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Un arsenal de mesures administratives de lutte contre le terrorisme aujourd’hui

Dans le document RAPPORT N° 639 (Page 110-130)

B. LE RENFORCEMENT DES MOYENS POUR AFFRONTER LA MENACE

2. Un arsenal de mesures administratives de lutte contre le terrorisme aujourd’hui

A avaliação é uma atividade intrínseca ao processo educacional. Dito isto, acreditamos que a implementação do projeto de leitura ‘Hora da poesia’, tendo como base a aplicação de estratégias metacognitivas de leitura na compreensão do texto poético, trouxe relevantes contribuições para o ensino e aprendizagem, ao possibilitar a formação de conhecimentos ou memórias dos colaboradores e professor-pesquisador participante por meio da fruição de poesia na sala de aula. Como vimos nas análises das implementações das estratégias vocalização, visualização e conexão, propomos o trabalho de leitura a partir de vários poemas de diversos poetas, sendo lidos de diferentes formas.

Pela maneira e diversidade de atividades didático-metodológicas desenvolvidas no projeto, afirmamos que este trabalho poderá contribuir para a leitura literária poética na educação básica. Vale ressaltarmos, entretanto, que não estamos postulando que este trabalho seja uma panaceia para os problemas educacionais, nessa esfera, quanto à leitura poética. Por outro lado, estamos defendendo que o projeto trouxe contribuições para a nossa prática docente, no polo do ensino, e para os colaboradores, no outro polo, o da aprendizagem.

Para os colaboradores, a avaliação foi um instrumento de tomada de consciência de suas conquistas e dificuldades, já para o professor-pesquisador ela favoreceu uma reflexão contínua da sua prática pedagógica, contribuindo com a construção de um planejamento, que atenda às reais necessidades dos alunos. As

atividades do Projeto ‘Hora da poesia’ contribuíram para que pudéssemos redimensionar nossa experiência de ensino de leitura poética com aqueles alunos. Antes do contato com as estratégias de leitura, não sabíamos como diversificar a leitura de poesias, envolvendo os alunos na construção das imagens poéticas. Além disso, aprendemos com os colaboradores como editar vídeos em programas da

web, quando da realização da atividade de dramatização poética em forma de curta-

metragem.

Ao avaliar a participação dos colaboradores, podemos constatar que boa parte deles valorizou os seus conhecimentos prévios e experiências durante a realização das atividades e nas discussões sobre os poemas, fez inferências a partir do texto; expressou juízos e novas compreensões sobre o conteúdo do texto, formulando imagens poéticas diversas. Constatamos que eles estavam motivados quando da realização das atividades e se socializavam no percurso da implementação do projeto de leitura. Por exemplo, o aluno GSS, que havia declarado não gostar de ler poesias, quando da resposta ao questionário, “porque poesia eu não entendo eu gosto de ler mesmo é histórias”, depois, no decorrer da implementação do projeto, se envolveu bastante com as atividades, tomando frente na leitura expressiva de vários poemas.

Com a implementação do projeto ‘Hora da poesia’, constatamos que as funções da literatura, de que fala Candido (2002), foram trabalhadas durante a aplicação das estratégias. Podemos perceber a função psicológica, via percepção dos sentidos, nas atividades realizadas, que despertaram a sensibilidade dos colaboradores, por exemplo, na vocalização das músicas sobre perdas e do ‘Soneto da perdida esperança’ e na ilustração de poemas temáticos; a função educativa, nas discussões em círculo, visando à compreensão do texto; já a função de conhecimento do mundo e do ser, nas leituras poéticas sugestivas sobre alguma questão de mundo e do espírito absoluto. Vale frisar que estas funções são, via de regra, interdependentes, pois, pelo devaneio ou imaginação, podemos conhecer o mundo e o ser, sendo possível por esse processo uma formação educativa.

Assim, acreditamos que, sendo o projeto de leitura implementado, em parte ou completo por outros professores, o uso de estratégias metacognitivas de leitura possibilitam a recepção prazerosa da poesia na sala de aula. Outrossim, além dessas contribuições didático-metodológicas, acreditamos que este trabalho trouxe uma contribuição epistemológica para a semiótica literária, ao postularmos a

correspondência das três estratégias de leitura com as três matrizes da linguagem e pensamento de Santaella (2005). A estratégia metacognitiva vocalização corresponde à matriz sonora de primeiridade, a visualização à visual de secundidade e a conexão à verbal de terceiridade.

A vocalização, com base nas ilações da matriz sonora, compreende a presença de todo e qualquer tipo de som da leitura expressiva, em voz alta, performativa do gênero poema. Assim, essa estratégia, como a matriz sonora, apresenta dominância do quali-signo icônico, de primeiridade. O quali-signo funciona como signo por meio de qualidades puras, imediatas e evocadoras, que se evidenciam na presença do som. Ainda, a vocalização, semelhante à matriz sonora, é icônica porque o signo é uma simples qualidade, vagueza, espontaneidade, sentimento, conjectura, fugacidade, hipótese, características de primeiridade.

Postulamos que a vocalização poética, nessa correspondência, com a criação ou manifestação sonora, encontra, ainda, respaldos nas sintaxes das convenções musicais (submodalidades dessa matriz), o ritmo, a melodia e a harmonia. A arquitetura de vozes, como uma das atividades da performance vocal, demanda a presença dessas sintaxes sonoras, porque o ritmo ordena os sons em padrões de duração por meio de acentos, impulsos, ênfases e relaxamentos; a melodia se constitui na consecução dos sons, que variam em duração e altura; e a harmonia combina, simultaneamente, a leitura dos versos em contraposição à consecutividade da melodia ou andamento.

A estratégia de leitura visualização, como a matriz visual, diz respeito às formas visuais, representadas, estruturadas como linguagens e produzidas pelo leitor durante a recepção do texto poético. As imagens materiais e as imagens mentais (imateriais, como sonhos, imaginações, visões, fantasias) produzidas pelo leitor representam algo do mundo visível, absoluto, ou, grosso modo, apresentarem- se a si mesmas como signos a partir do objeto descrito pelo poema. A poesia visual e concreta, em função da disposição gráfica e imagética do seu texto, como também a ilustração poética, são aqui postuladas como emblemáticas dessa representação ao ganharem a forma de desenho, pintura, gravura ou fotografia, que podem indicar um dado objeto ou ideia descrita, daí seu caráter de secundidade, apresentando domínio do sin-signo indicial.

Por fim, a estratégia conexão, como a matriz verbal, no âmbito da terceiridade, corresponde à linguagem verbal escrita, tendo em vista que a oral se insere na matriz sonora e a representação imagética do objeto na visual. Assim, o que predomina na conexão e na matriz verbal são a arbitrariedade e a convencionalidade, traços característicos do signo linguístico, como defende Santaella (2005). Nesse sentido, considerando que a descrição, a narração e a argumentação são princípios organizadores da matriz verbal, acreditamos que a conexão, como estratégia metacognitiva de leitura poética, é caracterizada pela modalidade descritiva, pois o poema descreve os objetos, ambientes, situações, pessoas, entre outros, por meio dos sentidos.

Podemos respaldar, ainda, essas correspondências com a tríade dos modos característicos da poesia apresentados por Pound (2006): a melopeia, fanopeia e logopeia. A vocalização, em nível de primeiridade (quali-signo), semelhante à matriz sonora e a melopeia, se refere às propriedades musicais do som e ritmo, orientando o sentido; a visualização, em nível de secundidade (sin-signo), como a matriz visual e a fanopeia, diz respeito à projeção de uma imagem na retina mental; por sua vez, a conexão, em nível de terceiridade (legi-signo), como a matriz verbal e a logopeia, se reporta ao caráter arbitrário e convencional das palavras.

Convém destacarmos, também, a postulação de que a estratégia de leitura

performance ou vocalização nesta pesquisa adquiriu o status de metacognição. Das

três estratégias aplicadas no projeto de leitura ‘Hora da poesia’, apenas a visualização e a conexão são consideradas por Girotto e Souza (2010) como metacognitivas. Essa postulação ancora-se no fato de que o leitor, no ato da leitura performativa, emprega a automonitoração da compreensão, ao realizar operações com algum objetivo em mente, sobre as quais ele tem controle consciente, podendo, assim, dizer e explicar sua ação, por meio de regras. É nesse sentido, que empregamos o termo performance para o ato de leitura expressiva, quanto para o ato em voz alta, declamada e vocalizada, como o faz Zunthor (2014). Ele emprega o conceito de performance para explicar a participação do corpo na literatura oral. Desse modo, compreendemos esse termo como a forma em que a presença e a participação de um corpo se empenham para ler, ou vocalizar a poesia – de forma automonitorado e consciente –, inovando, improvisando, como ocorre nas

Embora neste trabalho tenhamos enfocado as estratégias metacognitivas vocalização, visualização e conexão na leitura de poesias, acreditamos que, perspectivamente, elas poderão ser trabalhadas em sala de aula com uma diversidade de gêneros textuais, de forma interdisciplinar. Igualmente, defendemos que as postulações das correspondências dessas estratégias de leitura com as matrizes da linguagem e pensamento sonora, visual e verbal podem ser aprofundadas em futuros estudos semióticos.

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