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Adsorption of Dendronized Polymers on Planar Water-Silica Interface Investigated by

Os primeiros registros do povoamento europeu na Ilha de Santa Catarina datam do início do século XVI e coincidem com a abordagem intensiva de exploradores de madeira, aventureiros e estrangeiros de diversas procedências e origens.

O efetivo povoamento da região foi enriquecido com a campanha migratória que transferiu em torno de 6.000 colonizadores açorianos para o sul do país e meia centena de madeirenses, principalmente no período de 1748 e 1756. Estes colonos criaram e desenvolveram comunidades, fundando diversas freguesias e, em 1730, a vila foi chamada de Freguesia do Desterro. A economia de Desterro era fraca e voltada para a subsistência, com períodos de modesto aquecimento, em função das atividades portuárias e do comércio de cabotagem (Guia Digital Florianópolis, 2001). No século XIX, Desterro foi elevada à categoria de cidade. Tornou-se Capital da Província de Santa Catarina, em 1823, teve seu nome mudado para Florianópolis e inaugurou um período de prosperidade com o investimento de recursos federais. Ao entrar no século XX, a cidade de Florianópolis passou por profundas

transformações, sendo que a construção civil foi um dos seus principais suportes econômicos. À implantação das redes básicas de energia elétrica e do sistema de fornecimento de água e captação de esgotos somaram-se a construção da Ponte

Governador Hercílio Luz como marcos do processo de desenvolvimento urbano da cidade do século XX, e Florianópolis se afirmou como capital do Estado.

Florianópolis tem sua economia alicerçada nas atividades do comércio, prestação de serviços, indústria de transformação e turismo. Recentemente a indústria do

vestuário e a informática vêm se tornando também setores de grande desenvolvimento.

Dentre os atrativos turísticos da capital salientam-se, hoje, além das magníficas praias e rústicas trilhas pelo interior da ilha, as pitorescas localidades onde se instalaram as primeiras comunidades de imigrantes açorianos, tais como o Ribeirão da Ilha, a Lagoa da Conceição, Santo Antônio de Lisboa, além do próprio centro histórico da cidade de Florianópolis, o excepcional conjunto de fortalezas

oitocentistas, quase todo já restaurado, e sítios arqueológicos pré-históricos, que remontam a quatro mil anos.

Estes conjuntos arquitetônicos tradicionais, com seu casario geminado, suas igrejas oitocentistas, seus impérios e cruzeiros, compõem um ambiente onde práticas artesanais tradicionais, tais como a pesca, a produção de trançados com as redes, tramóias e a renda de bilros, de farinha de mandioca e aguardente de cana, de cestaria, por exemplo, são ainda encontradas, destacando as características típicas do ilhéu e sua herança histórica de raízes açorianas. Verifica-se também a

permanência das manifestações folclóricas de influência lusitana e açoriana, indicando uma estrutura sócio cultural transplantada dos Açores e da Madeira. Presenciam-se, ainda hoje, as festas populares, tais como a Festa do Espírito Santo, o Boi-de-mamão e o Terno de Reis.

Florianópolis é hoje uma cidade litorânea que vem sendo afastada do contato com o mar, através de aterros e paredões. As áreas verdes do centro da cidade têm sido substituídas por novas construções a cada dia que passa. Hoje, segundo a

assessoria de Meio Ambiente e Secretaria Municipal de Educação, há cerca de 3m² de área verde por habitante.

Segundo Cunha (2002), existem poucos estudos relativos às áreas verdes urbanas de Florianópolis. Mas, perecebe-se que as massas verdes significativas estão concentradas em pequenas áreas esparsas, mal divididas no todo.

Como acontece freqüentemente nas cidades em expansão, Florianópolis vem

sofrendo as conseqüências da rápida ocupação pelo homem de suas praias, lagoas, e sistemas naturais. Os serviços de infra-estrutura básica não acompanham o

crescimento da demanda. As facilidades diminuem, as distâncias aumentam, a qualidade de vida do morador fica comprometida e, nas altas temporadas, a cidade fica lotada. As matas, os manguezais e, sobretudo as restingas passam a ser sacrificados em função da necessidade da população moradora e visitante.

Na nossa visão este crescimento é inevitável e pode ser saudável, se manejarmos corretamente o meio ambiente. A vegetação aparece aqui como elemento de recuperação destes ambientes, através da criação do circuito da RVU.

A.3. características físicas

“Destes bosques, onde o sol jamais penetra, elevam-se vapores densos que formam brumas eternas no alto das montanhas que cercam a ilha. Este ar insalubre é corrigido levemente pela quantidade de plantas aromáticas, cujo perfume suave se faz sentir a três ou quatro léguas no mar, levado pelo vento da terra. Entretanto, fica-se recompensado deste abandono da natureza pela singularidade dos animais e das plantas produzidas por este clima. A ilha é amaldiçoada pelo homem rico que quer gozar, mas é muito cara aos

naturalistas”.

Antoine Joseph Pernetty , 1763.

Estas foram as impressões do naturalista Antoine quando chegou a Ilha de Santa Catarina, em 1763. Dois séculos e meio depois, a Ilha se transformou num lugar provavelmente irreconhecível para aqueles navegantes. As grandes planícies deram lugar às construções, os rincões impenetráveis se tornaram acessíveis, e a bruma desapareceu. (Naka et al., 2000).

A seguir, mostramos desenhos representativos da Ilha de Santa Catarina no passado e, logo após, caracterizamos a Ilha de Santa Catarina da atualidade.

Clima

O clima da Ilha de Santa Catarina é do tipo subtropical úmido, com temperatura média anual de 20oC, temperatura média do mês mais quente (janeiro) de 24oC, temperatura média do mês mais frio (julho) de 15oC e temperatura mínima absoluta de -0,9oC. A precipitação total anual é de 1.400 mm, sem déficit hídrico (há

excedente anual de 400-600 mm). A umidade relativa anual é de 80-85% e a altitude de 46 m (CECCA, 1997).

Localizada na costa subtropical do Brasil, abaixo do Trópico de Capricórnio, a Ilha de Santa Catarina possui características climáticas inerentes à sua posição geográfica e à influência amenizadora da maritimidade (Caruso, 1983). A região possui

estações do ano bem definidas, com verões quentes e invernos amenos

(Freysleben, 1979; Porto Filho, 1993). Na Ilha não existe estação seca ou chuvosa, e as precipitações pluviais estão bem distribuídas ao longo do ano. Os maiores índices pluviométricos são registrados nos meses de verão: com uma média de 170,45 mm, e os menores, nos meses de inverno, com uma média de 89,64 mm. Para os meses de primavera e outono, as médias foram de 131,12 e 118,86 mm, respectivamente. A média anual foi de 1527,76 mm.

A insolação total é elevada e os índices de umidade relativa do ar são altos, estando em torno de 80% (Caruso, 1983). Os ventos predominantes da região da Ilha são os do quadrante norte (N), seguidos pelo sudoeste(SE), sul(S), nordeste (NE), noroeste (NW) e sudoeste (SW) e, tanto anual quanto sazonalmente, predominam os ventos de N-NE, seguidos dos S-SE. Os ventos de maior intensidade ocorrem nos meses de verão, e os de menor intensidade acontecem no inverno, com valores que variam entre 0,7m/s e 6,5 m/s (Freysleben, 1979; Porto Filho, 1993).

Clima urbano

A Ilha de Santa Catarina abriga, na sua porção central, parte do aglomerado populacional de Florianópolis. Apesar de ser uma cidade de porte médio, já apresenta problemas característicos da urbanização, como, por exemplo, o clima urbano (CECCA, 1997). O clima urbano destaca-se pelas diferenças que apresenta em relação ao clima das áreas rurais vizinhas. As áreas construídas da cidade, com

perda de energia), pois estes materiais são eficientes absorvedores de calor. Para se ter uma idéia, o asfalto e o concreto absorvem mais de 75% da radiação solar incidente, elevando a temperatura no interior da cidade em até sete graus (registro em Florianópolis, no cruzamento das Ruas Nereu Ramos e D. Jaime Câmara). Os amplos jardins arborizados da Praça XV foram apontados por Sezerino e Monteiro (1987), como possível atenuador do armazenamento de calor pelos edifícios, onde foram registradas temperaturas mais baixas do que no seu entorno.

A quantidade de precipitação, principalmente nos meses de verão (em média 160mmm mensais), restringe o potencial turístico balneário do litoral de

Florianópolis. A amplitude térmica em torno de 8ºC e as taxas de insolação de 2025,6 horas/ano, Isto é, mais da metade do ano o sol fica encoberto, alem de ventos constantes e frios, dificultam o turismo baseado em atividades ao ar livre (CECCA, 1997). Segundo Tissier (2000), estes fatores dificultam que a região da Grande Florianópolis venha a se inserir nos grandes fluxos turísticos provenientes da Europa e Estados Unidos e dirigidos fundamentalmente às áreas tropicais. Podemos considerar, portanto, que estes são alguns dos limites naturais da Ilha de Santa Catarina.

Relevo

Há cerca de oitenta milhões de anos, o movimento de ascensão da costa brasileira começou a expor rochas muito antigas, até então soterradas, por outras mais

recentes e por sedimentos. Nas regiões sudeste e sul afloraram rochas cristalinas de idade pré-cambriana, superior a 600 milhões de anos, dando início ao que viria a ser o sistema da Serra do Mar (Magalhães, 1998).

A Ilha de Santa Catarina é descrita como “uma série de maciços rochosos

interligados por áreas planas”. A Serra do Mar e a Serra Geral fazem hoje um dos mais espetaculares cenários paisagísticos e naturais do Brasil, estendendo-se do Espírito Santo até Santa Catarina, com desníveis de 800 a 1000m, chegando a 2400m no Rio de Janeiro (EMBRAPA, 1994). Nestas escarpas íngremes,

encontram-se os remanescentes mais preservados da Floresta Atlântica, protegidos pela topografia acentuada, que inviabiliza a sua exploração (Dias, 2000).

Vegetação original

A vegetação que cobre toda a Ilha de Santa Catarina é classificada como Floresta Ombrófila Densa. Esta tipologia de floresta caracteriza-se principalmente pela formação de um dossel muito uniforme quanto ao seu colorido, formas das copas e altura, imprimindo uma fisionomia muito característica e com poucas variações durante todo o ano. Grande parte desta fisionomia é impressa pela presença das grandes árvores que dificilmente sobressaem entre umas e outras (Reis, 1999). Klein (1979 – 1980) caracteriza a Floresta Ombrófila Densa pela presença de uma estruturação formada por uma série de formas de vida distintas. Esta estruturação é bastante dependente das grandes árvores que formam a camada superior da

floresta, constituindo o primeiro estrato. Sob este primeiro estrato, árvores menores formando o segundo estrato, ou estrato arbóreo médio. Ainda um terceiro extrato arbóreo pode ser bem definido, e depois, de forma esparsa, e irregularmente ocupando o quarto estrato, estão ervas características do interior da floresta. Além destes quatro estratos relativamente bem definidos nas áreas de florestas, ainda podem ser observadas outras formas de vida, tais como as epífitas, as lianas, as constrictoras e os xaxins. Dentro das tipologias florestais catarinenses, a Floresta Ombrófila Densa é a que apresenta uma maior diversificação na composição florística. Esta floresta comporta seiscentas e dezenove espécies arbóreas, representando cerca de 82% das árvores catarinenses (Reis, 1999).

Dos 87.396,65 ha originais da Ilha, restam apenas 43.437,37 de Mata Atlântica (SOS Mata Atlântica), toda ela com variável grau de intervenção.