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BACKGROUND OF THE SURVEY

1. BACKGROUND OF THE SURVEY

Lemgruber (1999) destaca duas das mais importantes técnicas de argumentação: a analogia e a metáfora. A primeira representa uma ponte entre duas realidades distintas que, embora se relacione com a matemática ao apresentar relações entre dois elementos, permite uma recusa e uma contestação por parte do interlocutor, já que não visa uma certeza.Os versos da canção “Lábia”, de Edu Lobo e Chico Buarque (2001), demonstra uma analogia, com finalidade poética:

Mas nem cantor incendiário ataca à queima-roupa a canção Há sempre um tempo, um batimento um clima que a introduz

Que nem abelha ronda a flor que nem dá voltas ao redor da lâmpada, ao redor da lâmpada o bicho-da-luz.

(LOBO & HOLLANDA, 2001)

A especificidade da analogia é o seu sentido de proporção, embora não apenas matemática, mas que afirma uma similitude de correspondências. Ao alcançar o objetivo de orientar sua argumentação, o orador pode e deve abandonar e desconstruir sua analogia.

Contudo, ela possui limitações, pois, ao aproximar uma realidade conhecida de outra que se pretende conhecer ou que seja desconhecida, a analogia pode cristalizar comparações e criar dificuldades para sua desconstrução, sendo essa um exercício necessário ao sucesso de sua utilização. Apesar desses obstáculos, a analogia é um forte recurso para a filiação de saberes novos ao conhecimento prévio dos alunos, tornando-se expressivo instrumento para a prática educacional.

Por seu turno, as metáforas também se constituem como orientadoras de um pensamento e um recurso eficaz para comunicá-lo a outrem, não sendo “apenas” uma figura poética de linguagem, da qual está permeada toda a canção de Cartola, “O mundo é um moinho” (1976):

Ainda é cedo amor

Mal começaste a conhecer a vida Já anuncias a hora da partida

Sem saber mesmo o rumo que irás tomar Preste atenção querida

Embora saiba que estás resolvida

Em cada esquina cai um pouco a tua vida Em pouco tempo não serás mais o que és Ouça-me bem amor

Preste atenção, o mundo é um moinho Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos Vai reduzir as ilusões à pó.

Preste atenção querida

De cada amor tu herdarás só o cinismo Quando notares estás a beira do abismo Abismo que cavaste com teus pés (OLIVEIRA, 1976)

A metáfora é uma analogia condensada que, apesar de mais econômica, é mais impactante. Podemos perceber que “os campos do saber habitados pela racionalidade argumentativa, como a educação, são muito férteis no uso de metáforas fundantes”. Caberia a menção de vários exemplos, tais como “o aluno é uma folha em branco”, ou “o estudante é um copo vazio”.

As metáforas e analogias querem levar o interlocutor a uma compreensão a partir da aproximação entre o que se pretende enunciar e algum aspecto partilhado pelo ouvinte. Para o pensamento filosófico, elas são imprescindíveis, posto que, por ele não ser verificado empiricamente, desenvolve-se aceitando metáforas e analogias como elementos centrais de uma visão sobre o mundo. Ambas as técnicas possuem claro sentido argumentativo e reforçam pontos de vista, sendo sua escolha intencional pelo locutor.

Lemgruber (1999) concebe diversas representações da metáfora do labirinto. O labirinto clássico, da mitologia grega, de Teseu, o Minotauro e o fio de Ariadne, nos parece ser o ponto de partida para as outras construções. Umberto Eco, por exemplo, em “O Nome da Rosa”, representa a biblioteca nos modelos da estória grega, como um lugar perigoso, confuso, do qual se deve tentar sair.

A metáfora do labirinto empregada para definir os processos de educação nos ambientes virtuais não é mais a de um lugar fechado e de saída única, mas ao contrário, representa um espaço infinitamente aberto, amplo, dinâmico, com inúmeras possibilidades. Essa é a explicação para outra metáfora, o “navegar na internet”, que faz uma alusão ao caráter de imensidão do mar.

O sentido de “labirinto” que adotei, aproxima-se da metáfora do argentino Jorge Luis Borges. No conto “A Biblioteca de Babel”, a biblioteca infinita expandia-se sem cessar com suas letras, pontos, vírgulas e espaços, tal como podemos vislumbrar na internet. O sentido que Borges traz para o labirinto é o de que sua melhor representação é o próprio universo e a vida cotidiana, com suas múltiplas escolhas.

É devido à capacidade de o homem se relacionar e elaborar tramas com o outro que se torna possível reestabelecer a ordem das coisas no mundo, bem como criar novos modos de socializar conhecimentos, questões, dúvidas, escolhas, reflexões e sentimentos.

São nas tramas sociais que as relações humanas são amarradas e constituídas como um tecido, que as pessoas se encontram criando e percorrendo um emaranhado de caminhos. Para achar a saída deste complexo e, ao mesmo tempo, orgânico labirinto estabelecido pela relação humana cotidiana, é necessário, antes, entender de perto o nó que amarra essas relações e, para tanto, torna-se fundamental ter um amplo olhar do contexto da globalidade do sistema em que esses homens se inserem.

O computador/internet é um dos novos espaços integrantes do complexo contexto humano, e, por isso, encorajo-me a percorrer esse tortuoso e indefinido caminho, me aventurando pelos labirintos abertos (sem paredes) das redes sociais do mundo virtual, conduzido pelo fio de Ariadne da navegação atenta, interessada e reflexiva.

Para melhor entender os suportes tecnológicos do computador/internet e, consequentemente, navegar com a “tranqüilidade” necessária, o homem deve dominar seus instrumentos de navegação. Para tanto, foram realizados alguns estudos nessa pesquisa, para que houvesse suficiente apoio para o desenvolvimento do trabalho.

O capítulo que segue tem a finalidade de entender quais contribuições esse recurso tecnológico traria para a escola e de que forma poderia ser utilizado como auxílio para o ensino/aprendizagem, bem como, quais transformações ocorreram com seu surgimento no ambiente escolar.

3. O computador/internet nos processos de ensino/aprendizagem