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Sur les « six années » de formation architecturale.

Outra forma de avaliar também as áreas verdes urbanas é o de calcular o índice destas áreas florestais que são muito importantes para reequilibrar o clima urbano. Cidades que possuem florestas intraurbanas apresentam importantes áreas de amenização ambiental e de lazer (quando há algum tratamento para tal) para o habitante. Como exemplos, a Cidade de Paris (Bois de Boulogne e Bois de

Vincennes), João Pessoa (Mata do Buraquinho), São Paulo (Parque do Ibirapuera) e

Nova Yorque (Central Park), entre outros.

Segundo Ribeiro (2008), existe também algumas cidades que possuem parques ou florestas bastante significativas, mas no seu setor periurbano ou extraurbano. A cidade de São Paulo, por exemplo, possui suas mais importantes florestas urbanas, na realidade, localizadas na sua coroa intermediária ou na borda periurbana (Floresta do Estado, Floresta da Cantareira, Floresta do Jaraguá, Área florestal de mata Atlântica em seu setor sul, etc.). A sua mais importante área verde central é o Parque Ibirapuera, embora tenha também outros parques e jardins

urbanos, bem menores em tamanho, localizados em áreas mais centrais (Parque da Aclimação, Jardim da Luz, Parque Siqueira Campos, etc.). Também a cidade de Curitiba que recebeu, nas últimas quatro décadas, muitos parques urbanos, também apresenta, em parte, esta mesma característica de localização.

Em relação à composição mais adequada para as áreas verdes na estrutura urbana, são largas as vantagens da utilização de jardins, florestas e espaços verdes, ainda que menos extensos e de menor área, mas em maior quantidade e bem distribuídos ao longo do espaço urbano, permitindo a utilização mais eficiente e disseminada dos “efeitos de borda”. Entre estes efeitos estão a acessibilidade, a visão paisagística e as circulações de brisas.

Com relação às vantagens, fica notório que, em parques de áreas territoriais maiores, como grandes bosques ou florestas urbanas, são utilizados pela população percentual menor de sua área, enquanto parques menores permitem a utilização mais total e eficiente de sua área, aumentando, portanto, o potencial real de atendimento público como área de lazer.

Em geral, estes índices expressam apenas uma informação quantitativa e não necessariamente o estado em que essas áreas verdes se encontram, ou como estão sendo utilizadas e nem a distribuição das mesmas nas áreas urbanas. Deste modo, um alto índice de áreas verdes para uma determinada cidade pode estar relacionado apenas com a presença de vegetação nos bairros socioeconomicamente mais favorecidos. Os bairros mais desfavorecidos apresentam maior carência de áreas verdes, além de não possuírem acesso aos clubes de lazer particulares, apresentam quintais pequenos ou mesmo inexistentes. Muitas vezes, a prática de esporte ou algum tipo de recreação ocorre nas ruas do próprio bairro (GUZZO,1998).

Nucci (1996), em sua tese de doutorado, fez esse levantamento para o Distrito de Santa Cecília, na cidade de São Paulo. Neste trabalho o autor mapeou as "manchas de verde" e obteve o valor em m2. Em seguida, dividiu pela população residente naquele bairro, chegando a um índice que ele denominou ‘índice de verde por habitante’. Neste caso ele considerou todo o verde existente no bairro, independente de ser área pública ou particular, não se preocupando, neste caso, com o acesso da população a essas áreas. Em seguida o autor diferenciou as áreas verdes públicas das particulares, e obteve também o índice de áreas verdes públicas tratadas por habitantes.

Oliveira (1997), em sua dissertação de mestrado, fez um levantamento das áreas públicas de São Carlos e obteve dois índices diferentes. O primeiro, denominado percentual de áreas verdes (PVA), foi estimado para grandes áreas da cidade que o autor chamou de unidades de gerenciamento. Neste índice entraram todas as áreas verdes públicas da cidade, independentemente da sua acessibilidade à população. Diferentes valores foram obtidos para as diferentes unidades de gerenciamento. Em seguida, o autor calculou o índice de áreas verdes (IAV), considerando somente aquelas áreas verdes públicas de acesso livre para a população. Neste caso os índices foram obtidos para setores da cidade. Também chegou ao índice de áreas verdes para a cidade como um todo. O valor obtido foi de 2,65 m2/hab. Segundo o autor, este último índice é um dos sub-indicadores de qualidade de vida da população urbana, expressando a oferta de área verde utilizável "per capita".

Existe um valor consensual que tem sido adotado comumente como um ponto ótimo de disponibilidade de áreas verdes e de lazer per capita que é o índice 12 m2/habitante.1 Como afirma Cavalheiro e Del Picchia (1992): "ainda em relação aos índices é importante comentar que está difundida e arraigada no Brasil a assertiva de que a ONU, ou a OMS, ou a FAO, considerariam ideal que cada cidade dispusesse de 12m2 de área verde/habitante”. Embora não se tenha certeza desta recomendação, pois não existem evidências documentais a respeito, este índice já pode ser considerado consuetudinário na percepção brasileira.

Em pesquisas feitas junto a essas Organizações, não se conseguiu localizar documentos que expressem oficialmente este índice, verificou-se também que este índice não é o utilizado entre as faculdades de paisagismo da República Federal da Alemanha ou dos Estados Unidos. Ainda segundo Cavalheiro e Del Picchia (1992): “Somos levados a supor, depois de termos realizado muitos estudos, que esse índice se refira, tão somente às necessidades de parque de bairro e distritais/setoriais, já que são os que, dentro da malha urbana, devem ser sempre públicos e devem oferecer maiores possibilidade de lazer ao ar livre".

A Associação Nacional de Recreação dos EUA no Congresso Internacional de Recreação, 1956, Filadélfia, sugere que os valores do IAV devam estar entre 28

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Este índice, embora quase consensual e com alguma substância racional, tem sido atribuído à ONU, mas ainda está claro qual o instituto ou documento que o regulamenta. Contudo, já se pode considerar um índice consuetudinário, pela insistência de sua utilização como referência.

e 40 m2/ habitante (MILANO, 1990). A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere um valor de 9 m2/ habitante, a ser adotado como base para o desenvolvimento Urbano da América Latina e do Caribe (IDB, 1997). No Manual de arborização é sugerido que os valores do IAV devam estar entre 13 m2/habitante para as áreas mais adensadas e 12 m2/habitante nas menos populosas, considerando ainda que para cada 50.000 habitantes deve haver um parque, no mínimo com 40 ha, determinando então um IAV em torno de 8 m2/habitante (MINAS GERAIS, 1991).

“Segundo o Atlas Communautaire de L´Environemment, da cidade de Saint-

Denis (França), a orientação qualitativa de espaços livres e verdes para utilização

pública, adotada para a Europa, é de 16,0 m2/habitante, o que se assemelha à orientação da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana que é de 15,0 m2/habitante. Ainda, segundo o mesmo Atlas, o índice qualitativo constante como o proposto para a França é de 10,0 m2/habitante. Abaixo, podemos ver uma comparação dos índices ideais propostos para a Europa e os índices da cidade de Saint-Denis e outras cidades da França” (RIBEIRO, 2008).

Quadro 11 - Orientação de índices ideais para a avaliação qualitativa de espaços livres e verdes públicos adotados na França e recomendação para a Europa

Fonte: Ribeiro (2008 apud ATLAS COMMUNAUTAIRE DE L´ENVIRONEMMENT- SAINT DENIS, 2006)

A falta de uma definição que seja exata e amplamente aceita sobre o termo "áreas verdes" e as diferentes metodologias utilizadas para obtenção dos índices dificulta, em parte, a comparação quantitativa e qualitativa dos dados obtidos para diferentes cidades brasileiras e destas com as cidades estrangeiras.

Estes índices carregam consigo apenas uma informação quantitativa geral, não expressando, qualitativamente, como essas áreas verdes se encontram, como estão sendo utilizadas e nem tampouco a distribuição das mesmas dentro da cidade. Imagine que podemos ter um alto índice de áreas verdes em uma determinada cidade, mas quando observamos a localização dessas áreas, constatamos que a grande maioria delas está centralizada em poucos setores urbanos.

Exigência legal Índice ou Exigência legal/ Índice real

Europa 16,0 m2/habitante

França Île-de-France

Lyon Seine – Saint Denis

10,0 m2/habitante 10,0 m2/habitante 7,00 m2/habitante 10,06 m2/habitante

Soma-se a isto, o fato de que as pessoas que habitam setores mais pobres, onde geralmente há maior carência de áreas verdes, não possuem acesso a clubes de lazer particulares e seus quintais internos são pequenos ou mesmo inexistentes. Em muitos casos, têm que praticar esporte ou desenvolver algum tipo de recreação nas próprias ruas do seu bairro. Para muitos bairros periféricos de nossas cidades, o termo “menino de rua”, tem, na realidade um sentido físico, além do seu sentido social. Para muitas crianças dos bairros mais carentes das nossas periferias, a rua é o único espaço disponível para a sua recreação e “sociabilização”.2

2.8.2 Estudos recentes sobre áreas livres e verdes urbanas em cidades