CHAPITRE 5 R´ ESULTATS ET ANALYSES
5.2 Comparaison des strat´ egies de calage
5.2.3 Analyses hydrologiques
De antemão torna-se importante averiguar o comportamento dos dados aqui utilizados no que se refere à distribuição por Grandes Regiões do Brasil. Retomando ao objetivo desta pesquisa, que é construir padrões e níveis de mortalidade segundo o nível de escolaridade da população brasileira com os dados do Censo demográfico de 2010, a partir da hipótese que quanto mais escolarizada for à pessoa de referência do domicílio, menos óbito haverá no mesmo.
A Tabela 08 exibe as frequências e percentuais dos domicílios que houve ou não a ocorrência de óbito segundo as grandes regiões. Observa-se que quando se considera a região de um modo geral, os domicílios que apresentam casos de óbito são apenas em média 1,7%, já os domicílios que não houve óbito nestas regiões representam em média 98,3%. Considerando o Brasil como um todo, e as Regiões como as porções dos percentuais, a distribuição segue de acordo com o contingente populacional das respectivas regiões. Por Exemplo, a Região Sudeste sendo a mais populosa, consequentemente possui mais domicílios, tende a ter mais domicílios tanto com a ocorrência de óbito quanto sem a ocorrência. Em seguida vem o Nordeste, Sul, Centro Oeste e Norte.
A Tabela 09 representa a distribuição das pessoas segundo a ocorrência ou não de óbito no domicílio, apresenta o mesmo padrão de distribuição dos domicílios visto na Tabela 8. Considerando o Brasil como o total das pessoas, percebem-se mais pessoas residindo em domicílios que não houve óbito. Os maiores percentuais de pessoas residindo nos recintos que houve ou não a ocorrência de óbitos são nas respectivas regiões: Sudeste, Nordeste, Sul, Norte e Centro Oeste.
Tabela 08: § Percentual dos domicílios segundo a ocorrência ou não de óbito, Brasil e Grandes Regiões, 2010.
Área Geográfica 1* Percentual Domicílio 2* Percentual Domicílio
Sim Não Total Sim Não Total
Norte 1,68% 98,32% 100% 0,12% 6,83% 6,95% Nordeste 1,79% 98,21% 100% 0,47% 25,58% 26,05% Sudeste 1,77% 98,23% 100% 0,78% 43,15% 43,92% Sul 1,79% 98,21% 100% 0,28% 15,23% 15,51% Centro Oeste 1,53% 98,47% 100% 0,12% 7,46% 7,57% BRASIL 1,75% 98,25% 100% 1,75% 98,25% 100%
Fonte: Censo Demográfico, IBGE 2010.
Nota: § O quantitativo de Domicílios que não possui a informação de ocorrência ou não de óbito é 633096,15 representando 1,1% do total em todo o Brasil; 1* Percentual dos Domicílios que houve óbito nos últimos 12 meses, considerando cada Região como o total; 2* Percentual dos Domicílios que houve óbito nos últimos 12 meses, considerando o Brasil como total.
Tabela 09: § Percentual dos residentes segundo a ocorrência ou não de óbito, Brasil e Grandes Regiões, 2010. Área Geográfica 1* Percentual de Pessoas Residentes 2* Percentual de Pessoas Residentes
Sim Não Total Sim Não Total
Norte 1,83% 98,17% 100% 0,15% 8,17% 8,32% Nordeste 1,81% 98,19% 100% 0,50% 27,37% 27,88% Sudeste 1,68% 98,32% 100% 0,71% 41,38% 42,08% Sul 1,70% 98,30% 100% 0,24% 14,11% 14,35% Centro Oeste 1,50% 98,50% 100% 0,11% 7,26% 7,37% BRASIL 1,72% 98,28% 100% 1,72% 98,28% 100%
Fonte: Censo Demográfico, IBGE 2010.
Nota: § O quantitativo de pessoas residentes que não informou a ocorrência ou não do óbito no domicílio é de 695435,18 pessoas, representando 0,36% da população total; 1* Percentual de pessoas residentes em domicílios que houve ou não óbito nos últimos 12 meses, considerando cada Região como o total; 2* Percentual de pessoas residentes em domicílios que houve ou não óbito nos últimos 12 meses, considerando o Brasil como total.
É importante lembrar que os níveis de escolaridade aqui considerados foram as
categorias da variável “V0064 – Nível de Instrução do Censo 2010”, aderindo apenas os
casos de pessoas de Referência nos domicílios que houve óbito com as seguintes categorias de escolaridade: Sem Instrução e Ensino Fundamental Incompleto (SI-EFI), Ensino Fundamental Completo e Ensino Médio Incompleto (EFC-EMI), Ensino Médio Completo e Ensino Superior Incompleto (EMC-ESI) e Ensino Superior Completo (ESC). A categoria de escolaridade denominada de “Não Determinado” foi desconsiderada, com isso os óbitos de 1.641 domicílios deixaram de ser contabilizados em todo o Brasil.
De posse das características de escolaridade da pessoa de referência do domicílio, para assim associar ao comportamento da mortalidade, resolveu-se também observar a distribuição de todos os residentes segundo o nível de escolaridade em cada região, nos domicílios que houve óbito e nos que não houve o evento no domicílio. Desta mesma forma para as pessoas de referência dos domicílios.
Os resultados encontrados (Gráfico 15) chamam a atenção nos percentuais de pessoas mais escolarizadas nos domicílios que não houve óbito. Tanto para as pessoas de referência do domicílio como para os residentes. Vale lembrar que as pessoas de referência dos domicílios que ocorreu óbito, são pessoas responsáveis por apenas 1,7% do total de domicílios do país. Mesmo com essa divisão na população baseando-se na ocorrência ou não de óbito nos domicílios, observa-se que a escolaridade das pessoas responsáveis pelos domicílios que houve óbito é mais baixa do que a escolaridade dos responsáveis pelos domicílios que não houve óbito. Este mesmo comportamento acontece para os todos os residentes, ou seja, a escolaridade das pessoas residentes apresenta o mesmo comportamento da escolaridade das pessoas de referência do
domicílio. Esse resultado demonstra que a suposição inicial desse trabalho de usar o nível de escolaridade da pessoa de referência do domicílio onde houve o óbito de fato serve como uma boa proxy para avaliar o diferencial de mortalidade por esta característica social da população.
Os percentuais de pessoas com nível de Escolaridade SI-EFI, representam a maior porção em cada Região brasileira, isso mostra que apesar do país ter apresentado melhoras no acesso a educação na década passada, tornando as taxas de analfabetismo mais baixas, a educação adquirida ainda é muito básica, pois maior parte da população ainda possui Ensino Fundamental Incompleto.
Gráfico 15: Percentual de *pessoas de referência do domicílio onde houve óbito, segundo o nível de
escolaridade, Brasil e Grandes Regiões 2010.
DOMICÍLIOS QUE HOUVE ÓBITO
RESIDENTES PESSOA DE REFERÊNCIA DO DOMICÍLIO
DOMICÍLIOS QUE NÃO HOUVE ÓBITO
RESIDENTES PESSOA DE REFERÊNCIA DO DOICÍLIO
Fonte: Censo Demográfico, IBGE 2010.
Nota: NO: Norte; Nordeste: NE; Sudeste: SD; Sul: SU; CO: Centro Oeste; BR: Brasil; SI-EFI: Sem Instrução e Ensino Fundamental Incompleto; EFC-EMI: Ensino Fundamental Completo e Ensino Médio Incompleto; EMC-ESI: Ensino Médio completo e ensino Superior Incompleto; ESC: Ensino Superior Completo.
Outra análise importante foi a distribuição etária segundo o nível de escolaridade tanto das pessoas de referência do domicílio, quanto das pessoas gerais residentes que moram no domicílio. Fizeram-se análises separadas considerando a ocorrência ou não do óbito (ver os Gráficos 16).
Nota-se que as proporções das pessoas residentes do sexo feminino com nível de escolaridade SI-EFI são bem elevados nos domicílios que houve óbito ao comparar com as que residem em domicílios que não houve esse evento. Ainda comparando estes dois ambientes de residência verifica-se que as pessoas mais escolarizadas (nos níveis EMC- ESI; ESC) estão em maiores proporções nos domicílios que não houveram óbitos.
Gráfico 16: Distribuição etária segundo o nível de escolaridade das pessoas residentes e das pessoas de
referência dos domicílios, Brasil 2010.
DOMICÍLIOS QUE HOUVE ÓBITO EM 2010
Todas as pessoas Residentes Pessoas de Referência do Domicílio
DOMICÍLIOS QUE NÃO HOUVE ÓBITO EM 2010
Todas as pessoas Residentes Pessoas de Referência do Domicílio
Fonte: Censo Demográfico, IBGE 2010.
Nota: SI-EFI: Sem Instrução e Ensino Fundamental Incompleto; EFC-EMI: Ensino Fundamental Completo e Ensino Médio Incompleto; EMC-ESI: Ensino Médio completo e ensino Superior Incompleto; ESC: Ensino Superior Completo.
Esse comportamento de mulheres sem escolaridade responsáveis pelo domicílio tem reflexo na mortalidade, pois segundo Fernandes (1984) estudando diferencias de
mortalidade conforme a escolaridade das mães verificou que as mais escolarizadas possuem filhos com maior expectativa de vida. Como também a pesquisa de Hakkert (1986), que estudou os mecanismos subjacentes à relação entre a mortalidade infanto-juvenil e a educação no Brasil, e observou que quanto mais escolarizada era a mãe, menor era a probabilidade de morte dos filhos antes de completarem dois anos de idade. Essas mães escolarizadas, supostamente, por possuir nível mais elevado de instrução, poderiam exercer certa autonomia dentro do domicílio frente ao marido. O que se observa no Gráfico 16 é a representação da distribuição etária da população residente como também dos responsáveis pelo domicílio para o país como um todo. Esse comportamento verificado no Gráfico 16 também se observa em todas as regiões (ver Apêndice C).
5.3 PADRÕES DE MORTALIDADE POR IDADE E SEXO DO FALECIDO