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Asynchronous Data Reception

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Com o objetivo de analisar as redes de interdependências nas quais a estudante surda encontrava-se envolvida no processo de formação no Ensino Superior, tomamos a turma de Pedagogia 2014/2 como lugar empírico para realizarmos nossa pesquisa.

Ao Assumirmos a perspectiva Figuracional elaborada por Norbert Elias como o eixo balizador de nossa investigação, observamos que se nossas ponderações fossem feitas apenas a partir das contribuições estatísticas, elas teriam valor limitado, pois elas auxiliaram na caracterização das situações socioeconômicas e na identificação da trajetória de escolarização dos estudantes da classe, mas o fluxo das inter-relações entre os estudantes ouvintes e a estudante surda não poderia ser compreendido mais adequadamente.

Nessa direção, adotamos em nosso estudo uma perspectiva teórico-metodológica que admitisse tanto a possibilidade de trabalharmos em nossas análises sobre o processo cooperativo entre estudantes ouvintes e uma estudante surda em uma classe de Ensino Superior quanto fornecesse subsídios estatísticos para analisarmos as redes de interdependências que, processualmente, passaram a compor as classes de nível superior.

Destarte, somado aos pressupostos eliasianos, a abordagem do estudo de caso do tipo etnográfico configurou-se em outro ponto sustentador de nossa pesquisa. Assim, apresentaremos, a seguir, os elementos que delinearam essa abordagem teórico- metodológica, para, enfim, apresentarmos o percurso da pesquisa.

Sarmento (2003) evidencia que as pequisas qualitativas buscam a descrição, a avaliação em profundidade e global de uma realidade social. Para o autor, o estudo de caso do tipo etnográfico comporta essas características e acrescenta outro fator: a realidade sociocultural da investigação.

Gil (2010) e Sarmento (2003) ressaltam que a pesquisa do tipo etnográfico busca como resultado uma descrição ampla do grupo investigado. Observamos, em Gil (2010), que

as descrições trazem aspectos sócio históricos, políticos, econômicos e outros dos indivíduos e dos grupos investigados. Para tanto, o autor indica que esse tipo de estudo de campo deve ser realizado em períodos mais longos do que outros tipos de pesquisa. Além disso, na etnografia é possível perceber que as atividades são integradas e menos sequenciais.

Para além do tempo de permanência do investigador no campo de estudo para recolher dados e informações por meio da observação participante e da entrevista, existem outras caracterizações de um estudo de caso do tipo etnográfico. Para Sarmento (2003, p.152), são elementos metodológicos, o interesse pelos

[...] traços e pormenores que fazem o quotidiano, [...] para os comportamentos e atitudes dos atores sociais quanto para as interpretações que fazem desses comportamentos e para os processos e conteúdos de simbolização do real; [...] aspectos significativos da vida dos contextos estudados, de tal modo que ele “recrie de forma vívida os fenômenos estudados.

Assim, Sarmento (2003) afirma que um estudo de caso do tipo etnográfico visa investir os esforços na interpretação dos símbolos, crenças, valores, comportamentos e condutas culturais, nos dinamismos que ocorrem nos contextos sociais. Com os aportes da Sociologia Figuracional e dos pressupostos teórico-metodológicos do estudo de caso do tipo etnográfico analisamos as redes de interdependências na turma de Pedagogia 2014/2 da UFES.

Nosso estudo foi desenvolvido na turma de Pedagogia 2014/2 da Universidade Federal do Espirito Santo (UFES), localizada na capital, Vitória, do Estado do Espírito Santo. Em termos geográficos, o Estado possui 78 municípios e uma área territorial de 46.095,583km², sendo ele uma das 27 unidades federativas do Brasil. Além disso, o Espírito Santo faz parte da região Sudeste e tem fronteiras com os Estados da Bahia ao norte, com Minas Gerais a oeste e noroeste e com o Estado do Rio de Janeiro ao sul.

De acordo com o censo demográfico de 2010 o Estado do Espírito Santo possuia naquele ano 3.512.672 habitantes, número que representa 1,8% da população do Brasil. O Estado possuia uma renda per capita de R$ 20.231 no mesmo ano e tinha o IDH de 0,740, considerado como elevado pela Organização das Nações Unidas. Dos aspectos

que interferem no cálculo6 do IDH o da educação foi o que mais evoluiu, saindo de

0,304 em 1991, passando para 0,491 em 2000 e chegando em 2010 a 0,653. Já o coeficiente de Gini para o Estado do Espírito Santo, que afere aspectos da desigualdade social, era de 0,50, à época.

A capital, Vitória, cidade onde está localizada a Ufes, em 2010 tinha um IDH de 0,845, considerado como muito elevado, sendo ela a quarta cidade do Brasil com o maior indicador naquele ano. Vitória é uma ilha com 105km² e ligada ao continente pelas pontes: Florentino Avidos, do Príncipe (Segunda Ponte), Deputado Darci Castello de Mendonça (Terceira Ponte), da Passagem e de Camburi. O município destaca-se pelo centro comercial, cultural e por concentrar os portos, especialmente o de Tubarão. Além disso, juntamente com os municípios de Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana e Vila Velha formam a Região Metropolitana da Grande Vitória, que possui pouco mais de 1,6 milhões de habitantes.

Nesse contexto, está concentrada a Ufes, sendo a primeira universidade do Estado, fundada em 5 de maio de 1954, naquele momento ainda como universidade estadual. Em 1961 ocorreu a federalização da instituição por meio de um ato administrativo assinado pelo então presidente da República Juscelino Kubitschek. Atualmente a Ufes possui quatro campis universitários: dois em Vitória, nos bairros de Goiabeiras e Maruípe; um em São Mateus, cidade ao norte; e outro em Alegre, cidade localizada ao sul do Estado do Espírito Santo. Além disso, a UFES possui vinculação com o Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (HUCAM), conhecido como Hospital das Clínicas, sendo este, um dos mais completos centros hospitalares do Estado. Vale ressaltar que até o fim dessa pesquisa, a Ufes era a única universidade pública do Espírito Santo.

Nosso campo de pesquisa se deu no campi de Goiabeiras – Vitória, em uma turma de Pedagogia constituída por 42 alunos que iniciaram sua formação no período 2014/2. A turma, composta quase em sua totalidade por mulheres, contava com a matricula de um aluno do sexo masculino. Essa turma participou de nossa investigação, que aconteceu no período de Agosto de 2014 a Julho de 2015.

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