Chapitre 2 Mod´ elisation et identification de la g´ en´ eratrice synchrone
2.5 Validation et identification param´etrique de la machine
2.5.3 Module didactique de calcul de param`etres par m´ethode it´erative
2.5.3.4 Application de l’algorithme sur des donn´ees exp´erimentales
Os estudos identificados sobre os aspectos socioeconômicos e ambientais de barragens subterrâneas são relativamente escassos, caracterizados por análises parciais e, geralmente, sem um rigor científico desejável. Nesta seção, são analisados os principais estudos sobre a temática selecionada.
O custo de investimento, na construção de barragens subterrâneas modelo Costa & Melo (ou modelos derivados), foi estimado por: Oliveira (2001); Waldir Duarte (2003); Foster; Tuinhof (2004); VSF (2006); Silva et al. (2007a); SEMARH (2012) e Embrapa (2014), conforme detalhes apresentados na Tabela 1.
Tabela 1 – Custos de investimento e produção agrícola em barragens subterrâneas no Brasil e África Referência Valor em R$ de junho/2012) Localização Investimento (Barragem e poço) Investimento Produtivo Agrícola Oliveira (2001) Waldir Duarte¹ - 2003 Foster; Tuinhof (2004) VSF(2006)
Silva et al. (2007a) SEMARH (2012) Embrapa (2014) Média 5.110,00² 6.780,00³ 5.845,00³ 5.070,00³ 3.720,00³ 8.260,00² 5.000,00³ 5.683,57 --- --- 9.680,00 --- --- 5.930,00 --- Ceará – Brasil Região Nordeste - Brasil
Pernambuco-Brasil Quênia-África Região Nordeste - Brasil
Rio G. Norte-Brasil Região Nordeste - Brasil Fonte: elaboração do autor
(¹) Entrevista concedida à Universidade Livro do Meio Ambiente do Nordeste (Unieco), disponível em: < http://ibps.com.br/tag/noticias/page/265/>
(2) Valor estimado.
Para as barragens de pequeno porte (de 10.000 a 20.000 m³), estudadas nesta tese, os custos de implantação variaram de R$ 3.720,00 a R$ 8.260,00, a preços de junho de 2012. Tal amplitude pode ser explicada devido ao fato de que nas barragens de menor custo foram considerados apenas a construção da obra física (barragem e poço), ficando fora do orçamento os custos referentes aos estudos prévios de locação e aqueles destinados à capacitação dos beneficiários. Outra provável fonte de subestimação do custo real de construção da barragem é a assunção, por parte dos beneficiários, de custos com mão de obra própria na construção da barragem e do poço (SILVA et al, 2007a), ou seja, os beneficiários que trabalharam na construção da barragem não foram remunerados.
Waldir Duarte Costa, criador do modelo Costa & Melo, estimou o custo de construção da barragem subterrânea em R$ 6.780,00, incluindo-se o poço. A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Rio Grande do Norte (SEMARH, 2012) estimou a construção da barragem e do poço em R$ 8.260,00. Neste estudo, foram incluídos nos custos todos os itens de despesa, inclusive, custo indireto com a mão de obra do beneficiário. Esse projeto foi financiado pelo Banco Mundial e implantado na região do Seridó potiguar.
A ONG internacional Vétérinaires Sans Frontières (VSF) estimou o custo de implantação de uma barragem subterrânea, no Quênia, em R$ 5.070,00. Essa barragem foi totalmente construída de forma manual, ainda assim, o custo de implantação ficou em torno da média. Considerando apenas as estimativas dos custos das barragens subterrâneas no Brasil, o custo médio foi de R$ 5.785,00, inclusive com os custo do poço.
Cabe destacar, neste trabalho, o baixo custo da implantação de uma barragem subterrânea no Quênia, semelhante ao modelo Costa & Melo, que alcançou o valor de R$ 5.070,00, visto ter sido totalmente construída de forma manual em uma região em que o valor da diária (mão de obra) é relativamente muito baixo em relação ao Brasil.
Em uma análise conjunta, excluindo-se a barragem do Quênia (fora do Brasil), tem-se um valor médio de R$ 5.785,00, para a construção de uma barragem com o poço nos moldes do modelo Costa & Melo.
Quanto aos valores com investimento para produção agrícola (cercas e equipamentos), os dois valores, identificados na Tabela 1, refletem a realidade tanto
do Estado de Pernambuco (R$ 9.680,00) e como do Rio Grande do Norte (R$ 5.930,00).
Costa et al (2002) estimou a distribuição percentual de uso da água em uma barragem subterrânea: consumo humano, 6%; dessedentação de animais, 26%; uso doméstico, 44%; pequena irrigação sem bombeamento, 14%; pequena irrigação com bombeamento, 3%; e outros usos, 7%. Apesar dos autores não terem apresentado a metodologia para a obtenção destes dados, pode-se afirmar que os resultados refletem o uso satisfatório das barragens subterrâneas no semiárido do Ceará. Em termos agregados, constata-se que 50% da água é utilizada para consumo humano, 26% para consumo animal, 17% para agricultura (capineiras) e 7% para outros usos.
Os estudos sobre à exploração agrícola, oferta de água e impacto ambiental, em barragens subterrâneas, são escassos e imprecisos. Silva et al. (1998) apresentou uma conta cultural por hectare (valores corrigidos para dezembro de 2012), para exploração de feijão caupi (R$ 297,00), milho (R$ 261,00) e sorgo (253,75), em barragem subterrânea, localizada em Petrolina-PE. Também, apresentou a conta cultural para fruteiras (manga, graviola, limão, goiaba e acerola) no valor de R$ 488,00 por hectare. Referidas culturas são irrigadas com água das barragens subterrâneas, porém, estão localizadas em áreas de mata ciliar e/ou áreas próximas às barragens.
Os valores de custeio agrícola, nas explorações feitas em barragem subterrânea, são relativamente mais baixos, tendo em vista tratar-se de exploração feita em regime de subirrigação e sem a aplicação de agrotóxicos. A propósito, a CONAB (2013) informa que os custos médios de produção de feijão e milho de sequeiro no Estado do Ceará foram de, respectivamente, R$ 1.212,52 e 1.216,80.
França et al. (2012), por meio da análise custo-benefício, identificaram a viabilidade financeira de uma barragem subterrânea-padrão para o semiárido do Nordeste do Brasil. Para um volume de investimento de R$ 14.717,00 (construção, cerca e equipamentos) e custos operacionais de R$ 3.236,00/ano, a preços de dez- 2012, aplicados na barragem, a taxa interna de retorno financeiro (TIR) foi de 60,6%; o índice de lucratividade de 58,0%; e o tempo de recuperação dos investimentos, em 3,5 anos; e renda líquida familiar de R$ 865,16/mês. Portanto, a barragem subterrânea (e sua exploração) mostrou-se viável financeiramente, visto
que a magnitude da TIR encontrada foi maior do que a taxa de desconto de 6% considerada.
Cirilo et al. (2003) analisaram os indicadores financeiros de 19 barragens subterrâneas, implantadas da região de Mutuca-PE. Por meio da análise custo- benefício, os autores encontraram uma relação benefício-custo igual a unidade e uma taxa interna de retorno (TIR) de 6,48%, considerando um horizonte de 10 anos e uma taxa de desconto de 12% a.a. Nesse caso, as barragens subterrâneas mostraram-se financeiramente inviáveis.
Ferreira et al. (2011), utilizando indicadores ambientais e sociais para avaliar a sustentabilidade de uma barragem subterrânea no Assentamento Pedro Henrique, Solânia-PB, com área cultivada de 1 ha, observaram, em uma escala de 1 a 5, os seguintes resultados: para nível de sustentabilidade agroambiental de bom (4) a alto (5), observou-se produtividade agrícola, teor de matéria orgânica, diversidade da fauna e da flora, qualidade da água e dependência externa; para nível de sustentabilidade razoável (3), apenas a baixa qualidade natural do solo da bacia hidráulica da barragem. Os indicadores sociais, por sua vez, apresentaram o seguinte desempenho: níveis de bom a alto para utilização da mão de obra familiar, assimilação da tecnologia, resistências às secas e cheias, além de facilidade de distribuição das tarefas por idade e gênero. O único indicador com desempenho razoável (3) foi a fixação do jovem na terra.
Embrapa Solos realizou a avaliação do desempenho de barragens subterrâneas espalhadas no Semiárido (EMBRAPA, 2014). Para isso, utilizou o Sistema de Avaliação de Impacto Ambiental da Inovação Tecnológica Agropecuária (AMBITEC), desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente. Este método tem como base o conceito de desenvolvimento sustentável, tendo em vista que considera os impactos nos segmentos: econômico, ecológico, social e sobre o conhecimento das inovações tecnológicas (IRIAS et al., 2004). Para cada segmento, os resultados são normalizados de modo que o maior valor observado, por segmento, passa a ser o referencial de comparação.
Para uma amostra de oito barragens subterrâneas pesquisadas, segundo Embrapa (2014), o ganho líquido unitário do agricultor foi de R$ 1.998,00, em 2012, e o ganho de produtividade física foi quatro vezes superior ao da exploração agrícola convencional. Com relação ao segmento social, o indicador mais relevante foi a ocupação da mão de obra que obteve o valor máximo entre os indicadores
considerados no segmento, no caso 5, ficando a capacitação com o índice de 3,6 e a qualidade do emprego com 2,6. Quanto ao segmento ambiental, a avaliação mostrou que a água foi o indicador mais relevante com o índice de 5,7, enquanto a capacidade produtiva do solo ficou com 4,7 e a biodiversidade com 3,4.
Pelo exposto, constata-se que os estudos sobre indicadores de sustentabilidade e os benefícios socioeconômicos e ambientais das barragens subterrâneas ainda são escassas, razão pela qual a ampliação das pesquisas científicas nessa área são necessárias, para subsidiar a elaboração e monitoramento das políticas públicas e difundir tais conhecimento aos técnicos e beneficiários envolvidos com as barragens subterrâneas.