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Construção da cidade de Sócrates, a qual é a melhor de todas as cidades possíveis, é o lar da harmonia, mas há algo que pode destruí-la, este é Eros. O processo de destruição se inicia a partir da corrosão interna provocada por Eros, pelo qual se gera a desarmonia. A melhor cidade se degrada ao máximo. A degradação tem um fim porque chega ao seu extremo, este é a pior cidade. Nesse sentido, a melhor cidade gera a pior cidade. Uma vez que a pior cidade é gerada não põe em negação absoluta a melhor cidade, mas é o totalmente diferente daquela, é o caminho que não deve ser escolhido. Assim, reinam em um combate imortal o pior e o melhor regime político. O combate certifica a percepção de que a cidade perfeita é inatingível e a imperfeita é inadmissível. Dessa percepção resta a convicção de que, se ainda é necessária a convivência entre os homens, ao menos para satisfação de seus desejos mais básicos, a contemplação da luta entre os dois regimes e de todo o discurso em torno deles, deve fundamentar a vida na cidade segundo o critério do que é conveniente e plausível aos governados e governantes. Desde que um regime é impossível e o outro é inadmissível, o regime que pode vir a ser vivido, sendo admissível, é o que se mostra conveniente e plausível. Desse ponto de vista, não há nada de verdade ou falsidade, mas somente de conveniência e plausibilidade.

A verdade que aponta um caminho para algo melhor, refuta-se ironicamente diante si mesmo. A falsidade que aponta um caminho para algo que “não é”, também se refuta por simplesmente não ser. Portanto, resta somente algo que não é nem verdade e nem falsidade, nem expressa algo que é em si mesmo ou algo que não é em absoluto, mas expressa o que é possível expressar, um discurso plausível e conveniente.

Platão assume para si a ironia socrática rejeitando não somente os discursos acerca da verdade, mas todos os outros discurso acerca da mudança, do não ser, e inaugura um novo paradigma, o discurso conveniente e plausível. Desse modo, a conclusão desta Tese se propõe frisar três considerações: o discurso metafísico não pode regrar a vida dos homens; o discurso político por si só é insuficiente para regrar a vida dos homens, mas como é necessário algum governo, este deve se pautar em um discurso conveniente e plausível. Assim, o sentido do todo que envolve a política na época de Platão e tudo que envolve o que se torna

conhecido como questões metafísicas é reorientado para um discurso que envolva a reflexão sobre o poder que governa todos os discursos.

N’A República há uma discussão metafísica no sentido de que expõe uma situação inteligível, meta empírica, que se mostra melhor e superior à situação sensível, empírica. A metafísica não trata basicamente de uma realidade divina semelhante aos deuses antropomórficos do monte Olímpio, não são também entidades divinas que habitam outra dimensão distante do homem. Essa metafísica do inteligível resume-se numa abordagem matemática, fruto da alma que investiga os pressupostos de um saber mais elevado.

Erickson e Fossa (2006, 2005, 2001, 1996) resgatam essa metafísica matematizante em Platão e destacam como a ideia do bem que poderia ser interpretada como uma figura divina sem nenhuma referência à matemática, desdobra-se como pressuposição da matemática por assumir em si mesmo a configuração da unidade (hum). Como se mostra no segundo capítulo desta Tese, Erickson e Fossa olham a tradição neoplatônica em seu esforço de vislumbrar as relações entre metafísica e matemática no pensamento platônico e expõe uma analise sobre a filosofia de Platão em sua linhagem pitagórica. Para aqueles dois pesquisadores, Platão desenvolve estudos matemáticos e os usa em seus diálogos. Tais usos esclarecem a permanência de uma estrutura harmônica que se desenvolve na música, passa pela astronomia, geometria e aritmética, e se abre na imagem da Linha Dividida, a qual é reproduzida em várias instancias. Em alguns momentos surge enquanto mito (mito de Er e das quatro raças), em outros como alegoria (alegoria da caverna), ou como divisões da cidade, ou divisões da alma, ou divisões da natureza do homem, ou como modos de apreensão da alma, ou como formas degenerativas de regimes políticos, ou como visão sobre o mundo vivido, ou como categorização das personagens, ou tipos de virtudes, ou construções e desconstruções da cidade, ou currículo matemático, os quais todos mantém as mesmas divisões e relações daquela Linha Dividida.

A estrutura da Linha Dividida é matemática, especificamente uma proporção continua que, apesar de ser algo mais abordado no campo da geometria, ainda se mostra estruturando o conteúdo da harmonia, da música. Segundo Erickson e Fossa, essa estrutura matemática se apresenta de varias maneiras porque Platão procura manter uma unidade em todos os modos possíveis de investigação da alma.

Assim, cada uma dessas maneiras se refere ao conjunto de todas elas, porque carregam um elo significante, a estrutura da Linha Dividida.

O saber matemático, portanto, constitui a diánoia, primeira divisão do inteligível, e o contexto hipotético pelo qual se pressupõe as ideias do modo de investigação noûs: “hum, identidade, diferença e ser”. Nesse sentido, o que está além da física é unicamente de caráter matemático. A metafísica matematizante trazida pelo Platão pitagórico, mostra a insignificância de se pensar uma metafísica que não seja matemática. Se a metafísica se refere a um mundo de formas divinas e perfeitas em que um ser superior harmoniza todas as coisas segundo os critérios de perfeição inerentes a sua essência, esta não é a metafísica de Platão escritor d’A República. Mas qual é o Platão que cita os trechos matemáticos dos diálogos? É um Platão pitagórico representado na personagem Sócrates. Quem se utiliza da matemática para criar a cidade justa é Sócrates. Assim, Platão é Sócrates.

No desenvolvimento desta tese se vê que Sócrates se utiliza do discurso voltado à perfeição para criar sua cidade. Mas ele não é o único que tem voz marcante, há também Trasímaco. Aquela cidade perfeita é gerada no conflito entre Trasímaco e Sócrates e seu fim é também gerador do conflito entre o arístos, o melhor, e o tiranos, o pior. O último capítulo mostrou que o discurso sobre uma melhor cidade e a ideia do bem não é nada mais do que a elaboração irônica do contra argumento de Sócrates para provocar e problematizar os discursos em defesa da democracia, tirania e outros regimes políticos. Mas o próprio discurso meta-empírico é ironicamente problematizado e desconstruído. Nesse sentido é possível defender uma interpretação d’A República que critica, a partir da política, uma postura a favor de questões metafísicas sejam matemáticas ou de outra natureza. Todas as questões metafísicas se resumem em falas convenientes e plausíveis à cidade.

Sócrates pode falar que os filósofos administradores conseguem defender um discurso verdadeiro porque se fundamenta na contemplação de algo perfeito, que é em si mesmo, e ainda pode falar da necessidade em construir discursos falsos e benéficos para orientar o grande número de moradores da cidade; ainda pode falar da necessidade em se disseminar nobres mentiras com fins de manter a harmonia manifesta naquela perfeição contemplada pelos reis, porém, essas falas que emitem uma preocupação com “alguma verdade” ou “falsidade” ou “mentira”, não estão em um contexto maior que envolva verdade e não verdade. Sócrates fala a partir do

contexto da conveniência à cidade, a saber, da política. Em um primeiro momento, esta tese resgata uma crítica á metafísica feita sob o teto da política. Uma vez que a política se refere ao governo da vida na cidade, e que o discurso metafísico é elaborado com fins políticos, o discurso que predomina no diálogo A República é unicamente político. Porém, tal discurso precisa expressar um significado. A unidade significante que subordina metafísica à política só se torna possível devido a estrutura coesa que Platão segue do inicio ao fim daquele diálogo.

Se esta tese reduz a metafísica à política, não é por entender que há essa redução. A metafísica que é reduzida à política é aquela de caráter meta-empírico e matemático, ou melhor, extrassensível por estar fora da condição sensível. Há outro sentido de metafísica que não se reduz à politica, mas que faz o inverso, isto é, que reduz o discurso político do todo d’A República a um discurso metafísico. Este outro sentido de metafísica já está exposto da introdução desta Tese.

Há um sentido de metafísica dado por Heidegger que não se limita à contemplação de algo não sensível pelo qual se moldaria a vida. A metafisica é o próprio discurso que tenta dizer o que é tal situação definindo um modo de ser próprio a partir do que se parece mais apropriado. É o estilo de pensamento que se caracterizou por tentar explicar alguma coisa, a partir do que se entende de outras coisas. Nesse sentido, um termo é explicado a partir de sua relação com outros termos que se relacionam ainda a outros, formando um contexto maior que serve de fundamentação para explicar qualquer novo termo que se apresente. A visita de Sócrates ao Pireu, lugar que permite novas divindades e acolhe homens das mais diferentes culturas assume significância em seu contraste a Atenas que reduz os privilégios a alguns e defende dogmaticamente suas crenças e cultura; os quais contextualizam a intimação de Polemarco, a recusa feita inicialmente por Sócrates e a sua aceitação a partir de Glauco; estes levam Sócrates à casa do ancião Céfalo que caracteriza o poder das tradições pelo qual se reúnem todos os discursos políticos; assim a presença de Sócrates começa a assumir significado diante daqueles afirmações e valores tradicionais. Sócrates inicia o questionamento sobre justiça e se defronta com o problema apontado por Trasímaco, sendo forçado por Glauco e Adimanto a apresentar uma explicação justa sobre justiça. De Atenas ao Pireu, deste à casa de Céfalo, de Céfalo à Trasímaco, e deste, passando por Glauco e Adimanto, ao próprio Sócrates. Das divisões da cidade e da alma às virtudes, destas a ideia do bem, da educação geral à educação do filósofo, este sob o sistema

do currículo matemático. Do melhor regime ao pior, do contraste entre estes à certeza da necessidade constante de exercitar o pensamento. Platão põe sempre a certificação de uma significância de um termo mais abrangente do que a significância anterior. Assim, ele reúne em uma significância, a variedade dos temas expostos n’A República.

A estrutura harmônica de organização do diálogo A República segue uma ordenação analógica, segundo os critérios da proporção contínua vistos na passagem da Linha Dividida, a/b=b/c: Sócrates está para Trasímaco; como o inteligível está para o sensível; os quais estão para a construção da cidade como esta, está para sua decadência; os quais estão para a melhor cidade como esta, está para a pior cidade; as quais estão para a prática universal da justiça, como esta, está a sua prática individual. Assim, o diálogo, em seu todo, envolve em uma consonância maior, todos esses pontos menores e outros não citados como se fossem a harmonia de uma oitava que se expressa através da individualidade de suas notas musicais. Nesse sentido, o diálogo A República é metafísico não porque tem uma parte que expõe algo meta físico, mas porque um termo é definido a partir de outros termos em uma estrutura sistêmica que delimita a definição de um significado segundo um delimitado horizonte de compreensão.

A metafísica matematizante destrói as pretensões de atribuir a Platão uma metafísica teológica, mas aquela metafísica se esfacela diante de uma crítica fundada nos horizontes da política; agora uma crítica à política se estabelece a partir de um novo panorama de metafísica.

A nova postura metafísica se sustenta em dois pontos: na construção de um discurso com fins de explicar o que é algo tal como é; e em transpor para o campo da linguagem, qualquer intuito de explicar a constituição mais íntima do ser. Esses dois pontos tem algo em comum que é o campo da linguagem no qual se processa os discursos. O primeiro se volta ao que se explica mais acima sobre o estilo de pensamento que busca explicar um termo em relação a outros termos gerando uma significância maior; o segundo ponto traz uma característica implícita no primeiro: todas as tentativas de dizer o que é algo, não estão numa situação extra ou intrafísica, mas linguística. Se não há nada além do campo discursivo, em que ponto o discurso, logos, se fundamenta? Fundamenta-se no próprio discurso? Essas perguntas podem ser feitas de outra forma: se um termo assume significância a partir de outros, o que dá a significância primeira? Seguindo o raciocínio

desenvolvido até agora, se é forçado dizer que nada atribui significado ao primeiro termo.

N’A República é possível encontrar aquele ponto imutável, ideia do bem, como fonte originária e fundadora, como fundamento de todos os termos, mas em que se funda essa fonte, de que ela é construída? Não há nenhuma evidencia que responda a essa pergunta. A ideia do bem pode ser contemplada, porém, não pode ser expressa, não participa da linguagem. Desse modo, se até mesmo algo extrassensível precisa ser interpretado discursivamente para ser compreendido de alguma maneira, é preciso que aquele termo primeiro seja fundado no domínio da linguagem.

A República demonstra como se constrói uma significância de algo que não tem ainda significado. Desde o inicio d’A República há o arranjo de termos para dar sentido ao uso da ideia do bem como fundamento da atividade filosófica no âmbito do regime elaborado por Sócrates, sem a qual é impossível apresentar a decadência da cidade e a falta de sentido da prática filosófica com fins de estabelecer verdades. Nesse contexto, A República demonstra que o que funda a fundação, o que constrói o fundamento primeiro não é nada mais que o próprio discurso em torno da fundação da cidade, assim, o início é o fim e este é o inicio em um movimento cíclico constante limitado ao discurso conveniente e plausível. Portanto, se não há nada fora do discurso, a postura de Sócrates seria profundamente negativa. A ironia socrática questiona não somente as opiniões e verdades, mas o que fundamenta os fundamentos de tais discursos.

Os questionamentos de Sócrates priorizam a dúvida enquanto ato de questionar os acontecimentos da cidade prática. Essa postura de Sócrates não se assemelha ao que fica conhecido na filosofia contemporânea por postura niilista? Crítica à metafísica a partir da política, desta a partir de uma nova abordagem à metafísica e desta a partir de uma postura niilista.

Sócrates é um niilista? Não é que Sócrates seja um niilista, mas que sua postura se configura segundo os critérios do niilismo da filosofia contemporânea. Rossano Pecoraro lembra que niilismo vem do latim nihil, nada, que se refere ao que não existe em sentido absoluto. Ele diz: “o niilismo [...] é o pensamento obcecado pelo nada” (PECORARO, 2007, p. 9). Assim, aquele que assume a postura niilista é porque buscar revelar que tudo se reduz a nada. Esse nada, no entanto, não se põe como vazio. O vazio ele só é vazio porque tem algo em seu entorno. Nesse nada

não há algo em relação a ele, nem algo que lhe serve de recipiente. Platão, segundo essa caracterização, demonstra que os discursos se fundamentam em ausência absoluta de qualquer coisa. Todas as proposições e afirmações procuram dar significados a alguma coisa demonstrando que eles revelam alguma verdade, que apontam para algo melhor e perfeito, mas tais afirmações não são o que pretendem ser uma vez que não há um fundamento perfeito, algo além de nós mesmos que serve de pedra fundamental e fonte de verdade, pelo qual se abre o acesso a um saber verdadeiro. Nessa perspectiva, a postura de Platão e de sua personagem Sócrates fazem parte do tipo de niilismo chamado “niilismo metafísico” que nega a possibilidade de um conhecimento verdadeiro.

Segundo Franco Volpi (1999, p. 90) o verdadeiro niilismo metafísico é uma situação na qual se percebe que não há mais nada do ser. Para Volpi (p. 7) o homem contemporâneo se descobre andando sobre incertezas que pensa ser certezas inabaláveis, ao descobrir que todos os seus conhecimentos, crenças, valores, decisões políticas além de tudo o mais que define sua história e vida, são desprovidos de uma sustentação verdadeira. Não há nada que sustente suas teorias e vida além do próprio discurso em torno delas. A fundamentação divina, as certezas matemáticas, a busca pela objetividade e os parâmetros de subjetividade, que em diferentes momentos se mostraram forte o suficiente para ordenar a vida humana, perdem suas estabilidades diante da ironia e da dúvida. Não é que aquelas certezas encontram algo diferente delas que força sua negação. A negação está desde sempre inerente a qualquer certeza. A destruição de um mundo certo e verdadeiro ocorre espontaneamente no momento em que o homem desperta para a falta de fundamento daquilo que ele impõe e expõe como certo.

Sócrates assume uma postura segundo os critérios do niilismo porque reconhece que seu discurso sobre algo verdadeiro, não se fundamenta nem em verdade e nem em não verdades, mas nos discurso do que é conveniente à vida do próprio homem na cidade, um lugar de medo, de desejos, de necessidades corporais, de limitações racionais e de mudanças constante. Ele vê que sua cidade é outra coisa daquilo que diz ser e não pode ser diferente, e desse modo, carrega em si sua autodesconstrução. A cidade bela e sua fonte, ideia do bem, símbolos da metafísica que reina até a modernidade predominam sob essa tarja até século XX, pois ainda Heidegger condena Platão como inaugurador do pensamento metafísico.

Platão é o inaugurador desse pensamento, mas ao mesmo tempo antecipa uma crítica às tentativas de criar discursos verdadeiros e poderosos. Não apenas demonstra essa crítica através de seus personagens e da desconstrução de sua cidade, mas de todo o diálogo. A construção de um discurso em que um de seus termos passa a ser definido em relação a outros termos revela que não há nada de verdadeiro fora da linguagem e admite a possibilidade de que se houver o homem não consegue explica-lo. Assim, a própria sistematização discursiva carrega em si a certeza de que ela não reflete nenhuma realidade verdadeira. Se Platão vislumbra uma auto critica quais suas armas? Elas seriam a ironia socrática. A ironia assume o papel de questionar e desdenhar das certezas e incertezas, das imperfeições e perfeições, do visível e do invisível. Não seria Platão que assume uma postura niilista, mas o contrário, o niilismo assume uma postura platônica. Mas antes de analisar como a ironia exila o niilismo, é possível que aquele Platão já estabelece o lugar no qual se vai exilar o niilismo.

O niilismo esfacela os discursos metafísicos. Esse esfacelar gera uma situação de descrença e crítica sobre as mais variadas formas dos saberes desenrolados na história da humanidade: não há mais como acreditar na metafísica uma vez que ela não diz nada; não há como acreditar nas ciências, pois elas tem fundamentação metafísica; não há como acreditar nas religiões, pois suas divindades são discursos falsos e benéficos que servem somente para pacificar os homens; não há como acreditar na política, pois ela é a forma grosseira e brutal de dominação de uns para com outros; não há como acreditar nos valores morais, pois eles se justificam na sua conveniência aos governantes ou lideres políticos e religiosos na medida que minimizam a grandeza da vida. Dessa descrença absoluta tudo se reduz a nada. Esse tudo que vira nada, ele ainda permite alguma crença? Não, o tudo é o passado. O niilismo põe em destruição todas as tradições, toda a história, tudo que se passou. Nesse sentido, atinge também o presente como tempo que carrega os resquícios do passado. Em um primeiro momento não é possível entender como algo inerente ao pensamento metafísico pode fundamentar uma crítica ao niilismo sem configurar uma defesa ao retorno dogmático, porém, há uma