A construção da metodologia se deu através do acesso as informações de 454 projetos de Planejamento Técnico Agropecuário elaborados pela EMATER-RS entre o período do ano de 2005 ao ano de 2010. Contudo, para atender os objetivos propostos por este trabalho a população de projetos foi filtrada para obter-se uma amostra de projetos que atende simultaneamente a dois critérios da pesquisa. O primeiro critério é referente à elaboração do projeto para obtenção de crédito na modalidade PRONAF investimento8; já o segundo critério estabelece que a atividade de fruticultura, pêssego tipo indústria, seja a principal atividade da unidade de produção familiar.
Assim, foram coletados dados de 128 (cento e vinte e oito) projetos de Planejamento Técnico Agropecuário elaborados pela EMATER-RS, escritório regional no município de Pelotas/RS, para a atividade de fruticultura tipo pêssego indústria. A amostra coletada de projetos compreende o período do ano de 2005 ao ano de 2010.
Os projetos selecionados têm como finalidade a compra de implementos agrícola ou investimentos para ampliação da produção física da unidade de produção, portanto todos os projetos da amostra estão ligados ao crédito do PRONAF investimento.
Neste planejamento técnico agropecuário é descrito toda a situação da unidade de produção. Primeiramente, tomam-se os dados do agricultor e a
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Assim está de desconsiderando em qual grupo ou linha de crédito o agricultor familiar está enquadrado no PRONAF.
finalidade do crédito, linha de ação e enquadramento. Logo após, se determina o patrimônio bruto da unidade de produção, bem como o patrimônio líquido, deduzindo suas dívidas. Por fim, é estimada a renda bruta atual da unidade de produção e a situação financeira atual do sistema familiar. Dados relativos ao financiamento proposto como prazo, carência, taxa de juros e amortizações completam o projeto de planejamento9.
O ponto de partida para avaliar os projetos técnico agropecuário é mensurar algumas medidas de tendência central e variabilidade da amostra trabalhada. Como pode ser observado pela Tabela 6, os 128 projetos beneficiam 367 membros das famílias e 72 trabalhadores temporários.
Tabela 6. Dados dos projetos em fruticultura tipo pêssego indústria elaborados pela Emater-RS no período de 2005 à 2010. Valor total (R$) Area Total (ha) Emp. Familiares Emp. Permanentes Emp. Temporários Fam. Beneficiados Média 30.395,02 18,79 2,84 0,08 1,44 2,87 Mediana 27.000,00 17,85 3,00 0,00 1,00 3,00 D. Padrão 20.682,27 10,30 1,18 0,39 0,73 1,22 Mínimo 3.028,32 4,00 1,00 0,00 0,00 1,00 Máximo 92.500,00 57,41 6,00 2,00 5,00 7,00 Total 3.890.562,02 2404,60 364,00 2,00 72,00 367,00
Fonte: elaborado pelo autor.
Os projetos têm, em média, aproximadamente R$ 30 mil como valor de face. Sendo que metade dos projetos chega a R$ 27 mil, entretanto observa-se uma grande variação de valores através do alto desvio padrão, saindo de R$ 3 mil até R$ 92,5 mil. Dividindo o valor total dos projetos pelo total de familiares beneficiados encontrou-se um valor aproximado de R$ 10,6 mil por familiar beneficiado.
A área total beneficiada pelo crédito do PRONAF passa de 2 mil hectares, sendo que metade dos projetos são destinados para áreas inferiores a 18 hectares, característica de unidades de produção familiares. Utilizando uma distribuição de frequência pode-se afirmar que da amostra de 128 projetos 67% são até 20 hectares. Quando considerado até 30 hectares o valor chega a 87% dos projetos. Vale destacar que apenas três projetos apresentaram área entre 50 ha a 100 ha. Isso é mostrado na Tabela 7 abaixo.
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Um modelo do Projeto Técnico Agropecuário elaborado pela EMATER-RS está em anexo no final deste trabalho.
Tabela 7. Área total da unidade de produção familiar para os projetos de fruticultura selecionados.
Estratos Número % % acumulado
0 – 10 32 25% 25% 10 – 20 54 42% 67% 20 – 30 25 20% 87% 30 – 40 12 9% 96% 40 – 50 2 2% 98% 50 – 100 3 2% 100% Total 128 100%
Fonte: elaborado pelo autor.
Considerando o número de familiares beneficiados tem-se em média 2,87 pessoas beneficiadas com o crédito do PRONAF. A variabilidade é bastante baixa com máximo em sete pessoas beneficiadas. Utilizando a mesma ferramenta anterior – distribuição de frequência – agora para os familiares e empregados familiares chega-se a resultados bastante próximos e ao encontro da realidade dos agricultores familiares. A Tabela 8 e a Tabela 9 mostram que 91% dos projetos possuem até quatro familiares beneficiados, sendo que estes quatro familiares representam a força de trabalho disponível na unidade de produção.
Tabela 8. Número de familiares beneficiados nos para os projetos de fruticultura selecionados.
Estratos Número % % acumulado
0 – 2 56 44% 44%
3 – 4 60 47% 91%
5 – 6 11 8% 99%
7 – 8 1 1% 100%
Total 128 100%
Fonte: elaborado pelo autor.
Segue a distribuição de frequência para os empregados familiares em cada projeto de investimento para crédito do PRONAF:
Tabela 9. Número de empregados familiares beneficiados nos projetos selecionados.
Estratos Número % % acumulado
0 – 2 54 42% 42%
3 – 4 62 49% 91%
5 – 6 12 9% 100%
Total 128 100%
No que se refere à renda bruta declarada para elaboração do projeto técnico agropecuário tem-se que 90% dos projetos possuem renda bruta de até R$ 50 mil. Outra informação importante é que aproximadamente 50% dos estabelecimentos beneficiados possuem renda bruta de até R$ 20 mil, totalizando 63 projetos. Com base nessas informações, pode-se considerar que a metade das unidades de produção aufere no máximo R$ 1.666,00 mensais de renda bruta. Quando se considera o próximo estrato (até R$ 50 mil) este valor chega no máximo a R$ 4.166,00 mensais de renda bruta. A Tabela 10 a seguir mostra a distribuição de frequência para os estratos da renda bruta.
Tabela 10. Renda bruta dos projetos de fruticultura selecionados.
Estratos Número % % acumulado
0 – 5.000 19 15% 15% 5.000 – 10.000 20 16% 30% 10.000 – 20.000 24 18% 49% 20.000 – 50.000 52 41% 90% 50.000 – 100.000 12 9% 99% 100.000 – 123.000 1 1% 100% Total 128 100%
Fonte: elaborado pelo autor.
De posse destas informações preliminares do universo a ser estudado tomou-se como critério a utilização dos dados referente a receita bruta, valor total do financiamento, área total da unidade de produção familiar, taxa de juros do financiamento, período do diferimento (carência) e prazo de pagamento. Deste modo, busca-se efetuar o fluxo de caixa para cada um dos projetos selecionados no sentimento de atender os objetivos da pesquisa.