2.2 Phénomène de supraconductivité
2.2.4 Approche quantique, théorie BCS
Por sua alta responsabilidade em classe, o professor se erige como um dos elementos essenciais das mudanças, mas também se pode constituir em fator de estancamento.
A ação docente com respeito à questão da mudança pode ser seguida ao menos em dois planos: um, na incidência nas políticas educacionais através da dinâmica sindical; e outro, através do trabalho cotidiano nas classes.
Vários estudos sobre a conflitividade docente na América Latina assinalam que as ações de fato e as estratégias políticas dos sindicatos, com algumas exceções importantes,
circunscreveram-se à questão salarial. Este reducionismo reivindicacionista não permitiu que os docentes contribuam e incidam sobre as políticas educacionais de uma maneira substancial e transcendente. Além disso, as prolongadas e às vezes contínuas paralisações debilitaram a qualidade e o prestígio da escola pública, em detrimento da formação das crianças e dos jovens dos setores populares e médios, e em benefício do crescimento da escola privada1.
Com relação ao exercício docente e seu impacto em classe, podem-se anotar os seguintes pontos:
1. Um dos aspectos que determinam o exercício docente é
o de sua formação inicial. Esta adoece com sérias deficiências na maioria dos países da América Latina. Com efeito, a formação de professores não teve mudanças substanciais durante todo o século XX. Certamente, nesse período foram-se ampliando gradualmente os requisitos de acesso aos estudos e modificaram=se os conteúdos da preparação; no entanto, as reformas não afetaram de maneira profunda a organização e os currículos das escolas normais 2.
2. Em contrapartida à estabilidade na formação e à escassa
capacitação docente, houve mudanças radicais nos sistemas educacionais, tanto em termos de expansão quantitativa e geográfica, como em novas obrigações e requerimentos sociais e institucionais relacionados à função. Isto produziu um divórcio entre o sistema educacional e o sistema de preparação do professorado 3.
1 Milton Luna, “La conflictividad docente en América Latina”. UNESCO.
2 Inmaculada Egido, Francisco García Peña, Cristina del Moral, “La formación de profesores para la enseñanza de la historia en la educación básica. Así se enseña la historia”. Convenio Andrés Bello, 1999, pp. 113 y 114.
3 Ídem, pág. 114.
DESAFIOS
Então, para cumprir com a inelutável demanda história de caminhar para uma mudança educacional, requeremos urgentemente não apenas colocar a educação na agenda prioritária de nossos países mas também articular a luta pela educação no bojo da reconstrução de um novo projeto nacional, onde o nacional seja pensado a partir de uma perspectiva sul- americana e latino-americana. Projeto que aponte para a integração, a justiça social, a eqüidade, a interculturalidade, o desenvolvimento humano, o crescimento econômico e o fortalecimento da democracia.
Mas na luta por este objetivo devem ser envolvidos o docente e suas organizações.
Para isso, os sindicatos docentes precisam ampliar suas agendas em direção a propostas que impliquem incidir sobre as políticas educacionais e sobre a posta em prática de alternativas pedagógicas inovadoras. Precisam ampliar sua base social de alianças que apontem para a incorporação de todos os setores sociais e políticos numa agenda comum pela mudança na educação.
Mas tudo isso passa também pela criação e execução de políticas educacionais com ativa participação dos professores. Mas sem que eles se erijam na vanguarda, nem coloquem seus interesses no núcleo do movimento de mudança.
O núcleo inspirador devem ser as crianças e os jovens. Deve ser o exercício pleno do direito a uma educação de qualidade. Deve ser o bem comum e a realização integral do indivíduo e da sociedade.
Mas, para levar adiante tudo isso, cabe perguntar-se: como integrar a este movimento uma grande população docente que está pouco inclinada à mudança? Aí está o maior desafio político dos processos de transformação educacional atual e futura.
3. Os desafios de uma sociedade inundada com informação,
os problemas e mudanças na socialização das crianças e jovens sobre-estimulados e “formados” pela TV e pelos videogames, a maior desestruturação familiar, as novas exigências de um mundo do trabalho e de uma economia que requerem novas destrezas, conhecimentos nos seres humanos, a crescente necessidade de participação cidadã; tudo isso enfrenta uma escola e um sistema educacional paralisados e impotentes. Enfrenta um ensino e um docente formados com métodos tradicionais. “Estes fenômenos e outros problemas caracterizam a atual vida escolar e tornam cada vez mais difícil e frustrante o trabalho de educar e ensinar o docente”4.
4. A perda de prestígio social da carreira docente, a limitada
remuneração dos professores, as condições trabalhistas pouco adequadas para um exercício profissional estimulante, afugentaram e afugentam os melhores estudantes. Muitos dos jovens que iniciam estudos de magistério não o fazem por vocação, mas por falta de alternativas ou por fracasso em outras carreiras 5.
5. A perda de prestígio social do docente, a falta de atrativo
econômico e outros aspectos profissionais e políticos redundaram numa baixa de auto-estima do professorado. Mas esta questão da identidade também se relaciona com a perda de perspectiva histórica e política do docente no bojo de uma educação em crise e divorciada de um projeto nacional.
6. O salário pouco estimulante dos docentes levou grande
parte dos professores a estabelecer estratégias de sobrevivência que colocaram o exercício do ensino como apenas uma das atividades que realizam num dia para ganhar a vida. Então temos o professor pluriempregado. No melhor dos casos, fica-se dentro do sistema, dando aulas em dois ou três estabelecimentos. Senão, temos o professor-camponês, o professor-taxista, o professor-camelô, o professor-balconista, o professor-político, etc. Sendo assim as coisas, resta pouco tempo para a preparação das aulas, a leitura e a capacitação permanente. Todas essas condições geraram um grupo humano e profissional cada vez mais pressionado, desestimulado, estressado e com pouca motivação para a mudança. E tudo isso redunda na crise do sistema educacional.
4 Klipper, Heinz, “Trabajo y aprendizaje asumidos con responsabilidad propia. Elementos para la enseñanza de asignaturas”. Ed. Beltz, 2001, pág. 16.