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BIBLIOGRAPHIE

Dans le document UNIVERSITE DE NANTES (Page 56-61)

Sem esperanças de poder permanecer Cidade Santa, seguiu para Alcalá (Espanha),

com intenções de freqüentar a Universidade, mas em vez de levar a sério seus estudos,

empregava a maior parte de seu tempo em angariar discípulos, para os quais passaria sua

experiência, o que acabou por despertar uma certa veneração em mulheres da elite e do

povo, as quais tentou catequizar, através da indução e cujos resultados não se pode afirmar se

foram tão benéficos a elas

6

.

Dessa época encontram-se os primeiros homens que praticaram os Exercícios

Espirituais, além da suspeita das autoridades por se assemelharem aos alumbrados

7

. Mas

esses companheiros não o seguiram a Salamanca e nem a Paris, onde se tornou rapidamente

uma figura conhecida, tanto no Colégio Montaigu, como no de Santa Bárbara. Dividia

quartos com os futuros companheiros, entre eles, Faber e Xavier, logo cooptados por Loyola

e, posteriormente Lainez, Salmerón, Rodrigues e Bobadilla, quase todos de origem fidalga,

um tanto fanáticos inicialmente quanto à prática dos Exercícios Espirituais e ainda apegados

à idéia de viajar para a Terra Santa.

E, vale a pena registrar a forma peculiar como Inácio conquistou seus

companheiros iniciais: Pedro Faber, de origem camponesa, foi atraído pelo dinheiro, dada

dificuldade para se manter em Paris; Francisco Xavier, embora possuísse recursos, estes

eram sempre insuficientes, dada a vida desregrada. Amante de noitadas e disputas de esgrima

e salto, sonhava com uma rica consorte em Navarra de cuja insegurança foi aproveitada por

Inácio, muito embora tenha sido mais trabalhosa sua conversão; Rodrigues possuía uma

natureza propensa ao misticismo religioso; Bobadilha era um fidalgo arruinado e ansiava por

socorro moral; Lainez e Salmerón já tinham ouvido a respeito de Inácio, desde Alcalá,

acabaram se entendendo muito bem.

5 id.: p.79-81) 6 ibid. p. 85 7

A pequena hoste que se agrupara em torno de Iñigo, pode tê-lo feito compreender

as dificuldades que enfrentariam dali em diante, ao mesmo tempo que era o momento de

distribuir as tarefas aos seus primeiros discípulos, o que teria ocorrido no dia da Ascensão de

1534 e comungar o sonho da conquista de Jerusalém. Mesmo sabedores da situação da Terra

Santa, se prostraram de joelhos na capela da Virgem Maria, em Montmartre, fizeram os

votos de castidade e pobreza e juraram partir oportunamente. E, caso não fosse possível a

viagem, Inácio já arquitetara um segundo plano, cuja atitude reflete o cego entusiasmo e a

uma certa previsão pessimista de dificuldades futuras.

Embora o papa Paulo III tivesse abençoado o grupo, este haveria de aguardar o final

dos preparativos, ocasião em que explodiu a guerra contra os turcos, interrompendo assim

e para sempre o sonho de Loyola e de seus companheiros. E, para não haver perda de tempo,

procuraram oferecer seus serviços ao Papa, em 1537, justamente no momento em que o

pontífice estava mais interessado em questões ligadas à política mundial mas, necessitava de

mestres para a Universidade de Roma, o que levou-o a contratar Lainez e Faber, após breve

debate.

Na Itália, poder-se-ia observar que o grupo loyolano, desde o início procurou se

rivalizar com os teatinos

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, os discípulos de Inácio passaram a prestar ajuda aos doentes e

assistir pobres, morimbundos, prisioneiros, enfim dar provas concretas de sua abnegação e

ao praticar atos de heroísmo patético em relação aos doentes contagiosos nos hospitais, sem

falar das terríveis mortificações, jejuns e mendicância a que se submetiam, o que insinua

que a invenção de certos meios práticos para combater as desgraças de seu tempo,

representava uma transformação decisiva na sua maneira de pensar.

É dessa época o florescimento das artes, das formas de vida um tanto refinadas e

profanas que se contrapunham ao desamparo das vítimas da pobreza extrema de grupos

atingidos pela peste negra e pela lepra, perecerem aos milhares, sem que ninguém desse falta

sequer de algum deles, vítimas do esquecimento das autoridades.

Foi nesse contexto de 1538 que os futuros discípulos de Jesus iniciaram sua obra

social, ao acudir tais vítimas. Através de coletas um tanto organizadas, alimentaram,

vestiram e acomodaram essa gente. Mas, com o tempo, Inácio percebeu que essas ações

eram insuficientes e que só uma organização formal traria chances de findar ou minimizar

tais problemas sociais, incluindo a prostituição que arrastava muitas vítimas às doenças

venéreas, entre as camadas sociais mais humildes, tornando-as vítimas de exclusão social

(considerar que nos meios elitistas tal situação era um tanto camuflada), mas que trouxe uma

certa preocupação às autoridades oficiais e civis.

O fato de raramente agirem contra a política oficial, possuíam uma tendência em

fazê-lo em consonância com a política e expectativas de outros reformadores ou autoridades

civis e, diante dessa forma de atuar, viram na prostituição era um dos males que mais

preocupava as autoridades oficial e civil, levando-os a se empenharem na salvação dessas

mulheres vítimas de alcoviteiras, principalmente as casadas.

Inácio fundara a Casa de Marta em 1543, para a recuperação de mulheres recaídas

às quais era direcionada a pregação e essa atenção havia sido comum em vários lugares da

Europa desde há algum tempo, fazendo surgir várias entidades para abrigar tais vítimas,

curiosamente sob a proteção de Maria Madalena e ás quais era imposta uma vida de

penitência e clausura um tanto severa. Onde a prostituição era severamente vigiada,

executavam todo tipo de trabalho e só recebiam permissão para deixar a casa com o firme

propósito de seguir uma vida correta. Esses procedimentos atraíram a atenção, apoio e

respeito de pessoas de todos os círculos sociais.

Esse tempo foi caracterizado por uma série de prédicas, atividade que marcou um

tanto a Ordem futuramente, haja visto que atingiu a população, chamou a atenção de Loyola

(justamente numa época de descrédito do clero e dos mosteiros (com exceção dos frades

mendicantes, dos franciscanos, dos dominicanos e dos agostinianos ),por sua conduta imoral

e perniciosa, a qual contribuía para aumentar a ignorância das coisas de religião e de Deus

portanto, a perda da influência sobre o povo e uma ameaça ao um retorno do paganismo.

Vira ainda na confissão (meio considerado mais eficaz para a purificação), seguida

de um exame de consciência, a forma de controlar os violadores das leis da Igreja e para os

quais confessor seria o juiz, investido de poder de ligar e desligar; de proporcionar ao

penitente conselhos dos mais diversos ou admoestações, dependendo dos seus pecados,

atividade que teria proporcionado a Inácio a consciência de que, além do poderio sobre as

almas, era necessário exercer o domínio sobre a consciência da elite dominante, como por

exemplo os governantes, ocasião em que teria início o papel político dos membros da

Ordem.

Os inacianos captaram rapidamente a relevância da prédica expressiva, da

encenação de curas milagrosas ( primeiro nas ruas e nas igrejas mais famosas) e depois se

dedicaram a pregar a confissão, sempre considerada um dos meios mais eficazes de

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purificação, pois quanto maior o número de confessados, maior o controle das almas. Teria

iniciado essa atividade inicialmente atingindo membros de classes mais desprivilegiadas e

depois membros da elite reinante, à qual cabia tomar decisões, instante em que teria início o

papel político desempenhado pelos jesuítas. E daí foi uma passo fundamental para que Inácio

se auto-convencesse da missão histórica da sociedade por ele fundada.

Nesse momento a Igreja não estava preparada para as tarefas tão urgentes que o

tempo requeria, o que nos leva a crer que as propostas dos inacianos eram um tanto

modernas, para não dizer revolucionárias: um extenso corpo de voluntários dispostos a ir

onde a luta os levasse, de forma rápida e eficiente para os interesses vitais da própria Igreja,

ameaçada, seja pela ineficiência da Santa Sé, pela licenciosidade do clero ou pela ameaça

dos ideais da Reforma, levarão o papa Paulo III a tomar medidas no sentido de preservar

territórios católicos das influências reformistas ou impedir que os territórios recém

descobertos por católicos se abrissem para o protestantismo.

E em relação a heresias, a situação era diferente, a perseguição era implacável, tanto

é que as mesmas eram punidas com excesso de rigor e Paulo III dera início a uma nova

inquisição a fim de eliminar a heresia de Roma, ao indicar John Peter Carafa e a vários

cardeais que investigassem os que haviam se desviado do bom caminho.

Esse grupo de homens carregados de religiosidade, treinados e dedicados, prontos

para atacar de frente quaisquer problemas que o Papa tivesse que confrontar, em qualquer

lugar e a qualquer hora, era o diferencial do destemido e diminuto pelotão de Cristo.

Resta saber se a Igreja não teria usado a nascente Ordem visando interesses

próprios.

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