No quadro 4, organizamos os participantes de acordo com o código de identificação (grupo e gênero), idade e o período no curso de Licenciatura em Química.
Quadro 4: Participantes da pesquisa, idade, período do curso CÓDIGO IDADE (anos) PERÍODO DO CURSO
LM1 21 2º LF2 19 2º LF3 19 4º LF4 18 2º LF5 22 7º LF6 20 3º LF7 22 2º LF8 22 3º LM9 25 6º LF10 19 4º LM11 22 4º LM12 25 4º LF13 34 3º
Conforme o quadro 4, verificamos uma faixa etária dos participantes entre 18 e 34 anos, predominando a faixa etária entre 18 e 22 anos. Como relação ao gênero é predominante o gênero feminino, contendo nove acadêmicas.
Há presente no questionário uma questão de múltipla escolha que diz a respeito se os licenciandos possuem conhecimento de alguma informação sobre o assunto radioatividade, de acordo com o quadro 5.
Quadro 5: Meio de informação que os sujeitos obtiveram conhecimentos sobre a radioatividade FOCO DE OBSERVAÇÃO CATEGORIAS UNIDADES DE ANÁLISE
Meios de comunicação que informaram sobre assuntos da
radioatividade? Filmes LM1, LF2, LF3, LF4, LF5, LF6, LF7, LF8, LM9, LF10, LM11, LM12 e LF13, (100%)
Sites e matérias na internet
LM1, LF2, LF3, LF4, LF5,
LF7, LF8, LM9, LF10, LM11
e LM12
(85%) Revistas de divulgação científica,
tecnológica, e informação geral.
LM1, LF2, LF3, LF4, LF5,
LM12 e LF13
(54%) Livros de não-ficção, ficção e
biografias LM1, LF2,LF4, LF5 e LF10 (38%) Televisão LF2, LF8 eLF13 (23%) Jornais LF2 (8%)
Fonte: Dados da pesquisa
Para 100% dos participantes já ouviram falar da radioatividade por meio de filmes. Em seguida, encontram-se as Matérias de internet e sites, assinalada por 85% dos participantes. Em terceiro, pode-se verificar que 54%dos registros já possuem leituras de revistas científica, tecnológica, e informação geral que lhe dispõe informações a respeito do tema.
Do universo pesquisado, cerca de 38% já leram livros não-ficção, ficção e biografias que aborda respeito do tema. Apenas 23% já se informaram por meio de notícias de televisão. Somente o licenciando LF2 assinalou que leu jornais com
informações a respeito do tema radioatividade.
No entanto, todos os participantes demonstram já ter ouvido falar da radioatividade por algum meio seja por eletrônico ou impresso. Esse resultado já era esperado, pois hoje com a tecnologia avançada e acessível a sociedade, esse tema por vezes vem sendo abordados em filmes, livros, noticiários, e etc.
No quadro 6, apresentamos os momentos que os participantes estudaram o conteúdo de radioatividade na educação básica.
Quadro 6: Momento do estudo da radioatividade durante a Educação Básica
FOCO DE OBSERVAÇÃO CATEGORIAS UNIDADES DE ANÁLISE
Estudo do conteúdo de radioatividade
Não, nunca estudei radioatividade.
LF2, LF4, LF7, LF8, LM9,
LM12 e LF13
(54%) Sim, no ensino superior LF5, LF6, LF10 e LM11
(31%)
Sim, no ensino médio. LF3, LF10 e LM11
(23%)
Sim, no ensino técnico LM1 e LF6
(15%)
Fonte: Dados da pesquisa
Percebemos que a maioria (54%) nunca estudou o conteúdo de Radioatividade em nenhum momento. Sedo assim, os resultados confirmam a necessidade das ações educativas que viabilizem o conhecimento do tema aos alunos, porque os saberes inerentes a radioatividade faz parte dos conteúdos estruturantes – Biogeoquímica preconizada nas Diretrizes Curriculares da Educação Básica de Química (DCEBQ) do estado do Parará (PARANÁ, 2008).
A formação docente precisa estar atenta aos conteúdos elencados nas DCEBQ para assim, formar futuros professores aptos a ensinar os conteúdos estruturantes juntos aos alunos na disciplina de química.
Além disso, o assunto é selecionado e cobrado em vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, e também repleto de fatos históricos que contribuíram para o progresso da ciência e tão presentes no dia a dia das pessoas (tratamento do câncer, diagnóstico de doenças, conservação de alimentos, entre outras).
Para Medeiros e Lobato (2010), a radioatividade deve ser abordada relacionando-a com fenômenos e avanços da tecnologia, principalmente no avanço da medicina, o que agrega ao ensino e aprendizagem uma situação mais agradável e compreensível para o aluno.
Para 31% dos licenciandos estudaram no ensino superior, no próximo quadro 7 iremos discutir quais foram os momentos que estudaram durante o ensino superior. 23%assinalam ter estudado no ensino médio e 15% no Ensino Técnico. Somente os participantes LF10 e LM11 afirmam ter estudado em dois momentos no ensino médio e
No Quadro 7, apresentamos os momentos que os participantes estudaram o conteúdo de radioatividade durante o ensino superior.
Quadro 7: Estudo da radioatividade durante o ensino superior
FOCO DE OBSERVAÇÃO CATEGORIAS UNIDADES DE ANÁLISE
Estudo do conteúdo de radioatividade Não. LM1, LF2, LF3, LF4, LF7, LF8, LM9, LM12 e LF13 (69%) Sim, no PIBID LF5, LF6, LF10 (23%) Sim, em alguma disciplina do
curso
LM11
(8%)
Fonte: Dados da pesquisa
Verificamos que 69 % dos participantes não estudaram o conteúdo de radioatividade no ensino superior, isso confirma a inoperância do curso de licenciatura em Química que não consegue compensar durante os quatro anos da graduação o ensino de conceitos básicos relacionados ao assunto Radioatividade.
No entanto, é preciso que os cursos comtemplem os conteúdos como proposto nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação inicial em nível superior, Art. 13, na qual discute a estrutura e a organização dos componentes curriculares:
Os cursos de formação inicial de professores para a educação básica em nível superior, em cursos de licenciatura, organizados em áreas especializadas, por componente curricular ou por campo de conhecimento
e/ou interdisciplinar, considerando-se a complexidade e
multirreferencialidade dos estudos que os englobam, bem como a formação
para o exercício integrado e indissociável da docência na educação básica, incluindo o ensino e a gestão educacional, e dos processos
educativos escolares e não escolares, da produção e difusão do conhecimento científico, tecnológico e educacional, estruturam-se por meio
da garantia de base comum nacional das orientações curriculares
(BRASIL, 2015, p. 11, grifo nosso).
No universo pesquisado 23% dos licenciandos estudaram o conteúdo para elaboração de uma oficina no PIBID, mas não descreveram quais conteúdos foram abordados. De acordo com o Art. 9 das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial, estabelece que é preciso enriquecer o currículo do discente através da participação em:
a) seminários e estudos curriculares, em projetos de iniciação científica,
iniciação à docência, residência docente, monitoria e extensão, entre
outros, definidos no projeto institucional da instituição de educação superior e diretamente orientados pelo corpo docente da mesma instituição [...] (BRASIL, 2015, p. 10-11, grifo nosso).
Na literatura cientifica o programa tem se mostrado um fator determinante na formação, que proporciona aos licenciandos a oportunidade de vivenciar a prática docente durante a graduação desenvolvendo atividades como a elaboração de experimentos investigativos, oficinas temáticas, jogos didáticos entre outros, contribuindo para melhoria da educação básica (BRAIBANTE; WOLMANN, 2012; DANTAS, 2013; GAMA et al., 2013).
Somente o licenciando LM11 descreveu que estudou em alguma disciplina do
curso, mas não descreveu qual disciplina e nem quais foram os conteúdos.
No quadro 8, apresentamos as respostas obtidas em relação à questão da abordagem que foi utilizada no desenvolvimento da SE, se os licenciandos recordam de algum conteúdo científico que foi abordado a partir do contexto histórico-social, nesta questão levou a construção de três categorias.
Quadro 8: Conhecimento da abordagem histórico-social
FOCO DE OBSERVAÇÃO CATEGORIAS UNIDADES DE ANÁLISE
Conteúdos científicos abordados a partir do contexto histórico-social
Não LF2, LF4, LF6, LF7, LF8, LM9, LF10 e LF13 (62%) Disciplina Ensino Médio LF3, LF5, LM11 e LM12 (31%) Documentário Ensino Técnico LM1 (8%)
Fonte: Dados da pesquisa
A maioria dos licenciandos (62%) não se recorda ou não estudou nenhum conteúdo a partir da abordagem histórico-social, apenas o licenciando LF2 justificou
que:
Não foi abordado, devido aos professores acharem desnecessário (reposta da própria professora) (LF2).
Há trabalhos na literatura como Reis, Silva e Buza (2012) que apresentam visões de professores quanto ao uso da abordagem Histórica da ciência: julgam ser desnecessário no processo de ensino e aprendizagem.
Contudo, divergimos dessa visão e corroboramos com estudos que discutem sobre a importância do uso desta abordagem como sendo eficaz no ensino, muitas vezes, professores encontram obstáculos para abordar o contexto histórico-social devido a vários fatores, como: escasso tempo para trabalhar a abordagem no ensino, falta de material e sem formação adequada (SCHEID, 2008; OKI, MORADILHO, 2008; MARTORANO, MARCONDES, 2012; MACHADO, 2015).
Por isso, há a necessidade de pesquisas que elaborem materiais didáticos e ofertem cursos com propostas de como trabalhar a História da Química, passo a passo durante os processos de ensino e aprendizagem.
Foi possível verificar que 31% dos licenciandos estudaram algum conteúdo a partir do contexto histórico-social durante a educação básica, de acordo com as falas:
Química Orgânica 1ºano do ensino médio (LF3).
Modelo atômico: Ensino médio (LF5).
Radioatividade: O histórico foi baseado em acidentes nucleares como de Chernobyl, e em Goiânia, e os ataques de Hiroshima e Nagasaki; Atomística: O histórico foi apresentado por meio da filosofia de Leucipo e Demócrito no ensino médio(LM11)
Ensino médio: Hiroshima e Nagasaki, e Chernobyl (LM12)
O licenciando LM1 não se recorda de ter estudado o conteúdo relacionado a
abordagem, porém segundo ele, já assistiu um documentário no ensino técnico que abordava o contexto histórico-social, como se confere na sua resposta:
Não me recordo de nenhum conteúdo de química abordado desta maneira, mas eu já assisti um documentário sobre transgênicos, apresentado no curso técnico, com essa abordagem (LM1).
Observamos que a maioria dos licenciandos não conhecem a abordagem histórica social, portanto, esperamos que esta pesquisa contribua para formação inicial dos participantes, uma vez que, trabalhar com abordagem histórica torna-se o conteúdo prazeroso, desperta curiosidade dos alunos, participação nas aulas, e promove a aprendizagem mais efetiva.