Long-term investment incentives in liberalised electricity markets
II.1 Investment decisions in a risky environment
II.1.2. b Investment criteria
A organização vista como um sistema aberto parte da definição de sistema como “um todo organizado ou complexo; uma montagem de combinação de coisas ou partes, formando um todo complexo ou unitário” (Johnson, Kast e Rosenzweig, apud Chiavenato, 1981, p.280). Essa visão admite sistema como “um conjunto de unidades reciprocamente relacionadas”, segundo Bertalanffy (apud Chiavenato, 1981, p.281), o que pode perfeitamente ser identificado em uma organização.
Segundo Chiavenato (1981), os sistemas podem ser classificados, quanto à sua constituição em físicos ou concretos e em abstratos e, quanto à sua natureza, em fechados e abertos. Sistemas fechados são aqueles que não apresentam intercâmbio com o ambiente que os circunda, enquanto sistemas abertos são os que apresentam relações de intercâmbio com o ambiente por meio de entradas e saídas.
Os sistemas abertos apresentam características comuns, segundo Katz e Kahn (1987): importação de energia; transformação de energia; exportação de energia; caráter cíclico do padrão de atividades de troca de energia; entropia negativa; input de informação, feedback negativo e processo de codificação; estado firme e homeostase dinâmica; diferenciação e eqüifinalidade.
As três primeiras características dizem respeito à importação de energia, à transformação de energia e à exportação dessa energia ao ambiente. Importação de energia significa que a organização vista como sistema aberto recebe insumos do ambiente e necessita de suprimentos renovados de energia de outras instituições, ou de pessoas, ou do meio ambiente material, e que nenhuma estrutura social é auto -suficiente ou autocontida. A transformação diz respeito à capacidade organizacional de criar novo produto ou processos materiais a fim de proporcionar um serviço ou prazer. A característica de exportação de energia significa que os sistemas abertos e as organizações como tais exportam certos produtos para o meio ambiente.
O caráter cíclico do padrão de atividades de troca de energia significa que os sistemas são ciclos de eventos e que o produto exportado para o ambiente supre as fontes de energia para a repetição das atividades do ciclo. Assim, a organização é encontrada em uma série inter-relacionada de eventos que voltam sobre si mesmos para completar e renovar o ciclo de atividades (Allport, apud Katz e Kahn, 1987).
A entropia negativa é a capacidade de movimento para deter o processo entrópico, que é o movimento para desorganização e morte. Para sobreviver, as organizações precisam importar mais energia do ambiente do que expedem, ou seja, precisam adquirir entropia negativa. O input de informação proporciona sinais à estrutura sobre o ambiente e sobre seu próprio funcionamento. O feedback negativo ou realimentação permite ao sistema corrigir seus desvios da linha certa. O processo de codificação é o mecanismo seletivo de um sistema, por cujo intermédio os materiais são rejeitados ou aceitos e traduzidos para a estrutura.
Estado firme é a constância no intercâmbio de energia importada e exportada ao ambiente. O quociente de intercâmbios de energia e as relações entre as partes, no entanto, permanece
o mesmo. É o equilíbrio quase estacionário, segundo Kurt Lewin (apud Katz e Kahn, 1987). Homeostase é o contrário da entropia; é a característica dos sistemas de se movimentarem em direção ao crescimento e à expansão.
Diferenciação é entendida como os padrões difusos e globais que vão sendo substituídos por funções mais especializadas, hierarquizadas e altamente diferenciadas.
A eqüifinalidade é a capacidade de um sistema de alcançar o mesmo estado final por uma variedade de caminhos, partindo de diferentes condições finais (Bertalanffy, apud Katz e Kahn, 1987).
A teoria do sistema aberto é usada para explicar e descrever o comportamento de organismos vivos e combinações de organismos. Porém, a teoria pode ser aplicada a qualquer processo dinâmico recorrente a qualquer seqüência padronizada de eventos. A seqüência recorrente de eventos diferenciados e que depende da corrente maior de vida na qual ocorre é o que pode ser chamado de sistema aberto (Katz e Khan, 1987).
“No pensamento da administração clássica, as organizações eram vistas como sistemas relativamente fechados” (Bowditch e Buono, 1997, p.142). Defendia-se que a eficácia e o sucesso da organização dependiam da eficiência das operações internas e assim, as organizações e políticas administrativas eram desenvolvidas para realizar um grupo de tarefas e metas organizacionais estáveis.
Dessa forma, pouca atenção era dada à adaptação das organizações às mudanças ambientais. As teorizações tendem a pensar a organização como um sistema fechado, em que a empresa é independente e sem referência ao ambiente externo, focada apenas na estrutura interna, segundo Emery e Trist (apud Katz e Kahn, 1987).
A abordagem de sistema aberto no estudo das organizações é uma adaptação do trabalho em biologia e em ciências físicas de Bertalanffy e encara a organização como uma classe especial de sistemas abertos com propriedades peculiares, mas que compartilham propriedades comuns com todos os sistemas abertos: importação de energia do ambiente, transformação de energia em produto ou serviço, exportação do produto ou serviço para o ambiente e renovação de energia para o sistema de fontes do ambiente. Assim, as organizações, da mesma forma que os demais sistemas abertos, possuem entropia negativa ou homeostase, feedback, diferenciação e eqüifinalidade.
Para Katz e Kahn (1987), seria errôneo não reconhecer que a organização depende continuamente de inputs do ambiente e que o fluxo de materiais e de energia humana não é uma constante, ou seja, que não há “estado firme” nas organizações. Seria incorreto não admitir a existência de inter-relações dinâmicas de qualquer estrutura social com seu ambiente natural e social e nem reconhecer que esforços para manter o ambiente externo constante levam a mudanças na organização, uma vez que a reação aos inputs modificados para abafar suas implicações acabam levando a mudanças.
Da mesma forma, basear-se, apenas no funcionamento interno pra criar modelos de teorização organizacional seria um equívoco, uma vez que o ambiente afeta a manutenção de inputs de motivação e de moral, e que há movimentações para garantir estabilidade e não a flexibilidade.
A concepção da organização como um sistema aberto vê a empresa como um sistema de energia input-output, no qual o retorno da energia do output reativa o sistema, existindo, portanto, fontes intrínsecas e extrínsecas de renovação de energia. A essência do modelo consiste na idéia de que a organização recebe, do ambiente, matérias-primas e trabalho humano, transforma esses inputs, por meio de suas atividades padronizadas de produção e devolve, ao ambiente, o produto acabado.
Organizações estão em constante interação com os ambientes, importando deles matérias- primas, pessoas, energia e informação e transformando-os em produtos ou serviços que são devolvidos para os ambientes (Schein, 1982).
Abordada como um sistema aberto, a organização é um conjunto de partes interdependentes, que juntas formam um todo, já que cada uma das partes contribui com alguma coisa e recebe alguma coisa do todo. Este conjunto de partes, por sua vez, tem relações de interdependência com algum ambiente maior (Thompson, apud Alves, 2000).Do ponto de vista societário, a empresa é um subsistema de um ou mais sistemas maiores e sua vinculação ou integração com eles afeta suas operações e o nível de atividade (Katz e Kahn, 1987).
No conceito de Katz e Kahn (1987), organizações são sistemas abertos e representam uma coalizão de grupos de interesses mutantes internos ou externos, cada um buscando atingir suas metas. Além da influência dos grupos, as organizações são dependentes, também, de recursos do ambiente externo. A empresa depende do ambiente externo tanto para obtenção de recursos materiais e humanos necessários ao seu func ionamento, quanto para comercialização de seus produtos ou serviços (Crozier e Friedberg, apud Varaschin, 1998).
As empresas são formadas por sistema de múltiplas funções e objetivos que envolvem múltiplas interações entre ela e os ambientes e, ao mesmo tempo, são compostas por vários subsistemas em interação dinâmica: humano, tecnológico, estrutural e administrativo (Bowditch e Buono, 1997). A existência de subsistemas, com variados graus de interdependência, faz com que as mudanças num subsistema tendam a afetar o comportamento de outro. Além disso, as organizações situam-se entre diversos meios ambientes dinâmicos, constituídos de vários outros sistemas maiores ou menores que a organização, e os elos existentes entre ela e seus ambientes dificultam a especificação objetiva dos seus limites.
Na abordagem sistêmica, as organizações são vistas como dependentes dos ambientes para suprir suas necessidades básicas e para garantir recursos para sua sobrevivência e desenvolvimento por meio de mudanças organizacionais. Para a teoria organizacional contemporânea, as organizações são vistas como “sistemas abertos que precisam se adaptar a condições externas mutantes, para desempenharem, terem sucesso e até sobreviverem ao longo do tempo de forma eficaz” (Bowditch e Buono, 1997, p.142). Para Schein (1982), a organização é, mais bem definida como um conjunto de processos estáveis de importação, conversão e exportação, do que em termos de estruturas, tais como tamanho, forma, função ou desenho.
O estudo de caso em questão adotou a abordagem da organização como um sistema aberto que defende que as empresas fazem parte de um universo ou ambiente maior e que qualquer
alteração no ambiente maior poderá ser capaz de afetar a organização da mesma forma que qualquer alteração na organização poderá afetar a ambiente maior.