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PART 6 - RESULTING CONTRACT CLAUSES

6.6 P AYMENT

O discurso competente, ou discurso instituído, “é aquele no qual a linguagem sofre uma restrição que poderia ser assim resumida: não é qualquer um que pode dizer a qualquer outro qualquer coisa em qualquer lugar e em qualquer circunstância” (CHAUÍ, 1989, p.07). Nesse sentido, os intelectuais que publicavam seus escritos no jornal, conhecidos no cenário das letras, contribuíam à aceitação do jornal enquanto enunciador de conhecimento. A presença de poesias, prosas, trechos de livros e publicações de cunho acadêmico de tais intelectuais no hebdomadário dava à impressão de que o jornal era, de fato, detentor de uma linguagem autorizada, especialmente porque no discurso competente

...os interlocutores já foram previamente reconhecidos como tendo o direito de falar e ouvir, no qual os lugares e as circunstâncias já foram predeterminados para que seja permitido falar e ouvir, enfim, no qual o conteúdo e a forma já foram autorizados segundos os cânones da esfera de sua própria competência (CHAUÍ, 1989, p.07).

A enunciação do discurso competente por parte desses escritores e estudiosos vem acompanhada de uma norma restritiva já mencionada: visto que “não é qualquer um que pode dizer a qualquer outro qualquer coisa em qualquer lugar e em qualquer circunstância” (CHAUÍ, 1989, p.10),

“O Tibagi” não é um jornal onde treinam principiantes ou se improvisam em jornalistas os amadores que apreciam ver seus nomes em letra de fôrma. Isso nos tem custado grandes lutas, pois jornal do Interior é tido como casa da sogra, em que tôda gente se acha com o direito de dar palpite. Seguir uma diretriz, com consciência, com princípios, não é tão fácil quanto parece...183

Em relação a esta categoria, foram identificadas no corpus documental vinte passagens que tratam dos intelectuais que escreviam para o jornal, publicadas nos anos de 1949, 1953, 1954, 1956, 1957, 1958, 1962 e 1964, e que corroboram para a construção do local de enunciação a partir do discurso competente.

A primeira alusão à existência de um corpo de intelectuais formadores deste discurso competente trata de escritores locais, como Dr. Karl Zappert – que escreveu por anos ao jornal

182 Nesta categoria foram classificados os trechos das notícias de autorreferencialidade que tratam do discurso competente do jornal, utilizando referência aos intelectuais que em O Tibagi publicavam.

183 FERNANDES, Hellê Vellozo. Homenagem. O Tibagi. Monte Alegre – Paraná, p.02 – segundo caderno, 15 de dezembro de 1962.

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a “História de Monte Alegre” – e Dr. Lauro Nery do Canto, com sua pena brilhante184. Já na edição comemorativa de 1953 é feita a referência à participação de “um grande número de personalidades literárias de primeira linha, não só do Paraná, como de vários outros Estados”185, destacando nomes como o de David Carneiro, Sá Barreto, Vasco Taborda e Rodrigo Júnior.

Na edição especial de aniversário do ano de 1954 é feita apenas uma breve menção à riqueza da literatura publicada no jornal. Em 1956, o jornal O Tibagi presta homenagem aos diversos membros do Centro de Letras do Paraná, à Casa de Euclides Bandeira e Emiliano Perneta publicando trabalho em prosa e verso186. E em 1957 destaca “dois nomes tão representativos na Poesia do Paraná”187: Helena Kolody e Rodrigo Junior, frisando a “valiosa colaboração”188 dos mesmos desde o primeiro número publicado do jornal.

No ano de 1958 é publicada uma nota de agradecimento às pessoas e instituições que há dez anos vinham colaborando com o jornal:

Desejaríamos apresentar artigos e trabalhos de todos os escritores da Academia Paranaense de Letras, da Academia de Letras José de Alencar, do Centro de Letras do Paraná, da Academia Lit. Feminina do Rio Grande do Sul, da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras, da Ala Feminina da Casa Juvenal Galeno, do Centro Euclides da Cunha e outras entidades literárias que nos prestigiaram com sua colaboração189.

A presença das publicações desses poetas e prosadores tem relação, para além da legitimação do lugar de enunciador do jornal amparado pelo discurso competente desses intelectuais, com a construção da orientação/função do periódico – categoria já problematizada no item 4.5.2 – e, por conseguinte, à autoimagem do jornal. Segundo O Tibagi,

Esforçamos para divulgar entre nossos leitores algo do que possuímos mais expressivo em nossas Letras, seja através da poesia, da prosa romântica, seja através dos estudos mais sérios de Crítica, Sociologia, História ou Educação. Em todo caso, divulgamos expressões altas de nossa cultura. “O Tibagi” não é um jornal onde treinam principiantes ou se improvisam em jornalistas os amadores que apreciam ver seus nomes em letra de fôrma190.

Nesse intuito, uma vez que nas edições especiais de aniversário existia um espaço todo especial para a publicação de prosas e poesias, em 1964 publicam uma notícia a respeito

184 MARENDA, J. Um ano vencido. O Tibagi. Monte Alegre – Paraná, p.01, 23 de novembro de 1949.

185Agradecimento. O Tibagi – Monte Alegre – Paraná, p.01 – terceiro caderno, 23 de novembro de 1953. A participação de poetas e prosadores do Paraná e do Brasil é reiterada nas edições comemorativas do ano de 1958, 1962 e 1964.

186O Tibagi. Monte Alegre – Paraná, p,05, 23 de novembro de 1956.

187 Notas Breves. O Tibagi – Monte Alegre – Paraná, p.01 – terceiro caderno, 23 de dezembro de 1957. 188 Notas Breves. O Tibagi – Monte Alegre – Paraná, p.01 – terceiro caderno, 23 de dezembro de 1957. 189 Colaboradores de “O Tibagi”. O Tibagi. Monte Alegre – Paraná, p.14, 30 de novembro de 1958.

190 FERNANDES, Hellê Vellozo. Homenagem. O Tibagi – Monte Alegre – Paraná, p.02 – segundo caderno, 15 de dezembro de 1962.

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dos autores do Paraná, destacando nomes como os de David Carneiro, Loureto Fernandes, Bento Munhoz da Rocha Neto, Erasmo Piloto, Valfrido Piloto, Napoleão Teixeira, Heitor Stockler, Wilson Martins, Humberto Grande e Dalton Trevisan191.Ao tratar dos poetas paranaenses que “permitiram-nos enriquecer as páginas de “O Tibagi”192, com suas melhores produções, ofertando ao leitor o que possuímos de mais autêntica poesia”, destacam o nome Helena Kolody, Serafim França e Vasco José Taborda.

Acredita-se que esta estratégia do jornal na divulgação dos nomes das letras que contribuíam com O Tibagi foi utilizada para construir para si um lugar de enunciador competente. Apresentar textos de pessoas de renome no cenário das letras denota ao público leitor a sensação de que o jornal é o veículo de disseminação do conhecimento sério e responsável, pois do contrário tais escritores jamais permitiriam a publicação de seus textos.

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