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VI.5 Prise en compte d’un champ de forces d’inertie

VI.5.6 Application numérique : cas avec champ de forces d’inertie

Vidal e Almeida (2008) dizem que “a infância constitui-se em um dos períodos mais importantes da vida do hemofílico, permitindo, de alguma forma, prever a evolução de sua doença.”

Segundo Oliveira (2009) a hemofilia não tem cura e a base do seu tratamento é a infusão do concentrado do fator deficiente, que pode ser de origem plasmática ou recombinante. Existem duas modalidades de tratamento de reposição, o de demanda e o profilático. O tratamento de demanda se refere àquele que ocorre após um episódio de sangramento e o tratamento profilático se refere àquele que ocorre previamente ao desenvolvimento de um episódio de hemorragia.

Ao saber que o seu filho tinha algo diferente, foi perguntado qual unidade de saúde procurou e como foi realizado o encaminhamento para um centro especializado.

“O hospital público mesmo, na época Clinisu que tinha... Doutor... nem me lembro mais o nome do doutor, ai me encaminhou pro posto de saúde pra mim procurar outros médicos lá, ai procurei o Drº Lafaete no Hospital das Clínicas, e ele fez o exame e ai ele disse que ele tinha uma doença que não parava de sangrar e eu tinha que ir pra Cuiabá, daí que eu fui e descobri que era realmente hemofilia, em Cuiabá fui pro pronto socorro, ai de lá me encaminharam no hemocentro que na época não era quase nada, né? Ai lá eu ficava internada no pronto socorro e vinha uma ambulância que me levava no hemocentro pra fazer o tratamento dele.” (Mãe 1) “O posto de saúde aqui do Ipê, ai foi o Dr. Sinvaldo ele que me deu o encaminhamento.” (Mãe 2)

“Eu procurei a Unidade Mista, depois que os exames chegaram, eles me encaminharam no hematologista, ai ele foi num hematologista em Nova Olimpia que depois mandou pra Cuiabá.” (Mãe 3)

Depois do diagnóstico com qual frequência vai ao Hemocentro e como é feito o atendimento lá, foi perguntado as mães:

“Lá é ótimo, que toda vez que vou nunca tive nenhum problema e é de mês em mês agora de 3 em 3 meses, de 6 em 6 meses, agora que ele já tá grande.” (Mãe 1)

“De 3 em 3 meses, com a Dra. Daniele.” (Mãe 2)

“A cada 3 meses, né? Aproximadamente, e o atendimento lá é muito bom, eles já conhecem bem ele e eu tenho toda assistência para ir até lá.” (Mãe 3)

Observou-se um contentamento no tratamento realizado do Hemocentro em Cuiabá, visto que conforme Carapeba (2006) a equipe que trabalha no centro especializado é

multidisciplinar é formada por hematologistas, ortopedista, enfermeiras, assistentes sociais, psicólogas, fisioterapeutas, nutricionistas, odontólogos e profissionais de laboratório. E médicos de outras especialidades interagem regular ou esporadicamente, fora das dependências do Hemocentro e freqüentemente estão envolvidas as especialidades de medicina nuclear, radiologia, infectologia e hepatologia. E o hemocentro atende ainda a pacientes de outros Estados, de maneira esporádica, vindos de Rondônia, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo para exames laboratoriais, consultas e reabilitação e para realização de radiosinoviortese, desde abril de 2003, pacientes provenientes dos Estados de ES, PR, RO, RJ, SP, RS, PI, PE, MG e BA.

A qualidade do Hemocentro de Cuiabá é excelente comparada com outros estados, porém a distância dificulta o acesso.

Quando perguntadas se a assistência é adequada e o que poderia melhorar, as mães falaram que:

“Pra mim, eu nunca tive problema, mas falta mais é, mais remédio, né? Ter mais remédio porque muitas vezes precisa e não tem, né? Tem que ir lá buscar receita e tudo, passar pela médica, por tudo, mas se tivesse mais remédio, acho que, pra tomar direto e frequência em, ter pausa, só quando se machucar se fosse frequente seria melhor.” (Mãe 1)

“Falta um monte de coisa, podia trazer um pouco do hemocentro de lá pra cá, pra ter mais atendimento, ficar mais perto e mais fácil o acesso.” (Mãe 2)

“Não... é boa, adequada.” (Mãe 3)

Através dos relatos, confirma-se a dificuldade na distância. E ao perguntar se elas pudessem realizar um sonho para as pessoas e famílias que tem hemofilia, as mães responderam:

“Ter ajuda do governo, pra ajudar outras pessoas que às vezes tem gente que precisa mais do que eu, e não tem condições.” (Mãe 1)

“Trazer um pouco do hemocentro pra Tangará, atendimento para todos os hemofílicos.” (Mãe 2)

“Seria realmente a cura, né? Porque senti muita dor.” (Mãe 3)

Caio et al. (2001) afirma que o indivíduo hemofílico a qualquer momento pode necessitar, da reposição urgente do fator de coagulação, terapêutica de alto custo e geralmente disponível em poucos centros especializados. Esse fato cria uma situação psicossocial peculiar para essa pessoa: a de alguém que vive sob a constante ameaça de um sangramento inesperado e na eterna dependência, em termos de distância geográfica e disponibilidade, de um centro especializado de tratamento. Mesmo não necessitando de internação hospitalar, tal

patologia torna-se, principalmente para os de menor poder aquisitivo, um problema sério, porque costumam morar longe.

Visto que aqui em Tangará possui um banco de sangue, foi perguntado a enfermeira quais os tratamentos realizados na Unitan.

“Bom, aqui na Unitan a gente não faz tratamento de hemofílico a gente apenas armazena o fator VIII que são os hemofílicos que tem [...] aqui em Tangará que a gente faz esse [...] acompanhamento que não é bem um acompanhamento a gente só serve de um elo entre o hemocentro e os paciente que moram aqui, eles a gente armazena o fator aqui conforme é solicitado pelo médico, ele faz o acompanhamento em Cuiabá vem com uma receita e a gente encaminha essa receita pro hemocentro e traz essa quantidade toda do fator pra um mês, pra dois meses ou três meses, armazena aqui e eles vem pegar conforme a necessidade, e geralmente o tratamento é [...] eles que fazem o tratamento pra prevenção, né? Então quando se machucam que eles fazem uma dose maior, mas geralmente é pra prevenção tomam uma vez por semana, duas vezes dependendo do caso.” (Enfermeira)

O acesso ao tratamento não ocorre aqui em Tangará, como já falado anteriormente, e a Unitan atua como suporte.

Conforme o Ministério da Saúde (2007) a dose domiciliar (DD) compreende a liberação de um ou mais frascos de concentrados de fator de coagulação que o paciente com hemofilia leva para sua casa para aplicação, em caso de hemorragias. A DD foi criada para que o tratamento dos pacientes com hemofilia seja realizado assim que surjam os primeiros sintomas de uma hemorragia ou de forma profilática.

Foi perguntado para as mães como funcionam as doses domiciliares, quantas doses e com qual frequência elas recebem esse fator.

“Quando se machuca, recebe frequentemente as doses, agora quando não se machuca às vezes tá só a dor, que corta a dor também, né? Ai toma uma dose, uma dose dura 12 horas, ai até 12 horas ele fica sem dor, a receita eles mandam, o meu menino já tomando 2000, né? Então na época tomava 250 se ele cortasse, ele tomava 250 ai enquanto não cicatrizasse não parava de tomar, agora não, só toma mesmo quando se machuca. Eu trago 1 ou 2, depende do machucado, das dores que tá sentindo.” (Mãe 1)

“Dá 10, até o dia que voltar lá denovo.” (Mãe 2)

“Eu trago doses pra 3 meses, deixo no banco de sangue, e busco lá uma vez por semana. Eu pego, pra 3 meses, são 3 vezes por semana, tem que fazer o calculo, é 3 doses de 1000 por semana.” (Mãe 3)

Os hemofílicos têm uma quantidade limitada de fator, até que ocorra outra consulta, questionou-se na ausência do fator qual unidade essas mães procuram:

“Na falta do fator....(pensativa) Não tem opção, né?. É tomar um remedinho em casa, remédio pra hemorragia, ele agora, ele tomava Ponstan que é pra mulher, né? Quando era pequeno a médica Dra. Sylvia passou lá de Cuiabá, ai agora que ele tá grande, ele mesmo se medica, ai ele toma Sedilax, que é pra hemorragia também, estanca, né? Ai ele toma um comprimidinho, para de doer e vai desinchando.” (Mãe 1)

“Unitan.” (Mãe 2)

“Procuro o banco de sangue que entra em contato com o hemocentro.” (Mãe 3)

Lorenzi (2006) demonstra o uso de estrógeno e progesterona no tratamento da hemofilia, pois o uso de doses elevadas pode provocar aumento dos níveis dos fatores VIII e IX, método utilizado em mulher que tem menometrorragias.

Em contrapartida foi perguntado a enfermeira como são distribuídas as doses domiciliares em Tangará da Serra-MT.

“Bom, como eu falei antes até pra complementar, a gente conforme a receita que eles vem de Cuiabá que o médico lá prescreveu, o médico que acompanha o hemofílico, vem com uma receita, a gente encaminha essa receita de volta pro hemocentro, o nosso motorista vai lá, pega a quantidade de fator que tá solicitando a receita e a gente já armazena essa medicação numa geladeira especifica aqui, e fica aqui durante o prazo que até acabar aquele estoque daquela pessoa, né? Então conforme eles vão precisando eles vem a cada 15 dias ou a cada semana pegar, eles pegam numa caixinha de isopor leva pra casa e guardam na geladeira e fazem uso de acordo com a necessidade. (Enfermeira)

Também perguntamos se já ocorreu alguma intercorrência ao aplicar o fator na Unitan. E a enfermeira respondeu que:

“Aqui na Unitan [...] só eventualmente que a gente faz essa aplicação, né? Geralmente esses pacientes que fazem uso do fator VII vão ou na Unidade Mista ou na unidade perto de casa ou o próprio familiar faz a aplicação, então a gente aplica bem pouco, mas as vezes que a gente fez a aplicação aqui, não teve intercorrência nenhuma.” (Enfermeira)