Pensar o ecoturismo é pensar num tipo de turismo em oposição ao turismo de massa. À medida que aumentam as discussões apontando o turismo massivo como agressor do meio ambiente e da cultura, cresce o número de defensores do ecoturismo. Este é apresentado como alternativa capaz de oferecer um turismo contemplativo e defensor da preservação da natureza, das paisagens naturais e da busca por lugares que prezam pela conservação de seus patrimônios e valorização dos povos e culturas locais.
Novamente aqui adotou-se o conceito da OMT, que diz ser o ecoturismo uma forma de turismo de natureza na qual se dá a máxima consideração à conservação do meio ambiente, incluindo a diversidade biológica, os sistemas de vida selvagem e ecológicos. Enfatiza-se ainda a educação dos turistas quanto ao meio ambiente e o modo de conservá-lo (OMT, 2003).
É ainda a OMT que defende ter o ecoturismo potencial para promover o desenvolvimento de áreas que oferecem ambientes naturais interessantes, exóticos e, normalmente, inseridos em lugares mais tradicionais, distante dos grandes centros urbanos. Conforme Costa (2002) o Brasil é conhecido mundialmente por suas belezas naturais, atraindo demandas internas e externas, especialmente para regiões pouco habitadas.
A Embratur (2008) lembra que o termo ecoturismo foi introduzido no Brasil no final dos anos 80, seguindo a tendência mundial de valorização do meio ambiente. Entretanto, foi somente em 1992, mais precisamente no evento Rio 92, que esse tipo de turismo ganhou visibilidade e impulsionou um mercado em franco crescimento.
Em números, esse tem sido o setor da economia turística que mais se desenvolve (ANDRADE, 2010). Segundo Fernandes (2002 apud ANDRADE, 2010) a fatia do ecoturismo no mercado global crescerá de 12% em 1995 para 35% em 2020. No entanto, Cabalos (2006 apud ANDRADE, 2010) ressalta que, como componente essencial para promoção de um turismo sustentável, o ecoturismo requer uma abordagem multidisciplinar e planejamento cuidadoso, além de rígidas diretrizes e regulamentos, para que seja garantido um funcionamento estável.
Em 1994, com a publicação das Diretrizes para uma Política Nacional de Ecoturismo, pela mesma Embratur e Ministério do Meio Ambiente, esse segmento foi conceituado como uma atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações (Embratur, 2008).
Para a Embratur, “é possível incorporar recursos naturais ao mercado turístico, ampliando oportunidades de gerar empregos, receitas, impostos e inclusão social e, acima de tudo, promover a proteção desse imensurável patrimônio natural” (Embratur, 2008, p. 13-14). A OMT (2003) defende alguns princípios de planejamento norteadores de atividades neste setor, como o estabelecimento de padrões de carga para evitar o desenvolvimento abusivo de instalações turísticas ou exploração excessiva do meio ambiente pelos turistas.
Em se tratando de sustentabilidade, que defende a prática de um turismo ecologicamente suportável a longo prazo, economicamente viável, assim como ética e socialmente equitativo para as comunidades locais (Embratur, 2008), a OMT (2003) adota ainda como princípio de planejamento a integração das comunidades locais à atividade turística, oferecendo-lhes emprego e renda, e também educando residentes e turistas em relação às culturas locais.
Na visão de Silveira (2001) o turismo pode sim, exercer um importante papel no combate a problemas como o desemprego e a carência de alternativas na geração de renda para uma população, podendo se constituir numa valiosa ferramenta para ajudar no desenvolvimento regional e local, entretanto “qualquer plano de desenvolvimento, antes de ser realizado, deve ser bem pensado e planejado para não provocar a destruição do meio ambiente e não ser desviado dos reais interesses e necessidades da populações envolvidas” (SILVEIRA, 2001 p.134).
Devem ser considerados alguns aspectos, como a sobrecarga das estruturas no caso de número elevado de turistas; problemas como a degradação ambiental, cultural, social e paisagística. Mesmo assim, é uma atividade que, ironicamente, vem crescendo no mundo globalizado. Na tentativa de fuga do estresse diário, muitos buscam os atrativos existentes no campo: alimentos, artesanato, manifestações folclóricas (música, dança), tradições religiosas, atividades recreativas, ecoturismo, esportes de aventura, caminhadas.
Na Paraíba, esse turismo, distanciado das regiões litorâneas, ganhou destaque na década de 1990. Conforme Seabra (2003 apud TULIK, 2003), o turismo realizado longe das grandes cidades é uma forma de lazer fundamentada na contemplação de paisagens naturais, no patrimônio cultural e no desenvolvimento social das regiões interioranas do Brasil. Para Seabra (2003 apud TULIK, 2003), é uma forma de turismo em que se percebe o exótico, a defesa da valorização da cultura local e almejam-se melhorias na qualidade de vida das comunidades locais.
Enfim, o potencial existente no meio rural é, na verdade, uma cadeia extensa que pode ser percebida em toda a Paraíba. É uma atividade, fora do meio urbano, que pode ser
desenvolvida sem a necessidade de depredações ou modificações em um lugar. Basta apenas ter consciência sobre a importância em manter as tradições, melhorar o que já existe da infraestrutura e não copiar o que os outros têm.
Em se tratando de Cabaceiras, o potencial é confirmado também por pesquisas realizadas por outras instituições renomadas, como a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP). De acordo com o Mapa de Oportunidades do Estado da Paraíba (FIEP, 2009), que apresenta um panorama das áreas potenciais de investimento nos municípios paraibanos, além da agricultura e caprinocultura, Cabaceiras possui áreas com potenciais para o turismo cultural, ecológico e de aventura, além de sítios arqueológicos e pinturas rupestres.
Portanto, não nos impressiona o interesse de instituições de apoio e prestação de serviços, como o Sebrae, de atuar neste município com ações voltadas ao desenvolvimento da cadeia produtiva do turismo e cultura.