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Inicialmente, n´os utilizamos o VanetMobSim para gerar um cen´ario semelhante ao cen´ario da base de dados de ˆonibus, para ent˜ao analisarmos os dados brutos gerados pelos modelos de mobilidade presentes no simulador. Ao fazermos essa an´alise, estamos interessados em avaliar a fidelidade dos dados gerados pelos modelos de mobilidade atu- ais com os dados coletados em cen´arios reais. Quanto mais pr´oximos os dados sint´eticos forem dos dados reais, mas realista, e portanto, mais confi´avel ser´a o modelo de mobili- dade veicular. 0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0 0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0.35

Entropia de Shannon Normalizada

Comple xidade Estatística k=1 k=1.5 k=2 k=2.5 k=3 Dados Reais Dados sintéticos K−noise

Figura 4.20: Plano Causalidade Complexidade-Entropia (comportamento da- dos sint´eticos).

A Figura 4.20 apresenta o plano Causalidade Complexidade-Entropia com dimens˜ao embarcada D = 4. As informa¸c˜oes de 12 ve´ıculos da base de dados sint´etica (c´ırculos) e de 12 ve´ıculos da base de dados real (cruzes) s˜ao apresentadas juntamente com o ru´ıdo colorido f−k para k = {0, 0.5, 1, 1.5, 2, 2.5, 3} (triˆangulos).

Notamos (Figura 4.20) que as velocidades da base de dados sint´etica foram divididas em dois grupo no plano Causalidade Complexidade-Entropia. Um destes grupos tem C ≈ 0.25 e H ≈ 0.4 (k > 3), e o outro tem C ≈ 0.1 e H ≈ 0.9 (k ' 2). O primeiro grupo apresenta estruturas altamente correlacionadas e menor aleatoriedade do que os dados reais. Enquanto o segundo grupo apresenta estruturas menos relacionadas e alta aleatoriedade quando comparado com os dados reais. Estes resultados sugerem que os modelos de mobilidade veiculares precisam ser melhorados para representar com maior grau de realismo o comportamento veicular.

0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6

Entropia de Shannon Normalizada

Inf or mação de Fisher k=2 k=2.5 k=3 Dados reais Dados sintéticos K−noise

Figura 4.21: Plano Causalidade Fisher-Shannon (comportamento dados sint´eticos).

Al´em da an´alise global, utilizamos o plano Causalidade Fisher-Shannon para en- tendermos a sensitividade local dos dados. Novamente, a Figura 4.21 nos mostra que as velocidades s˜ao divididas em dois grupos, com F ≈ 0.5 e F ≈ 0.1, respectivamente. Ambos os grupos apresentam valores maiores para F quando comparados com os dados reais, o que nos mostra que as velocidades sint´eticas s˜ao mais correlacionadas e mais sens´ıveis a mudan¸cas locais, e portanto, n˜ao correspondem `a realidade.

Os modelos de mobilidade implementados pelo VanetMobSim produzem dados que n˜ao correspondem os dados observados nos cen´arios reais. Com isso, surge a necessidade de avaliarmos modelos mais completos, que utilizam parˆametros reais (como mapas e demanda de tr´afego) para influenciar nos dados produzidos pelo modelo. A seguir, apresentamos a caracteriza¸c˜ao de uma base de dados veicular que ´e considerada pela comunidade como uma das mais realistas dispon´ıveis atualmente.

An´alise do comportamento da base TAPASCologne

A base de dados TAPASCologne foi proposta por Uppoor et al. [42] e ´e considerada pela comunidade cient´ıfica como estado-da-arte. Isso, porque nesta base de dados o modelo de mobilidade ´e diretamente afetado por restri¸c˜oes de rodovias e demanda de tr´afego real.

A Figura 4.22 mostra o plano de Causalidade Complexidade-Entropia com dimens˜ao embarcada D = 4. As informa¸c˜oes dos ve´ıculos (cruzes) s˜ao apresentadas juntamente com o ru´ıdo colorido f−k para k = {0.5, 1, 1.5, 2, 2.5} (triˆangulos). Uma linha pontilhada ´

e exibida para facilitar a leitura dos dados.

A Figura 4.22 apresenta comportamento veicular correlacionado com ru´ıdo colorido variando entre 0.25 ≤ k ≤ 2.75. Ou seja, o comportamento veicular presente na base de dados TAPASCologne produz velocidades com entropia entre 0.74 e 1, isso significa que os ve´ıculos que tem entropia entre 0.97 e 1 produzem velocidades aleat´orias, e na medida que a entropia vai diminuindo as velocidades v˜ao se tornando mais correlacio- nadas. Por´em, a dinˆamica do tr´afego da base TAPASCologne produz velocidades com baixa complexidade, que variam entre a complexidade m´ınima (linha cont´ınua inferior no gr´afico) e complexidade m´edia, que ´e a complexidade observada no ru´ıdo colorido. Al´em da dinˆamica de tr´afego da base de dados TAPASCologne apresentar complexidade diferente da observada nas bases de dados reais, a base de dados TAPASCologne n˜ao nos permite identificar diferentes regimes e comportamento (dias da semana, finais de se- mana, horas do dia ou horas da noite) como observamos em cen´arios reais. Isso significa que, mesmo sendo poss´ıvel separarmos os dados por hora do dia, uma vez que os dados s˜ao simulados a partir de demandas de tr´afego reais coletadas durante um dia de trabalho completo, n˜ao ser´a poss´ıvel reproduzirmos diferentes dinˆamicas de tr´afego que represente diferentes condi¸c˜oes de tr´afego (fazemos uma an´alise mais aprofundada `a frente). Este resultado sugere que o modelo de mobilidade utilizado pelo TAPASCologne precisa ser refinado para que seja poss´ıvel produzir comportamento veicular distinto para diferentes

condi¸c˜oes de tr´afego (denso, misto ou livre) para diferentes categorias de ve´ıculos. 0.65 0.70 0.75 0.80 0.85 0.90 0.95 1.00 0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25

Entropia Normalizada de Shannon

Comple xidade Estatística k=1 k=1.5 k=2 k=2.5 TAPASCologne K−noise

Figura 4.22: Plano de Causalidade Complexidade Entropia da base de dados TAPASCologne.

Para identificar perturba¸c˜oes localizadas no comportamento veicular da base TA- PASCologne, n´os utilizamos o plano de causalidade Fisher-Shannon. A Figura 4.23 apresenta o plano de causalidade Fisher-Shannon com dimens˜ao embarcada de D = 4. Novamente, as informa¸c˜oes dos ve´ıculos (cruzes) s˜ao apresentadas juntamente com o ru´ıdo colorido f−k para k = {0.5, 1, 1.5, 2, 2.5} (triˆangulos). Uma linha pontilhada ´e exibida para facilitar a leitura dos dados. Observamos que o comportamento das velo- cidades veicular apresentam pouca perturba¸c˜ao localizada, isso significa que, a base de dados TAPASCologne as velocidades veiculares produzidas possuem menor varia¸c˜ao do que as observada em cen´arios reais.

Como mencionado anteriormente, a base de dados TAPASCologne foi gerada con- siderando as 24 horas de um dia de trabalho, e por isso ela leva em considera¸c˜ao a

0.65 0.70 0.75 0.80 0.85 0.90 0.95 1.00 0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25

Entropia Normalizada de Shannon

Inf or mação de Fisher k=1 k=1.5 k=2 k=2.5 TAPASCologne K−noise

Figura 4.23: Plano de Causalidade Fisher-Shannon da base de dados TAPAS- Cologne.

demanda de tr´afego produzida pelas atividades reais dos moradores da cidade de Co- logne na Alemanha em cada hora do dia. Essa caracter´ıstica permite que os dados da TAPASCologne sejam analisados por horas do dia (6am at´e 8pm) e horas da noite (8pm at´e 6am), e com isso ´e poss´ıvel analisarmos de forma um pouco mais detalhada como o comportamento veicular ´e produzido por um modelo de mobilidade realista quando a demanda de tr´afego real ´e levada em considera¸c˜ao.

A Figura 4.24 apresenta o plano de Causalidade Complexidade-Entropia com di- mens˜ao embarcada D = 4 para dois per´ıodos do dia (c´ırculos para 6am-8pm e cruzes para 8pm-6am).

Observamos (Figura 4.24) que as velocidades veiculares durantes as horas de dia apresentam ru´ıdo colorido correlacionado fkno intervalo de 0.75 ≤ k ≤ 2.55, e, portanto,

0.65 0.70 0.75 0.80 0.85 0.90 0.95 1.00 0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25

Entropia Normalizada de Shannon

Comple xidade Estatística k=1 k=1.5 k=2 k=2.5 6am−8pm 8pm−6am K−noise

Figura 4.24: Plano de Causalidade Complexidade-Entropia da base de dados TAPASCologne analisado por hora do dia.

mais correlacionados do que em hor´arios noturnas, que apresentam ru´ıdo colorindo fk para k variando entre 1 ≤ k ≤ 2.3. Esse comportamento ´e o oposto do observado nas bases de dados reais, onde as velocidades em hor´arios noturnos apresentam maior correla¸c˜ao do que as velocidades em hor´arios do dia. Al´em disso, mais uma vez, n˜ao ´

e poss´ıvel distinguir diferentes condi¸c˜oes de tr´afego quando as velocidades dos ve´ıculos s˜ao observadas. Esse resultado reafirma a necessidade de que os modelos de mobilidades atuais precisam ser aprimorados para produzir velocidades veiculares correlacionadas.

Um fator que pode ter gerado este comportamento ´e o fato que de os modelos de mobilidade veicular s˜ao produzidos para que o ve´ıculo trafegue com a velocidade m´axima que eles conseguirem alcan¸car (por exemplo, ve´ıculos trafegando dentro de cidades v˜ao atingir velocidade m´axima de aproximadamente 50 km/h enquanto ve´ıculos trafegando

0.65 0.70 0.75 0.80 0.85 0.90 0.95 1.00 0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25

Entropia Normalizada de Shannon

Inf or mação de Fisher k=1 k=1.5 k=2 k=2.5 6am−8pm 8pm−6am K−noise

Figura 4.25: Plano de Causalidade Fisher-Shannon da base de dados TAPAS- Cologne analisado por hora do dia.

por rodovias v˜ao atingir 129 km/h). De forma complementar, a Figura 4.25 mostra o plano de Causalidade Fisher-Shannon com dimens˜ao embarcada D = 4 para dois per´ıodos do dia (c´ırculos para 6am-8pm e cruzes para 8pm-6am).

Os resultados mostram que a combina¸c˜ao de (i) mapas reais, com (ii) demanda de tr´afego real coletada a partir das atividades di´arias do usu´arios, e (iii) utiliza¸c˜ao de algoritmos de c´alculo de rotas que consideram as condi¸c˜oes do tr´afego, reduzem o im- pacto que o modelo de mobilidade tem sob a dinˆamica da velocidade veicular produzindo comportamento veicular realista mais pr´oximos dos cen´arios reais. Entretanto, o com- portamento veicular observado na base de dados TAPASCologne n˜ao corresponde ao comportamento veicular observado nos cen´arios reais estudados. Este resultado sugere que os modelos de mobilidade precisam ser melhorados para produzir velocidades cor-

relacionadas, tais quais as observadas nos cen´arios reais, ou seja, com ru´ıdo colorido fk para k variando entre 0.5 ≤ k ≤ 3.

Estudo de caso: compara¸c˜ao entre uma base de dados reais (ˆonibus) e uma base de dados sint´etica (TAPASCologne)

Como mencionado anteriormente, para que novas aplica¸c˜oes e protocolos para redes veiculares sejam avaliados adequadamente, ´e essencial que as bases de dados sint´eticas produzam comportamento veicular semelhante ao comportamento observado em cen´arios reais. Com o objetivo de avaliar a fidelidade de uma base sint´etica considerada pela co- munidade cient´ıfica como realista, n´os desenvolvemos um Algoritmo Epidˆemico [101, 102] para redes veiculares e aplicamos em dois dos cen´arios estudados ao longo desse Cap´ıtulo, um cen´ario real, utilizando a base de dados de ˆonibus e o cen´ario sint´etico, utilizando a base de dados TAPASCologne.

Para a avalia¸c˜ao, foi desenvolvido um algoritmo de roteamento epidˆemico para redes veiculares utilizando o simulador de redes OMNeT++ [103]. O algoritmo ´e capaz de entregar mensagens em uma rede tolerante a atraso. Isso significa que cada ve´ıculo possui um buffer onde armazena a mensagem e aguarda por uma oportunidade de contato para transmiti-la ao ve´ıculo seguinte. Esse processo se repete at´e que a mensagem alcance seu destino.

A Figura 4.26 ilustra o funcionamento do algoritmo de roteamento epidˆemico: (i) quando o n´o A entra na ´area de contato do n´o B, o no B envia para A uma mensagens de sincroniza¸c˜ao com informa¸c˜oes das mensagens de dados que B tem sob cust´odia; (ii) quando o n´o A recebe a mensagem de sincroniza¸c˜ao, ele verifica quais mensagens ele n˜ao possui em buffer e envia ao n´o B uma solicita¸c˜ao de cust´odia para estas mensagens; (iii) ao receber a solicita¸c˜ao de cust´odia, o n´o B envia as mensagens de dados para o n´o A. Esse processo acontece nos dois sentidos de forma que, ao final do processo, ambos os n´os estejam com as mesmas mensagens em buffer e sejam capazes de transport´a-las pela rede pulverizando-as para os demais n´os que encontrarem pelo caminho.

Para os experimentos foram utilizados dois cen´arios, o primeiro, com uma base de dados reais e segundo com uma base de dados sint´eticos considerada realista. Para o primeiro cen´ario, foi utilizada a base de dados de ˆonibus, que ´e composta por 12 ˆonibus que circulam por uma ´area de 32 km por 15 km durante as 24 horas de um dia. Para o segundo cen´ario foi utilizada a base de dados TAPASCologne, onde foram selecionados

Figura 4.26: Funcionamento do algoritmo epidˆemico

30 ve´ıculos aleat´orios para cada uma das 15 repeti¸c˜oes. Nessa base de dados os ve´ıculos circulam por uma ´area de 30 km quadrados durante as 24 horas de um dia. Para ambas as bases foram executadas 15 repeti¸c˜oes onde em cada repeti¸c˜ao os destinos e as origens das mensagens eram gerada de forma aleat´oria respeitando a condi¸c˜ao de que o destino tinha que ser diferente da origem.

A base de dados TAPASCologne representa a mobilidade veicular de uma cidade durante as 24 horas do dia, por´em, os ve´ıculos nessa base entram na simula¸c˜ao no in´ıcio do trajeto e saem da simula¸c˜ao no final do trajeto permanecendo na simula¸c˜ao por poucos minutos. Por esse motivo, ao selecionarmos 30 ve´ıculos aleat´orios o tempo de simula¸c˜ao, em que os ve´ıculos est˜ao em movimento, ficou pr´oximo a 1400 segundos, este tempo foi utilizando para executar as simula¸c˜oes para ambas as bases. Para a base de dados de ˆonibus, a simula¸c˜ao inicia ap´os a rede iniciar e os n´os se espalharem pela ´area de simula¸c˜ao, isso, porque os dados da base foram coletados com os ve´ıculos ainda na garagem.

Ambos os cen´ario s˜ao avaliados em rela¸c˜ao ao n´umero de mensagens entregues, ao tempo de entrega de mensagem, a ocupa¸c˜ao dos buffers de cada n´o e ao n´umero de saltos de cada mensagem. O n´umero de mensagens entregues permite avaliar a con- fiabilidade dos modelos de mobilidade implementados, ou seja, se ambos os modelos geram mobilidade cujas oportunidades de contato s˜ao exploradas adequadamente pe- los protocolos avaliados. O tempo de entrega de mensagem e o n´umero de saltos de cada mensagem est˜ao intimamente relacionados com o parˆametro anterior e avalia se as oportunidades de contato podem ser exploradas pelos protocolos de forma eficiente. Por

fim, a ocupa¸c˜ao do buffer de cada n´o permite avaliar o espa¸co de armazenamento de cada n´o e a eficiˆencia dos protocolos ao propagar as mensagens pela rede. Observe que, como mencionado anteriormente, o modelo de mobilidade est´a intimamente ligado ao desempenho das aplica¸c˜oes e protocolos projetados para redes veiculares. Sendo assim, deseja-se que ambos os cen´arios apresentem comportamentos semelhantes.

Tabela 4.4: Base de dados de ˆonibus x TAPASCologne: Dados estat´ısticos

Parˆametros Onibusˆ TAPASCologne

Total M´edia Desv. Pad˜ao Total M´edia Desv. Pad˜ao

Tempo de entrega 10813,6 2163,0 535,4 832,9 416,5 17,8

Mensagens entregues 6 0,4 0,63 2 0,133 5,93

Ocupa¸c˜ao dos buffers (# de mensagens) 74 4,93 2,86 63 4,2 3,58

# de saltos 75 5,0 3,64 72 4,8 5,93

A Tabela 4.4 apresenta os resultados para os parˆametros analisados. O n´umero de mensagens entregues na base de dados de ˆonibus ´e relativamente maior do que a base de dados TAPASCologne, isso nos permite concluir que a base de dados de ˆonibus ´e mais conexa, e que a mobilidade dos ve´ıculos ´e melhor explorada para garantir que a mensagem alcance o destino. Outro parˆametro que confirma essa hip´otese ´e o tempo m´edio de entrega de mensagens. O fato do tempo m´edio de entrega de mensagens na base TAPASCologne ser pequeno, e possuir uma pequena varia¸c˜ao, indica que as mensagens foram geradas e entregues para n´os pr´oximos ao destino, o que nos permite concluir que a conectividade da rede nessa base de dados ´e baixa e consequentemente, mensagens destinadas a n´os distantes dificilmente alcan¸cam seus destinos. Al´em disso, a rela¸c˜ao entre o n´umero de saltos e a ocupa¸c˜ao dos buffers indica que na base TAPASCologne as mensagens s˜ao mais propagadas pela rede passando por um n´umero maior de n´os intermedi´arios antes de alcan¸car o destino.

Aprofundando as an´alises, com o objetivo de identificarmos diferen¸cas no compor- tamento veicular produzido pelo modelo de mobilidade em rela¸c˜ao ao comportamento veicular real, analisamos os dados das velocidade de ambos cen´arios. Isso, porque a velocidade ´e uma importante vari´avel para identificarmos a fidelidade dos modelos de mobilidade em rela¸c˜ao aos cen´arios reais. A Figura 4.27 apresenta o violin plot jun- tamente com o boxplot para os dados de velocidade de ambos os cen´arios. Atrav´es do violin plot conseguimos identificar a densidade e a distribui¸c˜ao das velocidades, in- forma¸c˜oes que s˜ao omitidas pelo boxplot. Ao observarmos a Figura 4.27 notamos que

Figura 4.27: Violin e boxplot das velocidades veiculares

as velocidades produzidas pelo modelo sint´etico possuem maior dispers˜ao, em rela¸c˜ao as velocidades do cen´ario real. Al´em disso, notamos que as velocidades formam grupos com altas densidades e picos em 5km/h, 50km/h, 75km/h, 100km/h e 120km/k. Enquanto no cen´ario real nos observamos um pico de densidade de velocidades aos 40km/h. A base TAPASCologne ´e composta por diversas categorias de ve´ıculos o que pode justificar uma maior dispers˜ao das velocidades se comparada com o cen´ario real (frota de ˆonibus). Al´em disso, os ˆonibus possuem uma rota menos dinˆamica (com paradas) se comparada as ro- tas de ve´ıculos de outras categorias, o que pode justificar uma maior taxa de entrega das mensagens. Outra observa¸c˜ao importante diz respeito aos outliers observados no boxplot da base TAPASCologne, onde conseguimos notar que a base TAPASCologne possui velocidades superiores a 200km/h, o que n˜ao corresponde a realidade.

Estes resultados mostram que a dinˆamica de tr´afego gerada por simuladores n˜ao re- presentam o comportamento de cen´arios reais. Adicionalmente, nossa hip´otese ´e que n˜ao ´e poss´ıvel distinguir diferentes categorias de ve´ıculos dentro do cen´ario simulado. Ou seja, a dinˆamica de tr´afego produzida pelos simuladores n˜ao nos permite selecio- nar ve´ıculos que possuem o mesmo comportamento observado em cen´arios reais, em diferentes condi¸c˜oes de tr´afego e para diferentes categorias de ve´ıculos.

Modelos de mobilidade veicular:

an´alise de sensibilidade

´

E conhecido que o modelo de mobilidade ´e o principal fator que influˆencia na avalia¸c˜ao de novos protocolos e aplica¸c˜oes para os Sistemas de Transporte Inteligentes (ITS) [5]. Isso, porque ve´ıculos possuem caracter´ısticas de mobilidade peculiares que tˆem influˆencia direta nos resultados gerados pela simula¸c˜ao [13, 15]. E desej´´ avel que as simula¸c˜oes produzam resultados mais pr´oximo poss´ıvel dos casos reais, o que exige que estes modelos sejam validados antes de serem usados. Por´em, para validar um modelo ´e necess´ario analisar os parˆametros de simula¸c˜ao com o objetivo de identificar quais parˆametros s˜ao mais relevantes e quais valores eles devem assumir [17, 18].

V´arios modelos de mobilidade veicular surgiram com o passar dos anos, e esses mo- delos evolu´ıram desde modelos puramente aleat´orios at´e modelos baseados em com- portamento [19, 20]. A maioria desses modelos j´a est˜ao implementados nos principais simuladores de mobilidade veicular, e s˜ao utilizados pela comunidade cient´ıfica para conduzir seus experimentos.

Entre os diversos simuladores de mobilidade veicular utilizados nos dias de hoje, o SUMO[21] tem ganhado a preferˆencia pela comunidade cient´ıfica. Isso, porque ele oferece recursos particularmente atraentes, como por exemplo: software livre e de c´odigo aberto, facilidade de integra¸c˜ao com simuladores de rede, possui todos os principais modelos de mobilidade implementados, tem comunidade ativa, permite incluir diferentes classes de ve´ıculos na mesma simula¸c˜ao (intermodal) e possui um conjunto de ferramentas que auxiliam na cria¸c˜ao de simula¸c˜oes realistas [22]. Dentre todas essas vantagens, estamos

particularmente interessados na variedade dos modelos de mobilidade implementados no SUMO.

5.1

Modelos de mobilidade veicular

O SUMO possui 4 implementa¸c˜oes de diferentes modelos de mobilidade veicular, que s˜ao: KraussOrig1 [44], BKerner [2, 45], IDM [46] e Wiedemann [47]. Alguns desses modelos possuem vers˜oes implementadas por diferentes pesquisadores, que no SUMO recebem o nome de Krauss, KraussPS, KraussAB, SmartSK, PWagner2009, Daniel1 e IDMM. Dessa forma, o SUMO possui 11 diferentes modelos dispon´ıveis para uso.

Adicionalmente, dois modelos de mobilidade focados em ve´ıculos autˆonomos foram inclu´ıdos ao SUMO recentemente [104, 105]. Por´em, ambos os modelos fogem do escopo deste trabalho, e por esse motivo eles n˜ao ser˜ao considerados. A seguir, detalhamos cada um dos modelos implementados no SUMO.

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