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Annexes

Dans le document SAGNES, Gaëlle. Abstract (Page 82-104)

No desenvolvimento da pesquisa e a maneira que analisamos os dados, embora em um primeiro momento tenha levado a um emaranhado de informações desconexas, possibilitou a elaboração de um perfil geral de docentes, discentes e técnicos. No caso das entrevistas, a obtenção de dados que possibilitaram a criação e análise de três categorias nos deram condições de entender e aprofundar o conhecimento de como todo esse processo de expansão e interiorização da universidade pública federal está ocorrendo, tendo como base uma parte do todo, no caso a FACIP.

Neste sentido, as opiniões levantadas nos mostraram onde podem estar alguns pontos preocupantes relacionados à implantação e adequação da unidade acadêmica analisada. Vários docentes, discentes e técnicos emitiram suas opiniões com relação aos problemas da implantação da unidade acadêmica, as dificuldades que aconteceram desde o início desse processo, como a não possibilidade de encampamento da instituição particular, o que, segundo entrevistados, pode ter sido um ponto crucial para alargar os problemas da implantação, devido a matriz não ter pensando em um plano B. Sendo assim, a implantação demorou mais do que o desejado, e com isso diversos problemas perduram até os dias de hoje.

Os docentes, como podemos verificar, desde a criação do campus Pontal já estavam fadados a intensificação do seu trabalho, com uma proporção de 20 alunos para cada professor, proporção essa que é acima do apresentado pelo REUNI e que causou diversas discussões entre os docentes e sindicatos. Além do trabalho intensificado docente surge uma outra modalidade, a intensificação do trabalho do docente-gestor, porque além da sobrecarga já prevista, com uma demanda alta de trabalhos administrativos, como participação de vários conselhos e colegiados e também a questão de deslocamento praticamente semanalmente, e alguns vezes mais de uma vez na semana, faz com que esse docente tenha característica que precisam ser melhor analisadas em estudos futuros.

Dessa maneira, a formação de qualidade só parece possível se a matriz tiver um olhar diferenciado para essa nova modalidade de unidade acadêmica, conhecida como fora de sede, onde tem um campus próprio, com problemas diferentes da matriz e com recursos cada vez mais limitados, após toda a verba destinada para sua implantação ter acabado e boa parte de sua infraestrutura básica não ter sido pensada ou concluída, como Restaurante Universitário, Alojamento Estudantil e áreas destinadas a população, como praças para realização de eventos. Outro ponto levantado é a questão com relação aos processos decisórios que aparecem ter suas vertentes que são discutidas na unidade nos conselhos e colegiados, mas no entanto

deveria ter uma instancia própria, que são as questões administrativas referentes ao campus, sendo muitas vezes nas pautas de colegiados e do CONFACIP uma questão que além de tomar tempo, tem que ser decidida por pessoas que deveriam estar discutindo questões acadêmicas. Entendemos que esses pontos de pauta de caráter administrativo atrapalham, porque os docentes têm cada vez menos tempo de dialogar e discutir sobre as decisões acadêmicas, que esses colegiados e o CONFACIP têm seu foco, não obstante, colegiados por não ter representante dos técnicos, não tem legitimidade para tomar decisões administrativas.

Assim, o que podemos verificar também com relação aos processos decisórios são que, apesar de ter sua composição representantes eleitos por seus pares, com relação às decisões tomadas, segundo os dados coletados, não apresenta muitas vezes momentos de debate sobre os pontos de pauta, principalmente pelas pautas serem extensas ou por desconhecimento dos representantes sobre a maior parte dos pontos de pauta porque não tem tempo de se inteirar sobre tudo que será discutido, sendo então muitas vezes comum o voto com o relator, porque o relator teve um maior envolvimento com a pauta a ser votada. Não queremos dizer com isso que existe uma passividade sobre todas as decisões, mas que os representantes, e como os docentes tem 70% dos votos, tanto de conselhos e colegiados, e esses estão cada vez mais com uma sobrecarga de trabalho tanto docente e como gestor, muitos acabam por votar sem mesmo ter discutido com sua base para tomar uma decisão.

Ainda sobre essa questão de discutir com a base, uma outra questão que surgiu é que poucos docentes se interessam em ocupar os cargos de representação ou gestão porque é visto como uma função que despende muitas horas do pouco tempo que os docentes possuem, sendo assim o docente representante na maioria das vezes toma a decisão que acredita ser a mais plausível.

Quanto a pergunta inicial sobre o caráter democratizante da expansão, verificamos que para que isso aconteça não basta apenas criarmos cada vez mais campus fora de sede e ampliar na matriz a quantidade de vagas, porque democratizar o acesso via aumento de vagas, não necessariamente pode ser visto como democratização. Como no texto discutimos para que essa democratização aconteça precisamos que a universidade se democratize, e acreditamos que o primeiro passo seja através dos processos decisórios, onde boa parte do rumo da universidade é direcionado. A permanência do aluno e a maior qualidade da formação dos discentes provavelmente teriam um maior espaço de discussão, possibilitando que a universidade consiga aumentar cada vez mais seus índices de egressos.

Nesse sentido, a propalada Expansão, Interiorização ou Democratização do Ensino Superior parece requerer outros investimentos além da infraestrutura básica, do pessoal

qualificado e dos materiais e equipamentos utilizados. Torna-se necessária, de início, uma ampliada discussão sobre os objetivos e possibilidades dessa nova instituição que surge para atender aos anseios das populações ainda marginalizadas pela incapacidade de lograr sucesso intelectual proporcionado pelo convívio acadêmico, e acreditamos que somente através de processos de decisão mais democráticos, e quando afirmamos isso consideramos que este seria apenas o primeiro passo, para que a universidade quebre os muros que foram erguidos em décadas de existência e se abra para a população que a mantem, e por isso tem direito de opinar sobre os rumos que acredita ser melhor para esse espaço de formação de intelectual, política e social.

Dans le document SAGNES, Gaëlle. Abstract (Page 82-104)