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ANALYSES DE BOUCHONS CONTRÔLE D'ATMOSPHÈRE

Dans le document CATALOGUE 2021 ŒNOLOGIE (Page 25-31)

A primeira fase do estudo piloto28 teve início a 19 de Junho de 2001, após um período de tempo necessário para a análise dos dados recolhidos através do estudo pré-piloto e para o consequente redesenho do instrumento de recolha de dados relativos às variáveis dependentes. O estudo foi ainda precedido pela seleção dos estabelecimentos de ensino a constituir os grupos de estudo, situados em zonas populacionais distintas (um numa zona urbana e outro numa zona rural, ou numa zona onde subsistissem ainda traços de ruralidade) e a partir dos quais se selecionaram os subgrupos de estudo, quer para o estudo piloto, quer para o estudo principal. Para a seleção dos grupos de estudo (estabelecimentos de ensino) foram utilizados métodos de natureza não aleatória ou empírica, nomeadamente a técnica de seleção intencional. A intencionalidade da seleção dos grupos permitiu, por um lado, a procura de estabelecimentos onde lecionassem professores com quem a Universidade de Aveiro já tivesse estabelecido laços de cooperação, no sentido de assegurar a disponibilidade dos professores para considerarem a integração dos seus alunos na investigação e, por outro lado, a procura de estabelecimentos com alguma proximidade física à Universidade de Aveiro.

Desta forma, estabeleceram-se contatos informais com coordenadores de estágio da Licenciatura em Ensino Básico – 1.º Ciclo, da Universidade de Aveiro, e com professores cooperantes do 1.º CEB, tendo-se selecionado a Escola EB1 de Oliveirinha29, enquanto estabelecimento inserido numa zona onde subsistem traços de ruralidade, e o Centro de Infância Arte e Qualidade (CIAQ)30, enquanto estabelecimento inserido numa zona urbana.

Na primeira fase do estudo piloto foi utilizada a técnica de seleção não aleatória ou empírica designada por seleção intencional, para constituir subgrupos de quatro crianças por cada um dos grupos de estudo (estabelecimentos de ensino) selecionados, num total de oito crianças de nacionalidade portuguesa, com o Português como língua materna, uma por cada ano de escolaridade, sem necessidades educativas especiais, encaixando-se cada par de crianças num

28 O estudo piloto aconteceu em duas fases: uma primeira, que teve lugar no termo do ano letivo 2000/2001, e uma

segunda, que aconteceu no início do ano letivo 2001/2002, imeadiatamente antes do início do estudo principal.

29 Os critérios número de habitantes e densidade populacional são comummente considerados enquanto diferenças

fundamentais entre espaços urbanos e espaços rurais. No entanto, para além destes critérios obviamente demográficos, e no domínio das características intrínsecas de uma determinada zona, é possível apontar outros fatores distintivos, nomeadamente o lugar que a agricultura ocupa no sistema de produção local, a qualidade e a quantidade dos serviços disponíveis, a sociabilidade e o modo de vida (Drouard, Legros & Pascal, 1991). Para além dos problemas que possam levantar-se face a cada um deste critérios, e ainda que existam muitos casos em que, a cada uma das morfologias, urbana e rural, correspondam atividades e valores específicos, existem por vezes casos em que a uma morfologia rural corresponde uma população urbana, por exemplo, sem qualquer atividade agrícola (é o caso das zonas urbano-rurais). São fenómenos decorrentes das topologias anelares dos sistemas urbanos e dos ciclos de vida dos indivíduos nestes sistemas, que tendem a afastar-se dos centros urbanos no decorrer das suas vidas (embora tendam a voltar a eles mais tarde), levando a que estas zonas se alarguem, por pressão demográfica, a espaços ditos rurais (Drouard et al., 1991). A localidade onde a Escola EB1 de Oliveirinha se insere assume-se, nesta perspetiva, não como uma zona tipicamente rural, mas zonas que, acolhendo uma população mais ou menos urbana, continua a evidenciar uma morfologia rural, e traços do que pode ser entendido como ruralidade, mediante os critérios a que aludimos.

30 Relativamente à zona urbana, as opções eram vastas. No entanto, tendo em conta que o transporte das crianças de e

para o estabelecimento localizado na zona rural (assegurado pela própria investigadora), ainda que razoavelmente próximo da Universidade, implicaria gastos consideráveis de tempo, ter-se-ia então que, de forma compensatória, selecionar um estabelecimento cuja proximidade física do local onde as entrevistas tiveram lugar fosse efetivamente curta. O CIAQ está integrado no Campus Universitário, muito perto, portanto, do local das entrevistas, o que permitiria que a deslocação das crianças, para além de mais rápida, fosse feita a pé. Para além disso, o relacionamento entre os Educadores e os Investigadores sempre esteve facilitado pela habituação de convívio e disponibilidade para este tipo de atividades de investigação.

dos perfis socioculturais previamente delineados (cf. quadros 1 e 2 do anexo 2), controlando-se assim esta variável extrínseca.

Viemos a observar um caso de mortalidade no subgrupo de estudo da zona urbana, que viu o seu número total de crianças reduzido para sete, dado que a criança do perfil d (sexo masculino, 4.º ano de escolaridade) teve um problema de saúde que a impediu de realizar as entrevistas, que aconteceu no termo do ano letivo, tendo a criança deixado de frequentar o estabelecimento de ensino (progrediu para o 2.º CEB). Este facto, a par com a identificação, a partir das observações diretas feitas durante as entrevistas, da necessidade de reconsiderar aspetos específicos dos guiões das entrevistas, determinaram a decisão de interromper o estudo piloto, dando-lhe posteriormente continuidade. Desta forma, o estudo piloto aconteceu em duas fases.

O período de tempo que mediou o final do estudo pré-piloto e o início da primeira fase do estudo piloto serviu ainda para a preparação do espaço destinado às entrevistas. Este espaço – uma sala, designada por Ludoteca, que nos foi cedida pelo Centro Integrado de Formação de Professores da Universidade de Aveiro – sofreu uma reestruturação ao nível do seu layout e decoração, planeada de acordo com objetivos específicos, nomeadamente:

• Introduzir o tema da entrevista;

• Conferir ludicidade ao ato da entrevista, como fator motivacional; • Ajudar a dissipar qualquer constrangimento por parte das crianças;

• Ajudar na aproximação e identificação entre a investigadora e as crianças, mostrando-a como alguém capaz de brincar ao faz-de-conta, capaz de imaginar histórias de bruxas, gigantes e florestas encantadas e não como alguém distante e superior;

• Disponibilizar um ambiente acolhedor para que a criança se sentisse o mais confortável possível;

• Permitir que o mesmo espaço pudesse ser utilizado tanto nas entrevistas cuja tarefa envolvia a manipulação de materiais como nas que não envolvia.

Em termos de layout, o espaço estava dividido em três áreas principais: a zona de envolvência ou percurso, a zona da cabana das histórias, onde as entrevistas se desenrolavam, e a zona de desenhos, por onde as crianças eram convidadas a passar antes de irem embora.

No que diz respeito à decoração, a sala permitia encetar com as crianças uma espécie de “brincadeira de faz-de-conta”, levando-as a entrar num espaço “povoado” por elementos normalmente existentes em histórias infantis, como florestas encantadas, castelos, bruxas, cabanas, etc., que cobriam as paredes, as estruturas e o chão, na forma de cenários ou elementos/objetos tridimensionais, como árvores e um barco (cf. figura 1).

À entrada na sala, a investigadora informava a criança, numa voz sussurrada: «Olha, estás a ver, estamos ao pé de uma floresta encantada. Devemos seguir sempre pelo caminho até chegarmos ao lago. Não podemos falar alto porque podemos acordar a bruxa que mora naquele castelo e os gigantes que andam por aqueles montes. Está bem? Vamos atravessar o lago de barco para o outro lado. O nosso objetivo é chegar à cabana das histórias. Vamos a isso?». Depois da

"viagem" até ao outro lado do lago, a criança via um novo cenário com outras cabanas, árvores, etc. e uma tabuleta que indicava a direção da cabana das histórias. Um pequeno caminho levava- a até à estrutura de madeira.

Dentro da estrutura, a criança era convidada a sentar-se nos pequenos sofás ou nas várias almofadas dispostas no chão, em cima de uma carpete. Ao fundo da cabana colocou-se um cortinado opaco que permitia separar a área onde se encontravam os materiais para manipulação. Depois de ligar a câmara, a investigadora sentava-se no chão, junto da criança, e dava início à entrevista.

Figura 1. Fotos da Ludoteca, reestruturada e redecorada para a operacionalização do estudo piloto e do estudo principal. No fim da entrevista, a investigadora explicava às crianças que deviam voltar a atravessar o lago mas que, antes de ir embora, iam fazer um pequeno desvio, por um atalho seu conhecido, para visitar um sítio onde podiam deixar uma mensagem, fazer um desenho ou dar a sua opinião sobre aquele momento.

Ainda que mantendo uma natureza exploratória, este estudo foi desenhado e operacionalizado no sentido de se constituir como fase de verdadeira preparação para o estudo principal e, nessa medida, ele serviu, não apenas para testar e validar o espaço preparado para as entrevistas e a performance da investigadora enquanto entrevistadora, mas também para testar e validar os instrumentos e processos metodológicos que vieram a permitir operacionalizar um estudo principal de caráter comparativo, mas que envolvia uma variável experimental (variável independente manipulada: “natureza da tarefa de conto da história” - com manipulação de materiais ou sem manipulação de materiais).

desenvolvidos dois modelos distintos do guião da entrevista (cf. secção 3.4.1 e anexo02_DIG), que permitiram que fosse aplicada, a cada uma das crianças do subgrupo, uma tipologia distinta de tarefa de conto de histórias em cada uma das entrevistas a que foram sujeitas. Assim, na primeira entrevista, foi solicitado às crianças o conto de uma história sem recurso à manipulação de materiais (conto de história oral) e, na segunda entrevista, o conto de uma história por recurso à manipulação de materiais, que as crianças puderam escolher de entre um conjunto de materiais disponíveis.

Pretendeu-se ainda compreender a adequação da quantidade e qualidade dos materiais disponibilizados para a realização da tarefa de conto de história nas entrevistas que envolviam a manipulação de materiais.

Foram, portanto, realizadas duas entrevistas por criança, num total de 15 sessões (considerando o caso de mortalidade no subgrupo da zona urbana), registadas em formato vídeo (VHS). Em paralelo com as entrevistas, que terminaram a 28 de Junho de 2001, decorreu o processo de preenchimento das “Fichas de caraterização” (cf. secção 3.4.3.1 e anexo 3) para a seleção dos subgrupos de estudo para a segunda fase do estudo piloto e para o estudo principal.

Relativamente ao espaço preparado para as entrevistas, e da observação direta e participante da investigadora, resultou a convicção de que tanto o layout como a decoração da sala demonstraram ser eficazes face aos objetivos já identificados. Todas as crianças, das mais novas às mais velhas, mostraram entusiasmo em relação à “brincadeira” inicial proposta. Nomeadamente, observou-se que mesmo as crianças que no percurso até à Ludoteca se mostraram reservadas ou pouco à vontade reagiram de forma bastante positiva ao ambiente da sala e à brincadeira proposta, alterando o seu comportamento e disponibilidade expressiva. Em relação à estrutura de madeira dentro da qual se montou a “cabana das histórias”, cabe referir que, muito embora funcionasse de forma eficaz no sentido de criar um ambiente acolhedor, e no isolamento do espaço da entrevista em relação ao restante espaço, evitando assim que a criança se distraísse com os cenários e elementos circundantes, restringia bastante os ângulos de filmagem. As câmaras ficaram posicionadas no canto inferior direito da estrutura, uma delas direcionada para o espaço da entrevista e a outra para o espaço dos materiais. Todavia, como o espaço total coberto pela estrutura era relativamente pequeno, os ângulos de filmagem resultavam bastante fechados. Como consequência direta, o espaço que a criança podia utilizar para contar a história ficava também bastante reduzido.

No sentido de resolver o problema e evitar a possibilidade de se perderem alguns momentos ou detalhes das histórias, propôs-se às crianças que contassem a história utilizando o espaço da entrevista, que podia ser rapidamente preparado para o efeito. Eliminando um dos sofás ou puxando-o para a frente, no momento do conto, a criança ficava com o espaço necessário e enquadrada no ângulo de filmagem da câmara principal.

Desta forma, e face ao exposto, o layout e decoração da sala mantiveram-se inalterados nos momentos subsequentes da investigação.

As considerações relativas à validação dos guiões piloto das entrevistas, bem como as que dizem respeito à avaliação da adequação da quantidade e qualidade dos materiais disponibilizados para a realização da tarefa de conto de história, nas entrevistas que envolviam a manipulação de materiais, serão apresentadas mais à frente neste capítulo (cf. secção 3.4.1).

No final da primeira fase do estudo piloto procedeu-se ao desenho e aplicação (preenchimento) das “Fichas de caraterização” que vieram a permitir a recolha de dados para a seleção dos subgrupos de sujeitos para a segunda fase do estudo piloto e para o estudo principal.

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