• Aucun résultat trouvé

Aspects quantitatifs

Dans le document La Lorraine (Page 72-74)

A inundação é o processo de extravasamento das águas do curso d´água para as áreas marginais (planície de inundação,várzea ou leito maior do rio). Ocorre quando a água atinge cota superior ao nível máximo da calha principal do rio (BRASIL, 2007).

Oliveira (1998, p.11) afirmou que:

[...] inundações são fenômenos que fazem parte da dinâmica fluvial, atingindo periodicamente as várzeas, também denominadas planícies de inundação. Correspondem ao extravasamento das águas de um curso de água para as áreas marginais, quando a vazão é superior à capacidade de descarga da calha.

Já a enchente, de acordo com Brasil (2007b, p.90) pode ser definida como “a elevação temporária do nível da água em um canal de drenagem devido ao aumento da vazão ou descarga”, porém sem extravasar. Essa mesma fonte apresenta um

esquema (figura 1) que representa os conceitos de enchente e inundação, esclarecendo ainda a diferença entre elas.

Figura 1 - Representação dos processos de enchente e inundação

Fonte: BRASIL, 2007

Carvalho et al. (2007 apud REIS, 2011, p.7 ) conceituam a enchente como um processo natural que ocorre nos cursos de água. Consiste na elevação temporária do nível d’água em um canal de drenagem (rio, córrego, riacho, arroio, ribeirão) em função do aumento da vazão ou descarga.

As enchentes e inundações são processos que têm sido muitas vezes associados a diversos problemas, principalmente em municípios que apresentam elevadas taxas de urbanização, onde é comum encontrarmos pessoas residindo em planícies fluviais, que se configuram como áreas de riscos de inundações. Em virtude da significativa ocupação desses tipos de áreas, esses processos, muitas vezes, tem acarretado consequências negativas, o que tem contribuído para que muitas pessoas associem as mesmas sempre a algo negativo, que gera danos à sociedade.

As enchentes e inundações representam um dos principais tipos de desastres naturais que afligem constantemente diversas comunidades em diferentes partes do planeta, sejam áreas rurais ou metropolitanas. Esses fenômenos de natureza hidrometeorólogica fazem parte da dinâmica natural e ocorrem frequentemente deflagrados por chuvas rápidas e fortes, chuvas intensas de longa duração, degelo nas montanhas e outros eventos climáticos tais como furacões e tornados, sendo intensificados pelas alterações ambientais e intervenções urbanas produzidas pelo homem ( BRASIL, 2007, p. 89).

Diante disso, convém ressaltar que as enchentes e inundações, como mencionado, são processos naturais, que podem resultar em danos aos seres humanos, ou seja, não necessariamente eles resultam em consequências

indesejáveis. Quando acontecem em uma determinada área, só resultam em danos, quando há pessoas residindo ou utilizando de alguma forma essa área, não estando preparadas para suportar os impactos desses processos. No entanto há que se considerar que isso é o que ocorre na grande maioria das vezes, já que a significativa ocupação das margens de cursos fluviais é uma realidade presente em várias partes do mundo.

Outro conceito que merece destaque aqui é o de alagamento, definido como o “acúmulo momentâneo de águas em uma dada área por problemas no sistema de drenagem, podendo ter ou não relação com processos de natureza fluvial” (BRASIL, 2007, p. 93).

Reis (2011, p. 13) afirma que os alagamentos são comuns nas cidades mal planejadas ou quando estas crescem muito rápido, dificultando a realização de obras de drenagem e de esgotamento de águas pluviais.

Com base em Reis (2011) e em outros autores, pode-se afirmar que os alagamentos estão diretamente relacionados ao crescimento desordenado das cidades, à carência de obras de infraestrutura, entre outros aspectos, conforme se destaca na citação seguinte:

O fenômeno de alagamento também está relacionado com a redução da infiltração natural nos solos urbanos, a qual é provocada por: compactação e impermeabilização do solo; pavimentação de ruas e construção de calçadas, reduzindo a superfície de infiltração; construção adensada de edificações, que contribuem para reduzir o solo exposto e concentrar o escoamento das águas; desmatamento de encostas e assoreamento dos rios que se desenvolvem no espaço urbano; acumulação de detritos em galerias pluviais, canais de drenagem e cursos d’água; insuficiência da rede de galerias pluviais (REIS, 2011, p. 12).

Tominaga (2009) coloca que as inundações, assim como as enchentes e os alagamentos, envolvem uma série de condicionantes, tanto de ordem natural, bem como antrópicos. De acordo com Tominaga (2009) os fatores naturais são: formas do relevo; características da rede de drenagem da bacia hidrográfica; intensidade, quantidade, distribuição e frequência das chuvas; presença ou ausência de cobertura vegetal, características do solo e o teor de umidade. O mesmo autor cita ainda os condicionantes antrópicos: uso e ocupação irregular nas planícies e margens de cursos d’água; disposição irregular de lixo nas proximidades dos cursos d’água; alterações nas características da bacia hidrográfica e dos cursos d’água e intenso processo de erosão dos solos e de assoreamento dos cursos d’água.

Kobyama (2006, p. 49) também trata desses fatores antrópicos, mas refere-se a eles como agravantes de processos naturais:

Quando se constroem estradas, casas, prédios e outras edificações, ocorre um processo de impermeabilização do solo, isto é, acaba-se “cobrindo” o solo com cimento e asfalto, impedindo desta forma que as águas das chuvas sejam absorvidas pelo solo. Neste caso, as águas escoam diretamente para os rios aumentando rapidamente seu nível. Os desmatamentos também aumentam o escoamento superficial e aceleram o processo de perda de solo, resultando no assoreamento dos cursos d’água. Já o lixo, entope os bueiros, canais e tubulações que levariam as águas pluviais diretamente para o rio, alagando áreas que normalmente não eram invadidas pelas águas. Na própria calha do rio, o lixo também pode funcionar como uma represa, proporcionando o rápido aumento do seu nível.

Tratando mais especificamente das inundações, Robaina (2008, p. 100) aponta a ação antrópica como principal fator capaz de potencializar a ocorrência das mesmas: “As inundações, assim como os escorregamentos, estão associadas principalmente, a utilização do solo, pelo homem, sem que historicamente, houvesse preocupação em harmonizar o desenvolvimento econômico e social com a conservação do meio ambiente”.

Em relação às consequências dos processos em questão, convém ressaltar que todos podem acarretar consequências negativas, mas as enchentes e principalmente as inundações, geralmente atingem a população de forma mais grave, e isso pode ocorrer de forma direta ou indireta.

As enchentes e inundações apresentam efeitos danosos sobre a população, os quais podem ser classificados como diretos e indiretos. Os principais efeitos diretos são mortes por afogamento, a destruição de moradias, danos materiais diversos e gastos com recuperação. Os indiretos são principalmente aqueles relacionados às doenças transmitidas por meio da água contaminada, como a leptospirose, a febre tifóide, a hepatite e a cólera (BRASIL, 2007).

Esses problemas têm afetado diversos países do mundo. No Brasil, assim como em outros países é significativa a quantidade de registros de consequências negativas das enchentes e inundações: prejuízos materiais, como perda de móveis, eletrodomésticos e até mesmo de casas (no caso de desabamentos), mortes (por afogamentos, desabamentos de casas ou choques elétricos), aumento do número de doenças de veiculação hídrica, entre outros.

2.4 Percepção humana e a percepção de riscos: conceitos e fatores de

Dans le document La Lorraine (Page 72-74)