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2.2 Notes générales à propos de l'installation

2.2.8 Binaires compilés par MySQL AB

Quando durante a pesquisa dissertativa eu perguntei a Pérola, uma das Meninas

do Rap, que pessoa ela mais admirava no Gereba, a garota abriu um sorriso e disse: “Minha

avó. Ela é uma pessoa muito especial. É rezadeira, tem 78 anos, teve 4 filhos, tem mais de 9 netos e trabalhou como catadora a vida toda. É uma das moradoras mais antigas da comunidade.” (Pérola. Entrevista em 09/05/2012).

Ela recebeu-me a primeira vez em sua casa em uma tarde de julho. Uma senhora simpática, com um olhar doce, um tanto nostálgico, e um ar sereno de quem muito já viveu. Apresentei-me, sentamos na pequena área de sua casa, diante de muitas plantas que ela cuida

com carinho. A conversa inicial foi sobre amenidades – soube que ela também gosta de cuidar

de pombos e galinhas –, antes dela começar a me contar a sua história, repleta de desafios, fé

Eu nasci no Jardim América, e me criei em Porangabussu. Mas passei quinze anos em Quixadá. Meu pai é de lá. Eu morava aqui e já grande fui morar em Quixadá. Minha famia todinha também é de lá. A finada minha vó era parteira, o finado meu avó era curador, por isso eu sou rezadeira. Eu sou viúva. Eu me casei, tive quatro fi, mas só passei três anos com ele. Quando ele morreu a minha fia mais nova tinha uns seis meses. Eu é que trabalhava pra dá de cumer. Foi o tempo mais difícil quando meu marido morreu. Eu disse: “Meu Deus, e agora o que é que eu vou fazer? Agora é rezar.” Mas aí logo fui trabalhá em casa de famia. (Dona Begônia. Entrevista em 31/07/12).

No início de sua narrativa, ancorada nas lembranças do passado, Dona Begônia discorre sobre as suas origens, a ancestralidade voltada para o serviço, a fase difícil quando o marido morreu e ela teve que cuidar dos filhos pequenos; a “volta por cima” ao começar a trabalhar como doméstica e a descoberta de que ainda há vida apesar de tudo.

Em sua bonita fala e diante de uma situação limite, a perda do marido, Dona Begônia afirma a importância da dimensão transcendente em sua vida, a qual estará presente

em praticamente todas as suas significações e simbolizações. “Meu Deus, e agora o que é que

eu vou fazer? Agora é rezar.”

Por meio dos valores imateriais Dona Begônia busca suporte para lidar com os reveses da vida e assumir sozinha a responsabilidade em cuidar dos filhos pequenos. Sobre a vida como catadora, experiência que teve um pouco mais tarde, Dona Begônia chega a narrar às várias fases que envolveram o “percurso do lixo” no Jangurussu e no Gereba, e as condições quase insuportáveis de exploração do trabalho humano:

Tá com mais de trinta (30) anos que eu moro aqui no Jangurussu. Isso aqui tudo era lixo. Antes da usina eu trabalhei na rampa e depois fui trabalhar na usina, nas esteiras. Eu sei que eu passei dez anos trabalhando nessa arrumação. Era um trabalho muito difícil. Tava até morrendo gente! A máquina às vezes enterrava gente. Gente que passava a noite trabalhando, aí se enrolava no papelão e no lixo, aí às vezes a máquina passava por cima, às vezes rebolava lixo em cima. [...] Os meninos eram tudinho pequeno nessa época. (Dona Begônia. Entrevista em 31/07/12).

O dia-a-dia do catador e da catadora e principalmente do catador e da catadora de rua, traduz uma das mais duras expressões da desigualdade social e econômica em Fortaleza, tal como evidencia-se na experiência vivida por Dona Begônia.

O trabalho realizado no Jangurussu, no Gereba, contudo, de início na rampa e depois na usina, segundo o que continua a ser expresso por Dona Begônia, longe de expressar noções de liberdade, transformação e humanidade, manifestam o contrário disso: desumanidade e comprometimento do potencial transformador humano.

Eu ainda passei dez anos trabalhando na rampa. Tinha umas coisa que eu achava bom. Vinha as caçamba de fruta, aí despejava. Eu juntava aquelas fruta, aquelas laranja, aí lavava bem lavada, com kiboa, muita água, mas tinha gente aí, que do

jeito que vinha, sem lavar sem nada, comia era mesmo lá, tinha gente que morava era lá, tinha era barraca lá, nem em casa não ia. Só ia em casa de mês em mês. Ali almoçava, ali jantava. O que pegava comia. Era fruta era tudo. No tempo que eu trabaiava lá era assim. [...]

Mas depois ficou muito perigoso. A saúde deu em cima, o pessoal da prefeitura. Aí empataram de ir deixar o lixo lá, pra gente catar. Porque tava fazendo mal. Tinha gente que enfiava a aguia desse tanto no pé (diz mostrando o tamanho). Inchava, ficava roxo, arriscado inté perder o dedo, inté o pé, como muitos deles ficou foi aleijado. Uma tal duma aguia entrou na cabeça do dedo de um, aí ficou inchado, de inchado ficou roxo, de roxo teve que ir pro médico, aí não teve tratamento, aí no final de contas, cortou o dedo, aí ficou só com o cotoco no pé. Aí pronto, foi desse tempo aí, empataram o carro de ir pra lá. Graças a Deus, doença mais grave lá eu não peguei não. Aí lixo foi todinho pra usina, aí acabou-se rampa. Eu tive que ficar só na usina. (Dona Begônia. Entrevista, 31/07/12).

A falta de acesso a um padrão mínimo de consumo capaz de suprir as necessidades de subsistência, o comprometimento da saúde e da segurança dos catadores e catadoras, o forte disciplinamento por parte de quem tem as máquinas e pelos donos dos depósitos, são algumas das características do trabalho de reciclagem no Jangurussu e no Gereba. Mas Dona Begônia também se rebela e diz não às condições na usina:

[...] a gente trabaiando nas esteira não podia sair. Só podia sair aquela horinha e era só meia hora. Aí você ficava de meio dia até cinco horas da tarde. Todo tempo trabaiando ali. E a gente trabaiando na rampa a gente saia à hora que queria, trabaiava a hora que a gente queria. Eu saí, abandonei. Tava vendo que não tava dando certo, porque era um ganho muito pouco, não dava nada. Ganhava uma mixaria. A gente só faltava morrer de trabalhá! [...]

Eu sei que aqui acolá, às vezes eu tenho uma vontade de ir por lá... Porque ói! Eu achei foi bom trabalhá na rampa, era bom porque o dinheiro era pouco, mas assim mesmo, quando a gente trabaiava era na casquera, muito melhor que trabalhá nas esteira, porque a gente era liberto, podia sair a toda hora [...] Hoje a negrada é tudo doida pra eu ir pra lá! Eu digo: “Vou nada! Não vou mais não!” (Dona Begônia. Entrevista, 31/07/12).

Diante de uma vida de cotidianos desafios, entre o trabalho realizado na rampa e o trabalho na usina de reciclagem, Dona Begônia prefere o primeiro, e quando da impossibilidade do trabalho “liberto”, prefere encerrar a vida de catadora. Mesmo implicando em uma insegurança maior, a opção “escolhida” por essa mulher talvez represente uma estratégia de redução de danos e do resgate mínimo da sua autonomia, diante da forma de garantir o seu sustento:

Se a rampa tivesse aí, daquele jeito de antes, eu tava era trabaiando , tava juntando minhas coisas lá toda tarde. Mas assim, lá a gente não tinha direito a nada, nem sair a gente podia. Aí eu abandonei. Abandonei tudo! E hoje eu tenho um benefício social. (Dona Begônia. Entrevista em 31/07/12).

A postura de Dona Begônia assume a lógica de previsão, diferente da lógica de acumulação, dada a avidez dos condicionantes estruturais que mediavam o seu fazer de

catadora. Ao voltar a falar sobre família, Dona Begônia ressalta a importância dos laços afetivos com os parentes e com a irmã e sinaliza que ser rezadeira é um dom de família:

Eu tenho uma irmã, ela mora lá no Conjunto Tamandaré. Ela é doente de asma. Ela é rezadeira também, mas ela tava tão veinha, aí parou de rezar. Mas ela rezou muito. Ela é tão alegrezinha a minha irmã. Ave Maria quando eu vou pra casa dela é uma alegria medonha! Ela é viúva, o marido dela morreu. Eu tenho é muito parente. Mora tudinho espalhado por aqui. Só que eles trabaiam né? Aí custa muito a vir aqui. (Dona Begônia. Entrevista em 31/07/12).

A valorização da família e a afirmação dos laços afetivos são elementos visíveis na fala de Dona Begônia, condição para a vida resistir. Esse ato de ampliar nosso domínio cognitivo e reflexivo e acolher afetos e emoções como dimensões originárias e específicas do humano é acima de tudo libertador. Em um dos poucos momentos que intervi na sua fala, perguntei sobre como e quando ela tinha percebido o dom de ser rezadeira, e sobre o serviço

com a comunidade – tema que será mais aprofundado no capítulo posterior. Para alguns

moradores de periferia – refiro-me aqui mais especificamente a irmã de Dona Begônia, a ela

própria e ao avô que novamente é aqui por ela convocado –, manter-se de pé em meio a lesões

e cenários de morte, envolve desafio, luta, inventividade e mistério:

Pois é, como eu tava lhe dizendo, minha bisavó era rezadeira, parteira e o meu avô era rezador. Botava uma toalha, pegava a água benta e o santo da devoção dele. Quando eu era pequena, todas as noite ele ajoelhava como se fosse aqui (diz imitando o gesto) e rezava o terço, toda noite. Acendia a vela de nossa senhora Aparecida e botava do lado dele. Usava o terço no pescoço e ficava com a oração aqui no braço. Eu guardei todos os terço dele, as oração. A menina a minha neta, quase toda noite ela vê ele. Porque tem mistério sabe... Uma vez ela foi sair aqui de casa e viu ele, ajoelhado, com o terço rezando [...] Quando é pra acontecer alguma coisa com a minha família eu tenho um aviso. Eu tenho aquela emoção no meu corpo, aí passa de repente. (Dona Begônia. Entrevista em 31/07/12).

Que entrelaçamentos podiam ser pensados entre a atitude contestadora e resiliente da rezadeira face a um modo de subsistir desumanamente árido e o suporte emocional dado pela espiritualidade? Refletia, enquanto a ouvia continuar.

Dona Begônia passa a expor seu universo de significações e muito da produção de si e dos seus saberes sutis, suas artes de fazer (DE CERTEAU, 1990), as quais também ganham ares de serviço comunitário:

Quando eu quero ir prum canto, tiver me arrumando, me der vontade de desistir, meu coração me avisar pra não ir, pode tirar a roupa e voltar! Uma vez eu tava me arrumando pra ir na minha irmã porque ela tava meio adoentada. Tava me arrumando, aí disse: “Quer saber de uma coisa, negrada não vamo não. Vamo deixar pra ir outro dia”. Ora, quase na mesma hora veio foi o monte de policial, andaram pegando uns vagabundo acolá, era tanto do tiro, tanto do tiro, bala. Eu disse: ”Óia aí !” Quando tá pra acontecer uma coisa eu sei. Quando eu tô pra adoecer também, eu sei. Eu sonho. Vem aquela coisa dizendo que eu tome tal remédio, eu tomo e aí não

sinto mais nada. Às vezes as mulher que vem trazer os menino pra rezá tão aqui e dizem que vão pra tal canto, eu digo:” Negrada, vão não. Fique só por aqui mesmo. Porque aqui é quente!” Aí quando dá fé, acontece uma coisa. Eu digo: “Tá vendo?”. (Dona Begônia. Entrevista em 31/07/12).

À medida que eu ia ouvindo os relatos da ex catadora e rezadeira, me ocorria, por meio dos elementos trazidos a partir das suas experiências ancestrais, como em uma investigação surge muitas vezes a possibilidade do pesquisador ou pesquisadora - inserido na dinâmica relacional, com os sujeitos na periferia, aqui especificamente às mulheres mães no Gereba -, acessar as dimensões intuitiva, sensorial e emocional destes, de forma integrada à razão.

Ao longo da tarde Dona Begônia vai alargando a conversa e convoca a sua ancestralidade para tecer em sua narrativa a relação entre saber e espiritualidade, e entre esta e a dimensão de socialização, importante mesmo para quem opta por um modo mais reservado de ser e viver em comunidade:

Quando a minha vó morreu, eu tava com doze anos, me lembro como se fosse hoje, ela me ensinou a rezar o terço. Ela me deu um livro de reza que eu comecei a ler, comecei a ler, inté que eu aprendi de cor. Todo hora eu rezo o pai nosso, todo dia eu rezo o terço da misericórdia. E assisto a missa de Nossa Senhora Aparecida com todo gosto na televisão. Nove horas e sete horas da noite. Aqui eu não saio pra canto nenhum. Eu sou uma pessoa que eu não gosto de sair de casa, não. Às vezes as pessoa me chama pra ir prum canto aí eu vou, mas eu não gosto de casa de ninguém. Às vezes eu vou a mercearia também. Eu vou, faço as compras, aí venho pra casa. Taí! A casa desses meninos aqui do lado, meus netos, a coisa mais difícil é eu ir lá, só vou lá quando os meninos tão arengando que aí eu vou lá brigar com eles. Agora eu vou pra missa, vou pra missa na igreja todos os sábados. Segunda feira tem o terço da misericórdia, lá na associação, aí eu vou, né? (Dona Begônia. Entrevista em 31/07/12).

Em dado momento da nossa conversa Dona Begônia pede licença para ir à cozinha de onde volta com café e bolachas. Ao retomar a conversa ela demonstra que apesar do seu forte senso de religiosidade, não há espaço para fanatismo em sua relação com o sagrado:

Agora esse negócio de mistério... Tem gente que diz que todo mundo vai morrer, que vem uma bola d’água aí que foi os alemão que fez, daqui pro fim do ano acabar. Passou na televisão que vai morrer todo mundo. Eu disse: “E Deus mandou dizer pra vocês?”. “Não, mas passou aí na televisão.” Eu disse: “Quer saber de uma coisa? Por isso que tá tudo mudado. Até o inverno mudou, o inverno era seis mês. Aí começaram a inventar isso e aquilo, começaram a inventar, nosso senhor mudou o inverno. Por quê? Porque querem saber mais do que Deus. Eu digo: Meu povo, quem se acaba é nós, né o mundo não. Quando o mundo tiver perto de se acabar, nosso senhor manda um aviso lá do céu, não carece ninguém daqui dizer não meu povo, pelo amor de Deus. Se Deus quiser que dê sinal, e quiser botar os anjo pra avisar, ele bota. Quatro canto do céu ele bota os anjinhos pra tocar, tocando corneta nos canto do céu pra avisar que o mundo e as pessoas vai se acabar. Mas eu acho que vocês não tão certo não! Andar dizendo isso, que o mundo vai se acabar daqui pro final do ano porque vai cair uma bola d’água. Vocês querem ser igual a Deus.”

Por isso que o mundo tá as avessa, o mundo não, o povo. Tem havido tanta da morte, tanto desastre, tanto do assalto, em todo canto. (Dona Begônia.Entrevista em 31/07/12).

À medida que a conversa foi se desenvolvendo, a ex catadora trouxe para o centro o seu principal referencial de saber e de serviço, sua mais importante arte de fazer, arte de dizer, a de ser rezadeira:

Eu sou rezadeira. Eu rezo há mais de 40 anos já [...] Eu não cobro, nunca cobrei [...] eu rezo por uma caridade que eu faço, pra uma senhora, pra uma criança, pra uma pessoa que eu vejo que ta precisando. É o melhor pra você. Deus é que vai me dar. (Dona Begônia. Entrevista em 31/07/12).

O ato de rezar e não cobrar conecta mais uma vez Dona Begônia com os valores éticos e espirituais. Em relação à intensa procura dos moradores e moradoras pelos seus serviços como rezadeira, é possível que a legitimidade dessa função na comunidade revele as estratégias e astúcias das mães no Gereba, que diante da doença dos filhos e das lacunas das políticas públicas em saúde, apelam para processos outros de cura, ligados a dimensão espiritual:

Tem hora que é tanta da gente aqui atrás de rezar, tanta da gente! [...] A vida aqui é difícil. Saúde ... às vezes eu tô tontinha, aí tem que ir pro Frotinha e aí eles mandam a gente pra outro canto. Aqui, minha irmã, se você não tiver um carro pra lhe levar pro hospital, você morre aqui. A agente de saúde vem mas é de mês em mês. Aqui, esse Jangurussu era pra ser mais bem cuidado. Mas não tem é nada. Antes até tinha, o posto, a maternidade, mas agora não tem mais não. (Dona Begônia. Entrevista em 31/07/12).

Dona Begônia aponta os problemas concretos de saúde no bairro e evidencia a compreensão da saúde como bem comunitário que é de direito do trabalhador e da trabalhadora. Sem ver a possibilidade de resoluções mais incisivas serem efetivadas pelas mãos do Estado, só resta a rezadeira a lembrança nostálgica do passado.

Ao escutar a fala denúncia de Dona Begônia, percebo que já está perto de anoitecer. Mas ainda dá tempo de ouvir a moradora discorrer um pouco mais sobre as suas experiências com o bairro. Ela demonstra preocupação com os excessos de alguns moradores e moradoras com os quais se depara: “Viver na casa dos vizim, embaixo de pé de pau, encostado nos muro, é só o que tem aqui, acontece é muito. Passo e tá cada um com uma garrafinha de cerveja. Ai eu fico só na minha. Eu só digo pra mim assim: “Deus tome de conta!” (Dona Begônia. Entrevista, 31/07/12).

Até que ponto a atitude de aparente introspecção de Dona Begônia não seria uma característica subliminar da própria condição de rezadeira? Talvez o modo de ser e de

relacionar-se da moradora se explique ainda porque, de acordo com a conversa que tivemos, a base de sua sociabilidade, assim como de seus saberes e de suas artes de fazer, parece estar de fato fincada no âmbito religioso, como é sugerido ao final da sua entrevista:

Quando eu vou pro Canindé, eu levo uma garrafa desse tamanho, aí encho d`água, trago vela benta, tudo bento. Trago um ramo bento, aí quando chego já venho banhando toda a minha casinha, banho tudo. Eu vou todo ano, em novembro. Vai uma turma de ônibus. O ônibus que nós vamos, Ave Maria! Ele vai na marcha devagar, a gente vai cantando hino. De São Francisco e Nossa Senhora. É muito animado. Pois é... a minha vida é desse jeito. Graças a Deus tudo é bom. (Dona Begônia.Entrevista em 31/07/12).

A pausa e o tom de desfecho de Dona Begônia me fazem perceber que a entrevista acabou. Sorrio, agradeço e enquanto guardo o meu material na bolsa de pano, reflito sobre

como as suas experiências de ex catadora e rezadeira me mostraram mais sobre a “vida dura

vida” das mulheres mães na periferia em suas lutas diárias pela subsistência. Reflito também sobre os ensinamentos que estão para além disso, mas que parece-me mais oportuno discorrer no capítulo seguinte, que versará mais diretamente sobre a relação mulheres/saberes e serviço comunitário/voluntário. “É noite, despeço-me de Dona Begônia. Peço-lhe uma foto de recordação. Ela me abraça e responde que sim com um sorriso.

Figura 33 – Dona Begônia na frente de sua residência

Fonte: Arquivo da pesquisadora (31/07/12).

“Quando quiser vir pode vir. A casa é pobre, mas é nobre.”” (Dona Begônia. Entrevista em 31/07/12).

3.3 Do Gereba para o mundo: a graduanda em serviço social e membro da organização