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ANNEXES 6. Liste des Abréviations

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O processo de unificação dos mercados europeus literalmente levou séculos, desde que foi originalmente pensado no século XV por George Podebrad, rei da Boêmia, sugerindo a criação de uma moeda única capaz de financiar um exército europeu para combater a invasão dos turcos. Napoleão também entendia que a integração do continente seria promovida pela criação de uma moeda única (MARSH, 2009).

De acordo com Marsh (2009), entre 1950 e 1960, o economista francês Jacques Rueff, defendeu uma moeda europeia única, funcionando sob a direção da França, como meio de contrapor o poder assimétrico que o Dólar conferia aos EUA. Enfim, o colapso do tratado de Bretton Woods acabaria por ressaltar a necessidade de uma moeda única para a zona do Euro e o Fim da Guerra Fria daria a oportunidade para que isto acontecesse.

O colapso de Bretton Woods foi de fato, desestabilizador para a Europa. A cada desvalorização do Dólar, aumentavam as suspeitas em relação à moeda norte- americana, o que acabava por levar à conversão de Dólares em outras moedas, o que não se distribuía igualmente entre os mercados europeus.

É notória a preferência pelo Marco alemão, moeda mais respeitada da Europa. Assim, o fim do padrão Dólar-ouro fez com que o Marco alemão se apreciasse, em relação ao franco francês, o que por sua vez, levou à diminuição da competitividade dos exportadores alemães e desapontamento dos formuladores de políticas franceses (STRANGE, 1980).

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A França sempre buscou uma aliança europeia independente das políticas monetárias e de defesa dos EUA. Contudo, a Alemanha necessitava do apoio militar dos EUA, portanto apoiava o Dólar e hesitava apoiar uma moeda europeia única. Entretanto, o colapso do regime soviético e o fim da Guerra Fria permitiram uma maior aproximação entre Alemanha e França13.

Por um lado, a Alemanha precisava do assentimento da França para a reunificação do país e isto fortaleceu as negociações pela unificação monetária14. Por outro lado, a França queria uma moeda europeia capaz de fazer frente ao Dólar, mas se contrapunha ao controle da política monetária da Europa pelo Deutsche Bundesbank (banco central alemão).

Apesar das diferenças, a necessidade de se proteger das rupturas causadas pelo Dólar fizeram com que os europeus dessem continuidade ao projeto político de unificação dos mercados e adoção do Euro15.

A conferência de cúpula realizada na cidade holandesa de Maastricht, em 1991, aprovou o tratado de Maastricht, no qual constavam as disposições definidas pela proposta de estatuto do Banco Central Europeu pelo Bundesbank: independência do Banco Central Europeu contra interferências políticas e um mandato para a defesa da estabilidade de preços.

O centro financeiro da Alemanha, Bohn, passou a se posicionar de modo mais firme depois de considerar garantida a reunificação da Alemanha. O Banco Central Europeu deveria ser estruturado em âmbito federal e sua capacidade de financiar déficits deveria ser limitada, ao modo do Bundesbank.

Ademais, os países deveriam reduzir seus níveis de inflação, déficits orçamentários e endividamento. Os déficits orçamentários deveriam se limitar a 3% do PIB e os níveis de endividamento deveriam se limitar a 60% do PIB, como condição para participar do bloco europeu.

13 Ver Strange (1980).

14 No pós-Segunda Guerra quatro potências ocuparam a Alemanha: EUA, Inglaterra, França e URSS. A reunificação econômica e monetária da Alemanha, portanto, dependia do consentimento das quatro potências ocupantes. A União Soviética, em profunda crise, não tinha condições de se opor, entretanto, a possibilidade da França de atrasar as negociações para a reunificação era ameaça crível suficiente para que o centro financeiro da Alemanha, Bohn, consentisse em dar o próximo passo em direção à moeda única e autorizou o Bundesbank a formular uma proposta de estatuto para o Banco Central Europeu (STRANGE, 1980).

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A lei que criou o mercado único estabelecia diretrizes que determinavam a remoção de controles sobre os fluxos de capitais. O que possibilitava a criação de um mercado financeiro integrado. Tais diretrizes entraram em vigor em julho de 1990, com exceção de Portugal, Espanha e Irlanda, que enfrentavam problemas financeiros persistentes.

A livre mobilidade do capital implica que não há espaço para novos realinhamentos do câmbio, na medida em que os investidores poderiam especular contra a moeda se houver expectativa de desvalorização cambial futura. E não demoraria muito para que os desequilíbrios acumulados das moedas europeias, em relação ao Marco, se traduzissem em especulação adversa16.

Os desalinhamentos das taxas de câmbio dos países europeus, em relação ao Marco alemão eram generalizados, mas tinham razões distintas e aqueles países que aderiram ao Mecanismo de Taxa de Câmbio (MTC) 17 tinham o potencial de se tornarem alvo dos especuladores financeiros. Taxas de inflação um pouco mais altas que as da Alemanha, se persistentes poderiam resultar em significativa perda de competitividade, como foi o caso da Itália18.

Durante a reunificação da Alemanha, os esforços para absorver a antiga Alemanha Oriental debelaram a iniciativa normal do Bundesbank de elevar as taxas de juros, entretanto, em novembro de 1990 o Bundesbank iniciou uma alta agressiva dos juros, o que fez ampliar os desalinhamentos das moedas europeias, sobretudo, da Libra em relação ao Marco19.

16 Os ataques especulativos contra a lira e a libra em 1992 e o franco francês em 1993 levaram o Sistema Monetário Europeu (SME) a relaxar as bandas do Mecanismo de Taxa de Câmbio (MTC) de 2,25% para 15%, desestimulando as especulações financeiras (ROSE; SVENSON, 1994).

17 O MTC era o elemento operacional do Sistema Monetário Europeu (SME), que permitiria que as taxas de câmbio dos países europeus flutuassem em conjunto dentro de bandas de 2,25%, a diferença principal em relação ao modelo anterior (Serpente, que faz alusão ao movimento em conjunto das taxas de câmbio dos países europeus, se movendo para um lado ou para o outro em sequência, como uma serpente – sistema que iniciou em 1973) é que o agravamento dos problemas de competitividade por conta dos desalinhamentos cambiais poderia ser ajustado por meio de mecanismos disponíveis, ao invés de abandonar o esquema, como Inglaterra e Dinamarca fizeram no início de operação da serpente. O MTC começou a operar em 1979 e seis meses depois do início das operações, as moedas europeias se desvalorizaram em relação ao marco. Nos quatro anos seguintes, várias desvalorizações se materializaram em relação ao marco, sobretudo o franco francês, em várias ocasiões, entre 1981 e 1983 (ROSE; SVENSON, 1994).

18 O elevado nível de endividamento da Itália impedia que o governo italiano defendesse a lira de ataques especulativos, já que o aumento das taxas de juros poderia elevar ainda mais a dívida.

19 Os empréstimos hipotecários, no Reino Unido, estavam vinculados ao nível da taxa de juros, de modo que, o aumento de juros para defender a libra se tornava uma medida muito impopular.

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O elevado nível de desemprego em toda a Europa suscitava a dúvida se os governos estariam dispostos a elevarem suas taxas de juros para defender suas moedas. Em junho de 1993 o ataque dos especuladores ao franco francês levou a ampliação das bandas do MTC de 2,25% para 15%, desestimulando novos ataques especulativos (ROSE; SVENSON, 1994).

Os eventos de 1992 e 1993 reavivaram velhos desentendimentos. França e Inglaterra atribuíam a responsabilidade sobre tais desequilíbrios, à elevada taxa de juros praticada pelo Bundesbank. A Alemanha, por sua vez, culpava Inglaterra e França de indisciplina monetária.

Entretanto, o crescimento econômico europeu pós-1993 permitiu que as taxas de câmbio depreciadas aumentassem a competitividade das exportações e reduzisse os déficits orçamentários, condição necessária para a entrada no bloco. Ademais, o Dólar fraco enfatizou a necessidade da criação de uma alternativa europeia para o Dólar já que os capitais fluíam para a Europa e se distribuíam desigualmente entre os mercados, com maior intensidade para o mercado alemão (EICHENGREEN, 2000). Assim, o Dólar forte reforçava ainda mais a competitividade dos produtos europeus e tornava tudo mais fácil, no sentido de concluir o projeto da moeda única para a Europa.

Desta forma, a união monetária teve inicio em 1999, com nove países membro, incluindo Bélgica, Irlanda, Portugal e Espanha, países com alto nível de endividamento. A Grécia, que padecia deste mesmo mal, foi admitida em 2001. A Inglaterra, entretanto, se recusara a voltar ao MTC, por conta dos eventos de 1992 e ficou de fora. Mesmo com a Inglaterra de fora do bloco, o Euro, nasceu como uma séria alternativa para o Dólar.

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