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Blackboard Systems

Dans le document Multiagent Systems (Page 122-126)

Multiagent Systems and Societies of Agents

2.3 Agent Interaction Protocols

2.3.4 Blackboard Systems

5.2.6.1.1 Perspectiva do cuidado à saúde

As equipes do caso A referiram realizar grupos de promoção à saúde na UBS e no próprio território. Buscam fortalecer e ampliar seus grupos para realizar educação em saúde, assim como utilizam o espaço do conselho gestor para prevenção.

(...) aqui tem atividades de prevenção no geral, sobre AIDS, sobre esse Chikungunya aí que está rolando (...) O conselho gestor se envolve também para trazer o povo para dentro da Unidade para ser falado a situação correta para eles. Explicar por exemplo para o povo o que é o mosquito, porque as vezes passou o mosquito e você (imita gesto de matar o mosquito). Matou! (Risos). Nessas reuniões tudo que é de saúde é falado. É passado filme de uma situação que vamos falar, é conversado, explicado, entendeu? (Conselheiro gestor).

Profissionais e conselheiro gestor referiram considerar as questões sociais que influenciam o processo saúde doença.

Então a gente tem que ver muito a partir da realidade do paciente né? Por exemplo, passar uma dieta que vai ter que comer assim, só fruta, legumes ai você vai lá e a realidade dele é uma família muito grande num barraco, um comodozinho. Não tem renda nenhuma, como você vai falar para essa família se alimentar muito bem, então tem que ver a realidade (ACS).

A saúde para quem mora em uma área pública cheia de barracos, hoje, é muito ruim. Primeiro porque você para ter saúde tem que ter uma moradia boa. Para você ter saúde tem que ter um bairro limpo. Para você ter saúde tem que ter uma rua asfaltada, sem buraco. Água. Então como você vai ter saúde plena, maravilha se você não tem tudo isso aí? Agora quando eu falo de uma saúde limpa, boa, também tem que entrar o governo, não é? O governo municipal tem que entrar (conselheiro gestor).

A gente assim, como eu falei, engloba também a saúde, porque saúde e social caminham juntos, só pensar na questão da dengue, por exemplo, engloba condição de moradia e saúde (conselheiro gestor).

A articulação com outros serviços foi citada como frequente e como meio de garantir a integralidade do cuidado e participação da comunidade.

Porque até então o serviço ficava contando só com ele mesmo, com os profissionais de dentro do serviço. Hoje a gente pega um caso de uma pessoa que está em sofrimento mental, por exemplo, a equipe percebe que pode contar com apoio de fora, porque sozinhos não podemos oferecer tudo que o usuário precisa. A gente se articula muito (gerente).

(...) essa questão da ação no bairro D. foi muito legal, porque a gente trabalhou em conjunto, conselho gestor, a UBS e com a prefeitura. E.…com as associações do bairro. Esse trabalho eu acho que foi muito bom pra comunidade, a gente precisa (conselheiro gestor).

5.2.6.1.2 Participação no cuidado

Os profissionais destacaram a participação social dos usuários e também sua participação na tomada e decisão no plano de cuidados, inclusive na dimensão clínica.

O chá na casa da vizinha é uma ação organizada, pensada pela saúde da mulher. Então eles vão uma vez por mês na casa de uma moradora do território, uma vez no bairro X, uma no bairro Y outra no bairro Z, e aí é tipo reunião de Tupperware? Ai a dona da casa convida as pessoas e falam sobre saúde, felicidade...o que aparece aqui (gerente).

O projeto terapêutico da pessoa tem que ser tratado em parceria com o profissional de saúde. Então: “o que você está sentindo”, “como você está vivendo esse momento? “, “o que está te afligindo? ” Quais são as coisas que você gostaria que a equipe pudesse te ajudar? ” (Enfermeiro).

Eles conseguem identificar (as necessidades de saúde) com a vinda da população até a Unidade e com as agentes de saúde indo até a casa. Acho

que conseguem identificar melhor com essas ações, porque se você está onde o povo está, ou se o povo vem até a Unidade você consegue entender a necessidade de cada um ou daquela comunidade (conselheiro gestor).

Entretanto, na opinião do conselheiro gestor, a participação no cuidado clínico pode variar de acordo com o profissional que atende. O usuário referiu receber atenção da enfermagem durante o acolhimento, porém queixa-se de pouca oportunidade de participação e interação durante a consulta médica.

O atendimento, as meninas (da enfermagem) do acolhimento são muito boas. Então você é realmente acolhido aqui, dão atenção. Tem esse atendimento de receber a pessoa. Penso que é muito bom (...) E teve uma consulta que a médica não olhou nem na minha cara. Então assim, eu não fiz nada. Ela apenas me perguntou o que eu tinha, eu falei e ai assim, continuou escrevendo (conselheiro gestor).

As avaliações com relação ao Conselho Gestor nas UBS foram predominantemente positivas. As reuniões do conselho gestor foram descritas como espaço de participação dos usuários, desde a formulação de pautas à discussão.

Através das reuniões de conselho gestores, esse ano também com apoio desses grupos organizados a gente também começou a estimular a participação da população (...). Vejo maior participação desses usuários aqui, nas atividades coletivas, é um jeito de ver que esse usuário está se apropriando mais do cuidado dele mesmo. Quando ele vem não só para buscar a cura de um sintoma (gerente).

Por exemplo, vamos discutir uma situação, mas tem outra aqui vindo a mil por hora. Tem que entrar e se compor ali dentro. E nós falamos, a gente tem os horários tudo bonitinho, então dá para chegar e falar. Porque ali, você está falando, ai vem outro e fala outra coisa, ai você vai responder, ai o outro também quer saber por que. Então nós fazemos tudo isso aí. E resolve tudo bonitinho. Porque terão várias perguntas. Uma pauta que fazemos juntos e depois viramos uma outra pauta em cima daquela para deixar tudo resolvido, com a população (conselheiro gestor).

Entretanto, profissionais e conselheiros referiram a participação abaixo do esperado, e que as reclamações sobre o serviço de saúde nem sempre são acompanhadas de críticas construtivas e colaboração com a equipe.

Eles não vêm. É daquelas pessoas que ficam falando pra um e pra outro que o posto não presta, que a Unidade não presta e fica fazendo motim pra acabar deixando as outras pessoas né, entrando no mesmo embalo daquele paciente, mas eu não tenho percebido que tenha vindo tanta demanda da comunidade pra nós, do que melhorar (enfermeiro).

É o espaço da comunidade, o único espaço que a comunidade tem para participação, uma vez que eu represento eles aqui. É um espaço muito bom, é um mecanismo que a população tem de controlar, fiscalizar, esse

espaço. Embora eles venham mais quando tem essas situações, de reclamação eles acabam vindo. Quando tem assim que, não foi atendido, que aconteceu isso ou aquilo eles acabam vindo, mas só para reclamar mesmo, Para participar efetivamente todo mês, como o conselho gestor se reúne, eles não vêm (conselheiro gestor).

5.2.6.1.3 Relação usuário-profissional

Ambas equipes do caso A referiram uma relação de vínculo e também conflitos entre usuários e serviço de saúde. Esse último representado por seus profissionais. Os profissionais relataram sentimento de cobrança por parte dos usuários.

A gente hoje tem mais vínculo com as pessoas, conseguiu sair um pouco da formalidade dos atendimentos (enfermeiro).

A gente cria um vínculo muito grande com esse povo. E a gente vai trabalhar com amor, não é fácil não (...) E paciente só cobra. É muita pressão. Só quer, só quer para ele e tudo pra ontem. Só que o paciente escreve que o funcionário também é paciente. Humano igual ele (ACS).

Um desafio relatado pelos profissionais, referente à relação professional- usuário, foi o estabelecimento de vínculo com a comunidade em um território dominado pelo tráfico de drogas. Isso mostra a relação do trabalho em equipe efetivo/integrado/colaborativo e da prática colaborativa com o contexto do cuidado, o território.

Mas a primeira coisa que eu fiz foi conhecer o território e fui conversar com cada traficante do território, eu fui falar do PSF para eles. Olha vim te apresentar uma coisa, você vai ver gente com avental branco que vai vir aqui porque a gente vai cuidar. Porque assim, quero que você entenda o que a gente está vindo fazer, quero que você abra as portas para gente (...). Nunca tivemos problema. E hoje, os filhos deles estão sendo acompanhados, porque eles moram todos no território, então eles entenderam porque o agente comunitário vai na casa (gerente).

Os conselheiros gestores problematizaram a relação assimétrica entre os usuários e profissionais de saúde, em particular com os médicos.

Do mesmo jeito que ela escrevia ela nem me olhou (...). Então assim, às vezes tem o jeito de tratar. Pelo menos você olhar a pessoa, perceber a pessoa na sala (...) Acho assim, ela é boa, não estou dizendo que é ruim, mas tem essa questão de olhar para pessoa, perceber que a pessoa está na sala, é mais isso (...) Também, até porque os médicos falam: “O médico sou eu”, não é? Então sou paciente. Por mais que ele pergunte para você como você está, o que você tem, você irá falar, se você solicita, pede

alguma coisa, eles acabam, eles têm que dar para você a palavra final, digamos assim. Eles são os médicos, não é você. Você não vai prescrever uma coisa que...você não é médica. Ele e o médico então (conselheiro gestor).

Os profissionais falaram sobre o limite que deve ser dado aos usuários, uma vez que a assistência é prestada a eles, mas controlada pelos profissionais, que devem prover ações para resolução dos problemas dos usuários. O excerto abaixo permite a reflexão sobre a necessidade de clarificação de papeis, que se refere aos profissionais da equipe. No entanto, à medida que ocorre a participação de usuários na tomada de decisão do plano de cuidados também requer a clarificação do papel do usuário, família e comunidade.

Acho que o usuário no primeiro momento era um mantra: o usuário, o usuário. Não sei se era verdade, se eles entendiam isso. Hoje acho que eles entendem, que a gente trabalha para ele. Mas esse usuário tem um problema e que se a gente não cuidar desse problema a gente não vai atingir esse usuário. Porque tem que fazer, é nossa função, é nosso papel social, nós somos servidores do direito. Então é tudo muito, muito junto. Hoje eu acho, que depois de anos, esta muito claro, é usuário, porque é o agente do nosso fazer, botando limite, ele não vai fazer o que ele quer. Ele vai ter que respeitar a gente. A gente exige respeito aqui, não tem esse. E vamos fazer porque tem que fazer, e porque tem um problema, e os problemas são resolvidos (gerente).

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