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N. Ano Tipo Facilitador Detalhes do documento Fonte

1 1679 Os carmelitas de Salvador já tinham fazendas de gado na Nascente do Rio Real.

- “Dois sítios de terra, um chamado o Jacaré e outro Genipapo no Jabeberi e Rio Real em cima nas serras. [...] os religiosos ficaram com a terra, que há do dito Sitio do Genipapo além do Jabeberi no Campo de Maria Zamba e Iricuri, rumo para a nascente com todo o campo e casas que se acharem naquela parte do Nascente entre as terras fronteiras da mesma divisão, e ficará o dito capitão-mor Belchior da Fonseca Saraiva com o curral que tem chamado o Genipapo em que está presente por curraleiro Antonio Fernandes para a parte do poente junto às ditas lagoas. [...] Curral dos religiosos do carmo chamado de Tapera”.

“Livro de Tombo [...]” (1592- 1796, p. 174-178). 3 1692 Doação de terra e fazendas para a Missão, Igreja e Hospício do Carmo na Barra do Rio Real178. Capitão Belchior da Fonseca Saraiva Dias e Moreira e de sua mulher e prima Dona Antonia de Gois.

“[...] nas suas Fazendas do Rio Real para fazer um hospício para os religiosos [...], e que com efeito foram [os carmelitas] para o dito sítio aonde moraram alguns anos, e que depois [...] se vieram para o seu convento desta Cidade [de Salvador] em que fizeram falta aos moradores daquele distrito [...]. A saber que irão logo os reverendos padres missionários [...] a situarem a sua Missão dos Índios em a Barra do Rio Real, fazenda e vivenda dos doadores aonde tem situado o seu Engenho de Santo Antonio e Igreja de Nossa Senhora de Jesus da qual é administrador o doado[r], e junto dela está já começado um hospício, em que já moraram os religiosos do Carmo [...]. [...] será obrigado [...] o capitão-mor Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moreira [...] acabar a dita

AC- SANTO ELIAS. Rio Real: escritura de fundação (1692) e documento de posse (1693). Maço: Rio

Igreja de Nossa Senhora do Desterro e do Monte do Carmo e Hospício [...]”. No entorno do local, foi doado: 1 - um sítio de terras chamado Japão, para criação de gado; 2 - terra entre os Rios Saguim e Guararema (na Barra do Rio Real): “[...] começando a meia légua [cerca de 1 quilômetro] mais perto do seu hospício”; 3 - terras para os índios viverem, próximas ao hospício, onde seria o aldeamento da missão; 4 - terras para a horta, junto à cerca do hospício; 5 - um armazém no porto do mar, na Barra do Rio Real, “para recolhimento das suas coisas”.

Real, doc. 1. 4 1696 Autorização da Missão e Hospício do Rio Real. Coroa Portuguesa (através da Junta das Missões).

A princípio, a Coroa negou o funcionamento do hospício em 1692179,

mas, entre 1696-1697, o autorizou, tendo em vista que o hospício já estava construído, mas a igreja ainda não.

FBN, DH, Ano 90, p. 6-7; 11-12. 5 1756 Pedido à Coroa de elevação do hospício para convento. Província Carmelitana da Bahia e Pernambuco.

Em 12 de maio de 1753, em uma reunião da Província Carmelitana da Bahia e Pernambuco no Convento de Salvador, houve a intenção de se transformar o Hospício do Rio Real em convento. Aparentemente, aquele projeto não foi autorizado pela Coroa Portuguesa, porque não há registros daquela mudança, permanecendo ao longo da segunda metade do século XVIII com o título de Hospício do Rio Real.

“Livro Primeiro de Actas [...]” (1720- 1780, p. 374).

Quadro 28: Documentos da fundação do Hospício e Missão do Carmo do Rio Real (1675-1756).

Apesar de não estar situado em uma vila ou cidade de destaque, como, por exemplo, em Cachoeira, o Hospício e Missão do Rio Real estava inserido, estrategicamente, na passagem entre o Convento do Carmo de Salvador e o de São Cristóvão. Além disso, desde o século XVI, o entorno do Rio Real era local importante para a Capitania da Bahia de Todos os Santos pelos seguintes motivos: 1 ) era ocupado por fazendas de gado da Coroa e de moradores da Bahia, que abasteciam a Cidade de Salvador, por exemplo; 2 ) naquela região, os jesuítas da Bahia trabalharam em missões antes da conquista de Sergipe; 3) antes da conquista de Sergipe em 1590, era o limite de ocupação populacional da Bahia, sendo fixados alguns núcleos de povoação, tanto na parte da Bahia quanto na parte de Sergipe, constituindo-se em uma grande freguesia; 4 ) os núcleos urbanos ali existentes e a posição estratégica deles entre a Capitania da Bahia e a Comarca de Sergipe permitiram a formação de um extenso comércio abastecido por terra e por mar. No detalhe do “Mappa Tipografico dos Portos [...]”, de Nicolao Martinho (1776), podemos visualizar (em vermelho): a Cidade de Salvador; a Barra do Rio Real, com a representação de edificações, onde seria o Hospício e Missão do Carmo; a Nascente do Rio Real, onde os carmelitas tinham fazenda de gado; a Cidade de São Cristóvão. (Figura 22).

179 FBN, DH, Ano 34, p. 69-70. “Carta para Sua Magestade sobre o requerimento que queriam fazer a Roma para

serem Missionários Frei Domingos Barbosa e Frei Joseph de Jesus Maria. Junta das Missões. Senhor. Por carta de 6 de fevereiro deste anno [1692] [...]”, disponível em: <http://memoria.bn.br/docreader>, acesso em: 24 maio 2013.

Figura 22: Detalhe do “Mappa Tipografico dos Portos [...]” (1776), com destaque para as regiões de Salvador, Rio Real e São Cristóvão, onde havia a presença dos carmelitas (em rosa).

Fonte: FBN Digital; mapa modificado pela autora.

Assim como em Cachoeira, a fundação do Hospício do Carmo no Rio Real foi uma missão intermediada pela Junta das Missões da Bahia, uma vez que era interessante para a Coroa que as missões fossem administradas por regulares. Da mesma forma que em Cachoeira, o local de construção do Hospício do Rio Real era um engenho de propriedade de um capitão da elite colonial, detentor de grande parte das terras do Rio Real e que doou todos os benefícios para os carmelitas calçados no intuito de trazer prestígio à região do capitão, mesmo que esta não tenha se tornado vila e muito menos cidade ao longo do século XVIII, mantendo-se como a Povoação do Rio Real, uma vez que concorreu, administrativa e economicamente, com a Vila de Abadia, próxima dali, no lado da Capitania da Bahia.

Nesse mesmo contexto de missões, em 1704, os carmelitas de Salvador assumiram mais uma missão e a estabeleceu entre o Rio Japaratuba e Japaratuba-Mirim, mais ao Norte da Comarca de Sergipe, próximo às suas Fazendas de Santa Isabel. A missão era do coronel Antônio Silva Pimentel. A esposa dele, após a morte dele, expulsou os índios, mas a missão foi restituída pelos calçados, com o apoio da Junta das Missões da Bahia, em nome da Coroa, do ouvidor da Comarca de Sergipe e do governador da Capitania da Bahia. (Quadro 29).