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4.3 Mesures Raman

4.3.1 Attribution des modes haute énergie

Dentre as “obras” localizadas de autores nacionais, destaca-se a presença de duas, do mesmo autor, Antinoüs e Novos caminhos e novos fins, de Fernando de Azevedo. Esse autor foi o mais citado em alguns artigos que discutiam a Educação Física escolar, entretanto as referências a ele são tanto relativas ao seu trabalho, em suas passagens pela Instrução Pública no Rio de Janeiro e em São Paulo, e sua atuação em “prol” da divulgação da Educação Física nesses Estados, quanto à utilização de algumas de suas idéias pelos autores dos artigos para discutirem a Educação Física escolar.

Em março de 1933 (Revista n. 6), o então capitão Laurentino Lopes Bonorino publica um artigo intitulado Fernando de Azevedo e a Educação Física. O texto era uma homenagem da Revista àquele que, para o Exército “[...] sintetiza os Ideais de Escola Nova no ambiente da Pátria” (BONORINO, 1933, [s.p.]) e era conhecedor do “problema da Educação Física” e que sempre atuou em prol de seu desenvolvimento.

De acordo com Bonorino, durante 20 anos, Fernando de Azevedo enfatizou a importância da Educação Física (ginástica) na escola: “É necessário contemplar a ginástica científica num programa escolar, e de se quebrarem as cadeias do empirismo” (AZEVEDO, apud BONORINO, 1933 [s. p.]).

Ainda sobre o problema da Educação Física:

A árvore desta disciplina, mergulhando suas raízes no solo feraz da fisio- anatomia e haurindo a seiva do domínio inteiro da pedagogia moderna, deve elevar seus ramos vivificadores para todos os programas educativos e abranger sob copa exuberante a vida escolar a e doméstica (AZEVEDO, apud BONORINO, 1933, [s.p.]).

Para Bonorino (1933), Azevedo, no meio civil, vinha realizando importantes empreendimentos em prol da educação. Em sua passagem pela Instrução Pública do Distrito Federal (Rio de Janeiro), além do Instituto de Educação, realizou a reforma educacional, cujo plano geral se achava, segundo Bonorino, exposto em

Novos caminhos e novos fins.

Em 1929, na reunião do Ministério da Guerra, na qual foi tratada a difusão da Educação Física e sua obrigatoriedade, Fernando de Azevedo “[...] teve papel destacado em defesa de suas idéias, já consubstanciadas em vários trabalhos

publicados” (BONORINO, 1933, [s.p.]), mandando matricular no Centro Provisório de Educação Física a primeira turma de professores públicos do Rio de Janeiro, então Distrito Federal (BONORINO, 1933).

Mais uma vez, segundo Bonorino, Fernando de Azevedo atuaria em prol do desenvolvimento da Educação Física, mandando, novamente, para o Centro Militar de Educação Física uma turma de professores públicos, desta vez, do Estado de São Paulo – onde Azevedo era diretor de Educação – para realizarem o curso na área.

É possível observar que Bonorino se refere a Novos caminhos e novos fins, como a publicação de Azevedo em que se encontrava exposto o plano geral da reforma educacional realizada no Distrito Federal. Não é feita nenhuma citação ou comentário mais detalhado dessa obra pelo autor do artigo.

A outra obra citada, de autoria de Fernando de Azevedo, Antinoüos, foi localizada em um artigo que não é assinado e que foi publicado em setembro de 1938 (Revista n. 42), com o título 1ª palestra realizada durante o Curso de

Inspetores de Ensino sobre a Educação Física. O artigo é sobre uma palestra feita

durante o referido curso que teve como tema “A educação física como parte do problema geral – Educação”.

A concepção educacional presente no artigo era de “educação integral”, ou seja, física, intelectual e moral, uma vez que o objetivo da “[...] educação física moderna não [era] formar atletas, mas assegurar o desenvolvimento harmônico da personalidade, seus atributos físicos e psíquicos em todo conjunto” (REVISTA DE EDUCAÇÃO FÍSICA, 1938, p. 55).

A Educação Física faria, então, parte da “educação integral do indivíduo”. Só a educação do físico, o desenvolvimento dos músculos, isoladamente, não deveria ser o objetivo desse ramo da educação. Para enfatizar essa idéia, é citado um trecho de Antinoüs, de Fernando de Azevedo37

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Linhales, ao analisar Antinoüs, ressalta que Fernando de Azevedo altera astuciosamente sua visão sobre a prática de esportes. Para Linhales, o autor, em 1915, ao publicar A Poesia do Corpo ou

Gymnastica Escolar, sua história e seu valor, tratava do esporte com “desconfiança”. Nesse opúsculo,

apresenta a “cultura atlética” como sinônimo de “educação física” e de “cultura esportiva”. “Nesse amálgama que constrói, estabelece relações entre a clássica cultura grega – enfatizando a harmonia entre forma, vigor, paz e força, cultura intelectual e cultura física – e o Império britânico – cujas conquistas evidenciavam o espírito e iniciativa e a compreensão de que ‘a emulação é o nervo da sociedade humana’” (LINHALES, 2006, p. 54-55).

O atleta embrutecido e embotado pelo excesso de exercício [...] não era objetivo capaz de seduzir a delicadeza do espírito grego, empenhado ao contrário, em obter o mais perfeito equilíbrio morfológico e funcional pelo exercício. Os gregos sabiam que cada organismo é suscetível de um desenvolvimento muscular, cujo máximo cada indivíduo não se pode ultrapassar senão por processos artificiais, sempre em risco eminente de cair na monstruosidade ou na patologia (AZEVEDO, apud REVISTA DE EDUCAÇÃO FÍSICA, 1938, p. 56).

De acordo com o artigo, a idéia da formação de “atletas embrutecidos” não era o objetivo a ser conseguido por meio da Educação Física. Em outro trecho desse artigo, essa proposição também é enfatizada:

É verdade que existem indivíduos que têm como única finalidade, desenvolver os músculos de tal forma que descuidam-se completamente de instruir-se, estes, entretanto, merecem o desprezo geral, igualando-se àqueles que procuram instruir-se com o fito de empregar sua ciência na prática do mal e da destruição (REVISTA DE EDUCAÇÃO FÍSICA, 1938, p. 56).

Aqui, ao contrário do que ocorreu com Novos caminhos e novos fins – em que o autor do artigo apenas mencionou esse livro – foi citado um trecho da obra

Antinoüs, que serviu como referência à idéia de que a Educação Física contribuiria

para a formação integral do indivíduo. É importante ressaltar que esse artigo era uma reprodução da primeira palestra realizada durante o curso de inspetores de ensino sobre Educação Física, do Departamento Nacional de Educação, portanto a utilização de uma idéia dessa obra não foi propriamente uma citação feita por um articulista da Revista, mas a reprodução de uma idéia que norteou as discussões sobre a função da Educação Física nas escolas, durante a palestra realizada pelo Departamento Nacional de Educação.

Em um outro artigo, algumas idéias de Fernando de Azevedo também são citadas, desta vez, por Lourenço Filho, em uma palestra na Escola de Educação Física do Exército, que foi publicada em forma de artigo na Revista, em abril de 1933 (n.7), com o título Educação e cultura física.

Lourenço Filho (1933) faz longa exposição sobre o “problema da educação física”. Para ele, a prática esportiva vinha se desenvolvendo na sociedade brasileira, entretanto a ginástica ainda encontrava resistência à sua prática, tanto nas escolas, como na sociedade em geral.

Mas, para Lourenço Filho, este problema – da Educação Física – era mais complexo, extrapolava os limites da discussão em torno da prática da ginástica e dos

esportes. De acordo com o autor, ele envolvia a “[...] cultura integral da personalidade [e decorria da] própria filosofia do povo [ou] [...] de sua compreensão da vida, do valor e do destino do homem” (LOURENÇO FILHO, 1933, [s.p.]).

Para o autor:

[...] a cultura física nem se afasta dos problemas gerais da educação, nem apresenta, por si mesma, finalidade absoluta ou independente. Nenhum educador, qualquer que seja o ramo em que exercite o seu mister poderá ignorar os fundamentos em que ela agora assenta e se expande, consagrando os ideais de saúde, de equilíbrio e de harmonia, em que a concepção do respeito ao corpo se apresenta imanada ao cultivo da personalidade (LOURENÇO FILHO, 1933, [s.p.]).

Para ressaltar essa idéia de equilíbrio e de harmonia, relacionada com a concepção de desenvolvimento físico, mental e moral ou integral, Lourenço Filho cita Fernando de Azevedo: “A saúde, as qualidades morais e a coragem eram três coisas que, na velha concepção grega andavam juntas” (AZEVEDO, apud LOURENÇO FILHO, 1933, [s.p.]).

Ainda para salientar a idéia de “educação integral”, Lourenço Filho cita, mais uma vez, Azevedo. Desta vez, de forma indireta “A idéia capital não é formar atletas ou produzir monstros [...] pois o desenvolvimento mental, sem equilíbrio físico produz neurastênicos, o desenvolvimento físico, como preocupação excessiva e absorvente, não formaria homens equilibrados” (LOURENÇO FILHO, 1933, [s.p.]).

Nas palavras de Lourenço Filho, Fernando de Azevedo também é citado para salientar a importância da cultura física para o desenvolvimento harmônico do indivíduo, no sentido de que a educação do corpo, da mente e a moral caminham juntas, e que se uma se desenvolver mais do que a outra “criam” “neurastênicos” ou “atletas monstros”.

Além dos artigos que citaram “obras” ou idéias de Fernando de Azevedo, em outros textos, localizamos referência ao nome do autor, sem que nenhuma publicação ou idéia de Azevedo fosse citada. Nesses artigos, as menções são sobre suas ações relativas à Educação Física, quando esteve à frente de órgãos públicos no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Um exemplo desse tipo de uso é o artigo A Associação de Professores de

Educação Física de São Paulo e suas atividades, publicado na Revista (n.31), em

maio de 1936. O texto não é assinado e Fernando de Azevedo é citado como “emérito educador” que contribuiu sobremaneira para o desenvolvimento da

Educação Física no Estado de São Paulo, quando era o então diretor de Educação do Estado. Aqui também é citado o episódio de “envio” de professores públicos desse Estado para o curso no Centro Militar de Educação Física (Escola de Educação Física do Exército).