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4. Mise en œuvre de la décision de reprise

4.1 Méthodes d’ingénierie de la commande

4.1.5. Approche du LAGIS

4.1.5.1 Architecture du contrôle/commande

Após termos analisado as manifestações de desvalorização das Humanidades percetíveis nos EUA e na Holanda, sistematizamo-las num conjunto de itens que tomamos como transversal a todos os países, ainda que cada um deles a possa eventualmente concretizar segundo um perfil próprio. Assim, a desvalorização das Humanidades pode, pelo menos, atingir as seguintes dimensões, resultantes das escolhas realizadas nos diversos grupos de pessoas que contribuem para esta configuração:

- redução do número de graduados ou do seu peso relativo; - redução dos financiamentos (ensino e investigação);

- limitação do seu espaço na estrutura da Universidade (eliminação de departamentos e cursos);

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- desvalorização dos recursos humanos (redução de oferta de emprego, desvalorização de salários, sobrecarga de horário, envelhecimento do staff, falta de oportunidades para os jovens);

- diminuição de recursos afetos a bibliotecas e similares;

- pressão exercida com o objetivo de alterar práticas de comunicação específicas das Humanidades, visando a adoção de práticas de outras áreas do conhecimento, podendo mesmo fragilizar o seu impacto social;

- aplicação de formas de avaliação da atividade científica desajustadas da especificidade das Humanidades;

- fragilidade a que se reduzem alguns ramos das Humanidades, que alcançam dimensões tão residuais, que ficam em risco de desaparecerem.

[U]niversities are pressured to change their curricula, alter their faculties, and modernize their increasingly expensive physical plant and equipment – and to do so more rapidly than ever. Some traditional fields of study are bypassed, others fall into disarray. With the humanities now highly vulnerable, critics contend that universities do not know where they are going, even that they have lost their souls (Clark, 2007: xiii-xiv).

A concretização dos vários aspectos referidos, ainda que nem todos simultâneamente, contribui para abrir caminho a mais desvalorização, dado que se acabam por implicar mutuamente.

Julgamos oportuno relembrar agora que as práticas de cada disciplina estão estreitamente vinculadas com as características daquilo que é o seu objeto de conhecimento e das questões que se lhes colocam, e que aquilo que as diferencia deveria ter implicações nas políticas que orientam o ensino superior e a investigação científica (Becher, 1994). Se esta realidade for ignorada no caso das Humanidades, parece-nos que corremos em primeiro lugar o risco de estar a desvalorizar o seu modo de conhecer e, consequentemente, a desvalorizar o conhecimento que produzem. Mas há consequências negativas mais factuais e que redundam em formas de desvalorizar as Humanidades já referidas. Seguem-se dois exemplos.

No que diz respeito à avaliação da actividade científica, a partir da qual se determinam os montantes de financiamento, é reconhecido que a chave para a sustentabilidade das Humanidades é o desenvolvimento de formas de avaliação ajustadas à sua natureza, o que ainda não acontece.

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The key to sustainability is to develop relevant evaluation methods; however, standards for this are not yet as well established, at least not metrically, as they have been for research in Science and parts of the Social Sciences (Zuccala, 2013: 3).

No que diz respeito às métricas utilizadas para fundamentar as aquisições para os fundos documentais das bibliotecas, elas também colidem, mais uma vez, com a especificidade das Humanidades, o que redunda em menos recursos de conhecimento acessíveis.

[T]he purchase of resources to support arts and humanities and some social science (AHSS) subjects is more threatened by the worldwide squeeze on library budgets than the purchase of resources for scientific, technical and medical (STM) subjects [...] the problem may be exacerbated by the type of metrical analysis conventionally employed to justify financial outlay (Bennett e Loveland, 2013: 128).

Estando demonstrada e quantificada a desvalorização das Humanidades, tanto quanto nos foi possível, rematamos este capítulo com a inclusão de algumas notícias que evidenciam que este não é um problema circunscrito ao passado mas é um problema do presente e do futuro.

Dinamarca, 22 outubro de 2014 - “Governments plans to slash 4000 students enrolments from faculties of humanities in Danish universities have created uproar among academics and the general population. Dean of humanities at Copenhagen University, Ulf Hedtoft, described the government intervention as a “massacre of the humanities”37

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Reino Unido, 29 março de 2015 - “The coalition governments’s education policies, led by Michael Gove and David Willets, continued Thatcher’s market-driven reforms, cutting all direct funding to the humanities, creating the cumbersome research excellence framework (Ref), which seeks to audit the academics’ research “outputs”, and overseeing a dramatic increase in the number of staff on short-term contracts. […] Those who read the letters pages of Times Higher Education have long been aware of the tribulations endured by humanities academics, watching horror-stricken as their disciplines are eroded and cut.”38

Japão, 26 junho 2015 - “Universities will face pressure to streamline and refocus their mission on developing skills for the global jobs market under sweeping reforms announced last week. The education ministry wants to raise the standing of science and technology and said that humanities

37 Disponível em http://www.universityworldnews.com/article.php?story=20141022130304135, consultado a 7

de Julho 2015.

38 Disponível em http://www.theguardian.com/education/2015/mar/29/war-against-humanities-at-britains- universities?CMP=share_btn_link, consultado a 7 de Julho 2015.

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departments could be axed. The Japanese government said the reforms would make universities more efficient and able to operate better in a globalised environment.”39

Portugal, 29 agosto 2015 – “[…] as decisões de uma política científica extremista, que ainda por cima abastarda as CSH [Ciências Sociais e Humanas], avaliando-as em função do dogma da sua ligação ao mercado, ou seja, às empresas e aos negócios.”40

No próximo capítulo, identificamos razões da desvalorização das Humanidades e aprofundamos causas políticas e ideológicas. Pelo menos tendo em conta o caso dos EUA, esta configuração de desvalorização ganhou nitidez no início da década de 80 (séc. XX) e hoje ainda se mantém o mesmo equilíbrio entre as forças em questão, embora dissonantes

entre si41. Estamos, assim, perante um processo longo de uma evolução social específica, pelo

menos comparativamente ao período que inicialmente traçámos para nosso foco de atenção (2000-2012). No entanto, o período por nós definido continuará a ser um marco importante no capítulo 2: logo de início, para definir o contexto político da desvalorização das Humanidades, escolhemos estudar orientações políticas elaboradas em torno de 2000, pela influência que elas eventualmente podem ter tido no período em estudo.

39 Disponível em http://www.universityworldnews.com/article.php?story=2015062613241454, consultado a 7 de

Julho 2015.

40 Em As ciências sociais e humanas na roleta russa com a FCT, Moisés de Lemos Martins, Público,

29/08/2015.

41 O capítulo 4 é sobre exemplos de forças sociais que investem na valorização das Humanidades, tendência

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