1 Introduction
1.4 Surface sensitive techniques
1.4.1 Atomic force microscopy
Na legislação brasileira, encontra-se a seguinte definição de corredores ecológicos: São porções de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando unidades de
conservação, que possibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento da biota, facilitando a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradadas, bem como a manutenção de populações que demandam para sua sobrevivência áreas com extensão maior do que aquela das unidades individuais (Lei Federal n.º 9985/2000, art. 2, inc. XIX).
De acordo com Schäffer (2002), os corredores são áreas que unem os
remanescentes florestais possibilitando o livre trânsito de animais e a dispersão de sementes das espécies vegetais. Isso permite o fluxo gênico entre as espécies da fauna e da flora e a conservação da biodiversidade. Também garante a conservação dos recursos hídricos e do solo, alem de contribuir para o equilíbrio do clima e da paisagem. Os corredores podem unir Unidades de Conservação, Reservas Particulares, Reservas Legais, Áreas de Preservação Permanente ou quaisquer outras áreas naturais.
Segundo Queiroz et al.(2000), a expansão desordenada das cidades, continua causando a fragmentação dos ambientes naturais e uma conseqüente gradual e inexorável redução destes habitats naturais. Estes ecossistemas, anteriormente
contínuos, são fragmentados formando manchas isoladas (ilhas de habitat), circundadas por áreas transformadas antropicamente. Este processo global de fragmentação de ecossistemas é possivelmente a mais profunda alteração causada pelo homem ao meio ambiente e tem sido considerado uma das maiores ameaças à biodiversidade.
A fragmentação dos ecossistemas conduz à perda de espécies nas comunidades biológicas, especialmente nos chamados “países megadiversos” dos trópicos, onde as extinções previstas para as próximas décadas são alarmantes (Wilson, 1988). Com o processo de fragmentação podem ocorrer mudanças microclimáticas, especialmente nas bordas dos fragmentos, assim como alteração no padrão macroclimático local, afetando a fauna e a flora (Bierregaarg Jr. et al. 1992). Os efeitos físicos e biológicos da fragmentação de ecossistemas são pouco conhecidos, mas algumas mudanças qualitativas são fáceis de prever como, por exemplo, a redução do tamanho das populações das espécies com conseqüências genéticas destrutivas. Enquanto estas populações diminuem, aumentam as
probabilidades de cruzamento entre indivíduos consangüíneos, chamado de endogamia (cruzamento entre indivíduos da mesma família). Os indivíduos da fauna, residentes em “habitats isolados” pela ação antrópica, são obrigados a
praticar a endogamia, porque não alcançam outros indivíduos, também isolados em outras “ilhas”, fato que provoca o enfraquecimento de sua espécie, imposto pela pouca variabilidade genética que estes cruzamentos propiciam. A variabilidade genética é que determina o sucesso das populações e da preservação das espécies nos diversos ambientes. Da mesma forma, a flora fica restrita a polinizações também endogâmicas, uma vez que os vetores (seus agentes polinizadores) estão ilhados. A dispersão das sementes segue a mesma trajetória, limita-se até onde seus
dispersores puderem carregá-las (Reis, 2003 A).
Além disso, os limites e a cobertura de inúmeras áreas protegidas muitas vezes não correspondem aos formatos e dimensões necessários à manutenção e manejo dos ecossistemas. Algumas áreas são pequenas demais para que detenham todos os requisitos como hábitats para espécies, comunidades silvestres e populações, ou, ainda, para englobar todos os processos de automanutenção do ecossistema
(Ecological Society of America, 1995; Paquet & Hackmen, 1995; Mc Neely et al., 1994; Newmark, 1987).
figura 18 - traçado dos corredores ecológicos para o Brasil
fonte: Programa Corredores Ecológicos - IBGE
Os corredores ecológicos oferecem, portanto, recursos para que os “vetores” (insetos, morcegos, etc.) que atuam na polinização possam efetuar cruzamentos entre indivíduos de famílias diferentes, para garantir uma maior diversidade genética. Assim como acontece com a flora, as espécies da fauna também conseguem
encontrar indivíduos provenientes de populações diferentes.
A floresta tropical brasileira vem sofrendo uma intensa devastação nos últimos quinhentos anos, provocando a extinção ou impactos da dinâmica populacional das
espécies da flora e da fauna, comprometendo o fluxo gênico entre as mesmas. Se as espécies são extintas ou perdem seu fluxo gênico, toda a comunidade tende e apresentar uma nova dinâmica, principalmente perdendo sua resiliência
(Capacidade de um sistema suportar perturbações ambientais, mantendo sua estrutura e padrão geral de comportamento, enquanto sua condição de equilíbrio é modificada.) e níveis de conectância, de forma que toda a comunidade se degrada através das perdas das probabilidades de encontros interespecíficos, evoluídos em milhares de anos (Reis, 2003 A).
Os corredores ecológicos aparecem então como uma forma de gestão dinâmica, um instrumento de reconexão entre os habitats isolados pela ação do homem. Segundo Saunders & Hobbs (1991), os corredores ecológicos ou corredores de fauna têm sido cada vez mais defendidos como uma solução estratégica para a conservação da biodiversidade.
Segundo Dias (2000), nesse impulso de novas ações, o projeto “Corredores Ecológicos das Florestas Neotropicais” vem sendo desenhado por pesquisadores brasileiros por solicitação do Ministério do Meio Ambiente, conduzido pelo IBAMA, através do Programa Piloto de Proteção das Florestas Tropicais do Brasil – PPG7 (IBAMA, 1998). O citado projeto tem como objetivo mudar o paradigma das “ilhas ecológicas” para “corredores evolutivos” que abrangem grandes áreas de regiões biologicamente prioritárias na Amazônia e na Mata Atlântica. Ao mesmo tempo, ele busca fortalecer o sistema de áreas protegidas do país através de modelos
inovadores de manejo e gestão, ilustrados na figura 18.
De acordo com esse enfoque, a proposta de Corredores Ecológicos das Florestas Neotropicais para o Brasil pretende alcançar os seguintes objetivos (IBAMA, 1998): ! Redução do desmatamento;
! Otimização dos benefícios das florestas tropicais; ! Proteção dos recursos genéticos;
! Demonstração de que é possível harmonizar os objetivos econômicos e os objetivos ambientais;