Programme de chimie de la voie TPC2
Partie 3 - Formation disciplinaire
3. ATOMES, MOLECULES, COMPLEXES : MODELISATION QUANTIQUE ET REACTIVITE
Embora exista um consenso generalizado quanto ao facto de os potenciais benefícios relacionados com o aumento das despesas turísticas nos destinos ultrapassarem largamente os potenciais custos, não é possível ignorar estes últimos porque em determinados destinos e situações eles poderão assumir valores bastante elevados. Com a finalidade de conhecer melhor esta temática, estudar-se-á nesta secção os custos mais citados na literatura, nomeadamente:
(i) custos económicos externos;
(ii) custos de oportunidade;
(iii) dependência excessiva das economias das regiões de destino ao turismo;
(i ) Custos económicos externos
O desenvolvimento turístico tem implicações em agentes individuais ou colectivos que não fazem parte nem da oferta turística (empresas que fornecem produtos aos visitantes) nem da procura (visitantes). Estas implicações são conhecidas em economia por externalidades ou efeitos externos.
Ocorrem externalidades do turismo quando o desenvolvimento desta actividade afecta positiva ou negativamente terceiros sem que estes tenham de pagar ou ser indemnizados. Quando os efeitos são negativos está-se na presença de externalidades negativas do turismo, quando esses efeitos não positivos ocorrem externalidades positivas. Estes efeitos podem ainda ser categorizados em efeitos económicos sócio- culturais e ambientais (Tabela 3.1). Embora se considere fundamental a avaliação dos efeitos externos sociais e ambientais do turismo, devido à temática desta dissertação, não serão objecto de uma avaliação pormenorizada, ficando-nos apenas pela referência dos mais citados na literatura.
Tabela 3.1 – Externalidades do turismo Fonte: elaborado com base em Bull (1996)
Muitos investigadores em turismo têm-se concentrado essencialmente nas externalidades económicas negativas. A justificação desta opção encontra-se no facto de grande parte das externalidades positivas serem avaliadas através do multiplicador em turismo (Bull, 1996).
Em termos económicos os principais efeitos externos negativos do turismo estão relacionados com as despesas que o Estado realiza na construção e manutenção de infra-estruturas rodoviárias não pagas pelos utilizadores e também na manutenção de atracções básicas do turismo que funcionam como bens livres adquiridos pelos visitantes, como por exemplo praias, rios e lagoas. Outro dos custos externos do turismo está relacionado com o aumento das despesas em segurança. Estas despesas são financiadas através das receitas do Estado, o aumento destas receitas implica frequentemente o aumento dos impostos pagos pelas comunidades residentes. Esta relação evidencia parte dos custos económicos externos que o turismo poderá proporcionar aos residentes das regiões receptoras. No entanto, são os efeitos ao nível da inflação que têm sido objecto de uma maior reflexão na literatura.
Tipo de efeito
Económico Social Ambiental
Agente influenciado Natureza Principalmente o indivíduo O Estado e o bem estar colectivo Benefícios Custos Benefícios Custos Novas infra-estruturas de transporte, novos equipamentos e actividades recreativas, culturais e desportivas Inflação Aumento directo, indirecto e induzido das receitas
Despesas na construção e manutenção de infra- estruturas e atracções turísticas que não possuam um sistema de utilizador pagador Despesas na segurança Despesas na recolha de resíduos sólidos Efeitos de demonstração positivo (exemplo, melhores cuidados de saúde, melhor educação) Congestionamento de tráfego e de pessoas, aumento da criminalidade, efeitos de demonstração negativos Valorização cultural
Aumento dos serviços de segurança, saúde, protecção de incêndios e de limpeza Melhoria da paisagem
Poluição (visual, sonora, das águas e do ar)
Preservação da flora e da fauna
Destruição da flora e da fauna
Tipo de efeito
Económico Social Ambiental
Agente influenciado Natureza Principalmente o indivíduo O Estado e o bem estar colectivo Benefícios Custos Benefícios Custos Novas infra-estruturas de transporte, novos equipamentos e actividades recreativas, culturais e desportivas Inflação Aumento directo, indirecto e induzido das receitas
Despesas na construção e manutenção de infra- estruturas e atracções turísticas que não possuam um sistema de utilizador pagador Despesas na segurança Despesas na recolha de resíduos sólidos Efeitos de demonstração positivo (exemplo, melhores cuidados de saúde, melhor educação) Congestionamento de tráfego e de pessoas, aumento da criminalidade, efeitos de demonstração negativos Valorização cultural
Aumento dos serviços de segurança, saúde, protecção de incêndios e de limpeza Melhoria da paisagem
Poluição (visual, sonora, das águas e do ar)
Preservação da flora e da fauna
Destruição da flora e da fauna
Inflação
Um dos custos económicos mais citado na literatura é o aumento verificado ao nível dos preços de bens e serviços nos destinos turísticos provocado pelo acréscimo na procura turística. Vários autores abordaram teoricamente esta problemática, citando-se a título exemplificativo Mathieson e Wall (1990), McIntosh e Goeldner (1986), Page et al. (2001) e Sawamiphakdi (1988). No entanto, poucos estudos existem no sentido de avaliar empiricamente o efeito do aumento da procura turística no preço dos bens e serviços comercializados nas regiões de destino.
Em termos teóricos é possível extrair várias ilações. Com o aumento do número de chegadas de visitantes internacionais e domésticos a uma determinada região de destino, ocorre um aumento da procura interna de bens e serviços. Este aumento é, contudo, em parte compensado pela saída de visitantes residentes na região em estudo para outras regiões do país ou para o estrangeiro.
Quando a região em análise é essencialmente uma região emissora de turismo - significando que o número de saídas de visitantes é superior ao número de entradas ou, em termos monetários, que as despesas turísticas efectuadas por visitantes na região são inferiores às despesas turísticas efectuadas por residentes em outros destinos turísticos - a tendência é para a ocorrência de uma diminuição da procura de bens e serviços, arrastando em consequência uma diminuição do nível de preços, pelo que se poderá estar, neste caso, na presença não de inflação mas sim de deflação. No entanto, quando a região em estudo é no essencial um território receptor de turismo, observa-se um aumento da procura de bens e serviços na região e consequentemente uma pressão no nível de preços. Assumindo a existência de uma oferta fixa a curto prazo, um aumento da procura de produtos turísticos na região de destino originará uma deslocação da curva da procura de bens e serviços turísticos para a direita, ocorrendo um novo ponto de equilíbrio (B) e consequentemente um aumento do nível de preços a curto prazo (Figura 3.2).
Figura 3.2 – Ajustamento do ponto de equilíbrio por deslocação da curva da procura de produtos turísticos
Quantidades de produtos turísticos Q0 Q1 P0 P1 S S D D1 D D1 A B Nível geral de preços Quantidades de produtos turísticos Q0 Q1 P0 P1 S S D D1 D D1 A B Nível geral de preços
As reflexões teóricas apresentadas são ainda complementadas com o facto de que na maior parte das regiões de destino turístico a procura turística possui um carácter sazonal e uma forte concentração no espaço. Potencialmente, estas duas características irão provocar, em determinados períodos e áreas geográficas, um acréscimo do nível de preços, sendo este acréscimo mais evidente quando essa procura é constituída maioritariamente por estrangeiros. Esta opinião é partilhada por autores, como, Mathieson e Wall (1990) e Cunha (1997). Para estes autores, os visitantes provenientes de países com elevados níveis de rendimentos e de preços estão dispostos a pagar no destino visitado valores mais elevados do que aqueles que são praticados, evidenciando, desta forma, pressões sobre o nível de preços locais. De acordo com esta perspectiva, os beneficiários pelo acréscimo dos preços serão os locais, em virtude de serem responsáveis pela oferta local e de poderem auferir de maiores rendimentos.
Por outro lado, o aumento da procura turística nos destinos poderá originar aumentos do preço das propriedades (terrenos e habitações). Estes acréscimos irão beneficiar, os proprietários através das rendas obtidas, mas terão um efeito negativo nos residentes que pretendem adquirir ou arrendar essas propriedades.
Perante a perspectiva apresentada, a inflação passaria do prato da balança dos custos económicos do turismo para o prato dos benefícios. No entanto, a realidade poderá ser diferente e o efeito da subida de preços nos destinos turísticos, provocado pelo aumento das despesas turísticas, só poderá ser total ou parcialmente compensado pelos acréscimos verificados ao nível do rendimento e do emprego se a maior parte dos produtos turísticos comercializada na região for produzida localmente e se as empresas que vendem bens e serviços aos visitantes forem maioritariamente propriedade de locais. Este saldo não tem sido objecto de muitos estudos pelo que na literatura ainda existem muitas dúvidas sobre esta questão, não existindo certezas quanto ao facto de os acréscimos verificados ao nível do rendimento compensarem a subida dos preços.
Embora não seja fácil a tarefa de isolar o efeito do acréscimo das despesas turísticas no nível geral de preços, admite-se, nesta dissertação, que o turismo poderá provocar inflação, embora esta varie de modo considerável de destino para destino, podendo na maioria dos casos ser moderada e localizada em termos espaciais e temporais.
Liu (1986), por exemplo, chama a atenção para o facto de que os efeitos do turismo na inflação tendem a ser mais elevados nos países em desenvolvimento, onde existem grandes disparidades em termos de rendimento entre os visitantes e os residentes.
Para finalizar a análise do potencial efeito da procura turística na inflação importa reflectir teoricamente sobre as condições onde esse tipo de efeito terá tendência a ocorrer com maior frequência. Para a concretização deste objectivo citam-se as condições apresentadas por Cunha (1997). Para este autor o turismo só terá influência no nível geral dos preços quando se verificarem as seguintes condições:
- a procura suplementar originada pelo turismo for elevada em relação à procura global;
- os bens e serviços procurados pelos visitantes sejam também procurados pela população local; - exista na região escassez em termos de bens e serviços procurados pelos visitantes;
- exista na região incapacidade da oferta se adequar à procura; - a expansão turística origine um incremento da oferta monetária.
(ii) Custos de Oportunidade
Outro dos potenciais custos económicos do turismo é o designado custo de oportunidade, referido por vários autores que abordaram esta temática, entre os quais Liu (1986), Dwyer e Forsyth (1993), Page et al. (2001) e Cooper et al. (1998). Estes custos são obtidos comparando os benefícios do desenvolvimento do turismo com os obtidos no desenvolvimento de outras actividades económicas.
A produção de bens e serviços que são consumidos pelos visitantes utiliza recursos que poderiam ser utilizados por outras actividades económicas. Existem vários custos de oportunidade associados ao turismo que estão relacionados com a não afectação de recursos a uma determinada actividade económica (exemplo: agricultura, pesca, indústria e comércio) em consequência da sua utilização no desenvolvimento de actividades características do turismo.
Quando são desenvolvidas actividades económicas relacionadas com o turismo - exemplo: alojamento, restauração, actividades recreativas, culturais e desportivas - utiliza-se como recurso primário o trabalho. Este recurso, se for limitado, implicará o abandono de determinadas actividades económicas, verificando-se desta forma uma diminuição da actividade produtiva destas actividades em resultado do desenvolvimento da actividade turística. Muitas vezes, para ser colmatada a deficiência de oferta de trabalho numa determinada região ou país, recorre-se à importação de mão-de-obra, o que originará um aumento das ligações económicas.
Outro recurso utilizado pelas actividades produtivas é o capital. Muitas vezes, a aposta no desenvolvimento turístico de um determinado país ou região faz parte da política de desenvolvimento definida pelas entidades competentes para esse país ou região. Com a finalidade de impulsionar esse desenvolvimento turístico são colocados à disposição incentivos financeiros que poderiam ser utilizados para o desenvolvimento de outras actividades económicas.
Os investimentos do sector público em infra-estruturas e na promoção de actividades turísticas também são considerados custos de oportunidade, na medida em que essas despesas poderiam ser utilizadas para o desenvolvimento de outras infra-estruturas e para a promoção de outras actividades económicas.
Embora a avaliação dos custos de oportunidade seja importante, quando se pretende avaliar os impactes económicos do turismo num destino, existem grandes dificuldades na sua quantificação, daí a existência de
(iii) Forte dependência do turismo
Existem determinados destinos onde a sua economia depende excessivamente da actividade turística. Esta dependência excessiva torna a sobrevivência destes destinos muito dependente da procura turística. Acontece que muitos dos factores que influenciam a procura turística estão relacionados com os mercados emissores, como, por exemplo, o rendimento dos visitantes, os gostos e as preferências dos visitantes e a moda, o que origina que a sobrevivência destes destinos esteja directamente correlacionada com um conjunto de variáveis que lhe são exógenas.
A fragilidade da economia de uma região que possua um elevado índice de dependência da indústria turística será tanto maior quanto maior for o peso dos grossistas (operadores turísticos) na comercialização dos seus produtos turísticos e quanto menor for a diversificação dos produtos turísticos oferecidos. Cita-se como exemplo o Algarve onde os operadores turísticos têm uma importância excessiva no volume de vendas das empresas turísticas. Esta forte dependência pode ter implicações nocivas para o seu desenvolvimento económico, bastando que esses operadores passem a comercializar destinos concorrentes a preços mais competitivos, como é o caso actual dos destinos da Europa do Leste. Esta fragilidade terá que ser colmatada com uma aposta crescente na diversificação e na qualidade dos produtos turísticos que o Algarve oferece. Vários investigadores (Mathieson e Wall, 1990, McIntosh e Goeldner, 1986, Liu, 1986 e Page et al., 2001) focam a dependência excessiva da base económica de uma determinada região no turismo como um custo económico desta actividade para os destinos turísticos. Todos concordam que as regiões de destino que apresentam uma dependência excessiva em relação à indústria turística estão assentes numa base instável. Para que esta fragilidade possa ser colmatada, os agentes responsáveis pelo planeamento dessas regiões deverão apostar numa diversificação da sua base económica, em termos de indústrias e dentro da indústria turística na diversificação de equipamentos e de actividades. Esta diversificação permitirá captar diversos segmentos de mercado, tornando a região de destino menos dependente das fortes flutuações temporais que caracterizam a procura turística.