999. Instituto de Cultura e Língua Portuguesa (ICALP) Rebatizado em 1980, extinto em 1992, a entidade derivou do Instituto de Cultura Portuguesa (ICAP) 1976- 1980, que por sua vez teve como antecessor o Instituto de Alta Cultura de 1952 a 1976, anteriormente conhecido como Instituto para a Alta Cultura.

Missão: “O Instituto

Camões tem por missão propor e executar a política de divulgação e de ensino da língua e cultura portuguesas no estrangeiro e promover o português como língua de comunicação internacional (...)” Em 30 de janeiro de 2012, a missão do Instituto Camões foi alterada de acordo com a mudança do nome da entidade para Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, IP – (CICL).

Decreto-Lei nº 21/2012.

Nova Missão: “O

Camões, I.P., tem por missão propor e executar a política de cooperação portuguesa e coordenar as atividades de cooperação desenvolvidas por outras entidades públicas que participem na execução daquela política e ainda propor e executar a política de ensino e divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro, assegurar a presença de leitores de português nas universidades estrangeiras e gerir a rede de ensino de português no estrangeiro a nível básico e secundário.”

Missão: O IILP tem como objectivos fundamentais "a promoção, a defesa, o enriquecimento e a difusão da língua portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico, tecnológico e de utilização oficial em fóruns internacionais".

Objetivo: Manter viva a

presença do português na região mesmo após a devolução do Território de Macau à China. Em 2010, o IPOR passou a assegurar a coordenação da gestão dos Centros Culturais Portugueses no Oriente, do Centro Cultural Português em Macau e dos Leitorados Portugueses no Oriente. Apoia, também, os serviços culturais das Embaixadas portuguesas na região da Ásia- Pacífico desenvolvendo um papel de grande relevo prático em relação a Timor.

Missão: Reforço do

compromisso no tocante ao ensino e promoção da língua e cultura portuguesa, a nível nacional e internacional.

Com base nas informações contidas na tabela acima podemos constatar que o estabelecimento e reformas de entidades para promoção do idioma mostra-se constante na evolução da estratégia estatal portuguesa de difusão da língua.153

A recomendação de Carlos Reis para que o Camões se inspire em seu equivalente espanhol pode ajudar a transformar a entidade portuguesa num Instituto de Língua Portuguesa, preparado para atravessar qualquer fronteira e se estabelecer, de forma bem-sucedida, em outras partes do mundo na promoção do idioma comum.

A internacionalização como que muda a natureza e as finalidades da política da língua, com repercussões em todos os elementos referidos anteriormente, que estão interligados. Dificilmente pode mudar a missão de uma instituição sem que mudem as orgânicas.

O estudo relativo à internacionalização do português apontou claramente para a mudança da missão. E, se bem que de maneira diferente da preconizada no referido estudo, o XIX Governo Constitucional de Portugal, através da liderança do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, mudou-se a missão e a orgânica do Instituto Camões. Se prestarmos atenção às alterações verificadas ao longo do tempo do que hoje é o Instituto Camões, verificamos que elas foram profundas durante o Estado Novo e, posteriormente, na vigência do regime democrático. Em pleno século XXI, é natural que voltem a mudar. De notar ainda que últimas alterações a que nos referimos foram as primeiras após a criação da CPLP.

Parte crucial da política linguística de Portugal são os leitorados espalhados pelo globo. Os leitores de língua e cultura portuguesas são considerados executores desta política. Os leitorados são administrados pelo Instituto Camões, que, como já vimos, foi fundado, e refundado, com a missão de promoção da cultura e língua portuguesas.

153 Tabela compilada pela autora com base na bibliografia existente e dados da página do Instituto Camões e outros institutos. Disponível em http://www.instituto-camoes.pt/historia-do-ic (consultado em 28 de julho de 2013).

No caso da hispanofonia e da francofonia, as ex-metrópoles são consideradas “mais importantes” e “destacadas” no cenário internacional, o que não é a situação do Brasil e de Portugal e outras nações lusófonas.

Uma presença internacionalizada do Instituto Camões com professores de vários países e um gerenciamento partilhado com a ajuda da CPLP poderia resolver o problema da falta de uma entidade internacional para o ensino do português, mas isto é já apontar para um novo cenário que provavelmente obrigará à agregação de novas competências na entidade em questão e de um novo passo em frente.

Coincidência ou não, através de suas excelentes relações com o Instituto Cervantes, o Instituto Camões tem ensinado português em países vizinhos do Brasil. A Argentina, por exemplo, é uma das nações sul-americanas onde o Instituto Camões atua. Como temos evidenciado nesta pesquisa, as relações de língua e poder político parecem caminhar paralelas muitas vezes. Um exemplo foi a decisão do governo argentino de pedir a cooperação de Portugal para entrar no mercado lusófono africano, afirmando que reconhecia Portugal como “a verdadeira porta de entrada” para os Países de Língua Portuguesa na África, PALOP, o que tradicionalmente é alimentado pela política externa portuguesa.

Durante uma reunião do Grupo de Líderes Empresariais (LIDE), em Lisboa, no fim de 2011, o embaixador da Argentina em Portugal, Jorge Faurie, afirmou:

“Portugal é a porta de entrada para a lusofonia e gostaríamos de poder beneficiar desta situação."154

Esta parece ser um afirmação política bastante interessante visto que a Argentina precisou de ir à Europa para bater na porta da lusofonia, quando a mesma é vizinha do maior país lusófono do mundo: o Brasil.

154 Notícia reproduzida na página do governo português na internet. Disponível em

http://www.portugalglobal.pt/PT/PortugalNews/Paginas/NewDetail.aspx?newId=%7B32960027-FA6A- 4A2C-8B60-00282C265FC4%7D (consultado em 5 de janeiro de 2012).

Essa situação pode ser do interesse de Portugal, mas não é do interesse do Brasil e dificilmente é do interesse da CPLP. Do ponto de vista político, como entender a situação?

Ela é perfeitamente compreensível num quadro clássico de soberania concorrencial entre os Estados, mas fica a dúvida sobre se faz sentido no âmbito das relações de interdependência estabelecidas no quadro da CPLP.

Em março de 2012, a agência estatal de notícias de Angola, a Angola Press, e um dos maiores periódicos da Argentina, o Clarín, anunciavam a visita do chanceler argentino, Héctor Timerman, a Angola com uma delegação que incluía representantes de 300 empresas dos mais variados setores, entre eles da saúde, da construção civil e da energia.

Esta situação parece confirmar a pertinência das premissas anteriores, ou seja, de que estamos predominantemente perante situações de concorrência entre Estados soberanos e não de cooperação multilateral, com divisão de tarefas. Vejamos com que consequências. O Instituto Camões e o Instituto Cervantes têm demonstrado ampla cooperação com empresas privadas. Após a mudança no nome do Camões (se bem que pequena, ela existiu com a reforma do ministro Paulo Portas) e a extensão de seus trabalhos a questões de cooperação, resta a ser observado como a entidade portuguesa se desenvolverá na direção de cooperações externas.

Estamos aqui perante uma situação típica de cooperação entre organismos públicos estaduais, ou seja, uma situação de cooperação entre Estados soberanos. Estes institutos de língua começaram, também, a cooperar de forma mais sistemática, o que ocorre no caso do Instituto Camões com a Aliança Francesa, que serve de anfitriã para as aulas do instituto português na África do Sul.

Numa entrevista à autora da presente tese, o encarregado do Departamento Comercial do Instituto Cervantes, Juan Pedro Basterrechea, explicou a relação entre promoção da língua e transações comerciais entre os países.

O Instituto Cervantes observou bem cedo que a língua espanhola ajudava empresas do país a fazer negócios no exterior. De que modo? Da mesma forma como as firmas

espanholas auxiliavam no envio do idioma a outras partes do mundo, fazendo com que mais pessoas o aprendessem e preferissem a marca “Espanha”, acima de tudo.

Juan Pedro Basterrechea explicou, com as seguintes palavras, o interesse das empresas de seu país em patrocinar a promoção do espanhol através do Instituto Cervantes.

MVG – ¿ Es decir que el idioma y la promoción del español tienen claramente un valor económico muy grande?

JPB – Claro. Claro. Todo está absolutamente relacionado. En última instancia el interés de los

países en hacer una difusión de su lengua y de su cultura es un interés que tiene muchas facetas, ¿no? Y una de ellas muy importante pues es la de trabajar las relaciones, eso que se llama ahora diplomacia blanda, la de tender puentes, establecer vías de intercomunicación y de interacción con todos agentes de los países, donde nos acogen y claro contribuir con ellos a fomentar la imagen de la marca país. En nuestro caso de la marca España, pero en el caso del British Council, la marca Reino Unido, y en el caso del Goethe, pues la marca Alemania, no? Y claro y con la acción cultural, pues agregamos a esta imagen de marca país, valores que son percibidos como muy positivos y que contribuyen y facilitan pues toda la tarea de la internacionalización de las empresas españolas, en la medida que la imagen de la marca país es más favorable pues es más fácil introducir el producto de un país en el país donde se tiene esta imagen más favorable y etc, ¿no? Y todo esto forma parte del tramado de la presencia, en nuestro caso de España en el exterior. Presencia que tiene pues distintas instituciones pues empezando pelas Embajadas, las oficinas comerciales, los institutos culturales, etc. Y todos ellos contribuyen de alguna forma a establecer una relación con los países que nos acogen y donde estamos presentes, que tienen muchos objetivos, y uno de ellos también es favorecer los intercambios comerciales y económicos que puedan tener las empresas españolas. (ANEXO JUAN PEDRO BASTERRECHEA).

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