• Aucun résultat trouvé

ans, au total, moins de validations

L’entrée dans la vie active est de plus en plus

Avant 30 ans, au total, moins de validations

Em quase duas décadas ou precisamente em dezenove anos de existência, o modelo assistencial preconizado pelo SUS, através de seus princípios defendidos constitucionalmente, vem tentando viabilizar uma maior aproximação dos serviços com as necessidades dos indivíduos e da coletividade, planeando um atendimento mais humanizado, resolutivo, que contemple a promoção da saúde, a prevenção e a recuperação dos agravos. Ou seja, vem trazendo em seu arcabouço a necessidade imediata de mudança na forma de entender, de trabalhar e de avaliar os serviços assistenciais de saúde, numa perspectiva de conceber ações integrais com capacidade de resposta às necessidades de saúde da população (GRIEP; CAMPIOL, 2004).

Nesse meio tempo, foram formulados diversos programas alternativos, propostas e estratégias em prol da viabilidade de sua plena consolidação. Entre estas, o PSF, hoje estratégia, mereceu e vem ocupando lugar de destaque, por compartilhar dos mesmos princípios e diretrizes do SUS, sendo instituído em todas as regiões do país, pelo governo federal, como forma de promover a reorganização progressiva dos serviços de saúde, a política de recursos humanos e a gestão descentralizada, tendo como centralidade das mudanças a acessibilidade, o controle e a participação social, fortalecendo a atenção primária e o processo de municipalização da saúde (ARAÚJO, 2004).

47 Essa estratégia, em princípios, ao sofrer um processo acelerado de expansão, abre um novo e promissor espaço no mercado de trabalho para os profissionais de saúde, pelo crescente aumento da capacidade de absorção dos municípios brasileiros, nível local de produção e de organização dos serviços a que essa proposta se destina (PEREIRA; ALVES, 2004).

No entanto, num primeiro momento, algumas poucas categorias profissionais foram privilegiadas para compor a equipe mínima de trabalho na estratégia, entre elas, a médica e a de enfermagem [enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem], as quais cumprem o papel de desenvolver seu trabalho na Unidade de Saúde da Família - USF no âmbito da comunidade.

Nessa difícil tarefa de construir a estratégia saúde da família em todos os seus fundamentos, além de expandir e fortalecer o processo de consolidação do SUS, a partir da atenção primária, o enfermeiro, foi requisitado de forma preferencial entre os profissionais de saúde para compor a equipe, destacando-se “neste processo por possuir experiências de planejamento, execução e avaliações de ações assistenciais, administrativas e educativas, as quais, no PSF, são requisitos fundamentais” (PEREIRA; ALVES, 2004, p. 314).

Para Rocha e Almeida (2000) e Barbosa et al. (2004), um dos motivos do destaque alcançado pela categoria da enfermagem deve-se ao fato de a mesma constituir o maior contingente da força de trabalho em cuidados à saúde, configurando-se também no grupo profissional como aquele que detém os mais diversos papéis, funções e responsabilidades.

Estando nas raízes do surgimento do então conhecido PSF, a enfermagem galgou seu lugar junto aos ACS, desempenhando importante papel na condução do PACS, orientando os agentes comunitários, formando-os e supervisionando-os, na realização do seu trabalho de acompanhamento das famílias na comunidade.

Desse modo, ainda no PACS, o enfermeiro ampliou sua inserção, abriu possibilidades e colocou-se à frente de espaços estratégicos, qualificando o trabalho na operacionalização dos programas, identificando valores necessários à re-estruturação da atenção básica à saúde, na lógica organizativa do PSF, adotado, poucos anos depois, como estratégia para assegurar a consolidação do SUS.

48 Segundo Sousa (2006, p. 12),

Estes valores são edificados em diferentes espaços de atuação dos trabalhadores da Enfermagem, desde a sua ação direta com indivíduos/famílias/comunidades, cuidando, com atenção e carinho, dos seus processos saúde-doença, passando pela responsabilidade decisória na gestão dos sistemas municipais de saúde, pela gerência das unidades básicas, pela organização dos programas estratégicos [...], pelos processos de assessoramento, consultorias e auditorias em diferentes instâncias de governo [...], pela docência, com o compromisso ético e social de formar profissionais capazes de responder aos desafios atuais do SUS, chegando na pesquisa, esta como uma forma de aferir os resultados já alcançados e aponta para o futuro, em uma espécie de novos termômetros para a consolidação as Atenção Básica, estratégia saúde da família no Brasil.

Sousa (2000a) destaca ainda que a enfermagem tem estado presente, não somente no PACS e PSF, mas em todos os programas, projetos e estratégias brasileiras, adotando os princípios de atenção primária à saúde nos processos de formação, atuando como protagonista nos movimentos da construção social da saúde, defendendo os princípios fundamentais da reforma sanitária e construindo ao longo dos últimos anos o SUS.

Nessa mesma linha de raciocínio, nas décadas de 1980 e 1990, Rocha e Almeida (2000, p. 97) destacam que

[...] observa-se uma mobilização da enfermagem na reorganização do setor saúde em várias regiões do mundo, dando suporte à área de atenção primária. Os enfermeiros estão também na zona rural de países pouco desenvolvidos, muitas vezes, sendo os únicos trabalhadores em saúde disponíveis, coordenando vários programas [...], trabalhando na assistência ao parto, nos cuidados preventivos e na educação em saúde.

Além das funções amplamente desempenhadas na área de saúde coletiva, é possível visualizar que o profissional enfermeiro também realiza um conjunto de atividades e possui diversificadas atribuições na área hospitalar e na assistência especializada, geralmente, enquadrada no modelo clínica de atenção à saúde.

De acordo com Lima et al. (2000), tanto no nível teórico, quanto no prático os enfermeiros, que trabalham nas instituições hospitalares e clínicas de atendimento especializado, executam uma série de atividades que vão da administração e gerência dos serviços aos procedimentos relacionados com cuidado direto ao paciente. Embora algumas

49 atividades se sobressaiam mais do que outras, as responsabilidades e as atribuições são muitas, todas exigem competência técnica, científica e política do enfermeiro para garantir o desenvolvimento do trabalho de qualidade de atenção à saúde.

Desse modo, já existe um acúmulo de experiências diversificadas envolvendo o modelo clínico e o epidemiológico, tanto o nível micro, como no macro político do sistema de saúde, apontando o enfermeiro como mediador técnico e científico das transformações internas com vistas à reorganização das ações e serviços de saúde (SOUSA, 2006).

No plano macropolítico, esse profissional tem demonstrado seu papel na inversão do financiamento na saúde, no campo técnico-gerencial, no campo social, no desenvolvimento de pessoal e até na expansão da cobertura da atenção em todos os níveis do sistema de saúde (SOUSA, 2006).

Isso se justifica porque, nesses espaços estratégicos, o enfermeiro é figura presente nos conselhos, participando das conferências locais, estaduais e nacionais de saúde, onde são pactuados os princípios, definidas as diretrizes e tomadas as decisões operacionais. Além disso, por ser reconhecido pela sua experiência de administração, esse profissional absorve novas ações, responsabilizando-se por atividades que vão da assessoria técnica até a gerência de unidades, atuando na gestão do sistema, assumindo cargos de coordenação, conduzindo a formação de redes de parceiros e a luta por investimentos na saúde, em prol da organização e fortalecimento da atenção básica (SOUSA, 2006).

No plano micropolítico, esse profissional, foi o único entre todos os demais da área da saúde, que esteve presente de forma significativa nas ações administrativas, assistenciais e educativas, desde a implantação até a expansão dos programas e estratégias envolvidas com a evolução do SUS (PEREIRA; ALVES, 2004).

Com relação à sua inserção no plano micropolítico, especificamente na ESF, o enfermeiro tem ficado à frente de todo o trabalho de estruturação da proposta, preparando as pessoas da comunidade para receber a estratégia, elaborando a territorialização, identificando os principais problemas de saúde e sócio-culturais das famílias sob sua responsabilidade assistencial, desenvolvendo ações de educação em saúde, preparando agentes comunitários para o trabalho com as famílias.

Nessa perspectiva, o enfermeiro vem participando de todas as etapas do processo de produção dos serviços, assumindo atribuições que vão desde o planejamento até as atividades de assistência individual e coletiva específicos da enfermagem, passando pela execução, supervisão e avaliação da organização das ações (ARAÚJO, 2003).

50 No trabalho em equipe multiprofissional, por exemplo, o enfermeiro encontra ambiente propício para interação e integração com outros saberes e práticas profissionais, tendo a oportunidade de participar de igual modo da construção de um novo modelo assistencial e de superar a visão fragmentada do trabalho em saúde no âmbito da assistência individual e coletiva (MARQUES; SILVA, 2004).

Dentro desse cenário, o profissional deixa de ser um complemento e/ou instrumento do trabalho médico e passa a se constituir numa parcela do trabalho coletivo em saúde, co- responsável pela produção dos serviços, com seus saberes e práticas subordinados às necessidades sociais e de saúde da população (MARQUES; SILVA, 2004).

Para tanto, o trabalho em equipe, de certa forma, permitiu avanços para a categoria, que vem acumulando experiências e se valorizando como profissão pelo estabelecimento de laços com usuários/famílias/comunidade e pela colaboração na construção de projetos comuns e compartilhados com os outros profissionais que compõem a equipe de saúde. Com essa postura, o enfermeiro conseguiu conquistar a confiança dos usuários e estabelecer uma melhor comunicação com os elementos da equipe, ficando reconhecido por sua agilidade, capacidade de entender, escutar, encaminhar e facilitar o desenvolvimento das ações dentro e fora dos serviços de saúde (MORETTO, 2000; PEREIRA; ALVES, 2004).

Assim, para desempenhar tal função, o enfermeiro precisa ter clareza dos seus limites de atuação e de intervenção, agir por meio de uma prática humanizada e tecnicamente competente, desenvolvendo habilidades para construir e manter o vínculo/responsabilização e o acolhimento entre o serviço e os usuários. Situação que subjaz a necessidade de ampliação do seu campo de visão para qualificar a produção de saberes e o modo de agir em saúde, como forma de fugir dos valores do paradigma biologicista e buscar a promoção de ações voltadas para o cuidado, em atenção às novas e complexas necessidades de saúde da população.

Para isso, as reformulações no processo de ensino-aprendizagem têm sido cada vez mais acentuadas e pertinentes, uma vez que as novas e complexas demandas do SUS direcionam a formação para um novo perfil desejado, um perfil que dê conta de todas as expectativas, conhecimentos necessários e competências técnico-políticas para a atuação dos enfermeiros nos serviços de saúde em todos os níveis do sistema.

Todo esse movimento de mudança no ensino de graduação, na educação permanente e nos cursos de capacitação e desenvolvimento dos profissionais para o trabalho no SUS, ainda permeia a formação do enfermeiro, porque a maioria dos profissionais de saúde, em atuação

51 nos serviços, não possui qualificação e preparo necessário direcionado para o novo desenho profissional desejado (PEREIRA; ALVES, 2004).

Neste momento, é importante lembrar que a enfermagem enquanto prática criada e subordinada historicamente ao saber médico se desenvolveu na vigência do paradigma positivista, centrado no dualismo cartesiano, com predomínio racional e mecânico, tornando- se concomitantemente desumana, fundamenta uma assistência voltada para a especialização de tarefas, racional, mecânica e impessoal (SANTOS; NÓBREGA; RODRIGUES FILHO, 2002).

Essa perspectiva de mudança que se reflete na formação e na qualificação dos enfermeiros desde o início da década de 1990 está intimamente relacionada com a transição paradigmática que tem atravessado o campo da saúde, iniciada com as críticas à ineficiência do modelo hegemônico (GRIEP; CAMPIOL, 2004) e com a evolução dos paradigmas que vem norteando a prática da enfermagem como profissão ao longo dos anos.

No entanto, apesar dos avanços conseguidos mediante a construção de projetos pedagógicos dos cursos de formação mais comprometidos com a construção de um profissional generalista, ético-humanístico e com a gradual adequação das práticas e saberes de enfermagem às transformações dos perfis epidemiológicos e às propostas de reorganização do sistema de saúde, ainda existe um longo e denso caminho a ser percorrido pelos enfermeiros e demais profissionais de saúde para a consecução dos princípios e diretrizes do SUS (BARBOSA et al., 2004).

Por isso, a busca por renovação e produção de um novo modelo pedagógico capaz de superar a complementariedade que opera no contexto da produção do conhecimento e do trabalho do enfermeiro, para que este, tendo suas atribuições explicitadas em toda a gama dos serviços de saúde do SUS e na comunidade, seja preparado para atender às necessidades sociais de saúde e capaz de assegurar a integralidade da atenção, a qualidade e a humanização do atendimento. Competências que exigem desse trabalhador habilidades para assumir os papéis de educador, de prestador de cuidados, de consultor e as constantes solicitações e transformações da sua práxis, intermediadas pelas mudanças correntes no seu espaço de trabalho (SANTOS et al., 2000).

Desse modo, o enfermeiro, como membro da equipe de saúde, ocupa espaço relevante no SUS, assumindo, na saúde coletiva, o papel fundamental e preponderante da implementação de propostas voltadas para a [re]organização dos serviços, além da construção de um progressivo campo de atuação, que vem favorecer, antes de tudo, a possibilidade de

52 construção de sua autonomia e identidade profissional desvinculada da prática médica, assumindo uma posição e exercendo um papel distinto do que lhe era conferido quando inserido nas instituições estruturadas no modelo tradicional (ARAÚJO, 2003).

Esta premissa desemboca no reconhecimento das potencialidades e vulnerabilidades do enfermeiro, conferindo um saber e um poder capaz de interferir, com habilidades e competências, no processo de conformação do modelo assistencial, entendido como um sujeito pró-ativo, ou seja, como um ator social, na defesa do projeto sanitário que se deseja construir na saúde.

2.4 A FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO PARA O SUS: INTENÇÕES DO NOVO-VELHO