2. INTRODUCTION
2.4 Assimilation et bioconversion de substrats hydrophobes par Y. lipolytica
A investigação científica procura novos factos, através de diferentes tipos de abordagem (Graça, 2015) e realiza-se quando se tem um problema e se pretende obter informações para o solucionar (Silva e Menezes, 2005).
A investigação poderá constituir um processo não totalmente controlável ou previsível. Assim sendo, adotar uma metodologia significa escolher um caminho, um percurso global do espírito, sendo que esse percurso requer, muitas vezes, de ser reinventado a cada etapa. Precisamos, então, não somente de regras mas também de muita criatividade e imaginação para superarmos as dificuldades encontradas. (Silva e Menezes, 2005).
Basicamente, o método de investigação pode envolver dois tipos de desenhos ou estratégias de investigação: experimentais e não experimentais. A grande diferença entre um e outro é que no método não-experimental não há (nem pode haver) manipulação da variável independente (Graça, 2015). O método de investigação experimental usa-se, sobretudo, quando pretendemos testar hipóteses26 (Graça, 2015). Porém, e citando Pina, 2005: “a enunciação de hipóteses só poderá acontecer se nós tivermos já uma descrição das características do problema. Por exemplo, se estiver descrito que a frequência de uma
25 Os questionários são particularmente úteis quando se pretende obter o mesmo tipo de informação de um grande número de
pessoas, (Oliveira, 2000). Um bom questionário “é meio caminho andado” (Graça, 2012). Apesar da sua importância, e maior facilidade de aplicação os questionários não poderiam ter sido aplicados ao primeiro grupo dado que estes instrumentos não são adequados para obter opiniões aprofundadas, identificar problemas ou soluções para um sistema (Oliveira, 2000).
26 Uma hipótese é a afirmação de uma relação (ou relações) esperada(s) entre os fenómenos que vão ser objeto de estudo. Ou
seja, entre duas ou mais variáveis: uma variável independente (a causa, o estímulo) e uma variável dependente (o efeito, a resposta), numa dada população. As hipóteses devem ser formuladas de maneira clara, sem qualquer ambiguidade. Devem conter a variável independente, a variável dependente e a população pertinente, aquela a que se poderão generalizar os resultados do teste de hipóteses – por ex., qui-quadrado, no caso de duas variáveis nominais ou categoriais (Graça, 2015).
32 determinada doença é diferente em duas populações, poderemos formular a hipótese de que essa diferença está associada a uma diferença de um determinado fator de risco entre as duas populações … as hipóteses são apenas fundamentais em estudos analíticos ou experimentais. Um estudo descritivo não necessita de hipóteses: basta-lhe descrever as características do fenómeno”.
Verificamos assim, que nem em todos os estudos/investigações se baseiam em hipóteses. É o caso dos estudos não-experimentais nos quais basta descrever as caraterísticas do fenómeno (Pina, 2005) e onde o que importa ao investigador é a obtenção de novos factos a respeito dos fenómenos (ou variáveis) e não propriamente relacionar esses fenómenos entre si, como acontece nos estudos de natureza experimental (Graça, 2015).
No entanto, um estudo não-experimental pode levar ao desenvolvimento de hipóteses, baseadas na problematização, e que poderão ser testadas mais tarde num estudo de tipo causal ou correlacional. A investigação não-experimental, apesar de não permitir a manipulação da variável independente, e portanto, não permitir testar hipóteses, tem como vantagem o facto de poder ser conduzida num ambiente dito natural, tal como a empresa, a escola, o hospital, a comunidade, a casa, a rua, etc. Outra vantagem, da investigação não- experimental decorre do facto de ser um método menos dispendioso e que leva menos tempo a desenvolver (Graça, 2015).
A investigação não-experimental pode dividir-se em descritiva, explicativa e exploratória (Graça, 2015; Gerhardt e Silveira, 2009).
No nosso estudo e pelo facto de não termos possibilidade de influenciar as diversas variáveis independentes que possam influenciar a contratação de médicos aposentados, tais como, a remuneração, os aspetos organizativos do trabalho, a formação de equipas, fatores de recompensa, o número de utentes inscritos distribuídos que seria distribuído a cada médico, etc.) estamos vedados ao teste de hipóteses e, portanto, à implementação de um estudo de natureza experimental. Deste modo, do ponto de vista da natureza do nosso estudo, o mesmo será um estudo não experimental (Graça, 2015).
No que toca ao objetivo do nosso trabalho de campo e uma vez que pretendemos, com base em dados estatísticos avaliar se a contratação de médicos aposentados ocorrida entre 2010 e 2015 atingiu o número de vagas previstas, em que ARS e em que anos, estaremos diante de um estudo descrito retrospetivo quantitativo.
Por outro lado, e uma vez que pretendemos complementar qualitativamente a nossa investigação explorando para o efeito a perceção dos principais players/stakeholders relativamente à contratação de médicos aposentados, mediante aplicação de questionário e de entrevistas, a nossa investigação será também por isso exploratória.
Deste modo, o nosso estudo de campo tratar-se-á então, quanto ao seu objetivo, de um estudo exploratório-descritivo combinado (Marconi e Lakatos, 2011).
Do ponto de vista dos procedimentos técnicos o nosso estudo envolverá a investigação documental, recorrendo a fontes primárias e, excecionalmente, a fontes secundárias, sendo também utilizada uma investigação de levantamento, dado que envolverá a interrogação das pessoas cuja perceção se deseja conhecer (players/stakeholders). Relativamente à componente do levantamento o nosso estudo envolverá inquéritos, entrevistas e o estudo de casos.
33 Face ao exposto, e para atender aos objetivos propostos foi desenvolvido um estudo empírico, não experimental do tipo exploratório-descritivo combinado e que envolveu uma investigação de levantamento.
O uso da metodologia proposta justifica-se, pois ela tem sido muito utilizada nas Ciências Sociais, principalmente quando se trata de estudar um fenómeno no seu contexto real, sendo este a fonte direta dos dados. Por sua vez, a abordagem do tipo qualitativa possibilita o envolvimento de dados descritivos e o contato direto do investigador, que é o instrumento fundamental, procurando entender o fenómeno estudado de acordo com os sujeitos da investigação.