Apesar da sua inquietação inicial, face ao controlo do grupo de nativos e à relação que se iria estabelecer entre eles ter sido ultrapassada, outra se fez sentir ao longo do desempenhar das suas funções, o seu papel de gestora. Segundo Rosado e Ferreira (2009, p. 189) “o sistema de gestão das tarefas
corresponde a um plano de ação do professor/treinador que tem, ainda, por objetivo a gestão do tempo, dos espaços, dos materiais e dos
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alunos/participantes, visando obter elevados índices de envolvimento, através da redução da indisciplina e fazendo uso eficaz do tempo”. Januário (1996, p.
107) refere ainda que “a qualidade e quantidade das experiências formativas
oferecidas aos alunos são influenciadas pela forma como o tempo educativo é gerido pelo professor”. Entende-se assim que a gestão do tempo de aula tem
influência no tempo disponível de prática por parte dos alunos e, consequentemente na sua aprendizagem. Como afirma Mesquita (1997), o ganho de aprendizagem é tanto maior, quanto mais tempo de prática motora o professor proporcionar aos alunos. Segundo Metzler (2000, p. 90) “time
management refers to the teacher's ability to maximize one of the most important learning resources available to her - the number of minutes allocated for each lesson. A lesson will consist of several segment or blocks of time, each one given to certain operations: management/organization, transition (moving students between segments), task presentation, learning activities, and closure/review. Since it is not possible to extend class longer than it scheduled length, extra minutes used in one segments must be taken away from other segments, including active learning time. Some amount of management, organization, and transition time is necessary in physical education, but it is the more effective teacher who keeps that time in those segments that lead directly to learning. There are many actions that a teacher can take to maximize the use of available class time. Some of decisions are made in the planning stage, others are made during the course of the lesson.”
Ao longo da sua aventura a gestão do tempo nem sempre foi fácil. Ao início, a preocupação com todas estas tarefas era uma constante, mas nem sempre o conseguiu gerir da melhor forma. No entanto, com o tempo a jovem aventureira notou uma evolução no que diz respeito a esta dimensão.
“Da minha parte penso que poderia ter gerido melhor o tempo, alonguei-me nos exercícios de aquecimento tendo posteriormente de ajustar o tempo destinado ao primeiro exercício da parte fundamental. Eu própria senti ao longo da realização deste exercício que não iria ter tempo para cumprir o plano de aula, na sua totalidade.” (Diário de Bordo Semana 4)
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“No que diz respeito à minha intervenção, fiquei contente por nesta aula conseguir organizar rapidamente os grupos de trabalho nos diferentes exercícios, pois o número de alunos para o qual planei a aula, tendo em conta os dispensados, era inferior ao esperado. (…)
Ainda ao nível da organização, desta vez do material, tive o cuidado de o colocar aquando da realização do aquecimento, de modo a não perder muito tempo nas transições.” (Diário de Bordo Semana 33)
Para tal, contribuíram as reflexões relativamente à gestão destas tarefas durante as aulas, onde se debruçou sobre como poderia solucionar os aspetos menos positivos. Também as conversas com a sua tripulação a permitiram, através da partilha de diferentes perspetivas, refletir sobre algumas soluções mencionadas. Por outro lado, as observações das aulas da PC, a qual possuía uma maior destreza na gestão dessas mesmas tarefas, proporcionaram-lhe momentos de aprendizagem, uma vez que absorvia da prática da mesma algumas estratégias que implementava com eficácia.
“Após a minha aula, o núcleo juntou-se para a reunião habitual onde começamos a falar das observações das diferentes aulas. Foi uma reunião diferente, permitiu a todos nós emitir a nossa opinião sem hesitações, porque foi numa perspetiva construtiva, e refletir sobre as mesmas. Nesta mesma reflexão foi possível verificar também as diferenças encontradas entre as nossas intervenções e a intervenção da professora cooperante. É notória a diferença que faz a experiência, nomeadamente na rápida tomada de decisões durante a aula, algo que para nós ainda é um “nó cego” que com o tempo se vai desmanchando.” (Diário de Bordo Semana 4)
Segundo Januário (1996); Metzler (2000); Siedentop e Tannehill (2000) a eficácia na gestão do tempo de aula, está aliada ao estabelecimento de rotinas de gestão. Neste sentido, de forma a rentabilizar o tempo de aula, a jovem aventureira criou algumas rotinas e estratégias ao longo do tempo. A primeira rotina imposta foi a pontualidade. A jovem aventureira sempre reforçou aos seus nativos a importância do cumprimento dos horários. Desde o primeiro contacto que estes sabiam que a pontualidade era um dos aspetos avaliados e que tinham um determinado tempo para se equipar, pois caso contrário teriam falta de atraso. Além disso, foram alertados por diversas vezes sobre a importância da pontualidade para o bom funcionamento da aula. No entanto, este foi um dos aspetos menos positivos durante a sua aventura, pois por mais repreensões
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emitidas aos nativos, a maioria chegava constantemente atrasada. Outra das rotinas implementadas diz respeito às tarefas administrativas, como a preparação do material necessário à aula e das SA atempadamente e ainda o controlo da assiduidade e pontualidade dos nativos. Uma vez que se incutia pontualidade aos nativos, também a jovem aventureira dava o exemplo. Tinha sempre a preocupação de chagar ao local da aula, antes do toque de entrada, de forma a recolher o material necessário às SA.
No que diz respeito ao controlo da assiduidade e pontualidade dos nativos, este foi um aspeto no qual sentiu uma evolução. Ao início, quando ainda não conhecia os nativos esperava que chegassem até à hora da aula começar e posteriormente realizava a chamada, no entanto, com o tempo esta tarefa foi se tornando cada vez mais rápida, sendo o seu registo efetuado à medida que os nativos iam chegando. Umas das suas principais dificuldades prendeu-se com os tempos de transição. Ao início desperdiçava algum tempo na preparação das SA, os nativos encontravam-se à espera e posteriormente tinham que ouvir a explicação das mesmas, assim como se deveriam organizar. Neste sentido, com o tempo foi conseguindo desenvolver algumas estratégias. Sempre que possível planeou exercícios com estruturas semelhantes e definiu atempadamente a organização dos grupos, que quase sempre se mantinham até ao final da aula. Por outro lado, caso houvesse necessidade de alterar a estrutura de uma situação de aprendizagem, aproveitava e preparava-a enquanto decorria a anterior. Além disso, sempre que necessário os nativos eram solicitados para a auxiliar na recolha e arrumação de material e na ajuda da preparação das SA.
“Para a montagem das estações, como vem sendo habitual nas aulas, os alunos são responsáveis por transportar o material necessário para cada uma delas.” (Diário de Bordo Semana 5)
Ainda relativamente aos tempos de transição, foram definidos alguns sinais para interromper ou reunir os nativos, sendo estes do seu conhecimento. Sempre que a jovem aventureira soava o som do apito, ao simplesmente proferia um ‘cheguem aqui’ os nativos sabiam que teriam de se movimentar rapidamente para junto dela, de forma a ouvirem a explicação da próxima situação de aprendizagem. Por outro lado, sempre que era necessário interromper ou
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introduzir alguma variante durante as mesmas, bastava-lhe chegar junto dos nativos levantar uma das mãos e pedir-lhes que parassem por alguns instantes para transmitir a informação. Todas estas rotinas e estratégias permitiram disponibilizar aos nativos mais tempo para a exercitação das SA e por outro lado um melhor controlo dos nativos, evitando alguns comportamentos menos apropriados.
4.4.3.4. Palavras, sons, gestos, imagens... o que interessa é