De acordo com o que foi observado acerca das atividades atualmente realizadas pelo grupo, pode-se dizer que elas se encontram em categorias de execução bastante diversificadas. Para realizá-las, seus integrantes se articulam de diferentes maneiras, com vista a garantir que todas sejam cumpridas. Algumas, como verificamos, já são realizadas há anos pelo grupo e, desde sempre, fazem parte do seu repertório. Mas, de acordo com o que revelaram os sambadores, muitas atividades passaram a se tornar cada vez mais intensas e a diferenciar-se entre si, em consequência dos processos de transformação pelos quais o samba de roda vem passando na última década, como já foi discutido.
Em decorrência disso, o Grupo de Samba Chula Filhos da Pitangueira tornou-se cada vez mais visado e passou a estabelecer contato com um contingente maior de pessoas. Para se comunicar com o crescente público, o grupo percebe que limitar-se a promover o samba chula apenas por via da oralidade, como era o costume, passou a não atender tão eficazmente às novas necessidades, obrigando-o a lançar mão de mecanismos mais modernos de comunicação até então não explorado por ele.
Diante disso, o grupo passou a se dedicar de forma mais intensa às atividade de
divulgação por meio de vias alternativas. Sobre essa experiência, Milton Primo confirma:
Eu, geralmente, sou a pessoa que cuida mais dessa parte de divulgação, né, como agente cultural do grupo, né? Eu tenho esse cuidado, eu tenho um acervo já muito grande de fotografias, áudio, apresentações em vídeo. Nós conseguimos aprovação em um edital via Fundação Cultural, conseguimos gravar um CD e também concorremos com toda a categoria musical do estado da Bahia. Hoje nós temos dois CDs gravados em estúdio, encarte profissional, então, essa também é uma preocupação nossa, até pra perpetuar e deixar o legado digno de seu Zeca Afonso, que já tá quase com 80 anos, deixar um trabalho bacana da sua obra e dos mais idosos do grupo. Temos um perfil na rede social, né, como a associação (Zé de Lelinha) também tem e e-mail, logicamente, nós estamos antenados77.
77Entrevista concedida por PRIMO, MIlton. Entrevista I [maio. 10/05/2014]. Entrevistador: Fredison
Retomando a ideia posta por Rubim (2007) acerca da mercantilização da cultura, que traz a tecnologização como parte integrante do seu processo, verifica-se que os sambadores contemporâneos lançam-se sem restrições às novas formas de produção, em que a cultura é produzida industrialmente e reproduzida em série, mesmo quando a lógica do mercado não parece ser a principal preocupação. Verifica-se, no entanto, que a decisão por parte dos sambadores em tornar seus trabalhos mais viável midiaticamente através da gravação de CDs e outras mídias, é a de fazer com que o samba de roda, em suas diferentes modalidades regionais, torne-se mais popular. Popular, no sentido que Hall (2013) considera mais próximo do senso comum, ou seja, no que se refere àquilo que as massas costumam escutar, comprar, ler, consumir de maneira geral, ou seja, uma definição de popular que corresponde à ideologia do mercado consumidor.
Dessa forma, visando contribuir ainda mais com a popularização do samba chula, o grupo também passou a registrar momentos dos sambadores em contextos como ensaios e conversas informais. Há alguns anos, Primo passou a divulgar o trabalho na Internet e, desde então, conta que passou a estar presente nos principais momentos do grupo portando uma câmera filmadora para registrar os principais momentos.
Fazendo também parte do trabalho de promoção e apoio ao samba de roda, o grupo Filhos da Pitangueira costuma estar presente em congressos, seminários, oficinas e outras atividades voltadas para o estudo e divulgação de práticas culturais populares, dentro ou fora do município. Para ilustrar essas atividades, Primo faz questão de citar algumas participações do grupo e da relação de parceria que ele mantém com um grupo de fora do estado:
Recentemente, eu, como pesquisador, fui convidado pelo SESC, através da Casa Mestre Ananias, que é um espaço cultural independente, onde eles ministram aulas, oficinas de capoeira..., É um centro de referência da cultura baiana em São Paulo, SESC Vila Mariana, então eles nos convidaram, a gente foi, passou lá sete dias pra fazer palestras, falar da viola machete, como é o samba chula, suas características, suas vertentes, né, e também podemos falar do convite que nós recebemos do Rio de Janeiro, do ReconcaRio, que é outro grupo de samba de roda que também faz uma espécie de referência às manifestações culturais da Bahia, eles têm lá oficina com jovens, desenvolve também o samba chula, o samba de roda, o samba corrido e outras atividades culturais, a gente sempre faz intrcâmbio78.
78Entrevista concedida por PRIMO, MIlton. Entrevista I [maio. 10/05/2014]. Entrevistador: Fredison
Quando os convites para participar de eventos culturais são direcionados aos sambadores, a exemplo dos supracitados, o grupo costuma enviar representantes ou mesmo comparecer in loco para dar demonstração do samba.
Recentemente a gente teve na UNILABE, que é a Universidade Luso- Afro Brasileira, a convite do coordenador do curso de cultura, a gente fez uma palestra sobre a viola machete, da manifestação cultural afro- brasileira, o samba chula, e estava lá praticamente a metade também do grupo de samba chula dos Djalma Afonso, o filho dele, seu Pedro, que é irmão de Jane, Jane, eu estava lá79.
Em geral, os sambadores que se incumbem da tarefa de divulgação do samba chula são Milton Primo, Jane Reis, Djalma Afonso e o líder do grupo, mestre Zeca Afonso (2014), que não se furta a aceitar convites: “Quando a faculdade me pede pra ir lá falar, o pessoal da faculdade, aí, liga pra mim, aqui na minha casa, pra eu ir lá, pra dar uma palestra, eu vou, é só chamar”.