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"A grande confusão que precisamos evitar é pensar que, onde há informação, há jornalismo." (CARVALHO, 2010) O surgimento da televisão possibilitou novas formas de transmitir informações, entre elas, a programação telejornalística. Curado (2002) afirma que o telejornal faz parte da programação da TV brasileira cumprindo uma determinação legal: o decreto lei 52.795 de 31.10.1963. Ele trata do regulamento dos serviços de radiodifusão e estipula que as emissoras dediquem 5% do horário da programação diária ao serviço noticioso.

O telejornal, conforme a percepção de Machado (2000), se trata de um programa realizado ao vivo, ainda que utilize materiais pré gravados ou de arquivo. Em geral, ele é “fechado” poucos minutos antes de entrar no ar, com as últimas notícias ainda chegando à redação.

Segundo Araújo (2017), uma das características do telejornal é a objetividade, que organiza a distribuição das informações de forma mais direta e clara, ou seja, seleciona-se o que é relevante informar, as informações mais importantes, o que realmente o telespectador precisa saber sobre determinado acontecimento.

Isso ocorre porque a TV opera com velocidade e, dessa forma, as informações precisam ser claras e precisas. Relembrando Fortes (2008), o jornalista deve sempre considerar a objetividade e se manter distante da opinião durante a construção de uma notícia.

Paternostro (1999) diz que no meio televisivo não existe um padrão de linguagem. Porém, há no telejornalismo uma forma pessoal de “contar” as notícias. É preciso pensar que o telejornalista (ou o apresentador) conversa com o telespectador. Como já mencionado nesta monografia, o real e o ficcional são mesclados na linguagem com o objetivo de gerar o envolvimento do público em relação ao que está sendo exibido. Os fatos (reais) são contados com elementos do ficcional (narração).

Uma das principais características da linguagem dos noticiários é garantir a verdade ao conteúdo do discurso, também a própria credibilidade do enunciador. Os noticiários utilizam jogos de sentido que resultam numa pretensa objetividade e no mito da imparcialidade. Os discursos provocam efeitos de realidade e se confundem com o real porque os personagens são reais e os fatos sociais, a matéria prima da produção (PEREIRA JÚNIOR, PORCELLO, MOTA, 2006, p. 70-71).

Rezende (2000) e Paternostro (1999) concordam que a necessidade de transmitir as informações com o máximo de clareza possível determina que elas sejam escritas e pronunciadas num estilo de conversação, exatamente para que todos os telespectadores sejam capazes de compreender, independentemente do seu grau de instrução.

Apesar de encarar como uma “conversa”, o telejornalista tem a obrigação de respeitar o telespectador, utilizando uma linguagem coloquial, mas correta. Conforme Paternostro (2000, p.78 e p.97), “as qualidades da linguagem coloquial passam a ser as exigências do texto jornalístico de TV (...), pelo coloquial atinge-se, portanto, o propósito máximo da comunicação de massa: uma mensagem acessível ao maior número de pessoas”.

Conforme Rezende (2000, p. 97), na seleção vocabular, o jornalista de TV deve dar prioridade às palavras mais conhecidas e precisas em seu significado, evitando a utilização daquelas que, pelo duplo sentido, possam confundir o telespectador. Além disso, com o ritmo televisivo, se a construção do texto das notícias não for objetivo, ocorre um desperdício de tempo e, portanto, de informação.

O jornalismo na televisão padece ainda mais da limitação lingüística pelo fato de que, (es)premidos pelo tempo, os telejornais - sobretudo os do horário nobre da programação - são forçados a condensar ao máximo o noticiário. A divulgação do maior número de notícias no menor tempo possível, lema dessa mentalidade de produção telejornalística, transforma

os informativos quase numa mera seqüência de manchetes, o que torna inevitável a redução vocabular (REZENDE, 2000, p. 26, grifo do autor).

O telejornal, segundo Pereira Junior, Porcello e Mota (2006), exerce uma função política e, ao mesmo tempo, é uma abertura para o mundo, intervindo em outros campos sociais a partir do modo que constrói e transmite as informações.

As diferenças (e também as proximidades) entre informação e entretenimento obrigaram o telejornalismo a se adaptar ao ritmo das mensagens publicitárias, pois ao passar pelo impacto visual de uma boa propaganda, ter de assistir a uma longa sequência sobre algum evento, tornou-se algo “insuportável” para o telespectador.

Segundo Carvalho, Diamante, Bruniera e Utsch (2010), seria simples se a informação fosse um patrimônio do jornalista, porém ela não é, e além disso, existe informação no humor, na publicidade, num simples bate-papo entre amigos. O que significa que todos produzem e consomem informação. O que diferencia o jornalismo é a notícia, a informação processada. Ela é a base do telejornalismo.

O telejornal, mesmo que use elementos do entretenimento por meio da linguagem, precisa indispensavelmente informar. Tem de responder às expectativas do telespectador, mas também possibilitar o levantamento de novos questionamentos.

Ou seja, é necessário sempre considerar que o assunto que interessa ao público seja de interesse público. "A busca da imparcialidade é o nosso oxigênio, é o que nos dá credibilidade, o que permite ao nosso público estabelecer uma relação de confiança conosco" (CARVALHO; DIAMANTE; BRUNIERA; UTSCH, 2010, p. 15). Mesmo que a imparcialidade seja impossível, pelos motivos já mencionados nesta monografia, ela sempre deve ser buscada pelo profissional de jornalismo como um ideal.

O telejornalismo deve manter os mesmos princípios éticos e valorativos do jornalismo, conforme escreveram Vizeu, Porcello e Coutinho (2010). O telejornal é um elemento de articulação entre o indivíduo e o coletivo. Mais do que trazer informações, o telejornalismo é o “local participação simbólica” do indivíduo na sociedade.

Segundo Machado (2000), ao longo da história do telejornal, ele foi sendo arquitetado em uma estrutura de apresentação baseada em depoimentos de sujeitos relacionados direta ou indiretamente aos acontecimentos.

Por esse motivo, a presença da televisão no local e no tempo dos acontecimentos tornou-se essencial, não apenas para autorizá-la como fonte confiável, mas principalmente porque essa é a condição indispensável de seu processo significante.

A presença do repórter e do cinegrafista no local de um acontecimento, ou até mesmo a forma como o apresentador se dirige ao telespectador, com palavras que demonstram tempo real (“vamos agora para...”) e interação com o telespectador (“você aí”; “olha só”) constrói vínculos entre emissor e receptor, fazendo com que esse último também se sinta participante do telejornal.

Ainda conforme Machado (2000), um mesmo telejornal pode ser “lido” diferentemente por diversas comunidades de telespectadores, em função de seus valores, ideologias e estratégias perceptivas ou cognitivas. Ou seja, para um mesmo fluxo televisual, podem existir diferentes “leituras”, o que demonstra que é o processo de interpretação que vai dar significação ao telejornal.

Segundo o pensamento de Arbex (2002), o telejornal abre espaços dentro de um novo horizonte informativo, em que a informação pura e simples já não é mais tão importante, mas é a encenação (representação) da informação que toma o lugar principal.

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