4.3.1. Origens e fundamentos. Aplicação
Sob a designação de maturidade financeira pretendemos incluir um método particular e um sentido específico de maturidade finan ceira, designação que, como se referiu, pode ser, e tem sido, aplicada dum modo geral à explorabilidade financeira. Deste modo, distingui remos entre explorabilidade financeira e maturidade financeira, esta um sentido restrito daquela, estreitamente ligado aos fundamentos da explorabilidade relativa à renda do solo, mas onde a definição do momento de corte, exclusivamente depende das condições de cresci mento em valor da árvore isolada.
Trata-se do método desenvolvido a partir da década de 50 pelos economistas florestais americanos.
A origem da maturidade financeira neste sentido restrito, encon tra-se nos estudos e trabalhos realizados pelo Departamento de Eco nomia Florestal da «Southern Forest Experimental Station» dos Estados Unidos, chefiado, na altura, pelo actual Professor de «Fores- trv Economics» da Universidade de New-York (Syracusa), William Duerr (°). Os resultados dum projecto estabelecido naquela estação, em 1949, e os trabalhos de aplicação realizados nos anos subsequentes, apareceram na publicação «Financial maturity: a guide to profitable timber growing» da autoria de Duerr, Fedkiw e Guttenberg [1956].
O conceito de maturidade financeira funda-se directamente nas condições de maximização do valor de capital dum investimento, de duzidas em 3.5.I.2. e 4.I.I.2.. Na sua forma típica dirige-se à definição da maturidade financeira da árvore individual, o que lhe fornece, em princípio, a possibilidade prática de generalização às matas regulares
(") A propósito das origens do conceito escreve Fedkiw [1956:587]: «The financial maturity concept is not new... Begining in 1951, the preparation of value increment tables for application of the financial maturity concept greatly acce- lerated».
e irregulares; nas próprias palavras de Duerr et al. [1956:2j, o con
ceito fica assim definido: «Em termos de árvore individual no interior da mata, a sua contribuição total para o resultado líquido da empresa atinge um máximo quando o custo de manter a árvore por qualquer período de tempo adicional for justamente igual ao rendimento que ela proporcionará nesse mesmo intervalo de tempo».
Se for R = R(r), o valor de realização líquido (o «conversion surplus») da árvore no momento rei, a alternative rate of return, isto é a taxa de capitalização subjectiva, as condições de maximização, ficam determinadas pela igualdade da taxa de acréscimo em valor
(taxa interna marginal) com a taxa subjectiva, isto é
—= i ou kM = i (4.13)
R(r)
donde resulta a regra marginal seguinte: se km < i, cortar a árvore
se km > i, esperar por momento posterior.
A simplicidade teórica desta regra de decisão proporciona um método altamente operacional para efeitos de escolha (marcação) das árvores para corte, quando se disponha de tabelas apropriadas que permitam com facilidade, calcular as taxas de acréscimo em valor das árvores em cada momento. E foi principalmente com este objec- tivo que o método ganhou interesse nos Estados Unidos, onde é grande a importância das matas regeneradas naturalmente, particularmente sobre padrões de tratamento que conduzem a povoamentos mais ou menos irregulares (methods of selection cutting).
4.3.1.1. Todo o problema consiste na elaboração de tabelas,
financial maturity guide tables, as quais fornecem segundo a espécie,
o grau de aproveitamento (tree grade), função do número e categoria dos toros, e a rapidez de crescimento (classe de vigor), as taxas de acréscimo em valor por classes de diâmetro à altura do peito. Para exemplificação, apresenta-se um extracto das tabelas elaboradas por
Duerr et al. [1956:181 para as espécies Pinus echinata Mill e Pinus
taeda L. — Quadro 4-2. A comparação entre a taxa de capitalização
subjectiva do empresário e a taxa de acréscimo em valor do caso concreto da árvore em apreciação, decidirá sobre o seu destino: espe-
E xp lo ra b il id a d e re la ti va à m at u ri d ad e fi n an ce ir a F o n te : D u e r r et a l. [1 9 5 6 :1 8 ]. C as o d e tr ee -g ra d e 1 -1 -3 .
rar por uma próxima rotação (cutting cycle) ou ser cortada; neste caso concreto a rotação é de 5 anos (7).
Considere-se, como exemplo, uma árvore de 25 polegadas, de médio vigor, grau 1-1-3 (três toros de graus 1,1,3), o seu valor líquido actual é de 59,5, passados cinco anos será de 68,5; logo, admi tindo no intervalo, uma evolução exponencial como a dos juros com-
68 5
postos, teremos--- -— = 1,1513 o que corresponde a uma taxa anual 59,5
de 2,9 %; se a taxa de juro alternativa fôr de 3 %, a árvore deve ser cortada.
4.3.1.2. A aplicação do método aos «even-aged stands» pode fazer-se, tanto como «guia para desbastes» como para determinação da idade óptima da revolução. Com o primeiro objectivo serve, essen cialmente, de instrumento acessório do critério cultural de desbaste, na hipótese de haver possibilidade de escolha entre árvores em iguais condições para desbaste; nessa hipótese, o que é principalmente impor tante nos povoamentos novos, utilizar-se-á a regra marginal de cortar aqueles indivíduos que estão crescendo abaixo da taxa de juro alter nativa; para a aplicação, neste caso, torna-se necessário, como é evidente, dispor de tabelas-guias para as condições deste material lenhoso de mais pequenas dimensões.
Com este objectivo, a actuação fundamenta-se nas seguintes considerações, de acordo com Duerr [1960:137]: «Se é economica
mente viável entrar num povoamento durante a revolução para con-
(:) Para entendimento do quadro, deverão acrescentar-se algumas notas explicativas. Assim, as classes de vigor, foram definidas com base, no acréscimo total verificado no período: alto — 2,0 polegadas; médio — 1,5; baixo — 1,0. Para o efeito, podia recorrer-se aos processos dendrométricos habituais, para determinar o acréscimo verificado no último período de 5 anos; entretanto, um processo de classificação mais expedito, utilizado neste caso, baseia-se no estudo da correlação entre a percentagem da altura da copa e a altura total das árvores: nas árvores de médio vigor, esta percentagem era de 37 a 45 Por outro lado, o tree grade, baseia-se numa classificação das árvores que atende ao número e comprimento dos toros e à sua respectiva qualidade. Na prática, requere-se pessoal habilitado para a classificação rápida das árvores. No caso de povoamentos de espécies fo lhosas, dado que o valor comercial do material lenhoso, depende duma noção de qualidade diversa da das espécies resinosas, há que introduzir modificações na classificação das árvores, no que diz respeito ao tree grade. Os índices de valor
líquido das árvores, substituem os valores monetários reais, mantendo, na hipótese
trolar a existência, e, particularmente, se há valores comerciais que podem ser obtidos em corte parcial, então a empresa tem uma best
combination adicional a considerar». Há, portanto, como que uma
extensão aos povoamentos regulares dos princípios em que se baseia a exploração dos povoamentos irregulares, mas sob um critério eco nómico. Tais princípios em que se funda a regulação da existência, com fundamento económico, são então os seguintes: 1) cortar quando existe um volume financeiramente maduro que se torna operável, isto é, em boas condições de ser extraído e vendido; 2) manter a existência financeiramente imatura; 3) encurtar o intervalo entre cortes secundários até ao ponto em que o rendimento marginai assim obtido iguala o custo marginal das operações; 4) terminar a revolução quando as árvores financeiramente imaturas já não jus tificam a ocupação do espaço. Tal método, extraordinariamente va lioso sob o ponto de vista prático depara com a dificuldade de exigir um conhecimento muito perfeito da estrutura e evolução dos povoa mentos, que não se coaduna com os simples valores fornecidos por
0 20 40 60 80 100 REVOLUÇÃO (anos)
Fig. 4-2 — Explorabilidade relativa à maturidade financeira
uma tabela de produção lenhosa e, portanto, de exigir um nível técnico e empresarial muito elevado para a sua generalização.