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2. ANTIBIOTHERAPIE GUIDEE PAR PREUVE BACTERIOLOGIQUE :
3.2.1 A opção pela História Oral
Para compreender lembranças de experiências musicais de idosas, adotei o método da História Oral29. Segundo Alberti (1990) é “um método qualitativo, de um
lado, e produtora de fontes de consulta, de outro”, e “se firmou como novidade no final dos anos 60 no mundo acadêmico” (p. 3).
Sua definição não é estabelecida com facilidade, pois “ora se constitui
método de investigação científica, ora como fonte de pesquisa, ora ainda técnica de
produção e tratamento de depoimentos gravados” (ALBERTI, 1990, p. 1) (Grifos no original).
Porém, essa sua indefinição não impede que se faça uso dela como método, pois a História Oral se presta a diversas abordagens e se “move num terreno pluridisciplinar” (ALBERTI, 1990, p. 1). Como método de pesquisa, a História Oral “amplia o conhecimento sobre acontecimentos e conjunturas do passado através do estudo aprofundado de experiências e versões particulares” (ALBERTI, 1990, p. 3). Trata-se de um método “de procurar compreender a sociedade através do indivíduo que nela viveu; de estabelecer relações entre o geral e o particular através da análise comparativa de diferentes versões e testemunhos” (ALBERTI, 1990, p. 3).
29 Dentre os vários autores que discutem a História Oral, uns usam o termo em letras maiúsculas,
outros em letras minúsculas. Ao me referir à História Oral como método opto por usá-lo em letras maiúsculas.
Para Lozano (1998), uma das grandes riquezas da História Oral é justamente essa, a de ser “um espaço de contato e influência interdisciplinares: sociais, em escalas e níveis locais e regionais” (LOZANO, 1998, p. 16).
Quanto às críticas sobre essa (in)definição acerca da História Oral, está principalmente no usos que esse método faz da memória. Como pressuposto, a História Oral implica
uma percepção do passado como algo que tem continuidade hoje e cujo processo histórico não está acabado. A presença do passado no presente imediato das pessoas é a razão de ser da História Oral. Nessa medida, a História Oral não só oferece uma mudança para o conceito de história, mas, mais do que isso, garante sentido social à vida de depoentes e leitores que passam a entender a sequência histórica e sentir-se parte do contexto em que vivem (MEIHY, 2000, p. 18).
Temáticas que adotam a História Oral têm como ênfase:
os fenômenos e eventos que permitam, através da oralidade, oferecer interpretações qualitativas de processos histórico-sociais [...]. Dessa forma, a história oral, ao se interessar pela oralidade, procura destacar e centrar sua análise na visão e versão que dimanam do interior e do mais profundo da experiência dos atores sociais (LOZANO, 1998, p. 16).
No que se refere aos seus princípios, de acordo com Meihy (2000), a História Oral deve “responder a um sentido de utilidade prática imediata”. Ela não se esgota “no momento da apreensão e da eventual análise das entrevistas ou mesmo do estabelecimento de um texto conclusivo” (MEIHY, 2000, p. 25). Ela mantém “um compromisso de registro permanente que se projeta para o futuro sugerindo que outros possam vir a usá-la de diferentes maneiras” (MEIHY, 2000, p. 25). A História Oral “é sempre uma história do tempo presente e também reconhecida como história
viva” (MEIHY, 2000, p. 25) (Grifos no original).
Meihy (2000) identifica três modalidades de História Oral: história oral de vida, tradição oral e história oral temática. A História Oral de Vida é considerada como sendo “a narrativa do conjunto da experiência de vida de uma pessoa” (p. 61). A de Tradição Oral “trabalha com a permanência dos mitos e com a visão de mundo e de comunidades que têm valores filtrados por estruturas mentais asseguradas em
referências do passado remoto [...], sociedades ágrafas são ricos depósitos de tradições orais” (MEIHY, 2000, p. 71).
Tendo em vista os objetivos e as características desta pesquisa, adoto a terceira modalidade de História Oral, a História Oral Temática que, segundo Meihy (2000), se caracteriza “por basear-se em um assunto específico e previamente estabelecido [...] comprometendo-se com o esclarecimento ou opinião do entrevistador sobre algum evento definido” (p. 67).
Considerando que as configurações socioculturais podem ser estudadas, “privilegiando a recuperação do vivido conforme concebido por quem viveu”, para Alberti (1990), “não se pode pensar em História Oral sem pensar em biografia e memória” (p. 5).
No que se refere à relação entre memória e História Oral, para Almeida (2005) a História Oral tem “como elemento de composição a possibilidade de aproximação da realidade das pessoas”, sendo que se concebe a memória “não apenas como preservação de informações, para as quais nos reportamos somente com o intuito de conhecer o passado” (ALMEIDA, 2005, p. 2), pelo contrário, entende-se memória como “um processo constante de atribuição de significados, não para o passado, mas para o presente, o que, em última instância, significa lidar, de forma indissociável, com a relação passado/presente” (ALMEIDA, 2005, p. 2).
3.2.2 As fontes orais como fonte de pesquisa
Lang (1996) afirma que há um consenso de que “a História Oral é um trabalho de pesquisa, que tem por base um projeto que se baseia em fontes orais, coletadas em uma situação de entrevista” (LANG, 1996, p. 34).
Na História Oral, a fonte oral, segundo Lang (1996), pode “assumir a forma de histórias orais de vida, depoimentos orais ou relatos orais de vida” (p. 34). A
história oral de vida consiste no “relato de um narrador sobre sua existência através
do tempo”, sendo que “os acontecimentos vivenciados são relatados, experiências e valores transmitidos, a par dos fatos da vida pessoal” (LANG, 1996, p. 34).
As fontes orais são classificadas como depoimentos orais quando se busca “obter dados informativos e factuais, assim como testemunho do entrevistado sobre
sua vivência em determinadas situações, ou a participação em determinadas instituições que se quer estudar” (LANG, 1996, p. 35).
No caso desta pesquisa, adota-se a terceira modalidade de fonte oral, que é o relato oral de vida, que consiste naquele que o pesquisador solicita “ao narrador que aborde, de modo mais especial, determinados aspectos de sua vida, embora dando a ele total liberdade de exposição” (LANG, 1996, p. 35). Tem-se, nesse caso, “uma narração mais restrita, mais direcionada por uma determinada temática. O processo seletivo se faz mais presente, envolvendo o narrador e o pesquisador e atuando na própria forma de condução da entrevista” (LANG, 1996, p. 35). No entanto, segundo Lang (1996), “qualquer que seja a forma assumida pela fonte oral, baseia-se na memória” (p. 35).
Sob forma de relato oral, penso, neste trabalho, a fonte oral como “uma alternativa extremamente criativa, porque o diálogo estabelecido entre pesquisador e entrevistado, no momento da entrevista, constitui-se como uma experiência muito significativa, além de ser um espaço para a elaboração e manifestação da memória” (ALMEIDA, 2005, p. 2).
Nesta perspectiva, busca-se “versões dos fatos, pressupondo a existência de lacunas espaciais e temporais e aceitando a subjetividade implícita no relato, tanto da parte do narrador, quanto do pesquisador que procede” sua pesquisa (LANG, 1996, p.37).
Para Almeida (2005), ao lidar com a fonte oral
não se pode negligenciar as dificuldades existentes, particularmente quando se apresenta a tarefa de utilizá-las. Além das questões metodológicas, que, a rigor, constituem-se num aprendizado contínuo (realizar a entrevista, transcrever, digitar, analisar e interpretar), é preciso, ainda, atentar para o uso que se faz do material, já que estamos lidando com experiências de sujeitos, de seres humanos; e isso exige sempre sensibilidade, respeito e ética (ALMEIDA, 2005, p. 2).
Na perspectiva da História oral, a fonte oral “é construída, e construída interpessoalmente, no sentido de que é produto de um ato lingüístico no qual são duas pessoas que falam” (PORTELLI, 1986 apud TEDESCO, 2004, p. 143). A proposta de trabalho com fontes orais “deve ser a expressão de um esforço em percorrer uma estrada, não de mão única nem cumulativa no tempo, mas numa perspectiva de inter-relação entre o que se considera individual e coletivo, local e
nacional, marginal e central, privado e público” (PORTELLI, 1986 apud TEDESCO 2004, p. 143-144).
No caso deste trabalho, que reflete sobre lembranças de experiências musicais, o relato oral foi um recurso metodológico que possibilitou compreender as lembranças das idosas entrevistadas.