Chapitre 4 – Application du modèle au contexte normatif et à ses évolutions
2. Contexte normatif et prévention
2.2. Approche performantielle
A quarta notícia que vou resenhar é de quase duas semanas depois da anterior, publicada no segundo jornal de maior circulação de nome Primeira Hora, dia 19 de outubro do ano 2009, com o título de: “Fazenda legaliza o pitorro em Mayagüez”. Mayagüez é una municipalidade do litoral do extremo oeste da ilha com um dos portos mais importantes. A autora narra como um casal de empresários jovens sofreu muitas “dores de cabeça” durante quatro anos para obter as 20 permissões estaduais e federais para que pudessem estabelecer a sua própria destiladora de rum, a quem eles registraram no Departamento do Tesouro como “pitorro”. Como teremos notado através das manchetes das notícias, a palavra pitorro é uma das várias formas como é conhecido o rum ilegal, no seu estado macerado ou curado sendo este em minha opinião, o mais utilizado. A exposição da notícia se opõe ai lançamento da marca do rum legal ‘Pitorro’ e a sua destiladora, a Destilaria Coquí31, ao esforço feito pelos representantes eleitos David Bonilla e José Luis Rivera Guerra, mencionados acima, em impulsar o seu projeto de lei que legalizaria a destilação do rum clandestino somente por três meses, isto é, durante a época natalina. Porém, na manchete lemos que “O Tesouro legaliza o Pitorro” então quando lemos o corpo da notícia percebemos que é a maneira em que a autora lança o anzol para atrair o leitor até a história, pelo que sabemos o que a palavra ‘pitorro’ significa popularmente, ou seja, rum clandestino. A contradição vem no segundo parágrafo, quando a autora cita os jovens empresários da nova destilaria quando comentam que “será ladeira acima” que o projeto de legalização impulsados pelos representantes seja avaliado pelas autoridades governamentais, já que os empresários levam quatro anos solicitando todas as permissões necessárias para começar a destilar legalmente e estabelecer a sua empresa. Passo seguido a autora faz uma descrição quantitativa das operações atuais da destilaria, quantidade de dinheiro investido, a quantidade alegada de terra plantada, de litros destilados e a descrição dos trabalhos e a quantidade de empregados seguido de uma cita de um dos donos da destiladora legal, que
31 O Coquí (Eleutherodactylus Portoricensis) é uma rã endêmica de Porto Rico potente símbolo nacional,
nos diz o slogan do seu produto dentro da explicação, “Levamos ao povo ‘um pitorro com todas as da lei’, que se pode beber só o mesclado, mas agora mesmo já temos incluso as etiquetas aprovadas pelo Tesouro e as agências federais para fazê-lo branco, de morango, abacaxi, coco e frutas”.
Dentre as suas projeções futuras está “A grande escala, em uns dez anos, isto poderia chegar a que se tenha que produzir entre 15 mil a 20 mil cordas de cana e estaríamos levantando uma infraestrutura bem grande, criando centos de empregos diretos e indiretos, mas em dois anos queremos ter umas 500 cordas plantadas para poder elaborar o pitorro a diário e criar entre 25 a 30 empregos na destilaria, sem contar os indiretos que criaria.” Final e ironicamente, a autora cita ao Representante Rivera Guerra, quem, por sinal, visitava ao empresário, comentando sobre o novo rum marca Pitorro: “Agora, com esta pequena indústria, as pessoas poderão ter o seu pitorro legal, tive a oportunidade de experimentá-lo e é de boa qualidade”. O autor impulsiona as possibilidades da legalização da destilação clandestina fundamentada em duas opiniões; a do político que apresenta o seu projeto de legalização, mas ainda é desarmado quando deu o seu ‘bom visto’ não só de conhecedor senão desde a sua posição de relativo poder político, ao novo rum legal e o legitima (ou isso tenta) quando diz que: “as pessoas
poderão ter o seu pitorro legal”.
Além disto, aparece citado desfrutando do produto da destilaria e reconhecendo ao jornal que será “ladeira acima a legalização” e a opinião dos mesmos empresários que declaram que estão trazendo um ‘pitorro legal’. Este enunciado confuso converteu-se em uma controvérsia. O “pitorro legalizado” adquiriu a partir desta data, proporções quase mitológicas entre as pessoas com as que eu conversei durante o trabalho de campo. Falei e registrei múltiplas pessoas que me diziam que o pitorro era legal somente em Mayagüez ou que tinham lido em alguma parte que o tinham legalizado. A noção das pessoas com as que eu falei durante o trabalho de campo era que existia algum tipo de arranjo legal em uma dimensão desconhecida do Direito e do Tesouro onde eles permitiam destilar, só em Mayagüez. Dita destilaria, ao registrar entendo que em forma problemática, o seu produto como rum marca ‘pitorro’, rum que é em essência um rum legal mais, o qual não só tenta apropriar-se diretamente do valor simbólico e qualitativo senão do seu lugar dentro do imaginário cultural porto-riquenho que ademais se submete aos níveis de álcool padrão
da indústria. Talvez seja uma pequeña operação em relação às duas destiladoras principais da ilha (Bacardí e Serrallés), e talvez este fator lhe dê umas qualidades diferentes a aqueles produzidos em quantidades de milhões de galões mas mesmo assim é uma prova clara do poder simbólico deste nome e veremos em breve como outras produções legais fazem a mesma coisa. É notável que esta notícia não contenha nenhum argumento articulado ou baseado nas tradições, a cultura, ou o artesanal por parte do escritor nem dos empresários, como os que tentam legalizar. Está fundamentada em que eles cumprem com todos os requisitos legais e de saúde requeridos pelo governo estadual e federal e se mostram preocupados por estabelecer-se como empresa.
Durante a pesquisa me hospedei perto das coordenadas da Destilaria Coqui, que fazia o rum marca Pitorro e marquei como meta conseguir conversar com os jovens empresários do rum. Embora eu escrevesse vários e-mails, dos que eu não tive nenhuma resposta, eu me aventurei a encontrar a destilaria e assim conhecer diretamente os destiladores. Eu queria saber quem era o destilador, de quem eles aprenderam a destilar e fermentar as batidas queria ver o alambique. De acordo com a nota de jornal, que acabo de esboçar em parte acima, um deles era publicitário por profissão e outro engenheiro, presumi que eles teriam que ter tido minimamente, um período de aprendizagem com um destilador ilegal para, pelo menos ter o direito de reivindicar tão sagrado nome como o seu próprio, como uma marca registrada. Corri para a estrada com as coordenadas oficiais e não encontrei nada, não atendiam ao telefone, a entrada norte, que é discutida na nota, nada, apenas um pasto imenso, continuei a pista até outro endereço que encontrei na internet, no centro da cidade de Mayaguez e nada, não havia nada. Eu perguntei em um bar, que estava cheio de idosos desfrutando da tarde com algumas cervejas, pensei que definitivamente eles sabiam do que estavam falando e nada. Eles não sabiam nada, olhei para o bar e dentro tinham uma garrafa fechada do rum marca Pitorro, mas nem o dono do bar sabia que era destilado em Mayagüez, nem os clientes que estavam jogando bilhar sabiam. Sentia-me que estava em um filme do velho oeste aonde um estranho chega à cidade e pede por alguém, e ninguém sabe de nada. Naquele dia eu estava guiando a tarde toda, passei por outro famoso local onde fazem sangria e ninguém sabia nada. Indicaram- me um parque industrial perto do porto onde o melaço é vendido por atacado, que estava fechado ao público, vi um tanque industrial gigantesco que estava rotulado como
"melaço". Eu queria pelo menos observar o alambique, queria ver o moinho de açúcar que eu li no jornal, com os dois funcionários que o operavam, não encontrei nada. Voltei para casa desfrutando do tráfego da tarde de Mayagüez. Fiquei meditando na nota, que termina com o Representante comentando sobre a qualidade do rum; "Agora, com esta pequena indústria, as pessoas poderão ter o seu pitorro legal, tive a oportunidade de experimentá-lo e é de boa qualidade."
A primeira notícia sobre o rum clandestino em 2010, foi publicada em 16 de junho, no jornal Novo Dia, na seção segurança, intitulada "Golpe para os amantes do
pitorro, alhanam armazém cheio de rum ilegal". A seção 'segurança' geralmente
descreve o roubo, mortes violentas e crimes menores. Ficou claro desde o início que não se tratava do rum marca pitorro e sim de um destilador clandestino. A autora descreveu o destilador como um homem de mais idade, cuja identidade não foi revelada, lhe foi ocupada uma quantidade não especificada de galões de rum clandestino, continua a notícia; "... Informou que na casa concretou-se a prisão de um indivíduo maior de idade, que não foi identificado. Foi dito que este era o dono do armazém de rum pitorro". A ação policial descreve-se como uma operação onde foi emitida uma ordem de busca da pessoa e acusações criminais por destilar e possuir dito rum. Encontro notável que o autor relatasse a nota policial começando com um título como "um golpe para os amantes do pitorro" que denota amor pelo rum e descreve-o como " rum artesanal ", mas além da polícia breve não oferece qualquer informação sobre o assunto, e termina com a narrativa da prisão e alguns detalhes técnicos jurídicos sobre a prisão, mas o destilador é invisível, anônimo, sem motivo, sem história sem voz. Ele é reconhecido minimamente pelo o que diz no título mesmo sendo um produto criminalizado e punível, mas é um amado, esta é a quarta menção do adjetivo 'artesanal', usado no sentido do destilador clandestino.