• Aucun résultat trouvé

Chapitre 5  : La GTPase RhoA

III. B. Régulation de la migration cellulaire

“Para que os alunos se tornem leitores competentes, é preciso que o programa escolar seja rico em conceitos de todo o tipo ( ...) Qualquer conhecimento adquirido por uma criança poderá eventualmente ajudá-la a compreender um texto. Um programa vazio de conceitos, que só se apóia em exercícios artificiais, pode bem vir a produzir leitores vazios que não compreenderão o que lêem. O que não sabem não constituirá uma desvantagem para eles. (WILSON E ANDERSON, 1986; citado por GIASSON, 2000)

No início de nosso trabalho comentamos que partíamos da hipótese de que uma das responsabilidades do professor de Matemática é promover a leitura e a escrita, enquanto apropriação de um referencial simbólico que contribua para que o aluno compreenda o mundo a sua volta.

A leitura de trabalhos como o de Rabelo (1996), que considera que o baixo desempenho de alunos do ensino fundamental em relação à resolução de problemas está diretamente relacionado à não construção de uma competência para a interpretação de textos matemáticos, também nos animava a investigar a questão.

Assim, propusemo-nos a analisar atitudes e procedimentos de alunos frente à leitura e interpretação de textos nas aulas de Matemática, buscando respostas às seguintes questões:

• Como os alunos reagem frente à leitura de textos nas aulas de Matemática?

• Que atitudes manifestam? • Que procedimentos utilizam?

Nos capítulos 3 e 4, buscamos ir interpretando os dados coletados e esboçamos algumas respostas às questões acima e que sintetizamos na seqüência:

(i) Atividades que envolvem leitura, escrita e interpretação de textos na aula de Matemática estão ausentes nas aulas de Matemática.

Nosso estudo revelou um estranhamento dos alunos em relação à presença de atividades que envolvem leitura, escrita e interpretação de textos na aula de Matemática. Embora tenhamos trabalhado com um grupo de 99 alunos, o fato de estarem na 5ª e 8ª séries do ensino fundamental ou na 3ªsérie do ensino médio traz uma grande diversidade de experiências escolares, com professores diferentes, o que permite supor que essa situação é bastante comum. Isso nos remete a considerações como as de que estas atividades não existem nas aulas de Matemática ou mesmo nas aulas de outras disciplinas, ou quando existem, não levam em consideração diversos aspectos importantes. Em geral, ficam presas a procurar palavras no dicionário, a discutir regras gramaticais, a discutir apenas a idéia do autor sem permitir que o aluno explore diversas outras constatações suas e de seus colegas de classe. Assim, compreendemos de forma mais clara a afirmação de Machado, no sentido de que o ensino de Matemática e o da língua materna nunca se articularam para uma ação conjunta, nunca explicitaram, senão, relações triviais de interdependência, carecendo de uma relação mais próxima, mais fecunda nas funções que desempenham.

(ii) Nas atividades que envolvem leitura, escrita e interpretação de textos na aula de Matemática, estabelece-se uma grande dependência dos alunos em relação ao professor.

Nosso estudo revelou a grande dependência que o aluno tem do professor, seja este aluno do ensino fundamental ou do ensino médio, relativamente à leitura, escrita e interpretação de textos. Observamos a freqüência com que a resolução de uma atividade depende da intervenção demasiada do professor, na ajuda com a leitura ou buscando respostas do tipo “está certo ou errado”. Essa constatação ficou evidente nas perguntas e no comportamento da maioria dos alunos pesquisados durante a aplicação das atividades. Assim, retomando as leituras que fizemos sobre o assunto, concordamos com o fato de que um sério problema da

escola atual reside no fato de não garantir o uso eficaz da linguagem, condição para que os alunos possam dar continuidade e progredir nos estudos, como aponta Coelho (2002). Especificamente no que se refere à aprendizagem em Matemática, muitos dos problemas são relativos às dificuldades de leitura e interpretação de enunciados de exercícios e situações-problema, mas também a falta de autonomia que o aluno mostra em relação a essa atividade. Um dos fatores importantíssimos na nova concepção de compreensão da leitura se encontra no leitor, que deixa de assumir uma posição de passividade frente ao texto e começa a interagir com o mesmo, criando o sentido do texto, a partir da sua intenção de leitura. Reiteramos nossa concordância com Kleiman (2002), que é durante a interação com seus pares e com o professor que a atividade de interpretação se faz concretizar.

(iii) As atividades que envolvem leitura, escrita e interpretação de textos na aula de Matemática são de grande dificuldade para os alunos, independentemente no nível de escolaridade em que se encontram.

Em nosso estudo ficou bastante evidente que grande parte dos alunos tiveram dificuldades com os textos, tanto na leitura, como na escrita, quanto na interpretação e observou-se também grande dificuldade de concentração. Alguns alunos mostraram-se visivelmente nervosos durante as atividades. Em geral, os alunos do ensino médio demonstraram um nível pouco melhor de desempenho, mas mesmo assim, é notória a grande dificuldade que esses alunos apresentam ao efetuarem interpretações dos textos, e como as demais turmas pesquisadas, procuraram responder as questões propostas com trechos retirados dos textos. A esse respeito lembramos que na escola, geralmente as responsabilidades sobre o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita são atribuídas unicamente aos professores de Língua Portuguesa, o que evidentemente, não é suficiente.

(iv) As atividades que envolvem leitura, escrita e interpretação de textos na aula de Matemática se apresentam aos alunos como algo penoso e desestimulante.

Como já comentamos nos capítulos precedentes, foi possível observar que a leitura e a interpretação de textos é tarefa penosa para os alunos e uma das explicações para isso está ligada ao fato de que ninguém gosta de fazer aquilo que é difícil demais ou que não faz sentido. Provavelmente, em sua experiência escolar, esses alunos sofreram as conseqüências de concepções de leitura tradicionais que consideravam a compreensão da leitura a um conjunto de habilidades a ensinar (decodificar, identificar a idéia principal, etc). Atualmente, discute-se que num processo de compreensão da leitura não está em jogo apenas uma ou outra habilidade, mas sim, um conjunto de habilidades que se interagem e se modificam. Um outro fator importante é que a compreensão de uma leitura nunca deve estar desvinculada de seu contexto, o que talvez ainda não seja uma prática comum, especialmente nas aulas de Matemática.

(v) Em que pesem as dificuldades que encontram nas atividades que envolvem leitura, escrita e interpretação de textos na aula de Matemática, os alunos reconhecem sua importância.

Um aspecto interessante revelado no estudo é o de que os alunos manifestaram a necessidade desse tipo de trabalho na sala de aula. Lembramos a citação de Geraldi, afirmando que da experiência da leitura, o leitor sai modificado ou porque assume os pontos de vista com que compreende o mundo ou modifica tais pontos de vista em face do diálogo mantido através do texto com seu autor. Provavelmente, mesmo que de forma intuitiva, os alunos talvez sintam a falta de oportunidades que a escola lhes dá no sentido de compreender o mundo a sua volta, no processo de concordar e de discordar com as idéias apresentadas pelos autores a respeito de diferentes fatos, informações, valores, etc.

(vi) Os textos a que os alunos estão habituados a encontrar nas aulas de matemática constituem uma categoria criada pela escola, com sua própria norma textual, aliás, pouco explícita: os gêneros escolares.

Como vimos nos estudos sobre o tema, na opinião de alguns autores, o trabalho escolar, no domínio da produção de linguagem, faz-se sobre os gêneros, quer se

queira ou não. Na escola, as estratégias de ensino deveriam buscar intervenções que favoreçam a mudança e a promoção dos alunos a uma melhor mestria dos gêneros e das situações de comunicação que lhes correspondem. Trata-se, fundamentalmente, de se fornecer aos alunos os instrumentos necessários para progredirem. Nessa perspectiva os textos deveriam ser mais diversificados e estimulantes. Sabemos que, desde as séries iniciais os alunos percebem que os enunciados nas aulas de matemática não são essenciais e muitos resolvem problemas sem ler o enunciado na íntegra.

(vii) Estudos sobre uso e tipologia de textos deveriam ser objeto de investigação na área de educação matemática, buscando estimular o desenvolvimento de diferentes capacidades de linguagem e o uso de diferentes gêneros orais e escritos.

Nosso estudo nos permite propor que diferentes capacidades de linguagem deveriam ser estimuladas nas aulas de matemática, como narrar, relatar, argumentar, expor, descrever ações, formular questões. Para tanto, com base nos trabalhos de Dolz e Schneuwly seria fundamental que o professor de matemática contemplasse diferentes gêneros, orais e escritos, para fazer parte de suas aulas. A título de exemplo, destacaríamos: narrativas de ficção científica, narrativas de enigma, narrativas míticas, adivinhas, notícias, reportagens, biografias, textos de opinião, diálogos argumentativos, debates regrados, resenhas, tomada de notas, resumos de textos expositivos e explicativos, relato de experiências e investigações, regras de jogo, receitas etc.

(viii) Deve haver um caminho de dupla mão entre leitura, escrita e interpretação de textos e a constituição de saberes matemáticos, nas aulas de Matemática.

Geralmente estabelece-se uma dependência da leitura escrita e interpretação de textos para a constituição de saberes matemáticos. No entanto, não há igual preocupação com a relação inversa. Giasson (2000) afirma que quanto mais conhecimento os alunos tiverem, maiores serão suas possibilidades de sucesso na leitura. Ela exemplifica dizendo que alunos que tiveram experiências variadas

como visitas a museus, jardins zoológicos estão mais bem preparados para ler textos. Mas essas experiências por si não bastam; é indispensável que os alunos possam falar de suas experiências de modo a aumentarem a sua bagagem de conceitos e o seu vocabulário. Desse modo, consideramos que se nas aulas de matemática fizemos largo uso da resolução de problemas, de projetos de trabalho, de investigações matemáticas, de jogos, de seqüências de atividades interessantes, também seu desempenho na leitura, escrita e interpretação de textos será favorecido.