Partie II ...orientées vers les applications
Chapitre 5 - Vers le traitement automatique
5.1 Analyse syntaxique automatique : Easy et Syntex
A identidade religiosa das populações guineenses é assim descrita de acordo com os dados do Office of Coordination of the United Nations System in Guinea – Bissau: 36% da população guineense é animista48, 46% da população é de filiação islâmica49, 14% da população é de orientação católica e 4% da população é pertencente a outras religiões.
É importante salientar que este cenário deve ter sofrido grandes alterações, porque têm aparecido na Guiné outras novas filiações religiosas50 bem como casos de conversões de religião.
A comunidade islâmica na Guiné tem tido uma excelente progressão, mais por conta de novas conversões como foi o caso mediático do ex-candidato presidencial Kumba Yalá. A essas conversões podemos juntar também os casos de mulheres ou homens animistas e católicas, que quando casam com homens ou mulheres muçulmanos são obrigadas a converter-se ao islamismo. Num país onde a poligamia é um facto socialmente aceite, a prática poligâmica instituída nos praticantes da fé islâmica torna-se uma condição potenciadora para o crescimento de novos fiéis do islão.
No entanto, os valores obtidos no inquérito efetuado à população migrante, relativamente à sua identidade religiosa (Quadro VII), não traduzem a orientação religiosa que é vivida na Guiné.
Quadro VII – Autoidentificação religiosa dos imigrantes em %
Religião (%) Católicos 62,30 Muçulmanos 17,80 Outras filiações 5,80 Sem filiação 10,60 Não respostas 3,50 Total 100,00
Fonte: Inquérito Nacional aos Guineenses em Portugal (1995)
48 Tem como prática o culto dos antepassados, das forças físicas ou fenómenos paranormais.
49 É uma religião baseada na submissão a Deus. O próprio nome da religião significa simultaneamente submissão
e paz. 50
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O Quadro VII mostra que a grande maioria dos imigrantes (62%) se autoidentificam como católicos, enquanto uma fasquia que corresponde a 18% possui orientação muçulmana, 6% tem outras filiações religiosas, 11% não possui filiações religiosas e 4% dos imigrantes não responderam quanto à sua autoidentificação religiosa.
Como explicar este paradoxo? Poderia pensar-se que muitos animistas se teriam convertido ao catolicismo, sofrendo o efeito de socialização do país de acolhimento. Mas o mais provável é estarmos só perante uma mudança circunstancial e temporária da religião animista para a religião católica. A maioria dos migrantes identifica-se com a religião católica tal como a maioria da população portuguesa, mesmo que isso não se traduza numa verdadeira prática ou crença católica. Pode-se dizer também que o contexto em que lhes foi efetuada a pergunta quanto à sua autoidentidade religiosa terá tido influência nas respostas dadas.
A verdade é que duas das etnias com peso mais significativo no total dos imigrantes (os manjacos e os mancanhas), de acordo com o inquérito nacional aos migrantes guineenses (Fernando Luís Machado, Contrastes e Continuidades, 2002:123), são povos animistas, cujas práticas religiosas são animistas, onde a religião é manifestada através de elementos e práticas de tradição secular herdadas dos antepassados. Quase todos os imigrantes destas duas etnias51 possuem práticas religiosas de crença animista. Por isso, apesar de terem respondido que pertenciam à religião católica, voltarão a acreditar na religião que lhes foi ensinada a adorar em momentos positivos ou menos positivos na sua vida.
A prática da religião católica dos imigrantes guineenses em Portugal tem algumas estruturas que a sustentam, como é o caso do Fórum de católicos guineenses em Portugal, cuja existência ronda os 7 anos. Esta estrutura veio substituir várias outras associações ou grupos paroquiais que descendiam das demais paróquias52 em Bissau.
51 Se perguntarem num inquérito ou em outras circunstâncias, qual a orientação religiosa de um guineense que não seja muçulmano, a primeira resposta a partida do inquirido será seguinte: ele dirá que é da religião católica, essa afirmação é valida para muitos outros mancanhas e manjacos.
Mas quando voltarem as suas casa irão lembrar que, herdaram a tradição animista dos nossos pais que herdaram dos seus antepassados sem questionar e no qual continuam crentes e devotos.
52 Paróquia de Nossa Senhora de Fátima (sito no antigo Bissau nobu); Paróquia do Cristo Redentor da comunidade de cupilom, entre outras.
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O fórum costuma reunir na paróquia do Campo Grande todos os terceiros domingos de cada mês, onde a comunidade dos imigrantes participa na missa53.
Esta estrutura também possui uma agenda de atividades proposta pelos próprios membros, que vai desde a integração de estudantes guineenses à realização de campanhas de solidariedade dirigidas aos novos imigrantes.
Quanto à religião muçulmana, esta é a segunda em termos de práticas religiosas por parte dos imigrantes guineenses em Portugal. No que se refere às condições para a prática do Islamismo, existe um bom número de templos na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde reside a maioria dos migrantes guineenses. No norte e sul do país existem também alguns lugares de prática de culto54, bem como na ilha da Madeira.
Em Portugal existe uma comunidade islâmica de Lisboa, fundada a 6 de Abril de 1968 por grupos de estudantes muçulmanos oriundos das ex-colónias, que na altura se encontravam a estudar em Portugal. Esta comunidade estima-se que possua cerca de 35 a 40 mil muçulmanos sendo a sua maior parte de origem guineense.
Também em Lisboa podemos encontrar a Mesquita Central da Praça de Espanha, cuja data do lançamento da primeira pedra foi em 1985, tendo sido inaugurada a 29 de Março de 1985, (Gonzaga, et al. 2001: 71-73).
53 Missa de características africanas. 54
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