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Application à la séparation de sources

Na leitura extensiva, os alunos têm liberdade e flexibilidade em termos de escolha do tipo de textos que queiram ler. Este tipo de leitura extensiva tem um grande benefício no fornecimento de uma ampla variedade de experiências, desenvolve os conhecimentos linguísticos e é um bom meio para aprender uma língua estrangeira. Entende-se por leitura extensiva:

“ler em quantidade com o objetivo de se compreender o texto na sua globalidade, o que normalmente não acontece nas aulas, onde tradicionalmente o texto tem de ser seguido por várias perguntas de compreensão, que levam a que o aluno recorra ao scanning para rapidamente encontrar a informação específica de que necessita” (Harmer, 2001 Apud Mendonça: 2012: 60).

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“A leitura extensiva é aquela que se faz sobre uma quantidade de texto considerada grande (contos, novelas, biografias, romances, etc.) ao longo dum período de tempo extenso, para daí se retirar o significado global do texto lido, sendo esta uma prática que, de acordo com alguns estudos contribui para melhorar as competências linguísticas, pelo que deveria constituir-se como prática comum em contextos de aprendizagem de línguas estrangeiras (…)” (Usó-Juan, 2011: 205 Apud Esteves, 2013:22).

A leitura extensiva envolve geralmente a leitura de grandes quantidades de material (por exemplo: um livro completo) cujo objetivo essencial é o que está a ser lido mais do que a própria linguagem. A leitura extensiva pretende colocar o foco do leitor na leitura em si mesma (para informação ou entretenimento) e menos na leitura focada na mestria de uma estrutura particular linguística. (Carrell & Carson: 1997)

Por outro lado, Antão (1997) afirma que é muito difícil estabelecer um limite para a leitura extensiva, porque ela pode contemplar vários parâmetros e exigir a mobilização de vários conhecimentos:

“(…) a leitura extensiva não tem finalidades concretas nem limites definidos, até porque opera com parâmetros diversos e muito amplos, como são o ato de ler (compreensão, interpretação, contextualização), a pesquisa, registo e tratamento de informação, a análise/reflexão linguística e literária (estrutura e registo da língua, formas e géneros literários, intertextualidade, simbologia universalidade) ou a competência da comunicação oral e escrita” (Antão, 1997:59).

Quanto aos objetivos da leitura extensiva, Antão (1997:50) considera que este tipo de leitura tem como fim:

1) Alargar os horizontes da informação que o leitor possui;

2) Contextualizar uma obra, um autor, um movimento artístico ou cultural;

3) Fomentar a imaginação (pela leitura de textos semelhantes ou diferentes no conteúdo e na forma);

4) Reforçar a aquisição e hábitos de reflexão crítica;

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6) Desenvolver sentimentos de solidariedade (pela estruturação de uma cosmovisão, antropocêntrica, através de um melhor conhecimento dos outros, do mundo e de si mesmo).

Em vista disto, esta afirmaçãocomporta um aspeto comum sobre a noção de leitura extensiva. Segundo a perspetiva de Davis (1995), a leitura extensiva assenta na quantidade e variedade em detrimento da qualidade, uma vez que se pretende que os alunos leiam determinados livros que eles escolhem, sem fazer um teste. Assim sendo, este autor apresenta uma descrição sobre a implementação da leitura extensiva na aula de ensino da língua:

“Neste programa da leitura extensiva foi dado às crianças o tempo, encorajamento e materiais que as levem a ler com prazer, ao seu próprio nível de conhecimento, permite a leitura indeterminada dos livros escolhidos pela criança, sem estar obrigada a fazer um teste ou exame. Assim, as crianças estão em competição consigo mesmas e cabe ao professor proporcionar motivação e monitorização para garantir que estas leiam o máximo de livros possível no tempo disponível2 (Davis, 1995; 329).

Podemos observar que Davis (1995) salienta a necessidade de ler o máximo possível num determinado período de tempo, colocando os alunos a competir consigo mesmos. Ao professor cabe incentivá-los no sentido de encontrar a motivação necessária para que este processo possa ser feito.

De forma resumida, e em conformidade com Renandya & Jacobs (2002: 296- 297), apresentam-se os seguintes pontos como sendo as caraterísticas de uma boa metodologia da leitura extensiva:

1) Os estudantes leem grandes quantidades de material; 2) Os estudantes escolhem o que querem ler;

3) O material de leitura varia em termos de tópico e de género;

4) O material que os estudantes leem está dentro do seu nível de compreensão; 5) Os estudantes participam usualmente em atividades de pós-leitura;

6) O professor lê com os seus estudantes, modelando assim o entusiasmo pela leitura;

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7) Professor e alunos acompanham o progresso do aluno3;

De acordo com as caraterísticas acima, podemos perceber que a leitura extensiva só é efetivada se os alunos conseguirem alcançar os pressupostos que cada um dos pontos encerram.

Por sua vez, Carrel & Carson (1997) sobre a leitura extensiva no programa da língua segunda, fizeram uma revisão e chegam à conclusão de que a leitura extensiva pode contribuir para uma leitura mais eficaz. Com base em trabalhos de vários outros autores (Elley 1991; Krashen 1989, 1993; Stanovich & Cunningham 1993), estes (Carrel & Carson, 1997: 50) fazem várias afirmações sobre a contribuição da leitura extensiva no programa da língua segunda:

1) Promove o reconhecimento de palavras específicas através da construção do conhecimento ortográfico e correspondências entre letras e som;

2) Pode ser a melhor forma de desenvolver um vasto reconhecimento de vocabulário;

3) É um recurso chave para o desenvolvimento da motivação dos estudantes quando estes estão cativados;

4) Tem demonstrado uma influência positiva no conhecimento geral dos estudantes; isto é importante para aprender a ler novo material noutras áreas do saber e para aprender nova informação a partir de textos que estão para ser lidos;

5) Tem demonstrado influência positiva na proficiência da compreensão da leitura assim como noutras competências da linguagem;

6) Pode ser a única forma genuína de levar os estudantes a desenvolver e a manter estratégias de leitura e a tornarem-se leitores mais estratégicos; 7) É essencial para o desenvolvimento da habilidade de “ler e aprender”, um

objetivo geral para instrução academicamente orientada;

8) É um meio chave para os estudantes continuarem a aprender uma segunda língua de forma autónoma enquanto completam a instrução4.

3 De 1 até 7, as traduções são feitas por nós 4 De 1 até 8, as traduções são feitas por nós

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Estas afirmações levam-nos a perceber que a leitura extensiva é um bom caminho para enriquecimento do vocabulário e é um bom caminho para que os alunos possam desenvolver as suas competências linguísticas na aprendizagem de uma língua segunda ou língua estrangeira de forma autónoma.

Por outro lado, Richards & Renandya (2002:298) destacam os seguintes pontos, como benefícios da leitura extensiva:

1) Aprimoramento do processo de aprendizagem do idioma em áreas como ortografia, vocabulário, gramática e estrutura de texto;

2) Maior conhecimento da palavra;

3) Melhoria das capacidades de leitura e de escrita; 4) Maior satisfação pela leitura;

5) Atitude mais positiva em relação à leitura;

6) Maior possibilidade de desenvolver um hábito de leitura5.

Levando em consideração estes pontos em cima consignados, estes autores defendem que a leitura extensiva potencia nos alunos a aprendizagem de uma língua, desenvolve o conhecimento ortográfico, bem como o vocabulário, a gramática e a estrutura de texto. Além do mais, este tipo da leitura também capacita os alunos no melhoramento da sua forma de ler e escrever.

Do ponto de vista cognitivo, Rinandya & Jacobs (2002) apontam que a leitura extensiva é essencial para o desenvolvimento dos 3 (três) elementos essenciais na leitura fluente: 1) vocabulário de visão ampla; 2) vocabulário geral considerável; 3) conhecimento da língua-alvo e do mundo.

Estes autores explicam como esse processo ocorre:

“vocabulário de visão ampla refere-se às palavras que os leitores podem reconhecer de forma rápida e sem esforço. Este processo rápido e automático de reconhecimento de palavras é extremamente crucial para o processo de leitura. Se esta capacidade estiver em falta, o processo subsequente de leitura poderá ficar seriamente impedido, o que por sua vez torna a compreensão difícil, se não mesmo impossível. De forma similar, sem se processar uma vasta quantidade de vocabulário, o processo de leitura torna-se um exercício frustrante de dedilhado do dicionário que interrompe o processamento

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tranquilo da informação textual. Embora estes dois componentes sejam necessários, eles não fazem com que a compreensão aconteça por si mesma. É neste contexto que a compreensão é dependente, em grande parte, do conhecimento anterior do leitor em sintaxe, estrutura do texto e do assunto da leitura6” (Rinandya & Jacobs, 2002:299). Estas afirmações levam-nos a perceber que o reconhecimento das palavras é muito importante na atividade de leitura, pois sem estes reconhecimentos esta atividade dará origem a grandes dificuldades na compreensão do texto. Os elementos essenciais, como vocabulário de visão ampla e vocabulário geral considerável, não garantem por si só a compreensão de um texto. Neste âmbito, a compreensão de um texto depende geralmente do conhecimento anterior do leitor como conhecimento da sintaxe, da estrutura do texto e também do conhecimento sobre o assunto da leitura.