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Application de la CIN à l’étude des enrobés bitumineux

déformation hétérogènes

2.3 Méthode de mesure se basant sur l’analyse d’images

2.4.2 Application de la CIN à l’étude des enrobés bitumineux

4.1.1 Caracterização e justificativa da pertinência

Não existem regras que possam se aplicar constantemente a todas as situações de entrevista, embora possam ser feitas algumas afirmações gerais. O que se revela mais importante é a necessidade de se ouvir cuidadosamente. Oiça [sic] o que as pessoas dizem. Encare cada palavra como se ela fosse potencialmente desvendar o mistério que é o modo de cada sujeito olhar para o mundo. Se a princípio não compreender o que o sujeito está a tentar dizer, peça-lhe uma clarificação. Faça perguntas, não com o intuito de desafiar, mas sim de clarificar. Se não conseguir compreender, encare o defeito como seu. Assuma que o problema não reside na falta de sentido do que o sujeito está a dizer, mas que reside em si, que não o conseguiu compreender. Volte atrás, oiça e pense um pouco mais. O processo de entrevista requer flexibilidade. Experimente diferentes técnicas [...]. Pode ter que pedir aos entrevistados para elaborarem histórias e, por vezes, partilhar com eles as suas experiências (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 137).

A entrevista consistiu em instrumento utilizado na busca por compreender e responder às questões e objetivos propostos neste estudo, por as considerá-la como “poderoso recurso para captar representações”, uma vez que “os sentidos construídos pelos sujeitos assumem [...] o caráter da própria realidade, só que do ponto de vista de quem a descreve. A linguagem aqui é um forte fator de mediação para a apreensão da realidade e não se restringe apenas a noção de verbalização” (MACEDO, 2010, p. 103).

Delgado (2006), ao apontar dois tipos de entrevista recorrente em pesquisas que produzem fontes orais (depoimentos de história de vida e entrevistas temáticas), considera uma terceira forma que pode ser identificada como entrevista de trajetória de vida. O ponto comum entre este tipo de entrevista consiste no fato de “fazerem da memória e da narrativa elementos centrais para reconstituição de épocas e acontecimentos que tiveram importância para a vida de comunidades, instituições e movimentos aos quais os depoentes estiveram ou ainda estão vinculados” (p. 21).

Em inspiração etnometodológica, Macedo (2010) distingue três tipos de entrevistas: 1) aquele tipo que visa a elaborar uma narrativa de vida (autobiografia) em que busca

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apreender experiências que marcam de maneira significativa a vida de alguém e a “definição” dessas experiências pela própria pessoa; 2) outro tipo visa a conhecer acontecimentos e atividades não diretamente observáveis em que as pessoas descrevem realidades em sua interpretação e na forma como elas são percebidas por outras pessoas; 3) o terceiro tipo aproxima-se do conhecido como grupo nominal ou focal pela obtenção de informações de um número elevado de pessoas, mediante questões abertas.

De fato, a entrevista é um rico e pertinente recurso metodológico para a apreensão de sentido e significados e para a compreensão das realidades humanas, na medida em que toma como premissa irremediável que o real é sempre resultante de uma conceituação; o mundo é aquilo que pode ser dito, é um conjunto ordenado de tudo que tem nome, e as coisas existem mediante as denominações que lhes são emprestadas (MACEDO, 2010, p. 104).

Portanto, a preocupação das análises aqui feitas e pretendidas gira em torno da forma como o sujeito conta a estória dos fatos e organiza seu discurso enquanto narrativa (JOVCHELOVITCH, 2000); sendo, pois, focadas as experiências e percursos narrados pelas professoras em sua vinculação com o processo de desenvolvimento profissional docente.

Foram várias as questões que se presentificaram na busca por compreender, no percurso profissional, a inter-relação entre as representações sobre formação contínua e o desenvolvimento profissional: qual é a versão particular construída pelas entrevistadas em relação à formação contínua e seu desenvolvimento profissional? Como capturar o social, considerando-as sujeitos psicológicos, e entendê-las sujeitos psicológicos enquanto atores da cena social?

A partir do problema proposto no presente estudo, que diz respeito aos processos de desenvolvimento profissional, pela via das representações dos sujeitos que participaram de formações contínuas oferecidas pela SEME, as questões foram compondo o nosso percursos investigação e se apresentando nas análises.

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4.1.2 Caracterização do instrumento e dos resultados obtidos

A entrevista, que consiste em “uma das técnicas mais frequentes na investigação naturalista” (AFONSO, 2005, p. 97), foi utilizada no recolhimento “de dados descritivos na linguagem do próprio sujeito” de modo a permitir que o investigador desenvolvesse “intuitivamente uma idéia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 134).

O modelo das entrevistas obedeceu a formato semiestruturado, com aspectos globais, mas que tendem a ser mais específicos (AFONSO, 2005), geridos por intermédio de um roteiro, em cujo caráter matricial constava “objectivos, questões e itens ou tópicos. A cada objectivo corresponde uma ou mais questões. A cada questão correspondem vários itens ou tópicos que serão utilizados na gestão do discurso do entrevistado em relação a cada pergunta” (p. 99).

A entrevista teve como objetivo geral recolher elementos que possibilitassem compreender os percursos de desenvolvimento profissional em sua inter-relação com a representação de formação contínua dos participantes.

A redação e organização do roteiro da entrevista foi organizada em torno dos seguintes temas: 1) a escolha e expectativas sobre a profissão, realizações e desafios enfrentados no percurso profissional e formas de lidar com os desafios; 2) formações em que participou e características gerais (formato, duração, organização, formadores etc.), o que buscava e o que encontrou; 3) a importância das formações oferecidas pela SEME em sua atuação profissional, o que é uma boa formação, quando percebe a necessidade, quais foram relevantes, avaliação, críticas e sugestões às formações ofertadas.

Ressaltamos que, no decorrer das entrevistas, seus objetivos e roteiro foram esclarecidos junto às entrevistadas, bem como a utilização dos dados nelas contido no presente trabalho; posteriormente, a transcrição foi enviada às mesmas para que tivessem acesso e dessem anuência em relação às suas falas, fizessem as correções que julgassem necessárias, bem como autorizassem ou não a sua utilização.

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As narrativas foram imprescindíveis na busca pela compreensão de questões, configurando, inclusive, o surgimento de muitas outras. Procedeu-se, então, neste estudo, em sua organização por unidades de contexto, elencadas para discutir e analisar os dados, que tomaram como ponto de partida os aspectos abordados na entrevista: os percursos que influenciaram e engendraram a formação inicial na área docente; o início da atuação profissional, o deparar com códigos e princípios próprios à profissão e ao espaço de atuação; a constituição do grupo existente; formas de inserção nesse espaço e no grupo; desafios vivenciados no percurso docente e formas encontradas para enfrentá- los ou superá-los; consideração do ser e estar atualmente na profissão docente; participação em formações contínuas oferecidas e implicações delas no desenvolvimento profissional; autopercepção enquanto profissional.