O bairro do Castelo Branco possui uma malha fragmentada em duas zonas: a primeira volta-se ao uso institucional, representada pela Universidade Federal da Paraíba, e a segunda ao uso residencial. O comércio local está distribuído nas principais avenidas do bairro e o fluxo de veículos é bastante intenso nas vias arteriais e, especialmente, na Rodovia BR 230. A morfologia urbana do bairro é bem diversificada, apresentando acentuados desníveis topográficos e vegetação densa no interior do Campus Universitário e nos limites do bairro com as áreas vizinhas.
Os mapas sonoros foram elaborados mediante os parâmetros de tráfego e acústico, coletados em campo, durante quatro semanas, nos horários de pico (6:45 às 7:45h e 18:15 às 19:30h). O volume do tráfego foi categorizado em veículos de pequeno porte e de grande porte, conforme exigência do software de simulação. Para as vias internas do bairro, consideraram-se os carros e as motocicletas como pequeno porte e os ônibus, caminhões e vans como grande porte. Já para a Rodovia BR 230, as motocicletas foram inseridas na categoria de grande porte.
Foram analisados três cenários sonoros: atual no período de férias, atual no período de aulas e predição para o ano de 2026. A coleta de dados do cenário 01 foi realizada entre os dias 19 e 21 de janeiro e a do cenário 02, com duração de três semanas, ocorreu do dia 03 a 05 de maio, 18 a 20 e 25 a 28 de outubro, todas no ano de 2016. A duração de cada medição foi de 10 minutos.
Para a predição do ano de 2026, foi criado um cenário hipotético, cuja configuração representa a maior taxa de ocupação permitida para a zona e é constituída por edifícios de seis pavimentos, posicionados no vetor de crescimento do bairro, na Av. Presidente Castelo Branco, e no interior do Campus Universitário, com a verticalização da Central de Aulas.
A aferição do modelo identificou que, nos cenários atuais, os doze pontos de medição, distribuídos na malha urbana do bairro do Castelo Branco, estão calibrados, comprovando que os mapas elaborados aproximam-se à realidade acústica do bairro. Afirma-se, contudo, que as simulações podem ter gerado algumas incertezas experimentais, especialmente por ter sido considerado apenas o ruído de tráfego, desconsiderando outras possíveis fontes sonoras existentes na área objeto de estudo.
Constata-se que os três cenários apresentam características semelhantes quanto à distribuição do ruído na malha urbana do bairro que, por sua vez, fragmenta-se em duas áreas acústicas: a primeira é o Campus Universitário, com
níveis sonoros reduzidos, em virtude da presença da grande massa verde e do afastamento das edificações em relação às vias de grande fluxo de veículos; a segunda, predominantemente residencial, com níveis sonoros mais elevados, em virtude da presença de espaços urbanos fechados, com edificações margeando as vias de grande fluxo de veículos. Essa afirmação comprova a primeira hipótese da pesquisa: o bairro apresenta duas situações sonoras distintas. Enquanto a área ocupada pelo Campus da UFPB não sofre interferência sonora do ruído de tráfego, em virtude da presença de densa vegetação e afastamento das edificações das vias de grande fluxo, o nível de pressão sonora da área, predominantemente, residencial é mais elevado.
Houve pouca diferença sonora entre o período de férias e o de aulas (matutino e vespertino), refutando a segunda hipótese da pesquisa, segundo a qual afirma que os níveis de pressão sonora emitidos nos meses de janeiro e julho (correspondente ao período de férias escolares) sofrem redução quando comparados com os demais meses do ano, decorrente da diminuição do número de veículos circulando na área. Em contrapartida, o cenário futuro apresentou acréscimo de aproximadamente 5dB(A) na intensidade sonora, em ambos os períodos, quando comparado com o cenário atual.
A pequena diferença sonora entre os períodos, matutino e vespertino, nos três cenários analisados, se justifica pela presença do Campus Universitário. Em virtude do funcionamento da UFPB, o fluxo de veículos tende a ser elevado nos três turnos, tornando a intensidade sonora semelhante durante os horários de pico da manhã e da noite.
A principal fonte sonora local corresponde ao ruído proveniente dos veículos automotivos. Os níveis sonoros resultantes nos três cenários apresentam problemas referentes à acústica urbana local, estando todos os pontos de medição em desacordo com os parâmetros estabelecidos na NBR10151 (ABNT, 2000), em ambos os períodos estudados.
A morfologia urbana, em especial a vegetação densa e os acentuados desníveis topográficos, desempenha importante papel de atenuação do ruído urbano local, em especial, no interior e limites do Campus Universitário.
As curvas presentes nas vias, de modo especial na avenida que contorna o campus da UFPB, provocam o aumento do nível de pressão sonora. Os dois
semáforos presentes na área objeto de estudo também provocam o aumento da intensidade sonoro em cerca de 5db(A).
Os pontos críticos de ruído urbano no bairro Castelo Branco são encontrados nas margens da BR 230, em especial nas proximidades da Comunidade Santa Clara, nas rotatórias e nas vias arteriais.
Elencam-se, a seguir, critérios de planejamento urbano para o Castelo Branco com o objetivo de minimizar as problemáticas encontradas e garantir melhor qualidade acústica para o bairro. Esses critérios podem ser desenvolvidos em relação à fonte sonora, ao meio de propagação e ao receptor.
Fonte sonora:
- Aperfeiçoar e incentivar o uso do transporte público coletivo, reduzindo a quantidade de veículos individuais em circulação;
- Intensificar as fiscalizações dos veículos automotivos pelos órgãos competentes; - Utilizar nas vias, especialmente na Rodovia BR 230, materiais com propriedades acústicas absorvedoras, diminuindo o atrito do pneu com a estrada e o nível de pressão sonora resultante;
- Reduzir a velocidade média permitida nas vias arteriais do bairro;
- Construir viadutos e túneis em substituição às rotatórias locadas na Via Expressa Padre Zé e na Av. Dr. Apolônio da Nóbrega. Essa nova configuração torna o fluxo de veículos mais fluido, reduzindo o efeito de aceleração e desaceleração dos veículos; - Substituir os dois semáforos presentes na área, locados na Via Expressa Padre Zé, por passarelas que direcionem o fluxo dos estudantes da UFPB.
Espaço de propagação:
- Evitar a locação de edificações nas margens da Rodovia BR 230, em virtude dos acentuados níveis sonoros da área;
- Instalar barreiras acústicas nas margens da Rodovia BR 230 e da Via Expressa Padre Zé, evitando a propagação do ruído de tráfego em direção à Comunidade Santa Clara e aos blocos de aula da UFPB;
- Manter a vegetação densa e os desníveis topográficos presentes na área, pois esses elementos desempenham o importante papel de absorção das ondas sonoras.
Receptor:
- Garantir o recuo mínimo entre a borda interna da calçada e a fachada das edificações posicionadas nas avenidas Presidente Castelo Branco, Dr. Apolônio da Nóbrega e Comandante Matos Cardoso;
- Direcionar os ambientes não suscetíveis ao ruído às vias de grande fluxo de veículos, para atuarem como anteparos entre a fonte sonora ruidosa e as áreas que requerem silêncio;
- Evitar aberturas nas fachadas voltadas para as vias de grande fluxo. Quando não possível, instalar esquadrias com isolamento acústico.
A pesquisa demonstrou que o mapeamento e a predição sonora são importantes ferramentas para a análise e compreensão dos cenários sonoros urbanos. Suas utilizações tornam-se necessárias para a identificação de pontos sensíveis e críticos quanto ao ruído, facilitando a adoção de medidas de mitigação da poluição sonora e o aumento da qualidade acústica nas cidades, confirmando-se, assim, que os objetivos da pesquisa foram alcançados.
Pesquisas sobre a qualidade ambiental, voltadas ao controle do ruído, são fundamentais para a evolução das discussões e diretrizes a serem consideradas por outros pesquisadores. Em meio a essa abordagem, são sugeridas, a seguir, propostas para trabalhos futuros.
- Avaliar a qualidade acústica das salas de aula do campus da UFPB, especialmente as inseridas no Centro de Tecnologia;
- Correlacionar o mapeamento sonoro do bairro Castelo Branco com a percepção subjetiva da população local;
- Realizar simulações computacionais do Castelo Branco com os critérios de planejamento urbano elencadas na pesquisa, a fim de avaliar sua eficiência;
- Avaliar o impacto sonoro provocado pelo ruído de tráfego da Rodovia Transamazônica BR 230 no Estado da Paraíba;
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